MANUEL PIO CORREIA JUNIOR

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: CORREIA, Pio
Nome Completo: MANUEL PIO CORREIA JUNIOR

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CORREIA, PIO

CORREIA, Pio

*diplomata; emb. Bras. Uruguai 1964-1966; emb. Bras. Argentina 1967-1969.

 

Manuel Pio Correia Júnior nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 8 de fevereiro de 1918, filho de Manuel Pio Correia e de Mercedes Veloso Pio Correia. Seu pai foi autor do Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas, a mais extensa obra sobre o assunto publicada no país.

Bacharelou-se pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro e ingressou no Itamarati, mediante concurso, em dezembro de 1937, ocupando o cargo de cônsul de terceira classe. Em março de 1938 foi designado secretário do presidente do Conselho Federal do Serviço Público Civil, órgão que em agosto seguinte foi transformado no Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), com o objetivo de promover o estudo, a formulação de diretrizes, a coordenação e o controle dos assuntos relativos ao pessoal civil da administração federal. No DASP, Pio Correia continuou a desempenhar as mesmas funções que exercia no antigo conselho.

Entre setembro de 1938 e novembro de 1939, cursou a Universidade de Washington, nos Estados Unidos, como membro do Hall of Nations. De volta ao Brasil, assumiu em março de 1940 a chefia do Serviço de Documentação do DASP. Em janeiro do ano seguinte, pediu dispensa do cargo para integrar o gabinete do ministro da Aeronáutica Joaquim Pedro Salgado Filho, primeiro titular desta pasta. No desempenho da função, atuou a partir de outubro de 1941 como representante do Ministério da Aeronáutica junto à Divisão de Cooperação Intelectual do Itamarati. Em dezembro do mesmo ano, foi designado coordenador do projeto de organização do Arquivo e Serviço de Correspondência do Ministério da Aeronáutica.

Retornando ao Itamarati, foi promovido a segundo-secretário em dezembro de 1942. Nesse posto, serviu junto à embaixada do Brasil na Venezuela, de março de 1943 a março de 1944, sendo transferido para Montevidéu, onde atuou como secretário da delegação brasileira à Comissão Consultiva de Emergência para a Defesa Política do Continente, organismo do sistema interamericano de segurança coletiva, criado durante a Segunda Guerra Mundial sob o patrocínio norte-americano. Na oportunidade, integrou o comitê preparatório do segundo relatório anual da referida comissão, voltando a assessorar a delegação brasileira em fevereiro de 1945, junto à nova conferência daquele órgão. Em maio do mesmo ano, representou o Brasil no Comitê de Defesa Política, reunido na capital uruguaia. Em fevereiro de 1947, ainda na condição de segundo-secretário da embaixada do Brasil em Montevidéu, integrou a missão especial presente às solenidades da posse do presidente da República. Deixando o Uruguai em março de 1947, foi removido inicialmente para Moscou e, em seguida, para Londres, onde serviu de dezembro de 1947 a setembro de 1948. Neste último mês, já promovido a primeiro-secretário, participou da delegação brasileira à III Sessão da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Paris.

Voltando ao Brasil, em março de 1950 foi colocado à disposição do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) para cursar a Escola Superior de Guerra (ESG). Passou a conselheiro em setembro de 1951 e em janeiro do ano seguinte foi enviado a Bonn na Alemanha Ocidental, como representante do Brasil na Comissão Mista Germano-Brasileira. Entre fevereiro e maio de 1952, no segundo governo de Getúlio Vargas, serviu como secretário do Gabinete Civil da Presidência da República. Regressando ao Itamarati para lecionar no Instituto Rio Branco, assumiu a cadeira de orientação profissional do primeiro e do segundo anos do curso de preparação para a carreira diplomática, tendo atuado ainda como examinador nas bancas de inglês, prática diplomática e consular, tratados e política econômica do Brasil.

Em dezembro de 1952 foi promovido a ministro-conselheiro e designado para a embaixada do Brasil em Bonn, onde, na qualidade de delegado-suplente, integrou uma missão encarregada de travar negociações com a República Federal da Alemanha. Interrompeu temporariamente suas atividades na capital alemã para atuar como secretário-geral da reunião dos países-membros do Sistema Brasileiro de Pagamentos Multilaterais, em outubro de 1956. Permaneceu em Bonn até fevereiro de 1957 e em novembro seguinte foi promovido a ministro plenipotenciário e removido para Teerã, no Irã. Após servir na capital iraniana entre janeiro de 1958 e junho de 1959, voltou ao Itamarati, sendo destacado para integrar a comissão de organização da visita oficial do primeiro-ministro japonês Nobosuke Kishi ao Brasil.

Promovido a ministro plenipotenciário de primeira classe em outubro de 1959, no mês seguinte representou o ministro das Relações Exteriores, Horácio Lafer, junto à Comissão Permanente para Aplicação do Tratado de Amizade e Consulta com Portugal. Participou também da comitiva do chanceler Lafer em sua visita à Argentina (novembro de 1959) e ao Paraguai (março de 1960). Entre maio e junho de 1960, chefiou a delegação brasileira na Comissão Mista Brasil-Portugal, reunida em Lisboa. Ainda em junho desse ano, viajou para Dacar, no Senegal, integrando uma missão oficial junto à Federação do Mali — efêmera tentativa de fusão entre o Senegal e a República Sudanesa do Mali, dissolvida depois de fortes divergências políticas entre os dois Estados. Em agosto de 1960, encabeçou a delegação do Brasil à VI e VII reuniões de Consulta dos Ministros de Estado das Relações Exteriores dos Estados Americanos, realizadas em San José, Costa Rica.

Em dezembro de 1960, assumiu o cargo de embaixador do Brasil no México, diplomando-se, no ano seguinte, pela Academia Mexicana de Derecho Internacional. Integrou a comitiva do presidente João Goulart em visita a esse país, em abril de 1962, chefiou a delegação brasileira no Grupo Misto Cooperação Internacional Brasil-México, em outubro seguinte, e em novembro a missão encarregada de negociar a conclusão de um acordo aéreo junto ao governo mexicano. Em junho de 1964, representou o Brasil na comissão criada pela ONU para examinar a situação do Camboja, cuja neutralidade via-se cada vez mais ameaçada com a intensificação da guerra no Vietnã.

Deixando o México, assumiu a chefia da embaixada brasileira em Montevidéu em setembro de 1964. Segundo Luís Viana Filho, os meses que se seguiram ao movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart, foram marcados por um clima tenso nas relações entre o Brasil e o Uruguai, que concedeu asilo a numerosos elementos ligados ao governo deposto, a começar pelo ex-presidente, permitindo que os asilados se manifestassem livremente contra o recém-instaurado regime militar brasileiro. Caracterizando tais manifestações como tentativas de desestabilizar o poder revolucionário, os setores mais radicais das forças armadas exigiram que o presidente da República, marechal Humberto Castelo Branco, pressionasse o governo uruguaio para coibi-las. Incumbido de contornar a crise, Pio Correia conseguiu persuadir as autoridades uruguaias a se aterem às normas do direito de asilo em relação aos brasileiros, mas, conforme recomendação do próprio Castelo Branco, “sem pôr em risco a paz e a amizade” entre os dois países, cujas relações se normalizaram a partir de então. De acordo com Philip Agee, porém, Pio Correia participou diretamente das ações da Central Intelligence Agency (CIA) no Uruguai, relacionadas à vigilância dos exilados brasileiros. Segundo Agee, “Pio Correia já trabalhava para a CIA antes de seguir para Montevidéu e dele se esperava a pressão política sobre o governo uruguaio. Logo ao chegar, ele visitou unidades militares na fronteira com o Brasil”.

De volta ao Brasil em 1966, foi nomeado secretário-geral do Itamarati, e chegou a assumir interinamente a função de ministro das Relações Exteriores do governo Castelo Branco, durante os impedimentos do chanceler Juraci Magalhães, em 1966 e 1967. Em outubro deste último ano, foi nomeado embaixador em Buenos Aires. Atuou como chefe da delegação do Brasil à reunião de técnicos do Comitê Intergovernamental Coordenador dos Países da Bacia do Prata, realizada naquela capital em 1968. Nesse ano, desempenhou ainda outras missões, como as de delegado à II Conferência de Chanceleres dos Países da Bacia do Prata, em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, e de membro da reunião de prefeitos do norte do estado do Rio Grande do Sul sobre problemas de integração econômica na fronteira.

Retornou da Argentina em janeiro de 1969 e solicitou licença do serviço público por prazo de dez anos, graças a decreto especialmente editado pelo presidente, general Artur da Costa e Silva. Expirado o prazo, aposentou-se.

Desde 1969 dedicou-se a atividades empresariais. Diretor-presidente da Siemens S.A., empresa alemã fabricante de equipamento elétrico pesado e sistemas de telecomunicações, e da Icotron S.A., empresa do grupo Siemens especializada em equipamento eletrônico daquele ano até 1983, nos 11 anos seguintes foi diretor-presidente da Ishikawajima do Brasil Estaleiros S.A. Simultaneamente, foi membro dos conselhos da Poligran e da Brasilit S.A., filial do grupo Saint-Gobain, membro do conselho diretor da Ciba-Geigy Química S.A., membro da diretoria da General Accidents, companhia de seguros britânica; membro dos conselhos de administração da Eutectic Indústrias Metalúrgicas Ltda. e da Rio de Janeiro Refrescos S.A., afiliada do grupo Coca-Cola, e membro do comitê internacional da União de Bancos Brasileiros S.A.(Unibanco).

Membro vitalício do conselho geral da Siemens S.A., posteriormente, tornou-se vice-presidente do Comitê do Meio Ambiente e da Comissão de Transportes Marítimos da Câmara Internacional do Comércio, sediada em Paris, e membro do Comitê do American Bureau of Shipping, do conselho técnico da Confederação Nacional do Comércio e da Câmara de Comércio Franco-Brasileira.

Articulista do jornal O Globo, Pio Correia residia no Rio de Janeiro em setembro de 2009.

Casou-se com Teresa Maria Graça Aranha Pio Correia, com quem teve dois filhos.

Publicou O mundo em que vivi (biografia, 1995).

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; CONFERÊNCIA NAC. CLASSES PRODUTORAS. Carta; CORREIA, P. Mundo; Encic. Mirador; IstoÉ (10/9/97); MIN. REL. EXT. Almanaque; MIN. REL. EXT. Anuário; MORAIS, A. Introdução; SOARES, E. Instituições.

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados