MARINHO, Luís

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Nome: MARINHO, Luís
Nome Completo: MARINHO, Luís

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MARINHO, LUIZ

MARINHO, Luís

* pres. CUT 2003; min. Trab. 2005-2007; min. Prev. Soc. 2007-2008.

Luís Marinho nasceu em Cosmorama (SP) no dia 20 de maio de 1959, filho de Lourenço Marinho e de Maximina da Silva Marinho.

Passou a infância em Santa Rita d’Oeste (SP) e foi trabalhador rural no sítio de seu pai até 1975, quando a família se mudou para a cidade de São Paulo. Em 1978 começou a trabalhar como metalúrgico na fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP), e participou dos movimentos grevistas ocorridos na época na região industrial do ABC paulista ao lado de Luís Inácio Lula da Silva, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Em 1980, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Dois anos depois, iniciou sua trajetória de líder sindical ao ser escolhido representante dos trabalhadores na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) da Volkswagen. Em 1984 foi eleito tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, e de 1990 a 1993 foi secretário-geral da entidade. Eleito vice-presidente para o período de 1993 a 1996, na chapa encabeçada por Vicentinho, assumiu a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em 1994, com a eleição de Vicentinho para a presidência da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Foi reeleito em 1996, 1999 e 2002.

Durante suas gestões, o sindicato enfrentou as consequências da política econômica do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e a conjuntura internacional de reestruturação do trabalho. O combate à inflação e os altos índices de desemprego provocados pela política governamental deram pouca margem para a negociação salarial. Além disso, foi um período de redução de poder de iniciativa do movimento sindical brasileiro, em razão da reestruturação por que passava o setor industrial, necessitando de menos mão de obra e sofrendo a saída de diversas empresas da região do ABC para outras regiões que ofereciam isenções fiscais e trabalhadores com menor nível de sindicalização. Nesse período, o Sindicato dos Metalúrgicos realizou o Ato em Defesa do Emprego e Salário em 1997, a Maratona em Defesa do Emprego em 1998, além de apresentar propostas como a do acordo emergencial do setor automotivo, que entrou em vigor em março de 1999, a de redução da jornada de trabalho, e as dos acordos na Volks e Ford que garantiriam aos trabalhadores emprego até 2006. Outro desafio foram as disputas internas com os ex-diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André, que tentaram romper a unificação do sindicato.

Ainda em 1999, prestou vestibular para economia e direito, passando no segundo. No ano seguinte, ingressou no curso de direito da Universidade Bandeirantes (Uniban), que concluiria em 2004.

Licenciado da presidência do sindicato, em outubro de 2002 concorreu a vice-governador de São Paulo na chapa encabeçada por José Genoíno. No primeiro turno Genoíno recebeu 6.361.747 votos, ou 32,44% dos votos válidos, ocupando a segunda posição e passando à disputa com Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que venceu o segundo turno.

Em fevereiro de 2003, foi escolhido pelo presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, que havia tomado posse em janeiro, para compor o quadro de representantes da sociedade civil no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e para assumir a presidência do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), órgão consultivo do programa de segurança alimentar Fome Zero, no qual permaneceu até maio de 2004.

Em junho de 2003 foi eleito presidente da CUT, a principal central sindical do país, deixando assim a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. À frente da CUT, propôs acordos coletivos entre o governo, os empresários e os trabalhadores, o que foi entendido tanto por apoiadores quanto por críticos da proposta como uma modalidade de “pacto social”. Participou de negociações voltadas para a obtenção de crédito consignado para os trabalhadores, expandiu a área de atuação da CUT ao firmar convênio com a Uniban, para que os sócios de sindicatos a ela ligados tivessem desconto na mensalidade, e defendeu as propostas de reformas constitucionais encaminhadas pelo governo Lula ao Congresso Nacional.

 

Ministro do governo Lula

 

Em 8 de julho de 2005 foi convidado pelo presidente Lula para ocupar o cargo de ministro do Trabalho, em substituição a Ricardo Berzoini. O convite se deu em um momento de crise política, em que membros do governo Lula eram acusados de pagar mesadas a parlamentares para que fossem aprovados projetos e emendas de interesse do governo. Marinho declarou ter sido “convocado” pelo presidente da República, e aceitou imediatamente a incumbência por considerar-se “um soldado” no projeto do governo e de seu partido. Foi empossado no dia 12 daquele mês. No Ministério do Trabalho, procurou dar continuidade à administração de seu antecessor, mas com maior ênfase na valorização do salário mínimo. Nesse sentido, iniciou uma negociação entre setores da sociedade e do governo. Como resultado dessa negociação houve um aumento real do salário mínimo em abril de 2006, fato que se repetiu nos anos seguintes.

