MALDANER, CASILDO

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Nome: MALDANER, Casildo
Nome Completo: MALDANER, CASILDO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MALDANER, CASILDO

MALDANER, Casildo

*dep. fed. SC 1983-1987; gov. SC 1990-1991; sen. SC 1995-2003, 2008.

 

Casildo João Maldaner nasceu em Carazinho (RS) no dia 2 de abril de 1942, filho de Andréias Maldaner e de Érica Braun.

Mudou-se para Chapecó (SC) aos dois anos de idade e depois para Maravilha (SC), onde concluiu o curso ginasial no Seminário Sagrada Família. Em outubro de 1962, elegeu-se vereador em Modelo (SC) na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Em 1966, após a extinção dos partidos políticos e a instauração do bipartidarismo pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965), inscreveu-se no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar vigente no país desde abril de 1964.

Ao término do mandato de vereador, em janeiro de 1967, dedicou-se a atividades comerciais centradas, sobretudo, no ramo de transportes de alimentos.

Retornou à vida política somente em 1974, elegendo-se deputado estadual na legenda do MDB no pleito de novembro. Empossado em fevereiro de 1975, assumiu a vice-presidência da Comissão de Finanças e Orçamento (1975) e a presidência da Comissão de Ciência e Tecnologia, Agricultura, Economia e Desenvolvimento (1976). Integrou também a Comissão de Viação e Obras Públicas e a comissão especial que tratou de assuntos relacionados aos três estados do Sul. Em 1978 desempenhou as funções de segundo-secretário da Assembleia Legislativa.

Reeleito em novembro de 1978, foi titular das comissões de Finanças, Contas e Orçamento, de Ciência e Tecnologia, de Agricultura, de Economia e Desenvolvimento, e de Constituição e Justiça. Com o fim do bipartidarismo, em novembro de 1979, e a consequente reorganização do quadro partidário, ingressou no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sucessor do MDB. Em 1981 tornou-se vice-líder do novo partido.

Nas eleições de novembro de 1982, conquistou um mandato federal. Titular das comissões de Educação e Cultura, de Agricultura e Política Rural, e da Subcomissão da Pesca, na sessão de 25 de abril de 1984, votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que previa eleições diretas para presidente da República. Contudo, a proposição foi derrotada — faltaram 22 votos para que fosse levada à apreciação do Senado. No Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Casildo Maldaner apoiou o candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito pela Aliança Democrática, uma união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS), abrigada na Frente Liberal. Doente, Tancredo Neves não chegou a ser empossado e faleceu em 21 de abril de 1985. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já exercia o cargo interinamente desde 15 de março daquele ano.

Primeiro-secretário da comissão executiva nacional do PMDB, em novembro de 1986, elegeu-se vice-governador de Santa Catarina na chapa encabeçada por Pedro Ivo Campos. Deixou a Câmara dos Deputados ao término da legislatura, em janeiro do ano de 1987, para ser empossado em março.

Em 22 de janeiro de 1990, por motivo de doença do titular, assumiu interinamente o governo do estado de Santa Catarina, tornando-se efetivo no cargo em 27 de fevereiro em consequência da morte de Pedro Ivo. Encerrou o mandato em março de 1991, voltando-se mais uma vez para as atividades empresariais.

Em 1994 lançou-se candidato do PMDB a uma das duas vagas de representante do estado de Santa Catarina no Senado. Foi eleito com 682.252 votos e tomou posse em 1º de fevereiro do ano seguinte, juntamente com Vílson Kleinübing, do Partido da Frente Liberal (PFL). Titular das comissões de Assuntos Sociais e de Relações Exteriores e Defesa Nacional, e suplente nas comissões de Constituição, Justiça e Cidadania e de Assuntos Econômicos, foi relator da Comissão Especial das Obras Inacabadas do Senado, constituída em novembro de 1995.

Ao longo da legislatura votou a favor do limite de 12% para os juros reais, da extinção do monopólio nos setores de telecomunicações, da exploração do petróleo, da distribuição do gás canalizado e navegação de cabotagem, da modificação do conceito de empresa nacional e da criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira.

Em agosto de 1996, pediu licença para acompanhar a campanha das eleições municipais de outubro e preparar sua própria candidatura ao governo do estado para o ano de 1998. Sua cadeira no Senado foi ocupada pelo empresário José Henrique Loiola. Em face da pretensão do governador Paulo Afonso Vieira de candidatar-se à reeleição, Casildo Maldaner voltou ao Senado no final do ano e integrou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou a emissão e negociação de títulos públicos estaduais e municipais entre 1995 e 1996. Na chamada CPI dos Precatórios destacou-se na defesa do Paulo Afonso Vieira, governador de Santa Catarina, também peemedebista, que foi acusado de emitir irregularmente R$605 milhões em títulos públicos para o pagamento de dívidas, muitas das quais inexistentes. Ainda em 1996 tornou-se presidente do PMDB de Santa Catarina, função que desempenhou até 2005, em três mandatos consecutivos.

Nas principais votações ocorridas em 1997, votou a favor da criação do Fundo da Educação, da emenda constitucional que previa a reeleição de presidente da República, governadores e prefeitos, do aumento do Imposto de Renda, da prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), da reforma da Previdência e da quebra de estabilidade do servidor público, item da reforma administrativa.

