MANUEL FRANCISCO DO NASCIMENTO BRITO

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Nome: BRITO, Nascimento
Nome Completo: MANUEL FRANCISCO DO NASCIMENTO BRITO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BRITO, NASCIMENTO

BRITO, Nascimento

*jornalista.

Manuel Francisco do Nascimento Brito nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 2 de agosto de 1922, filho de José do Nascimento Brito e de Amy Avoegno do Nascimento Brito. Seu pai era engenheiro e empresário, e foi diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Sua mãe era natural da Inglaterra.

Fez os estudos primários e secundários no Colégio São Bento. Tornou-se piloto e oficial da Força Aérea Brasileira em 1941 e ingressou em 1942 na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Entusiasta da aviação, fez dois cursos de pilotagem nos Estados Unidos: na Blackland School, em 1943, e no ano seguinte no Pampa Army Air Field, no Texas. Entre 1943 e 1945 integrou como voluntário a Força Aérea Brasileira (FAB), participando das operações militares realizadas no litoral do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial. Após o término do conflito (maio de 1945), tornou-se primeiro-tenente da reserva da FAB.

Assistente do secretário-geral de Serviços Públicos do Distrito Federal entre 1945 e 1946, diplomou-se em direito neste último ano e trabalhou como assistente da diretoria da Companhia Aérea Cruzeiro do Sul. Exercendo a advocacia a partir de 1946, em novembro desse ano casou-se com Leda Marina Marchesini, enteada do conde Ernesto Pereira Carneiro, diretor-presidente do Jornal do Brasil. Nesse mesmo ano, assumiu a Superintendência do Sistema Jornal do Brasil, que incluía o jornal, a agência de notícias, uma gráfica e redes de rádio. Em 1949 foi procurador do Banco do Brasil, passando também a integrar o conselho fiscal da Cruzeiro do Sul, empresa de que se tornou mais tarde grande acionista. Ainda em 1949, a convite do conde Pereira Carneiro, tornou-se consultor jurídico do Jornal do Brasil e da Rádio Jornal do Brasil. Em 1952 ingressou na Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), como membro do Comitê pela Liberdade de Imprensa.

Com a morte do conde Pereira Carneiro em fevereiro de 1954, a direção do Jornal do Brasil passou à viúva Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro, que deu início a profundas reformas no órgão. Nascimento Brito — que adquirira grande influência no jornal — foi encarregado da compra de novo equipamento gráfico, necessário à expansão pretendida. Em 1956, trocou a Superintendência do Sistema Jornal do Brasil pelo cargo de diretor executivo da empresa. Um dos seus primeiros atos no novo cargo foi contratar o jornalista Odilo Costa Filho para coordenar a reformulação do jornal. Ainda em 1956 foi eleito membro do conselho executivo da SIP e diretor-secretário da União dos Proprietários de Jornais e Revistas.

Em 1959 passou sete meses nos Estados Unidos, onde participou de um seminário sobre jornalismo na Universidade de Colúmbia, em Washington, estagiando depois em vários jornais norte-americanos. Nesse período foi representante do Brasil na XVI Sessão da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque. Em outubro de 1961 comprou a Tribuna da Imprensa, jornal carioca de propriedade do jornalista e político Carlos Lacerda, então governador do estado da Guanabara. Segundo o jornalista Hélio Fernandes, Nascimento Brito pensava montar um “jornal de estrelas”, contratando profissionais do gabarito de Paulo Francis, Millôr Fernandes e Carlos Castelo Branco, entre outros. No entanto, a iniciativa fracassou e, em março de 1962, o jornal foi vendido a Hélio Fernandes.

Membro do conselho do Sindicato dos Proprietários de Jornais e Revistas do Estado da Guanabara a partir de 1962, no primeiro semestre de 1963 visitou a União Soviética. Retornando ao Brasil, escreveu uma série de artigos no Jornal do Brasil acerca da viagem.

Após a deposição do presidente João Goulart (31/3/1964) por um movimento político-militar, denunciou, em reunião da SIP realizada em São Domingos (República Dominicana), os riscos a que estavam expostas as liberdades públicas no Brasil — entre elas a de imprensa — com o advento do novo regime. Em junho de 1964 tornou-se acionista majoritário do Diário de Minas, dirigindo-o até abril de 1966, ocasião em que também se desfez das ações que possuía. Em janeiro deste último ano elegeu-se vice-presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa para o Brasil.

Em dezembro de 1967, depois de uma viagem ao Vietnã, iniciou a publicação simultânea — no Jornal do Brasil e no jornal argentino La Prensa — de uma série de artigos intitulada “O Vietnã que eu vi”. Em 1968 tornou-se vice-presidente executivo do Jornal do Brasil. Eleito presidente da SIP em outubro de 1970, foi o primeiro jornalista brasileiro a ocupar o cargo.

Em março de 1972 foi escolhido com mais três latino-americanos para compor o quadro do Centro para Relações Interamericanas, sediado em Nova Iorque. Em março do ano seguinte promoveu a transferência da empresa para sua nova sede. Como diretor do Jornal do Brasil, assinou em 1975 um acordo de cooperação técnica com o jornal El Mercurio, de Santiago do Chile, envolvendo o intercâmbio de material jornalístico e a criação de uma agência de notícias latino-americana sob a forma de sociedade de economia mista. Em decorrência do acordo o Jornal do Brasil passou a circular no Chile.

Numa entrevista à revista Veja publicada em janeiro de 1977, declarou que o grupo Jornal do Brasil não pretendia mais montar uma rede nacional de televisão, preferindo restringir-se à tentativa — que se revelaria frustrada —, de instalar estações no Rio de Janeiro e em São Paulo. Na mesma entrevista acusou a TV Globo de transformar seus programas jornalísticos em noticiosos do governo.

No começo dos anos 1980, tornou-se membro do Conselho Internacional do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMa); membro associado do Instituto para Estudos Estratégicos, de Londres; membro associado do Instituto Internacional da Imprensa, de Londres e Genebra; e membro do conselho consultivo da American Society.

Em agosto de 1983, como diretor-presidente do Jornal do Brasil, recebeu os prêmios de Personalidade do Ano, na categoria de Homenagem Especial, e de Veículo do Ano, conferidos pela Associação Brasileira de Propaganda (ABP), quando esta completava 50 anos. Em novembro recebeu, juntamente com o presidente do Citicorp, John Reed, o Prêmio Visconde de Cairu, concedido anualmente pela Varig a dois empresários, um brasileiro e outro estrangeiro, em uma cerimônia na embaixada brasileira em Washington. Em agosto de 1985 foi empossado na presidência do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro.

Em 1992, assumiu a presidência do Conselho Superior do Jornal do Brasil, e, em 1994, tornou-se Presidente do Conselho Editorial, responsável pela redação e pela área de política do sistema Jornal do Brasil.

Entre outras atividades, foi também membro do conselho consultivo da empresa Refinaria e Exploração de Petróleo União e diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro, membro do Conselho de Desenvolvimento da Universidade Católica do Rio de Janeiro e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, patrono da Luther Rice Society, da George Washinghton University e da 1814 Society, da Emma Willard School, de Nova Iorque.

Teve cinco filhos de seu casamento.

Beatriz Kushnir

FONTES: Arq. Dep. Pesq. Jornal do Brasil; Encic. Mirador; Estado de S. Paulo (26/1/77); Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (27/12/67, 18/3/74, 11/5/75).      

 

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