MAIA, Felipe (pres. UNE)

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Nome: MAIA, Felipe (pres. UNE)
Nome Completo: MAIA, Felipe (pres. UNE)

Tipo: BIOGRAFICO


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MAIA, FELIPE

MAIA, Felipe

*pres. UNE 2003-2005

Felipe Maia Guimarães da Silva nasceu no Rio de Janeiro no dia 22 de novembro de 1977, filho de Flávio Celso da Silva e de Sônia Maia Guimarães da Silva.

Aos 12 anos mudou-se com a família para a cidade de Campinas (SP), onde iniciou sua militância política. Em 1992, participou do processo de fundação do grêmio da escola Anglo, onde estudava, tendo sido eleito diretor de imprensa. Nesse ano, o grêmio participou ativamente da campanha pelo passe livre, que tinha como objetivo garantir passagens de ônibus gratuitas para os estudantes. Maia ajudou a organizar uma série de manifestações, que mobilizaram cerca de 40 mil estudantes. A repercussão na cidade foi grande, e os estudantes conseguiram a formalização de um desconto de 80% sobre as passagens.

Ainda em 1992, participou da campanha em favor do impeachment do presidente da República Fernando Collor de Melo. Foi membro do conselho de grêmios de Campinas, que organizava, junto com a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), passeatas pró-impeachment na cidade. E também filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), integrando a União da Juventude Socialista (UJS), entidade que representa a juventude do PCdoB.

Em 1995, ingressou n curso de economia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Logo que entrou na faculdade, começou a participar das atividades do centro acadêmico de seu curso. No final do primeiro ano de vida universitária, fez parte de uma chapa nas eleições do Diretório Central de Estudantes (DCE), e foi eleito coordenador-geral da entidade. Nessa gestão, o DCE travou uma luta grande contra o fim do repasse de recursos públicos para as universidades estaduais, proposto pelo deputado estadual Vaz de Lima, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) quando se discutia a lei orçamentária do estado de São Paulo.

                No final de 1996, foi reeleito para o DCE da Unicamp, novamente como coordenador da entidade. Essa gestão foi marcada principalmente pela luta contra o provão, exame nacional de cursos, aplicado pelo Ministério da Educação aos formandos, no período de 1996 a 2003, com o objetivo de avaliar os cursos de graduação da Educação Superior, no que diz respeito aos resultados do processo de ensino-aprendizagem.

                Em 1997, no final de seu mandato como presidente do DCE da Unicamp, foi eleito tesoureiro-geral da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP). Por conta disso, foi morar na cidade de São Paulo e transferiu sua matrícula para o curso de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Sua gestão na UEE (1997-1999) teve como principal marca a luta contra o aumento das mensalidades e pela regulamentação do ensino particular no estado.

                Em 1999, foi eleito vice-presidente da UNE, na gestão do presidente Wadson Ribeiro. Essa foi sua primeira gestão na UNE, que coincidiu com os primeiros anos do segundo mandato do presidente da República Fernando Henrique Cardoso. A política da UNE era bastante crítica em relação ao projeto de educação do governo. O ano de 1999 foi palco de inúmeras manifestações organizadas pela UNE contra a política do ministro da Educação, Paulo Renato Sousa, e contra o governo de uma forma geral. A principal bandeira do movimento estudantil nesse momento era a luta contra a política neoliberal e as privatizações de empresas estatais, além da luta contra a privatização do ensino universitário.

                Em função da sua trajetória na militância estudantil, Maia foi indicado à presidência da UNE e eleito no 47º Congresso da entidade, ocorrido em Goiânia, em junho de 2001. Sua chapa, Agora só falta você, ganhou a disputa eleitoral com 60% dos votos, na concorrência com outras seis chapas. As resoluções aprovadas no Congresso tinham como elemento principal a continuidade da luta contra o governo Fernando Henrique Cardoso e a política educacional de Paulo Renato, mas dessa vez com uma tática diferenciada de criticar o governo com propostas claras, e não mais através de manifestações de caráter negativo, como as que ocorriam anteriormente. Nesse sentido, o congresso de estudantes aprovou um plano emergencial paras as universidades federais, posto em prática no decorrer da gestão de Maia.

                No embate com o governo, a UNE teve de enfrentar uma briga em torno da medida provisória, proposta pelo ministro da Educação Paulo Renato Sousa, que determinava que qualquer carteira de estudante, emitida por universidades e escolas, seria válida para obtenção da meia-entrada em cinemas, teatros etc. Isso representava, para a UNE, uma derrota política, além da perda de sua mais importante fonte de renda, uma vez que antes da medida provisória a UNE era a única responsável pela emissão das carteirinhas de estudantes. Com apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a UNE entrou numa batalha judicial para tentar revogar a medida. Apesar da mobilização empreendida pela presidência da UNE, a medida provisória foi aprovada no Congresso Nacional, fazendo com que a UNE perdesse o monopólio sobre as carteiras estudantis.

                Outra marca de sua gestão na UNE foi a greve que teve como bandeira a luta por investimentos nas universidades. A greve, que durou cerca de 100 dias, contou com o apoio de professores, funcionários e até reitores. Após muita negociação, a UNE conseguiu a aprovação, no orçamento do Congresso Nacional, de mais recursos para programas universitários.

Em 2002, a UNE organizou o seminário “Repensando o Brasil”, com objetivo de discutir os rumos da política brasileira, que encontrava-se especialmente agitada pela disputa eleitoral, acirrada principalmente em torno do confronto entre os presidenciáveis Luís Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra (PSDB). Foram feitos vários debates e ao final do seminário a UNE aprovou uma resolução intitulada Carta Compromisso. Eram dez pontos que a entidade propunha que fossem assumidos como compromissos por todos os candidatos. A carta teve um impacto importante sobre o debate eleitoral, e acabou por definir o apoio da UNE a candidatura de Lula, que ganhou as eleições e seria empossado em 1° de janeiro de 2003.

Ainda como presidente da UNE, Maia participou do Congresso da Organização Latino-americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE), em dezembro de 2002, na cidade de Guadalajara, no México. A pauta política principal do congresso era unir o movimento estudantil latino-americano.

                Outra importante marca de sua passagem pela presidência da entidade foi a atuação na área de cultura. Ele coordenou a organização da III Bienal de Arte e Cultura da UNE, ocorrida em fevereiro de 2003 na cidade de Recife. O evento contou com a participação de cerca de dez mil estudantes de todo o país, que apresentaram trabalhos na área de música, teatro, cinema, literatura, além da participação de artistas convidados. O evento foi marcado também pelo debate sobre a política cultural do governo Lula, contando com a participação do então ministro da Cultura, Gilberto Gil.

                Felipe Maia saiu da presidência da UNE em junho de 2003, sendo sucedido por Gustavo Petta, eleito no 48º Congresso da entidade.

No ano seguinte, retomou seus estudos na Universidade de São Paulo, no curso de ciências sociais. Paralelamente, continuou na militância política como membro da direção estadual do PCdoB em São Paulo, atuando como coordenador da área de movimentos sociais do partido. Foi também membro do Comitê Central do PcdoB entre 2005 e 2009.

                Formou-se pela USP em dezembro 2007, e no ano seguinte mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro, para fazer o mestrado em Sociologia no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). Ainda em 2008, foi nomeado chefe da ouvidoria da Agência Nacional de Cinema (Ancine), pouco depois passou a assessor do presidente.

                Tatiana Di Sabbato

               

FONTES: Entrevistas concedidas ao Projeto Memória do Movimento Estudantil disponível em http://www.mme.org.br; site http://www.une.org.br/; INF. BIOGR.

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