MANUEL NETO CARNEIRO CAMPELO JUNIOR

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Nome: CAMPELO, Neto
Nome Completo: MANUEL NETO CARNEIRO CAMPELO JUNIOR

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CAMPELO, NETO

CAMPELO, Neto

*min. Agric. 1946; dep. fed. PE 1951-1955.

 

Manuel Neto Carneiro Campelo Júnior nasceu em Recife no dia 3 de janeiro de 1900, filho de Manuel Neto Campelo, professor e diretor da Faculdade de Direito de Recife, e de Ana Dolores Carneiro Campelo.

Iniciou o curso secundário no Instituto 19 de Abril, em Recife, transferindo-se depois para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde estudou nos colégios Santo Inácio e São Vicente de Paulo. Retornando a Recife, ingressou na Faculdade de Direito, pela qual se bacharelou em 1919.

Aprovado em concurso para fiscal do Imposto de Consumo, exerceu esse cargo na cidade de Goiana (PE) de 1922 a 1925. Fazendeiro em Nazaré (PE), foi durante vários anos presidente do Sindicato Agrícola desse município. Em 1940, comandou os trabalhos de organização da Cooperativa dos Bangüezeiros de Pernambuco, tendo sido seu primeiro presidente. Presidiu também o Sindicato dos Plantadores de Cana e a Associação dos Fornecedores de Cana, entidades estaduais. Em 1943 e 1945, foi integrante da comissão executiva do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA).

Nomeado em 31 de janeiro de 1946 ministro da Agricultura pelo presidente Eurico Dutra, substituiu Teodureto Leite de Almeida Camargo, ocupante da pasta durante o governo provisório de José Linhares. Permaneceu à frente do ministério até 17 de outubro do mesmo ano, quando Dutra organizou um ministério de coligação, reservando ao Partido Republicano (PR) a pasta da Agricultura, que passou a ser ocupada pelo mineiro Daniel de Carvalho. Entre as medidas baixadas por Neto Campelo como ministro, destacaram-se a Lei Orgânica do Ensino Agrícola, de 20 de agosto de 1946, e a lei de criação do Instituto Agronômico do Leste, de 9 de setembro do mesmo ano.

Nas eleições de 19 de janeiro de 1947, Neto Campelo foi candidato ao governo de Pernambuco com o apoio da coligação formada pela União Democrática Nacional (UDN), o Partido Democrata Cristão (PDC) e o Partido Libertador (PL). Derrotado nas urnas pelo candidato do Partido Social Democrático (PSD), Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho, entrou com recurso junto à Justiça Eleitoral. Perdeu na primeira instância mas recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral, que lhe deu ganho de causa. A essa altura, entretanto, o mandato de Lima Sobrinho estava no fim e Neto Campelo não chegou a assumir o governo.

Em fevereiro de 1950, assumiu a presidência do IAA, que se defrontava com um sério problema de política açucareira, gerado pelo aumento da produção na região Centro-Sul, principalmente em São Paulo. Essa questão remontava a uma portaria baixada durante a Segunda Guerra Mundial: atendendo à dificuldade de transporte de açúcar do Nordeste para o Sul, por estar a costa brasileira sujeita aos ataques de submarinos dos países do Eixo, foi permitida a instalação indiscriminada de engenhos de porte limitado no Centro-Sul, para compensar a escassez do produto. A partir daí, grupos empresariais iniciaram a instalação de engenhos, principalmente em São Paulo, unindo suas cotas até atingirem o valor mínimo exigido pelo Estatuto da Lavoura Canavieira para a transformação dos engenhos em usinas. O surgimento das usinas aumentou a produção açucareira de São Paulo, constituindo-se numa ameaça ao equilíbrio da relação entre a produção e o consumo e à hegemonia da produção pernambucana. No dia 15 de março de 1950, a comissão executiva encarregada de solucionar a questão determinou, através de resolução, que todos os pedidos de credenciamento de novas unidades produtoras em estados insuficientemente abastecidos deveriam ser examinados pelo IAA. Estabeleceu também que os pedidos oriundos de estados considerados abastecidos deveriam ser sumariamente arquivados.

Em setembro de 1950, Neto Campelo deixou o IAA e passou a ocupar a presidência da Companhia Usinas Nacionais. Em outubro desse ano elegeu-se deputado federal na legenda da Coligação Democrática Pernambucana, formada pela UDN, o PL, o PR e mais o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o Partido de Representação Popular (PRP) e o Partido Democrata Cristão (PDC), iniciando seu mandato em fevereiro do ano seguinte. Candidato à reeleição em outubro de 1954, conseguiu apenas a suplência na legenda da Frente Democrática Pernambucana, constituída pelo PRP, o PL, o PSD, o PDC e mais o Partido Social Progressista (PSP). Cumpriu seu mandato até janeiro de 1955, não mais retornando à Câmara. Em 1963, assumiu a presidência do Banco Nacional de Crédito Cooperativo e foi sócio-fundador da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil.

Faleceu no Rio de de Janeiro, no dia 23 de maio de 1968.

Sílvia Pantoja

 

 

FONTES: BELEZA, N. Evolução; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CISNEIROS, A. Parlamentares; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; GUERRA FILHO, R. Ministério; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; MIN. MAR. Almanaque; OLIVEIRA, H. Presidentes.

 

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