MARCOS CLEMENTE DE SOUSA DANTAS

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: DANTAS, Marcos de Sousa
Nome Completo: MARCOS CLEMENTE DE SOUSA DANTAS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
DANTAS, Marcos de Sousa

DANTAS, Marcos de Sousa

* pres. Cons. Nac. Café 1932; Pres. Bco Bras. 1953-1954; superint. Sumoc 1959-1960.

 

Marcos Clemente de Sousa Dantas nasceu em São Simão (SP) no dia 16 de junho de 1895, filho de Rodolfo Epifânio de Sousa Dantas, deputado federal em 1878, ministro do Império em 1882 e fundador do Jornal do Brasil em 1891, e de Alice Sousa Dantas. Seu avô, Manuel Pinto de Sousa Dantas, foi presi­dente das províncias de Alagoas e da Bahia, senador em 1878, conselheiro de Estado em 1879, ministro da Agricultura, da Justiça, da Fazenda e dos Negócios Estrangeiros no Império e presidente do Conselho de Ministros em 1884, tendo liderado as correntes aboli­cionistas no Parlamento.

Marcos de Sousa Dantas fez seus cursos preparatórios no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo (RJ), e formou-se advogado pela Fa­culdade de Direito do Rio de Janeiro, então Distrito Federal.  Ingressando no magistério, foi professor numa escola municipal do Rio de Janeiro, no Ministério da Marinha e no Lói­de Brasileiro.

Em 1918, começou a trabalhar como fun­cionário do Banco Francês e Italiano para a América do Sul.  No ano seguinte, ingressou no Banco Francês para o Brasil, onde traba­lhou até 1921.  Nesse ano, entrou para o Ban­co do Brasil, onde permaneceria até 1954.  No­meado em 1929 diretor-superintendente do Banco do Estado de São Paulo, manteve-se nesse cargo até o advento da Revolução de 1930.  Vitoriosa esta, foi nomeado no dia 5 de dezembro pelo interventor federal em São Paulo, João Alberto Lins de Barros, secretário da Fazenda desse estado.

Nessa época, agravou-se a crise econômica mundial. A exportação de café constituía a base de sustentação da economia brasileira e, com a queda dos preços no mercado interna­cional, o país entrou em graves dificuldades econômicas. Para enfrentar tais problemas, o Governo Provisório de Vargas, sob a pressão dos cafeicultores, articulou um plano, através do ministro da Fazenda José Maria Whitaker, de adquirir todo o estoque de café existente.  Marcos de Sousa Dantas foi um dos colabora­dores desse plano, concretizado através do De­creto nº. 19.688, de 11 de fevereiro de 1931, pelo qual o governo comprou todo o café pro­duzido, totalizando cerca de 20 milhões de sacas.  Ao lado de João Alberto, Sousa Dantas foi também um dos criadores, em 16 de maio de 1931, do Conselho Nacional do Café, cujo objetivo era elaborar uma política nacional para o produto reunindo todos os estados pro­dutores.

Entretanto, o choque entre os interesses dos cafeicultores paulistas e a orientação da política econômica do ministro Whitaker, às voltas com o problema orçamentário do país, se acentuou. Em agosto de 1931, os cafeicul­tores reuniram-se num congresso, reivindican­do maior assistência do governo, a reforma ra­dical do sistema de tarifas alfandegárias, a am­pliação do crédito agrícola, a revisão dos con­tratos de empréstimo e o amparo às cotações do café no mercado de Santos.

Paralelamente, aprofundava-se a oposição entre as correntes políticas tradicionais de São Paulo e as forças tenentistas apoiadas pelo go­verno federal, representadas no estado pelos interventores que se sucediam: João Alberto caiu no dia 7 de julho de 1931, sendo substi­tuído por Laudo Camargo, que por sua vez permaneceu apenas quatro meses à frente do governo paulista. No dia 13 de novembro, foi substituído pelo coronel Manuel Rabelo.  Este deixaria o cargo em março de 1932, cedendo o lugar a Pedro de Toledo.

No auge da crise, no dia 26 de novembro de 1931, durante a administração de Manuel Rabelo, Sousa Dantas deixou a Secretaria da Fazenda, assim como a Secretaria de Agricul­tura, Indústria e Comércio, que havia assumi­do 13 dias antes.  Ao longo desse ano, ocupou também o cargo de diretor-superintendente da Tecelagem Ítalo-Brasileira.

