MARIO ALVES MONTEIRO TOURINHO

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Nome: TOURINHO, Mário
Nome Completo: MARIO ALVES MONTEIRO TOURINHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
TOURINHO, MÁRIO

TOURINHO, Mário

*militar; interv. PR 1930-1931.

 

Mário Alves Monteiro Tourinho nasceu em Antonina (PR) no dia 12 de setembro de 1871, filho do oficial do Exército Francisco Antônio Monteiro Tourinho e de Maria Leocádia Alves Tourinho.

Sentou praça pouco depois da morte de seus pais, ocorrida em 1885, sendo em seguida acompanhado por seu irmão mais moço, Plínio, que viria a tornar-se delegado militar no Paraná durante a Revolução de 1930, deputado à Assembléia Nacional Constituinte em 1933-1934 e deputado federal de 1935 a 1937.

Ao contrário de seu irmão, Mário Tourinho seguiu uma carreira militar desvinculada de atividades políticas. Depois de servir como soldado no 2º Corpo de Cavalaria, foi transferido em 1886 para o 8º Regimento de Cavalaria, sempre em Curitiba, sendo promovido a segundo-sargento em 1887. Dois anos depois, transferiu-se para o Rio de Janeiro, ingressando na Escola Preparatória do Exército, em Realengo. Matriculou-se em 1890 na Escola Militar da Praia Vermelha, de onde saiu aspirante-a-oficial de artilharia em 1893. Nesse período, iniciou também o curso de engenharia militar, que entretanto abandonou poucos meses antes da formatura, devido ao falecimento de sua primeira esposa.

Em outubro de 1893, sob o comando do general Francisco de Paula Argolo, participou no Paraná de operações de repressão à Revolução Federalista, que conflagrou os estados do Sul do país a partir desse ano. Os federalistas — chamados de “maragatos” — opunham-se ao governo do Rio Grande do Sul, chefiado por Júlio de Castilhos, e ao presidente da República, Floriano Peixoto, que apoiava o Executivo gaúcho. Pouco depois, aderiram ao movimento os remanescentes da Revolta da Armada, que em 1893 e 1894 insurgira a esquadra sediada na baía de Guanabara, chegando depois a tomar a capital de Santa Catarina.

Em novembro de 1893, Mário Tourinho foi comissionado no posto de segundo-tenente, servindo no 3º Regimento de Campanha. No início do ano seguinte, as forças rebeldes comandadas pelo caudilho gaúcho Gumercindo Saraiva entraram no Paraná e cercaram a cidade de Lapa, de cuja defesa Tourinho participou sob o comando do coronel Augusto Ernesto Gomes Carneiro. No entanto, a morte do comandante, somada à precária situação material e ao reduzido número de combatentes, levou à rendição das tropas legalistas. Em março de 1894, contudo, iniciou-se no Paraná uma contra-ofensiva governamental que se opôs ao avanço dos rebeldes.

Um ano depois, Tourinho foi lotado no 6º Regimento de Artilharia de Campanha (RAC), onde se encontrava em agosto, quando a paz foi estabelecida com a derrota dos federalistas.

Em 1896, freqüentou a Escola de Tática e Tiro de Rio Pardo (RS), e em 1898 retornou à Escola Militar da Praia Vermelha. De volta ao 6º RAC no ano seguinte, em outubro de 1900 foi nomeado ajudante-de-ordens do general Francisco Rocha Calado, função que exerceu até retornar à Escola Militar em março de 1901. Promovido a primeiro-tenente nesse mesmo ano, voltou em 1902 ao 6º RAC, onde permaneceu até 1909, quando o regimento foi extinto em virtude da reorganização do Exército. Designado para o 2º Regimento de Artilharia, passou à patente de capitão no ano seguinte.

Servindo no 7º Regimento de Artilharia Montada em 1915, Tourinho integrou-se à Coluna Sul que, comandada pelo coronel Francisco Raul Estillac Leal, combateu os rebeldes do Contestado, na região fronteiriça do Paraná com Santa Catarina. Esse movimento popular de cunho messiânico mobilizou entre 1912 e 1916 milhares de camponeses, e foi derrotado de forma sangrenta pelo general Fernando Setembrino de Carvalho.

Em fevereiro de 1917, foi transferido para o 17º Grupamento de Artilharia a Cavalo, assumindo em novembro o comando da 4ª Bateria Isolada da Fortaleza da Barra de Paranaguá (PR). Promovido a major em 1918 , no início do ano seguinte foi transferido para o 2º Regimento de Artilharia Montada e, em maio, colocado à disposição do governo do Paraná para comandar a força pública do estado. Alçado à patente de tenente-coronel no início de 1922, foi designado em seguida para o comando do 2º Grupamento Independente de Artilharia Pesada e, em dezembro, para o 9º Regimento de Artilharia Montada.

No dia 5 de julho de 1924, eclodiu em São Paulo a revolta comandada por Isidoro Dias Lopes contra o governo de Artur Bernardes. Depois de ocuparem a capital paulista por três semanas, os rebeldes foram forçados a se retirar para o interior. Mário Tourinho, que participara do cerco aos insurretos, seguiu com o estado-maior das forças legalistas para a cidade de São Paulo, onde comandou um grupo de artilharia. Em outubro foi promovido a coronel, sendo designado no mês seguinte para o comando do 3º Regimento de Artilharia Montada.