Com a reeleição de Lula em 2006, surgiu a necessidade de reformas ministeriais para acomodar os novos partidos que haviam entrado na base de sustentação do governo. Inicialmente não foi cogitada mudança no Ministério do Trabalho, mas o Partido Democrático Trabalhista (PDT) acabou ficando responsável pela pasta, e Marinho foi nomeado para o Ministério da Previdência Social. Empossado na Previdência no dia 29 de março de 2007, foi substituído no Ministério do Trabalho pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Por ocasião das negociações da reforma ministerial, o presidente Lula justificou que teria sido “muito complicado” para alguém que não fosse do PT discutir temas relativos à reforma da previdência. Além disso, Lupi declarara-se contrário a qualquer reforma nessa área.

Ao tomar posse no Ministério da Previdência, defendeu a tese de que eventuais reformas não deveriam atingir quem já estivesse trabalhando. Ou seja, afirmou que mudanças nas regras só poderiam ser impostas a quem entrasse no mercado de trabalho a partir de então, transferindo para um prazo mais longo os efeitos práticos de possíveis reformas. Durante seu período à frente do ministério, discutiu-se através do Fórum Nacional da Previdência, integrado por empresários, trabalhadores e governo federal, uma eventual reforma previdenciária focada em uma perspectiva de longo prazo. No entanto, o Fórum encerrou suas atividades sem propor efetivamente reformas no setor. Por fim, reformas imediatas foram descartadas, alegando-se que elas não seriam imprescindíveis enquanto se mantivesse a conjunção de fatores caracterizada por população em expansão aliada a crescimento econômico e aumento de arrecadação do governo federal. Em sua administração foi desenvolvido um novo modelo de gestão previdenciária, investindo-se na melhoria e maior agilidade de seu funcionamento e no combate à fraude. Investiu-se também na reforma e construção de agências do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e na capacitação dos servidores do ministério, visando a melhorar a qualidade do atendimento.

Em 2008, desincompatibilizou-se do cargo de ministro para candidatar-se à prefeitura de São Bernardo do Campo na legenda do PT. Durante a campanha, contou com o apoio do presidente Lula e fez uma ampla coligação com dez legendas. Na eleição de outubro, obteve a primeira colocação, com 194.966 votos, ou 48,27% dos votos válidos. No segundo turno conquistou 237.617 votos ou 58,19% dos votos válidos, derrotando o adversário Orlando Morando Júnior, do PSDB. Sua vitória foi uma conquista para o PT, que desde a década de 1980 não ganhava a prefeitura de São Bernardo do Campo, apesar de ser o local da residência de Lula, palco das greves mais importantes da história sindical do país na década de 1970, um dos celeiros da criação do PT e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, e o reduto mais importante da CUT.  Tomou posse em 1º de janeiro de 2009.

Foi ainda coordenador do Movimento de Alfabetização Regional ABC (Mova), presidente de honra da União e Solidariedade das Cooperativas do Estado de São Paulo (Unisol) e um dos idealizadores da Câmara Regional do ABC.

Casou-se com Nilza de Oliveira, com quem teve dois filhos.

Fabricio Pereira da Silva

 

FONTES: Agência Brasil (29/3/07). Disponível em : <http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/ 2007/03/29/materia.2007-03-29.6571849311/view>. Acesso em : 20 set. 2009; Época (online) 22 jan. 2009. Disponível em : <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI24893-15 223,00-FILHOS+DE+LULA+ARRANJAM+EMPREGO+EM+PREFEITURAS.html>. Acesso em : 20 set. 2009; Estado de S. Paulo (1/12/02; 26/10/08); Folha de S.Paulo (8, 9/7/05; 30/3/07; 1/1/09); Portal ABC de Luta. Disponível em : <http://www.abcdeluta.org.br>. Acesso em : 20 set. 2009; Portal FETECSP (4/12/03). Disponível em : <http://www.fetecsp.org.br/index2. php?option=com_content&do_pdf=1&id=17734>. Acesso em : 20 set. 2009.

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