Em 2001, foram divulgados fatos relacionados à implementação de um projeto pelo governo de Tocantins que consistia na “desapropriação de 105 mil hectares de terras improdutivas que foram repassados a empresários com experiência rural” no município de Campos Lindos (TO). Posteriormente, foi revelado na imprensa que parte destes “empresários com experiência rural” eram, na realidade, pessoas íntimas de Siqueira Campos, governador tocantinense. A revista Época, em março de 2001, relatou que Siqueira Campos havia contemplado, entre outras pessoas, os catarinenses Casildo Maldaner e Dejandir Dalpasquale com lotes naquele município. A revista ainda informou que Casildo recebera 1.550 hectares e Dejandir Dalpasquale, junto com seu filho Luiz Otávio, teriam recebido 3.400 hectares. Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Tocantins (Fetaet), a medida prejudicou cerca de cem famílias de posseiros e vinte pequenos fazendeiros. A finalidade seria desenvolver um pólo de produção de grãos, especialmente soja.

No mesmo ano, Casildo foi acusado pelo Ministério Público Federal no Tocantins de crime ambiental. Proprietários de terras no município de Campos Lindos teriam de responder pelo desmatamento irregular de 85 mil hectares de cerrado. O Ministério investigou supostas irregularidades cometidas pela diretoria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis no estado (Ibama). Casildo estava entre os cadastrados para ocupar o loteamento da fazenda Santa Catarina, em Campos Lindos. De acordo com denúncia encaminhada pelo Ministério Público à Justiça Federal, o Ibama de Tocantins teria concedido laudos falsos e autorizações de desmatamento sem vistoria. O Ministério Público analisou documentos apreendidos nos escritórios do Ibama em Palmas e Araguaína, e encontrou autorizações de desmatamento assinadas em branco para que fossem “negociadas” com proprietários rurais. O desmatamento foi denunciado por ONGs ambientalistas e atestado em vistoria realizada no Ibama em setembro de 2000.

No Senado, Casildo foi o relator da CPI das Obras Inacabadas. Em 2002, um projeto de lei de sua autoria foi aprovado e alterou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em seu artigo 342. O projeto estendia à mãe adotiva ou que possuía guarda judicial o direito à licença maternidade e ao salário-maternidade. Na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, foi o autor do projeto de lei que criou o Fundo Especial para calamidades públicas, destinando 0,5% do valor cobrado sobre os seguros privados. Os recursos desse fundo seriam divididos em partes iguais entre as defesas civis do Governo Federal, Estadual e Municipal para serem utilizados em casos de catástrofes naturais causadas por chuvas, estiagens, ventos, granizos, etc.

Deixou o Senado em janeiro de 2003 ao final da legislatura. Ainda nesse ano, foi nomeado presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Em 2004 foi eleito presidente de honra do diretório estadual do PMDB de Santa Catarina. Afastou-se da presidência do BRDE em 2006, e em outubro integrou a chapa vitoriosa encabeçada por Raimundo Colombo ao Senado na qualidade de primeiro-suplente. Reassumiu a presidência do BRDE em 2007. De julho a outubro de 2008, exerceu o mandato de senador em substituição ao titular.

Ao longo de sua vida, formou-se ainda em direito pela Universidade de Brasília (UnB).

Casou-se com Ivone Gruber Maldaner, com quem teve três filhos.

Publicou as obras: Drogas o mal do século (1996), Manual do vereador (1996), Caos da Saúde no Brasil (1996), Caos da Saúde no Brasil II (1997), Previdência Social (1998), Narcotráfico: crise na América do Sul (1999), Cruzada contra o desemprego (2000), Desnacionalização: uma preocupação estratégica (2000), Mulher: uma história de conquistas (2000). Sobre Casildo Maldaner foi publicada a obra O bom humor, a espontaneidade, as ideias e os improvisos do ex-governador de SC – Casildo Maldaner, organizada por Dorvalino Furtado Filho, em 1991.

Rejane Araújo/Bruno Marques

 

FONTES: ASSEMB. LEGISL. SC. Dicionário político; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987); Casildo Maldaner. Internet; Estado de S. Paulo (13/11/95, 17/4, 15/6 e 29/11/96); Folha de S. Paulo (11/11/95, 14/1/96, 7/2/97, 29/9/98); Globo (16/8/96); Jornal do Brasil (15/3/91, 6/7, 9/8 e 19/10/95, 29/11/96, 28/2 e 16/5/97); SENADO. Dados biográficos; TRIB. SUP. ELEIT. Dados.

 

Fontes:

http://www.tede.ufsc.br/teses/PSOP0300-D.pdf (Data de acesso: 26.10.09)

http://www1.an.com.br/2001/mai/21/0pot.htm (Data de acesso: 26.10.09)

http://www2.uol.com.br/omossoroense/2503/politica3.htm (Data de acesso: 26.10.09)

http://www.casildo.com.br/MyFiles/PDF/Trabalhos-Publicados.pdf (Data de acesso: 26.10.09)

http://www.casildo.com.br/2-0-casildo-maldaner.html (Data de acesso: 26.10.09)

http://www.casildo.com.br/index.asp?dep=14&id=25 (Data de acesso: 26.10.09)

http://www.bancadadopmdb.com.br/pub/index.pub.php?s=lideres&ss=detalhe&lidid=13 (Data de acesso: 26.10.09)

http://www.pmdb-sc.org.br/index.asp?dep=65 (Data de acesso: 26.10.09)

 


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