Participando do combate aos revoltosos paulistas que demandavam o Paraná, em janeiro de 1925 foi nomeado comandante de um destacamento que recebeu seu nome. No mês seguinte atuou em Curitibanos (SC), com o objetivo de deter o avanço das tropas rebeldes gaúchas que, comandadas pelo capitão Luís Carlos Prestes, procuravam se reunir aos paulistas no Paraná. A junção dessas forças, ocorrida finalmente em abril de 1925 no oeste paranaense, constituiu a Coluna Miguel Costa-Prestes, que percorreu 13 estados brasileiros, sofrendo o combate das forças legalistas, até se internar na Bolívia nos primeiros meses de 1927.

Em fevereiro desse mesmo ano, Mário Tourinho foi transferido para o 9º Regimento de Artilharia Montada, sendo depois nomeado diretor do Arsenal de Guerra de Porto Alegre. Passou para a reserva em 1929, no posto de general-de-divisão.

 

Interventor no Paraná

A Revolução de 1930 eclodiu no Paraná em 5 de outubro, sob o comando de Plínio Tourinho, que logo assumiu o posto de delegado militar da revolução em seu estado. No mesmo dia, com a situação ainda indefinida, Plínio ofereceu em caráter provisório o governo estadual a seu irmão Mário, já afastado do Exército. Após a deposição de Washington Luís (24/10/1930) e a entrega do poder a Getúlio Vargas (3/11/1930), no dia 18 de novembro Mário Tourinho foi confirmado no posto de interventor federal no estado.

As primeiras medidas tomadas por seu governo visaram a desarticular o aparelho político-administrativo que servia de suporte à situação anterior. Nesse sentido, foram dissolvidos o Congresso Legislativo e as câmaras municipais do estado, cassados os mandatos dos prefeitos e instaladas comissões de sindicância no porto de Paranaguá, no Departamento de Terras, no Tesouro e no Banco do Estado. Mário Tourinho determinou também a unificação das secretarias da Fazenda, Indústria e Comércio; do Interior, Justiça e Instrução Pública; e da Agricultura, Viação e Obras Públicas, centralizando-as na Secretaria Geral do Governo.

Face à precariedade da situação econômica do estado antes da revolução — agravada pela emissão de promissórias para cobrir os déficits orçamentários — seu governo tentou promover o saneamento das finanças públicas e da economia paranaense, sem entretanto obter êxito significativo. Enfrentou também o problema resultante da concessão de favores a companhias e a particulares, especialmente no que se referia à doação de terras devolutas do estado. Para tanto, anulou ou considerou caducas várias concessões, inclusive as feitas à Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande do Sul e à Companhia Mate Laranjeiras.

A ação de Tourinho, contudo, não contava com o apoio maciço das forças políticas paranaenses que haviam sido favoráveis à revolução. A partir de meados de 1931, aumentaram as denúncias contra o interventor, na maioria advindas de elementos vinculados à Legião Revolucionária paranaense e ao Centro de Resistência Revolucionária do Paraná. Essas organizações notificaram o ministro da Justiça, Osvaldo Aranha, de que as residências de seus integrantes vinham sendo objeto de vigilância policial. Protestavam também contra o controle da administração pública pela “oligarquia dos irmãos Tourinho” e contra a perseguição aos jornais oposicionistas, que culminara com o fechamento do Diário da Tarde. Segundo Alir Ratacheski, todos os setores da vida paranaense sofreram nesse período uma verdadeira paralisação devido ao caos administrativo, principalmente o do ensino.

Diante dessa situação, a Legião Revolucionária e o Centro de Resistência Revolucionária enviaram manifestos a Getúlio Vargas apontando a incapacidade do interventor para o exercício do cargo. Em novembro de 1931, o novo inspetor do 2º Grupo de Regiões Militares, general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, começou a articular a escolha do novo interventor. No dia 31 de dezembro, o general Tourinho foi exonerado do cargo, sendo substituído por Manuel Ribas, paranaense que até então exercia a prefeitura de Santa Maria (RS), empossado no dia 15 de janeiro de 1932.

Afastado do governo, Mário Tourinho foi em 1933 um dos fundadores do Partido Liberal Paranaense, agremiação criada para concorrer às eleições de maio para a Assembléia Nacional Constituinte. Integrou a primeira comissão executiva do partido, que se opunha a Manuel Ribas e elegeu o agora também general Plínio Tourinho para a Constituinte reunida em novembro.

Mário Tourinho retirou-se então da vida pública, vindo a falecer em Curitiba no dia 24 de outubro de 1964.

Publicou em 1944 um livro sobre sua experiência na Revolução Federalista: Expedição Argolo.

Era tio do general Aírton Pereira Tourinho, comandante da Escola Superior de Guerra (1976-1978) e chefe do Departamento de Engenharia e Comunicações do Exército (1978), e do general Luís Carlos Pereira Tourinho, deputado federal pelo Paraná de 1955 a 1959.

Regina da Luz Moreira

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; ARQ. OSVALDO ARANHA; Boletim Inst. Hist. Geog. Etnográfico Paranaense; CARNEIRO, D. Cerco; CARONE, E. República velha; CORRESP. BIB. PÚBL. PR; Grande encic. Delta; História do Paraná; MOREIRA, J. Dic.; PEIXOTO, A. Getúlio; POPPINO, R. Federal; SOTOMAIOR, S. Galeria.

 

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