LUTERO SARMANHO VARGAS

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Nome: VARGAS, Lutero
Nome Completo: LUTERO SARMANHO VARGAS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
VARGAS, LUTERO

VARGAS, Lutero

*dep. fed. DF 1951-1959.

 

Lutero Sarmanho Vargas nasceu em São Borja (RS) no dia 24 de fevereiro de 1912, filho primogênito de Getúlio Dornelles Vargas e de Darci Sarmanho Vargas. Seu pai foi presidente da República de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954. Seus irmãos, Alzira Vargas do Amaral Peixoto e Manuel Antônio (Maneco) Sarmanho Vargas, foram, respectivamente, auxiliar do Gabinete da Presidência da República de 1937 a 1945 e prefeito de Porto Alegre de 1958 a 1960. Seu avô paterno, Manuel do Nascimento Vargas, foi líder republicano durante a Revolução Federalista, de 1893 a 1895. Seu tio pelo lado paterno, Benjamim (Bejo) Dornelles Vargas, foi chefe de polícia do Distrito Federal durante as 24 horas que antecederam a queda de Getúlio em 29 de outubro de 1945. Seu tio por parte de mãe, Válder de Lima Sarmanho, foi oficial-de-gabinete do Gabinete Civil da Presidência da República de 1930 a 1939, além de embaixador do Brasil no Uruguai de 1958 a 1963 e no Peru de 1963 a 1964. Seu primo Manuel Nascimento Vargas Neto, jornalista e escritor, foi deputado pelo Distrito Federal de 1946 a 1951, e sua prima Ivete Vargas foi deputada por São Paulo de 1951 a 1969 e a partir de 1983. Seu tio-avô pelo lado materno, Valdomiro Castilho de Lima, foi interventor federal em São Paulo de janeiro a agosto de 1933.

Iniciou seus estudos em Porto Alegre, chegando a ingressar no Colégio Militar dessa cidade. Após a eleição de seu pai para a Câmara Federal (1923-1926), mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde concluiu o secundário, também no Colégio Militar. Em 1937 bacharelou-se pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil.

Em 1939 empreendeu uma viagem de estudos à Europa. Ao regressar, em 1940, tornou-se cirurgião-chefe do Centro Médico-Pedagógico Osvaldo Cruz. Seguiu para os Estados Unidos em 1942, onde fez um curso de cirurgia ortopédica, e novamente em 1943, lá permanecendo até julho de 1944, quando, com a intervenção do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), viajou para a Itália integrando o Grupo de Aviação de Caça na condição de tenente-médico. Ao final da guerra regressou ao Brasil e a seguir, em julho de 1945, voltou aos Estados Unidos para fazer um curso visando à readaptação dos mutilados da guerra. De novo no Rio de Janeiro em outubro de 1945, reassumiu suas funções no Centro Médico-Pedagógico Osvaldo Cruz.

Com a desagregação do Estado Novo (1937-1945), participou, ainda em 1945, da fundação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Em outubro de 1950 foi eleito deputado federal pelo Distrito Federal, assumindo o mandato em fevereiro de 1951. Nesse mesmo pleito seu pai foi eleito presidente da República, iniciando seu segundo governo em janeiro de 1951. Nessa legislatura participou da discussão sobre a exploração de petróleo no Brasil, que resultou na criação da Petrobras (3/10/1953), apesar da forte oposição por parte do setor empresarial. Chegou a propor um projeto — da criação da Dispetrol — que, todavia, não foi aprovado pelos congressistas.

Nas eleições de 1954, Lutero, assim como o deputado e jornalista Carlos Lacerda, da União Democrática Nacional (UDN), disputava uma vaga na Câmara Federal. Lacerda vinha fazendo graves acusações contra membros da família Vargas e contra o governo federal em seu jornal Tribuna da Imprensa, o que levou Lutero a processar o jornalista por injúria e difamação. Em 5 de agosto de 1954, teve início uma crise político-militar devido ao atentado desfechado na rua Toneleros contra Carlos Lacerda, que resultou na morte do major-aviador Rubens Vaz. As ligações dos assassinos com o governo acirraram a campanha contra Getúlio Vargas. Lutero foi envolvido no inquérito por Alcino João do Nascimento, que fora contratado por elementos da guarda pessoal do presidente para assassinar Lacerda e que informou ter recebido dez mil cruzeiros a mando do filho de Vargas. Lutero depôs na Base Aérea do Galeão, abrindo mão de suas imunidades, mas não foi indiciado, pois um dos bilhetes encontrados com um dos criminosos propunha apontá-lo como responsável, caso fossem presos. A crise resultou no suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954. No pleito de outubro de 1954, Lutero Vargas reelegeu-se deputado federal pelo Distrito Federal, com 120.913 votos. Ainda em fins de 1954, tornou-se presidente do diretório regional carioca do PTB, cargo em que se manteria até 1962.

Em 22 de novembro de 1955 votou a favor do impedimento do presidente João Café Filho, proposto no Congresso após o movimento político-militar deflagrado no dia 11 desse mesmo mês. O objetivo desse movimento, liderado pelo general Henrique Lott, ministro da Guerra demissionário, era garantir a posse de Juscelino Kubitschek, presidente recém-eleito.

Em 1958 Lutero Vargas candidatou-se ao Senado pelo Distrito Federal na legenda do PTB, mas foi derrotado por Afonso Arinos de Melo Franco, eleito na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Presidiu nesse ano a comissão parlamentar de inquérito para investigar as atividades políticas da Esso-Shell, deixando a Câmara em janeiro de 1959. Com a transferência da capital federal para Brasília, elegeu-se, em outubro de 1960, deputado à Assembléia Constituinte do recém-criado estado da Guanabara. Participou dos trabalhos constituintes e, após a promulgação da Carta estadual, permaneceu no exercício do mandato até setembro de 1962, quando foi nomeado embaixador do Brasil em Honduras. Manteve-se no posto até 16 de abril de 1964, logo após a vitória do movimento político-militar de 31 de março, que depôs o presidente João Goulart, sendo então escolhido presidente nacional do PTB.

Indiciado no inquérito policial-militar (IPM) instaurado em 21 de setembro de 1964 para apurar as atividades do Partido Comunista Brasileiro (PCB), presidiu a última reunião do diretório nacional do PTB, duas semanas antes da edição do Ato Institucional nº 2 (27/10/1965), que, entre outras medidas, extinguiu os partidos políticos existentes. Nessa época teve seu nome afastado do IPM do PCB, que resultou no arrolamento de 74 militantes comunistas e na suspensão dos direitos políticos de 59 pessoas com base no AI-2.

Em outubro de 1967 divulgou uma nota oficial na qual definia a posição da família Vargas em relação à Frente Ampla — movimento político lançado oficialmente em 28 de outubro de 1966 com o objetivo de lutar “pela pacificação política do Brasil, através da plena restauração do regime democrático”. Afirmava haver uma incompatibilidade total entre os trabalhistas e os líderes da frente, referindo-se implicitamente à figura de seu principal articulador, Carlos Lacerda, elemento decisivo na crise que culminou no suicídio de Getúlio.

Em 1979, com o início das discussões em torno do processo de reorganização partidária no governo do general João Batista Figueiredo, apoiou sua prima Ivete Vargas no sentido da reconstrução do PTB. Embora não se tenha engajado diretamente nessa articulação, declarou ao Jornal do Brasil em julho desse ano que era fundamental impedir que a sigla do partido “caísse em mãos estranhas”. Revelou, na mesma entrevista, que o ex-governador gaúcho Leonel Brizola — outro pretendente à posse da sigla PTB — condenara seu apoio à Ivete Vargas, e afirmou ainda desconhecer o interesse de Brizola em criar novamente o PTB. Declarou-se também desvinculado de grupos políticos, manifestando sua preocupação em fiscalizar, no futuro, a aplicação da doutrina trabalhista disseminada por Getúlio: “Eu quero um novo PTB igual àquele de 1945, criado por meu pai.”

Em fins de agosto de 1982, retirou publicamente seu apoio ao PTB de Ivete devido ao lançamento da candidatura de Sandra Cavalcanti — uma das figuras mais expressivas remanescentes do lacerdismo — ao governo do estado do Rio de Janeiro na legenda petebista, no pleito de novembro daquele ano. Em nota publicada em diversos jornais cariocas e dirigida “aos adeptos do PTB” no Rio de Janeiro, Lutero afirmou não compreender como puderam usar a bandeira do partido para acolher “a um de seus piores inimigos”, recomendando em contrapartida o nome de Brizola, lançado pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), ao governo do estado. Brizola ganhou as eleições, mas Lutero não apoiou seu governo, tornando-se um crítico severo do então governador do estado do Rio de Janeiro.

Em 1988 apoiou o candidato do Partido Democrático Social (PDS), José Pereira Alvarez, para prefeito de São Borja, que acabou sendo eleito. Nas eleições presidenciais de 1989 não apoiou nenhum candidato, declarando que, “se fosse escolher, votaria em Ulysses Guimarães, por causa da experiência política”.

Foi chefe do serviço de ortopedia e traumatologia da Ordem Terceira da Penitência, médico da prefeitura do antigo Distrito Federal e diretor do Hospital Barata Ribeiro.

Em São Borja presidiu a Associação Cultural Getúlio Vargas, fundada por ele e mantenedora de um museu na casa em que seu pai residia quando advogava ainda na República Velha, antes de 1930.

Faleceu em Porto Alegre, no dia 4 de outubro de 1989.

Era casado com Ingeborg van Hallf Vargas, com quem teve uma filha.

Publicou Getúlio Vargas, a revolução inacabada, além de vários artigos em revistas médicas nacionais e estrangeiras.

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; AUDRÁ, A. Bancada; CAFÉ FILHO, J. Sindicato; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CISNEIROS, A. Parlamentares; COHN, G. Petróleo; COSTA, M. Cronologia; COUTINHO, A. Brasil; DULLES, J. Getúlio; ENTREV. PEIXOTO, A.; Globo (29/8/82, 5/10/89); Grande encic. Delta; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; Jornal do Brasil (16/10/60, 14/10/66, 29/7/79, 5/10/89); KLEIN, L. Cronologia; LEVINE, R. Vargas; MACEDO, R. Efemérides; MACHADO, F. Últimos; Maquis; NÉRI, S. 16; PEIXOTO, A. Getúlio; SALES, D. Razões.

 

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