LINS, ALCIDES

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Nome: LINS, Alcides
Nome Completo: LINS, ALCIDES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LINS, ALCIDES

LINS, Alcides

*interv. MG 1946-1947.

 

Alcides Lins nasceu em Ouro Preto (MG) no dia 2 de maio de 1891, filho de Edmundo Pereira Lins, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de 1917 a 1937, e de Brasilina Pinheiro e Prado Lins.

Freqüentou diversas escolas primárias particulares em Belo Horizonte, cursando humanidades no Ginásio Mineiro, em Barbacena, de 1904 a 1908. Completou o ginásio em 1908, no Granbery, em Juiz de Fora (MG), formando-se, em 1915, em engenharia de minas e civil pela Escola de Minas de Ouro Preto.

Ingressou em seguida na Rede Sul-Mineira, onde permaneceu como engenheiro residente de 1916 a 1918. De janeiro a dezembro deste último ano, foi engenheiro-ajudante da Superintendência de Máquinas, Construções e Oficinas do Lóide Brasileiro. De 1919 a 1922, foi fazendeiro em Sarandi, município de Juiz de Fora, exercendo nesta época a função de engenheiro fiscal de Minas Gerais junto à Leopoldina Railway, onde passou a ajudante de primeira classe e foi nomeado, em setembro de 1922, chefe interino da fiscalização. Em setembro de 1925, efetivou-se no cargo, que ocupou até o ano seguinte.

Ainda em 1926, assumiu a diretoria do Departamento de Viação e Obras Públicas de Minas Gerais, deixando-a em 1929. Durante o mesmo período, atuou como diretor da revista Estradas de Ferro e engenheiro fiscal do Leprosário Santa Isabel. Entre 1927 e 1930, seria membro da comissão de tarifas da Contadoria Central Ferroviária do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, representando, em maio de 1928, o governo de Minas Gerais na Exposição Nacional de Estradas de Rodagem e Automóveis, realizada naquele estado. Em agosto do ano seguinte, representou o mesmo governo junto ao Congresso Pan-Americano de Estradas de Rodagem, também no Rio de Janeiro. Ainda em 1929, elegeu-se prefeito de Belo Horizonte, permanecendo no cargo até 1930, quando foi afastado em decorrência da revolução vitoriosa que eclodiu em outubro.

Após a Revolução de 1930, tornou-se diretor da Rede de Viação Sul-Mineira — depois Estrada de Ferro Sul de Minas —, cargo que ocupou até 1932. Em 1931 e 1933, participou, como relator, das comissões do Ministério da Viação designadas para estudar e rever o contrato da Itabira Iron Ore Company. Designado, em 1933, assistente do diretor-geral da Leopoldina Railway, integrou neste ano a comissão encarregada de rever os regulamentos da Taxa de Viação e do Imposto de Trânsito, bem como a que regulamentou as profissões de engenheiro e de arquiteto.

Ainda em 1933, com o início do governo do interventor Benedito Valadares (1933-1935), foi nomeado secretário de Finanças de Minas Gerais. Em março de 1934, deixou a Secretaria de Finanças para assumir a diretoria do Departamento Nacional do Café, no qual permaneceu até 1935. Neste ano, fez parte da comissão que regulamentou o tempo de serviço de oito horas para os trabalhadores de estradas de ferro.

Em dezembro de 1946, substituiu Noraldino Lima como interventor federal em Minas Gerais, função que exerceu até março do ano seguinte, quando foi substituído pelo governador eleito Mílton Campos. Em sua curta passagem pelo governo de Minas, baixou o Decreto-Lei nº 2.080 (13/3/1947), que criou o Instituto Agronômico, e o Decreto-Lei nº 2.084 (13/3/1947), que deu origem ao Instituto de Zootecnia.