Em 1932, Sousa Dantas presidiu o Conse­lho Nacional do Café e teve seu nome cogitado para o governo de São Paulo.  Em carta a Getúlio Vargas datada de 19 de janeiro de 1932, Miguel Costa, secretário de Segurança e comandante da Força Pública de São Paulo, informou que não indicava o nome de Sousa Dantas para a interventoria devido à oposição de Manuel Rabelo, cujo secretariado Dantas deixara.

De 1933 a 1934, Sousa Dantas foi repre­sentante do Banco do Brasil na Tecelagem Íta­lo-Brasileira.  Presidiu interinamente o Banco do Brasil durante quatro dias, de 23 a 27 de julho de 1934. Nesse mesmo ano, assumiu a direção da Carteira Cambial daquele banco, permanecendo no cargo até 1935. Nessa con­dição, no dia 6 de janeiro de 1935 dirigiu car­ta ao ministro da Fazenda, Artur de Sousa Costa, procurando demonstrar a impossibili­dade de efetuar as transferências necessárias ao pagamento da dívida pública externa.  Achava mais conveniente inverter o processo em vigor, dando preferência ao pagamento das importações.  Esse parecer provocou protes­tos no país e no exterior e a reação de Os­valdo Aranha, então embaixador nos Estados Unidos. Aranha escreveu a Vargas no dia 15 de janeiro, qualificando as medidas propostas de "anarquia cambial" e afirmando que "ia di­zer tudo isso ao Costa (ministro Sousa Costa) e ao Sousa Dantas cruamente, porque não é possível que, criando um desastre desses, ain­da queiram defender teorias e doutrinas".  Vargas resolveu optar pelo pagamento das dí­vidas externas e Sousa Dantas renunciou ao cargo que ocupava no dia 8 de fevereiro de 1935.

Sua renúncia teve caráter irrevogável e obteve grande repercussão nos meios finan­ceiros nacionais e internacionais.  Enquanto aguardava a nomeação de seu sucessor, dois dias após deixar o cargo atendeu ao pedido de Vargas, para que acompanhasse o ministro Sousa Costa à Inglaterra e aos Estados Unidos.  Essa missão, motivada pelo estado desespera­dor em que se encontrava o governo para re­solver a situação da balança comercial, foi bem-sucedida. Conhecida como Missão Sousa Costa, conseguiu que os Estados Unidos adias­sem o recebimento de seus atrasados comer­ciais, com a condição de o câmbio se tornar livre, e que a Inglaterra assinasse acordos so­bre atrasados comerciais com o pagamento de juros a 4%, sob o compromisso de uma maior compra de produtos ingleses pelo Brasil.

No dia 30 de maio de 1935, ao desembar­car no cais do porto do Rio de Janeiro, de vol­ta dessa missão, Sousa Dantas prestou jura­mento à bandeira integralista. Mais tarde inte­grou a Câmara dos Quarenta, órgão máximo da Ação Integralista Brasileira (AIB).  Apesar de sua vinculação a esse movimento, conti­nuou ligado à esfera econômico-financeira do governo, mesmo depois da decretação do Es­tado Novo, em 10 de novembro de 1937, e da dissolução dos partidos políticos, em 3 de de­zembro do mesmo ano. Nesse momento, os integralistas foram marginalizados e alguns de seus setores passaram a hostilizar o governo.

Em 1938, Sousa Dantas acompanhou o ministro Sousa Costa aos Estados Unidos, em mais urna tentativa de resolver o problema cambial. Dessa vez, entretanto, a missão não obteve êxito.

