MARCOS ANTONIO DE SALVO COIMBRA

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: COIMBRA, Marcos
Nome Completo: MARCOS ANTONIO DE SALVO COIMBRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
COIMBRA, MARCOS

COIMBRA, Marcos

*diplomata; min. Secr. Ger. Pres. Rep. 1990-1992.

 

Marcos Antônio de Salvo Coimbra nasceu em Curvelo (MG) em 1º de junho de 1927.

Cursou o Instituto Rio Branco, sendo promovido a cônsul de terceira-classe em 1951, quando se tornou secretário do diretor da instituição. Entre 1953 e 1956, exerceu a função de vice-cônsul em Lisboa. Promovido a cônsul de segunda-classe em 1957, foi nomeado segundo-secretário da embaixada do Brasil em Assunção até 1959, sendo transferido para Havana no início da revolução cubana. Permaneceu dois anos em Cuba, de onde seguiu para Gênova, Itália, como cônsul-adjunto. Ainda em 1961 foi promovido, por merecimento, a cônsul de primeira classe. Em 1963 voltou a Portugal, assumindo, no ano seguinte, a primeira secretaria da embaixada até 1966, quando viajou para Tóquio.

Em 1967 retornou ao Brasil para chefiar o cerimonial da presidência da República no governo do general Artur da Costa e Silva (1967-1969), durante o regime militar instaurado três anos antes com a derrubada do presidente João Goulart. Ainda em 1967, foi promovido a ministro de segunda classe e, no ano seguinte, tornou-se ministro plenipotenciário em Bucareste, na Romênia. Entre 1974 e 1975, ocupou pela primeira vez o posto de embaixador junto à República da Costa do Marfim.

Chefiava a embaixada brasileira em Atenas quando, em fevereiro de 1989, foi convidado a trabalhar na campanha à presidência da República de seu cunhado, Fernando Collor de Melo, a quem conhecera na década de 1960. Licenciou-se do Itamarati e dedicou-se à organização da agenda de viagens internacionais de Collor, candidato do Partido da Reconstrução Nacional (PRN). Como diplomata que servira em mais de 20 países, não foi difícil promover o encontro de Collor com personalidades da política internacional, entre as quais chefes de estado europeus e o papa João Paulo II.

Marcos Coimbra foi o grande responsável pela estratégia de ação do cunhado nos debates promovidos entre os candidatos pelas emissoras de televisão e transmitidos em rede nacional. Foi ele o responsável pela revelação de fatos relacionados à vida pessoal e familiar de Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), sem dúvida um dos fatores que favoreceram a vitória de Collor no segundo turno das eleições presidenciais, em dezembro de 1989.

Com o cunhado na presidência, Coimbra passou a ocupar lugar de destaque na composição política do novo governo, levando para seu gabinete no edifício anexo do Ministério das Relações Exteriores o escritório central, onde se definiu o processo de transição da administração federal para a equipe de Collor.

Em janeiro de 1990, representou o presidente eleito junto à Confederação Nacional da Indústria (CNI), chefiada por Albano Franco, senador pelo PRN. Disposto a anular a influência de empresários que exigiam proteção especial do governo para seus negócios e defender as forças do livre mercado, procurou alijar das conversas Mário Amato, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), cuja representatividade alcançava 45% da indústria nacional.

Considerado homem de cultura e de modos refinados, Marcos Coimbra ampliava seu espaço no governo e, em pouco tempo, tornou-se a pessoa de maior prestígio junto ao presidente, o que desagradou antigos assessores, como Cláudio Humberto, Renan Calheiros e Cleto Falcão, cuja atuação política foi reduzida.

No final de janeiro, cogitado para assumir o Ministério das Relações Exteriores, Coimbra afirmou que seria o ministro-chefe do Gabinete Civil do novo governo, atribuindo a si funções semelhantes às exercidas pelo secretário de Estado americano. Seu projeto era criar uma secretaria — para tanto, já anunciava a extinção do Gabinete Civil — e ser o interlocutor do presidente junto à equipe ministerial.

Ao assumir a chefia do Gabinete Civil, em março de 1990, mudou o nome e as atribuições do órgão, que passou a denominar-se Secretaria Geral da Presidência da República e seu titular ganhou o título de secretário em vez de ministro. Embora considerado o homem forte do governo, foi obrigado por Collor a demitir o filho, o diplomata Gastão Lins de Salvo Coimbra, da chefia de gabinete da Secretaria Geral da Presidência da República, para não pôr em risco a austeridade pregada durante a campanha pelo novo presidente.

Em junho, divulgou circular aos ministérios, proibindo-os de assumir compromisso de qualquer natureza com organismos internacionais sem prévio consentimento do Itamarati. Reduzia, assim, ainda mais a autonomia da equipe ministerial.

Marcos Coimbra aposentou-se no Itamarati em junho de 1992. Pouco depois tiveram início as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados sobre o esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor, Paulo César Farias, que acabou envolvendo o próprio presidente da República. No mês seguinte, Marcos Coimbra depôs na CPI para dar explicações sobre o episódio de sua interferência em negociações entre a Petrobras e a empresa aérea VASP, recém-privatizada, para operações de empréstimo e fornecimento de combustível. Foi obrigado também a esclarecer o pagamento de despesas da Casa da Dinda, onde Collor morava, que estariam sendo efetuadas pelas empresas de Paulo César Farias. Ao final dos trabalhos da CPI, Coimbra foi indiciado por corrupção passiva e sonegação fiscal.

Na sessão de 29 de setembro de 1992, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura de processo de impeachment do presidente por ligações com o esquema de corrupção. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal. Foi efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde 2 de outubro. Logo após a saída de Collor, Coimbra deixou a Secretaria Geral da Presidência da República.

Dois anos depois, em março de 1994, o bufê La Fine Bouche, de Brasília, entrou na Justiça contra Coimbra, cobrando uma dívida de cem mil dólares, relativa a serviços prestados em festas e recepções realizadas na capital federal entre 1990 e 1992. Investigações da CPI revelaram que parte dos gastos presidenciais era paga com cheques de pessoas que emprestam suas contas bancárias para transações irregulares, uma das facetas do esquema de Paulo César Farias.

Em fevereiro de 1997, Marcos Coimbra esteve envolvido em mais um escândalo. A TV Globo filmou uma mansão que estava sendo construída num luxuoso condomínio de Miami, avaliada em cinco milhões de dólares, cujo terreno encontrava-se em seu nome, mas pertenceria ao ex-presidente Fernando Collor, que na ocasião também morava nesta cidade dos Estados Unidos. Coimbra assegurou a posse da propriedade, mas contestou a avaliação, declarando que o custo da obra estava estimado em um milhão de dólares, que seria pago com economias feitas durante os 40 anos de carreira diplomática.

A partir de 1994, Marcos Coimbra passou a viver entre o Brasil e os Estados Unidos. Viúvo de seu primeiro casamento com Marta Estelita Lins de Salvo Coimbra, com quem teve três filhos, casou-se com Leda Collor de Melo, irmã do presidente Fernando Collor de Melo e filha de Arnon de Melo, governador de Alagoas (1951-1956) e senador por este estado (1963-1981). Além de Gastão Lins de Salvo Coimbra, já mencionado, seu filho Fernando Estelita Lins de Salvo Coimbra também seguiu a carreira diplomática. O terceiro, batizado com o nome de Marcos Coimbra, fundou o instituto de pesquisas Vox Populi, em Belo Horizonte.

Em 2009, vivia em Belo Horizonte. Tinha vendido as ações que possuía na Organização Arnon de Mello e tanto ele como a esposa Leda haviam cortado relações com Fernando Collor.

Eduardo Junqueira/Marcelo Costa

FONTES: Estado de S.Paulo (18/1 e 20/5/90); Folha de S. Paulo (19/1, 15/3 e 29/5/90, 1/7 e 15/11/92); Globo (28, 31/1 e 30/3/90, 1/7/92, 2/3/94, 25/6/96, 1, 2, 5/2/97 e 2/11/2009); Jornal do Brasil (22/6/90, 1/7 e 12/11/92); MIN. REL. EXT. Anuário (1992); Veja (24/12/89, 2/3/94).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados