LUIS DE ALENCAR ARARIPE

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Nome: ARARIPE, Alencar (Pol Fed )
Nome Completo: LUIS DE ALENCAR ARARIPE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

ARARIPE, Alencar

*militar; dir. ger. DPF 1985-1986.

 

Luís de Alencar Araripe nasceu em Lambari (MG) no dia 18 de junho de 1923, filho de Arnaldo de Alencar Araripe e de Arinda de Alencar Araripe.

Sentou praça na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em abril de 1940, tornando-se aspirante em março de 1943, na arma de artilharia. Foi promovido a segundo-tenente em setembro desse ano, a primeiro-tenente em setembro de 1944, a capitão em março de 1948, e a major em abril de 1953. Tornou-se tenente-coronel em agosto de 1962, ano em que concluiu o curso de direito na Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro. Durante a carreira militar, fez ainda cursos na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e na Escola Superior de Guerra.

Partícipe do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964), no ano seguinte foi para Kansas, nos Estados Unidos, onde trabalhou como redator da Military Review. De volta ao Brasil, em 1966 foi promovido a coronel e lotado no Estado-Maior do Exército, passando posteriormente para o Serviço Nacional de Informações (SNI). De acordo com a Veja (8/1/1986), em 1970, já fora do SNI, servia com o general Alfredo Souto Malan, que naquele ano, em plena vigência do Ato Institucional nº 5 (AI-5), fez um discurso no qual propunha a volta dos militares aos quartéis. O discurso, redigido por Araripe, não foi bem recebido na caserna e seu autor perdeu, assim, a chance de chegar ao generalato. Transferido para a reserva em 1973, passou a trabalhar na iniciativa privada. Voltou ao SNI pelas mãos do general Otávio Medeiros, chefe do órgão entre 1978 e 1985. Nessa fase, trabalhou numa área denominada “acordo paralelo” e com temas relacionados ao Acordo Nuclear Brasil-Alemanha.

Na sucessão do presidente João Figueiredo (1979-1985), também segundo a Veja (8/1/1986), Araripe não acreditava na candidatura do candidato governista Paulo Maluf, do Partido Democrático Social (PDS), e passou a empenhar-se em estabelecer a ponte entre o candidato oposicionista, Tancredo Neves, o palácio do Planalto e os quartéis. Ainda de acordo com a revista, foi um dos oficiais que mais trabalharam para neutralizar as tentativas de golpe concebidas no Centro de Informações do Exército (CIE) contra o candidato da Aliança Democrática, união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal.

No Colégio Eleitoral reunido em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente da República. Araripe foi escolhido pelo presidente eleito para assumir o cargo de diretor-geral do Departamento de Polícia Federal (DPF), em substituição a Moacir Coelho. Contudo, por motivo de doença, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo, desde 15 de março. Mantido no cargo por Sarney, segundo a Veja (8/1/1986), Araripe passou a gerir o DPF em sintonia com a comunidade de informações, e sua subordinação ao ministro da Justiça, Fernando Lira, era pouco mais que uma formalidade.

No fim de 1985, Araripe indicou para assumir as superintendências da Polícia Federal no Pará, no Ceará e em Brasília, três delegados listados como torturadores durante o regime militar pelo Projeto Brasil Nunca Mais, da Arquidiocese de São Paulo. Uma semana depois das denúncias, o ministro da Justiça revogou a portaria de nomeação de João Batista Xavier para a Superintendência da Polícia Federal no Ceará. Esse ato acabou provocando o pedido de demissão de Araripe, que defendeu o acusado, alegando que não existiam provas contra ele.

Ao deixar a direção geral do DPF em janeiro de 1986, Araripe foi substituído interinamente por João Campelo. De volta ao SNI, permaneceu no órgão por apenas um ano. Em seguida passou a trabalhar no escritório de advocacia de seu filho, e em 1990 afastou-se das atividades profissionais.

Foi membro do Conselho Editorial da Biblioteca do Exército e do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil.

Casou-se com Mazza Cota de Alencar Araripe, com quem teve três filhos.

 

FONTES: INF. BIOG; MIN. EXÉRC. Almanaque (1975); Veja (8 e 15/1/86).

 

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