Em fevereiro de 1939, foi posto à disposi­ção pelo Banco do Brasil para integrar a co­mitiva do ministro das Relações Exteriores, Osvaldo Aranha, que a convite do presidente Franklin Roosevelt foi aos Estados Unidos. Durante essa visita, os dois países assinaram, no dia 5 de março, vários acordos. Pelo pri­meiro, o presidente Roosevelt comprometeu­-se a pedir ao Congresso a autorização de um crédito de 50 milhões de dólares para a cria­ção de um Banco Central no Brasil. Pelo se­gundo acordo, o Banco de Exportação e Im­portação (Eximbank) norte-americano conce­deu ao Brasil um empréstimo de 19.200.000 dólares.  Pelo terceiro, o mesmo estabeleci­mento concedeu créditos a longo prazo para a aquisição pelo Brasil de produtos exportados pelos Estados Unidos.  O montante desse cré­dito, embora não tenha sido divulgado, foi avaliado em 50 milhões de dólares. Pelo quar­to acordo, o governo norte-americano se com­prometeu a enviar técnicos agrícolas ao Brasil, a fim de desenvolver culturas tropicais que não concorressem com a produção dos EUA.  Pelo quinto acordo, finalmente, o Brasil se comprometia a restabelecer o serviço de suas dívidas em dólares, a partir de julho de 1939, e a realizar uma política financeira e comer­cial capaz de favorecer a aplicação no Brasil de capitais norte-americanos.  A negociação significava a retomada do pagamento da dívi­da externa, suspensa logo após a decretação do Estado Novo.

Ainda em 1939, Sousa Dantas assessorou o ministro Osvaldo Aranha em missão financeira na Argentina.

 

Presidente do Banco do Brasil

 

Até 1953, Sousa Dantas exerceu diversas funções no Banco do Brasil, sendo em julho daquele ano reconduzido à direção da Carteira de Câmbio e assumindo, no dia 18 de agosto, a presidência do próprio banco.

Em outubro, juntamente com o ministro da Fazenda, Osvaldo Aranha, promoveu a edi­ção da conhecida Instrução 70 da Superinten­dência da Moeda e do Crédito (Sumoc), extin­guindo o câmbio subvencionado e procuran­do introduzir um tratamento discriminatório (câmbio múltiplo) conforme os produtos, de modo que fosse estimulada a exportação de produtos nacionais. Como essa exigência par­tia das autoridades financeiras internacionais, que a viam como o meio de o Brasil equilibrar seu balanço de pagamentos, provocou uma forte reação nos meios político-financeiros do país. Em artigo publicado na Folha de São Paulo (28/8/1977), o economista Rômulo de Almeida, ex-chefe da Assessoria Econômica da Presidência da República, levantou a hipó­tese de que o impacto da Instrução 70 tivesse contribuído para o agravamento da crise po­lítica que levou Vargas ao suicídio no dia 24 de agosto de 1954.

No dia 6 de setembro de 1954, logo após a morte de Vargas, Sousa Dantas demitiu-se da presidência do Banco do Brasil.

Em agosto de 1959, no governo de Jusceli­no Kubitschek, foi nomeado superintendente da Sumoc, em substituição a José Garrido Torres, ocupando o cargo até junho de 1960. Juntamente com sua nomeação, Kubitschek substituiu o ministro da Fazenda, Lucas Lo­pes, por Sebastião Pais de Almeida, e o presi­dente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, Roberto Campos, por Lúcio Mei­ra. Essas mudanças decorreram do rompimen­to do governo brasileiro com o Fundo Mone­tário Internacional (FMI) no dia 10 de junho de 1959, em virtude da recusa de concessão de créditos por aquele organismo internacio­nal e do boicote norte-americano à Operação Pan-Americana, iniciativa de Kubitschek.

Marcos de Sousa Dantas faleceu no dia 2 de dezembro de 1964, em Taubaté (SP).

Foi casado com Dinorá Maria de Sousa Dantas.

Publicou as obras O problema das dívidas externas do Brasil e Hístória verdadeira dos marcos compensados.

 

Amélia Coutinho

 

FONTES: ARAÚJO, A. Chefes; ARQ. ARTUR DE SOUSA COSTA; ARQ. OSVALDO ARANHA; BANCO DO BRASIL. Relatório; CARONE, E. República nova; COUTINHO, A. Brasil, Defesa; ENTREV. ABREU, M.; Folha de Minas (8/1/35); Folha de São Paulo (28/8/77); Jornal (3/12/64); Jornal do Brasil (10/1/35); Jornal do Comércio, Rio; LEVINE, R. Vargas; MELO, O. Marcha; SILVA, H. 1931; SILVA, H. 1932; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1938, SILVA, H. 1939; SKIDMORE, T. Brasil; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Who’s who in Brazil

 

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados