LUIS EULALIO DE BUENO VIDIGAL FILHO

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Nome: VIDIGAL, Luís Eulálio de Bueno
Nome Completo: LUIS EULALIO DE BUENO VIDIGAL FILHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
VIDIGAL, LUÍS EULÁLIO DE BUENO

VIDIGAL, Luís Eulálio de Bueno

*pres. FIESP/CIESP 1980-1986.

Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho nasceu em São Paulo no dia 26 de março de 1939, filho do industrial Luís Eulálio de Bueno Vidigal e de Maria Adília Barbosa Vidigal.

Iniciou sua formação escolar em 1946, ingressando no Externato Elvira Brandão, onde completou o curso primário. Em 1948, prestou concurso de admissão para o Colégio São Luís, terminando o curso ginasial em 1952. No ano seguinte, matriculou-se no Instituto Mackenzie, concluindo o segundo grau em 1958. Entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo em 1959, obtendo o diploma de bacharel em 1963.

Representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI) no Grupo Executivo da Indústria Automotiva do Ministério da Indústria e Comércio em 1962, no ano seguinte ingressou na Companhia Brasileira de Material Ferroviário (Cobrasma) empresa fabricante de material ferroviário e autopeças pertencente à sua família. Atuando no setor jurídico, Vidigal investiu no aperfeiçoamento profissional, indo para a Universidade de Illinois (EUA), onde pós-graduou-se em administração de empresas em 1965.

De volta ao Brasil, ocupou em 1969 o cargo de primeiro vice-presidente do Sindicato da Indústria de Forjaria do Estado de São Paulo e do Sindicato da Indústria de Peças para Automóveis e Similares. A partir desse ano, tornou-se representante do setor de autopeças no Grupo Executivo da Indústria Automotiva do Ministério da Indústria e Comércio, função que exerceria até 1972. Durante os anos de 1969 e 1970, atuou como diretor-adjunto do departamento jurídico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo/Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP). Entre 1969 e 1971, exerceu o cargo de diretor-secretário do Sindicato Nacional da Indústria de Peças para Automóveis e Similares, assumindo, neste último ano, o cargo de diretor da FIESP/CIESP. Em 1972, atuou como representante da CNI no grupo setorial VI do Conselho de Desenvolvimento Industrial do Ministério da Indústria e Comércio. A partir de 1973, passou a integrar a seção brasileira do Comitê Empresarial Nipo-Brasileiro.

Em 1974, ascendeu à vice-presidência do sistema FIESP/CIESP, exercendo o cargo até 1980. Permaneceu no Sindicato de Peças para Automóveis e Similares durante 1974, quando assumiu, também, a presidência do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, cargo que exerceria até o ano de 1980. Ainda em 1974, foi representante do setor empresarial brasileiro no Comitê Coordenador da Organização dos Estados Americanos (OEA)/Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sobre investimentos privados estrangeiros na América Latina. No ano seguinte, deixou a primeira vice-presidência do Sindicato da Indústria de Forjaria de São Paulo.

Membro da seção brasileira do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos (CEBEU) em 1975, dois anos depois desligou-se do Comitê Empresarial Nipo-Brasileiro e, em 1978, desligou-se do CEBEU e da representação do Comitê Coordenador OEA/BID.

A partir de 1978, passou a liderar um movimento de renovação do sistema FIESP/CIESP, integrando um grupo de empresários que reunia, entre outros, Cláudio Bardella, Carlos Eduardo Uchôa Fagundes, Mário Amato e Carlos Eduardo Moreira Ferreira — os dois últimos assumiriam a presidência das duas entidades em períodos posteriores. No ano seguinte, tornou-se membro do Conselho Monetário Nacional, atividade que exerceria até 1986.

Em 1980, lançou sua candidatura à presidência da FIESP/CIESP, disputando com Teobaldo de Nigris que, concluindo o oitavo mandato consecutivo, resolvera candidatar-se à reeleição com o apoio do establishment empresarial. A eleição foi feita em dois turnos, porque Luís Eulálio não conseguiu maioria absoluta. Participaram do pleito na FIESP 111 sindicatos e Vidigal obteve 54 votos contra 52 de De Nigris. No segundo pleito, Vidigal obteve uma vantagem de 18 votos contra o seu adversário, ganhando também no CIESP, após a desistência de De Nigris.

Uma de suas primeiras providências à frente da FIESP/CIESP foi atender a um compromisso de campanha, mudando os estatutos para acabar com reeleições sucessivas. Desde então, o presidente da FIESP/CIESP só pode ser reeleito uma vez.

No mesmo ano, ascendeu à primeira vice-presidência da CNI, tornando-se o substituto eventual do presidente Albano Franco nos períodos em que este se afastava da direção da entidade.

Como presidente da FIESP, Vidigal apoiou as medidas anunciadas em janeiro de 1983, durante o governo do presidente João Figueiredo, referentes a modificações na lei salarial. Tais medidas incluíam a eliminação do aumento de 10% acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) para empregados que ganhavam até três salários mínimos, que passariam — com o aumento estrito ao índice — a receber assim reajustes abaixo da inflação. Em junho do ano seguinte, Vidigal manifestou insatisfação com a política econômica do governo e se dizia arrependido por ter acreditado nas promessas de que a inflação cairia em quatro meses. Daí em diante, passou a defender a livre negociação salarial e a recomposição do poder de consumo da classe média como meio de equilibrar os fluxos de compra e venda. Lamentando a excessiva preocupação do Congresso com a sucessão do presidente Figueiredo em prejuízo de medidas econômicas mais eficazes, Vidigal declarou à imprensa que, a partir de então, usaria como estratégia o encaminhamento de propostas aos candidatos à sucessão.

De fato, em dezembro de 1984 Vidigal teve atuação destacada no Encontro Nacional da Indústria, promovido pela CNI, que reuniu cerca de oitocentos empresários no Rio de Janeiro, com o objetivo de formular sugestões para a futura política econômica do próximo presidente da República, Tancredo Neves ou Paulo Maluf. Ele conseguiu evitar um embate público entre as posições assumidas pelos empresários paulistas e as defendidas pelo presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Artur João Donato, solicitando que o plenário aprovasse o documento apresentado por um grupo de empresários paulistas em caráter de urgência, minutos antes da chegada do candidato Tancredo Neves. Enquanto o grupo paulista defendia uma retomada do crescimento a qualquer preço, Donato alertava para o perigo da “argentinização”, defendendo a formulação de uma política antiinflacionária. O documento apresentado pelos paulistas, intitulado Configurações da política econômica e as perspectivas de longo prazo do desenvolvimento industrial, defendia o rebaixamento das taxas de juros praticadas pelos bancos, o reforço do papel da empresa nacional, a retomada do desenvolvimento do mercado interno e a recomposicão do poder real de compra dos trabalhadores.

Tendo como certa a eleição do candidato da frente oposicionista, Tancredo Neves, pelo Colégio Eleitoral, Vidigal declarou total apoio ao futuro presidente, identificando como o maior obstáculo para a nova administração o que chamou de incompreensão do Partido dos Trabalhadores (PT) e dos sindicalistas ligados a esse partido. Na ocasião, como representante da FIESP, Vidigal sugeriu os nomes de Francisco Dornelles, secretário da Receita Federal, e de Olavo Setúbal, proprietário do Banco Itaú, para o Ministério da Fazenda.

Com a doença e morte de Tancredo Neves, o presidente recém-eleito, o vice José Sarney assumiu o cargo definitivamente. No novo governo, Vidigal foi nomeado pelo presidente para membro da Comissão Provisória de Estudos Constitucionais, função que exerceria de 1985 a 1987.

Em fevereiro de 1986, o governo Sarney colocou em prática o Plano Cruzado, plano de estabilização econômica que consistiu na criação de um novo padrão monetário, o cruzado, na extinção da correção monetária, na estabilização cambial e no congelamento de preços e salários. Ao final do primeiro mês de implantação do plano, os empresários estavam às voltas com a necessidade de encontrar um acordo com seus fornecedores que garantisse condições para que eles continuassem operando com lucro em um regime de preços congelados. A princípio, Vidigal colocou-se como árbitro, visando superar impasses surgidos entre os próprios empresários como por exemplo o desacerto entre fornecedores de peças para automóveis e as montadoras — não havia acordo quanto ao preço de venda ao comércio, bem como entre os fornecedores de matérias-primas e as indústrias. No entanto, as montadoras excluíram os fornecedores da mesa de negociação alegando que Vidigal estaria sendo favorável às fábricas de autopeças.

Em setembro de 1986, Mário Amato o sucedeu à frente da FIESP/CIESP. Durante o período em que exerceu a presidência daquelas entidades, Vidigal conciliou esta atividade com as de membro do Conselho Estadual de Meio Ambiente do Governo de São Paulo, de 1982 a 1986, de vice-presidente do Comitê Brasileiro da Câmara de Comércio Internacional, de 1983 a 1985, de membro do conselho consultivo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Participações (Bndespar), entre 1982 e 1986, e de primeiro vice-presidente da CNI, havendo inclusive assumido a presidência desse órgão diversas vezes entre 1983 e 1989.

Ainda em 1986, tornou-se presidente da Comissão de Comércio Exterior da CNI, membro do Board of the International Environmental Bureau Inc. e recebeu o título de “Homem do Ano”, outorgado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Nova Iorque. No ano seguinte, assumiu a presidência da seção brasileira do CEBEU.