Em 1948, tornou-se membro da Comissão de Investimentos que participou do exame do anteprojeto do Estatuto do Petróleo, proposto pelo presidente Eurico Dutra (1946-1951). Figuravam, na mesma comissão, Eugênio Gudin, Oscar Weinschenk e Valentim Bouças, que a presidia. O parecer da comissão foi contrário a algumas exigências contidas no anteprojeto que, segundo julgava, chocavam-se com seu objetivo de atrair recursos privados. Durante os trabalhos, Valentim Bouças propôs que se negociasse um acordo Brasil-Estados Unidos de modo que o petróleo fosse considerado prioritário tanto para a segurança nacional quanto hemisférica, justificando assim a participação estrangeira no setor. A proposta, contudo, foi recusada pelos demais membros da comissão. A questão do petróleo seria resolvida em 1953, durante o segundo governo de Getúlio Vargas (1951-1954), com a adoção do monopólio estatal e a criação da Petrobras.

Com a encampação pelo governo da Estrada de Ferro Leopoldina em dezembro de 1951, Alcides Lins foi dispensado do cargo de diretor da mesma. Foi ainda presidente da comissão geral do Instituto Ferroviário de Pesquisas Técnicas e Econômicas (IFPTE), diretor técnico da Companhia Cantareira e Viação Fluminense e da Companhia Ferroviária de Itabapoana (RJ), presidente da Associação da Companhia de Estradas de Ferro do Brasil (RJ) e representante da Navegação Mineira em São Francisco junto à comissão de tarifas da Contadoria Central Ferroviária do Rio de Janeiro. Orientou também o projeto e o início da construção da Penitenciária Agrícola das Neves, em Belo Horizonte.

Sócio do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro e da Sociedade Mineira dos Engenheiros, foi também correspondente da Sociedade Central de Arquitetos de Buenos Aires e da American Road Builder’s Association.

Suas atividades jornalísticas incluíram colaboração na Revista das Estradas de Ferro e na Combustível, Transportes e Minérios — das quais foi diretor —, na Revista Brasileira de Engenharia, no Brasil Ferro Carril e na Revista Ferroviária, bem como em jornais de Juiz de Fora e de Belo Horizonte, no Jornal do Comércio, em O Jornal, em A Pátria e na revista DNC, do Rio de Janeiro, além de artigos para o Boletim do Instituto de Engenharia de São Paulo. Foi também diretor da revista Clube de Engenharia e presidente da Engenharia Editora.

Alcides Lins faleceu no Rio de Janeiro no dia 9 de novembro de 1969.

Era casado com Guiomar Ferreira Alves Lins, com quem teve sete filhos.

Também seguiu a trajetória política seu sogro Francisco Ferreira Alves, senador constituinte da Assembléia Legislativa de Minas Gerais entre 1891 e 1914.

Publicou A Central do Brasil (1926), O aumento das tarifas da Estrada de Ferro Central do Brasil (relatório de 1927), Relatório de diretor de Viação e Obras Públicas (2 v., 1927 e 1929), O processo das rodovias (1929), Justificação ao regulamento de concessão de estradas de ferro do estado de Minas Gerais, Decreto nº 8.950 de 25 de janeiro de 1929 (1929), Relatório de diretor da Rede Sul-Mineira (2 v., 1931 e 1933), A revolução de São Paulo (1932), A administração da E. F. Sul de Minas durante a ocupação de Cruzeiro pelo exército constitucionalista. Exposição do engenheiro Alcides Lins, ex-diretor da mesma estrada (1932), A nova Constituição e o problema ferroviário (1933), Relatório sobre a revisão do contrato de Itabira Iron (1934), Defesa (relacionada ao anterior, 1935), Pneus versus trilhos (1937), A angústia das ferrovias em tráfego (1943), Os transportes no Brasil durante e após a guerra (1944), A função das estradas de ferro nos meios de comunicação e transportes no Brasil (1947), Reaparelhamento e desenvolvimento da rede ferroviária nacional (1948) e Relatório da inspeção extraordinária das linhas arrendadas à Companhia Ferroviária Este Brasileiro (em colaboração com Alípio Rosauro Gonçalves de Almeida e Edmundo Brandão Pirajá).

 

 

FONTES: ANDRADE, F. Relação; ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; COHN, G. Petróleo; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORRESP. ARQ. PÚBL. MINEIRO; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; Personalidades; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; TORRES, J. História de Minas; VELHO SOBRINHO, J. Dic.

 

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