Ainda em 1987, Vidigal envolveu-se em um escândalo financeiro que ficou conhecido como o caso Cobrasma. Na época, ele foi condenado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a pagar uma multa de cerca de um milhão de dólares como pessoa física. A sua pessoa jurídica, representada pela Cobrasma, da qual detinha o controle juntamente com seu pai, recebeu uma multa duas vezes maior. A condenação baseou-se no “caráter enganoso”, segundo os termos da CVM, das estimativas feitas pela Cobrasma, que sustentou a venda de ações com projeções de lucros que não se concretizaram. Em conseqüência, os compradores das ações sofreram grandes prejuízos, sobretudo o Bradesco, o Crefisul e o Banco de Crédito Nacional, que haviam coordenado a emissão das ações da Cobrasma. Pelo acordo firmado, esses bancos estavam obrigados a comprar todas as ações que não fossem absorvidas pelo mercado. Após uma frustrada tentativa de renegociação, os banqueiros decidiram cortar o crédito à Vidigal e ao grupo Cobrasma. No entanto, dois meses depois, ele obteve a abertura de crédito no Banco do Brasil, facilitada pelo ministro da Fazenda Dílson Funaro. Vidigal culpou o governo pelo ocorrido, argumentando que o fracasso do Plano Cruzado fora responsável por um aumento enorme dos custos, invalidando as estimativas iniciais. O caso Cobrasma abalou a imagem pública de Vidigal, prejudicando não só os seus negócios na empresa, mas sobretudo a sua pretensão de disputar a presidência da CNI, deixando o caminho livre para Albano Franco garantir a sua terceira reeleição.

O processo relativo ao caso Cobrasma transcorreu por todo o ano de 1988 e primeiro semestre de 1989. Em junho deste último ano, por decisão do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro, órgão do Banco Central, Vidigal foi absolvido de qualquer responsabilidade. O conselho deu razão aos seus argumentos, ao considerar que Vidigal calculara lucros irreais simplesmente por estar embalado pela onda de otimismo que o país viveu durante o Plano Cruzado. Com a absolvição, Vidigal e a Cobrasma ficaram livres da multa imposta pela CVM.

Vice-presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Indústrias de Base (ABDIB) entre 1990 e 1991, em março deste último ano Vidigal encaminhou pedido de concordata à Justiça de Osasco (SP), no qual incluía as três unidades do grupo Cobrasma (fábricas de caldeira e de equipamento ferroviário) e a Fornasa (fábrica de tubos galvanizados). Na época, Vidigal responsabilizou o governo federal pelo pedido de concordata preventiva, alegando que o desempenho da empresa fora prejudicado por causa da recessão, da mudança de regras no pagamento de empresas públicas, dos vários planos de estabilização e da suspensão dos contratos com algumas empresas estatais.

Após pedir concordata, Vidigal dirigiu-se a cerca de dois mil trabalhadores da empresa, reunidos em assembléia convocada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, onde anunciou o pedido de concordata e mais 150 demissões (além das 750 efetuadas no ano anterior). Na negociação com o sindicato, Vidigal suspendeu 40 dispensas e flexibilizou outras 110, abrindo a possibilidade de os demitidos serem substituídos por meio de trocas com aqueles que desejassem deixar a empresa.

Encerrou os mandatos à frente da Comissão de Comércio Exterior da CNI em 1992, e, no ano seguinte, à frente da seção brasileira do CEBEU. Em 1996, após ter reorganizado o seu patrimônio, permaneceu como presidente da Cobrasma e da Fornasa, além da Hewitt do Brasil Engenharia e Representações Ltda. Foi também diretor da Rockwell do Brasil, membro do conselho consultivo da Confab Industrial S.A. e diretor da Armazéns Gerais e Serviços Ltda.

Em 1999, exerceu as seguintes atividades: diretor e vice-presidente do Conselho de Integração Internacional da CNI; delegado e representante da FIESP junto à CNI; membro do conselho regional do Sesi-SP; membro do Comitê Empresarial Permanente do Ministério das Relações Exteriores; membro do Comitê Estratégico Brasil-França e vice-coordenador da seção brasileira do Conselho Industrial do Mercosul (CIM).

Casou-se com Lígia Fonseca Vidigal, com quem teve três filhos.

Publicou Histórias de um empresário da época do “Brasil Grande” (2007).

Libânia Xavier/Elizabeth Dezouzart

FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (19/3/94); Folha de S. Paulo (27/12/86 e 9/3/91); Globo (6/3/91); Jornal do Brasil (22/3 e 14/10/77); Portal da FIESP; Veja (4/3/81, 19/1, 2 e 3/4/83, 28/3, 18/7 e 19/12/84, 5/2, 19/3, 28/5 e 27/8/86, 14/10/87, 7/6/89).

 

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