MARIO DAVI ANDREAZZA

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Nome: ANDREAZZA, Mário
Nome Completo: MARIO DAVI ANDREAZZA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ANDREAZZA, MÁRIO

ANDREAZZA, Mário

*militar; min. Transp. 1967-1974; min. Interior 1979-1985.

 

Mário Davi Andreazza nasceu em Caxias do Sul (RS) em 20 de agosto de 1918, filho de Atílio Andreazza e de Inês Corso Andreazza.

Em abril de 1938 sentou praça no Exército, matriculando-se na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Em dezembro de 1940 saiu aspirante-a-oficial da arma de infantaria, em agosto de 1941 passou a segundo-tenente e em abril de 1943 a primeiro-tenente. Em dezembro de 1945 foi promovido a capitão e, nesse posto, tornou-se suplente do conselho fiscal do Clube Militar. Recebeu a patente de major em abril de 1953 e em dezembro de 1960 foi promovido a tenente-coronel.

Em 1961, como adjunto do Conselho de Segurança Nacional (CSN), participou, ao lado dos coronéis Válter Pires e João Batista Figueiredo, sob o comando do coronel Golberi do Couto e Silva, dos trabalhos do Serviço Federal de Informações e Contra-Informações, embrião do futuro Serviço Nacional de Informações (SNI), que funcionava junto à secretaria do CSN.

Com o movimento político-militar de 31 de março de 1964 e a posse do general Castelo Branco na presidência da República em 15 de abril, foi nomeado oficial-de-gabinete do ministro da Guerra, general Costa e Silva. Em agosto de 1965 foi promovido a coronel. Logo após a decretação, em 27 de outubro, do Ato Institucional nº 2 (AI-2), que extinguiu os partidos e instaurou eleições indiretas para a presidência da República, marcando o pleito para 3 de outubro de 1966, deu início a uma intensa campanha em favor da candidatura de Costa e Silva. Em 30 de dezembro, ao lado do general Jaime Portela, lançou oficialmente essa candidatura e daí em diante empenhou-se em popularizá-la, apresentando o ministro da Guerra ao público como o “Seu Artur”, liberal e bonachão.

Apoiado pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar criado em abril de 1966, Costa e Silva, candidato único, foi eleito pelo Congresso em outubro. Andreazza foi então convidado para o Ministério dos Transportes, no qual tomou posse em 15 de março de 1967, ao se iniciar o novo governo.

 

Ministro dos Transportes

Em novembro de 1967, inaugurou a segunda pista da Via Dutra (Rio-São Paulo). Foi um dos signatários do AI-5, editado em 13 de dezembro de 1968, depois de um período de acirramento da oposição contra o governo, partida principalmente do movimento estudantil e de setores parlamentares. Tendo-se filiado à Arena, e em conseqüência de sua experiência nas lides políticas, a partir de março de 1969 teve seu nome cogitado para a presidência do partido. Recusou, sob pretexto das ocupações inerentes à função de ministro.

Ainda em março de 1969 inaugurou a rodovia BR-277, ligando Paranaguá (PR) a Assunção, no Paraguai, última obra concluída pelo ministério durante a gestão de Costa e Silva. Após obter a aprovação do Congresso e a sanção do presidente para a construção da ponte Rio-Niterói, ligando as duas cidades através da baía de Guanabara, deu início às obras, contando com o financiamento de capitais ingleses. Essa iniciativa deu origem a inúmeras controvérsias. A oposição denunciou o caráter faraônico e não-prioritário da obra, baseada principalmente no fato de a ponte não cumprir um papel de transporte de massas, e sim acentuar o uso individual do automóvel, num momento em que o consumo de combustível já começava a aparecer como um dos graves problemas da economia.

Em virtude da doença de Costa e Silva, em 31 de agosto de 1969 foi constituída, através do AI-12, uma junta militar integrada pelos ministros Lira Tavares, do Exército, Augusto Rademaker, da Marinha, e Márcio de Sousa e Melo, da Aeronáutica. Setores militares, que já há algum tempo se apresentavam descontentes com o governo Costa e Silva e reclamavam um endurecimento do regime, passaram a articular entre as forças armadas a sucessão do presidente. Apesar dos protestos feitos contra tal iniciativa pelos setores que apoiavam Costa e Silva e esperavam vê-lo restabelecido, entre os quais se destacou Andreazza, em 14 de outubro a junta militar decretou o AI-16, através do qual declarava vagas a presidência e a vice-presidência e marcava para 25 de outubro a eleição pelo Congresso para o preenchimento dos cargos.

Em 30 de outubro de 1969 assumiu a chefia do governo, para um mandato de quatro anos, o general Garrastazu Médici, indicado pelo Alto Comando das Forças Armadas. Apesar de sua veemente oposição à substituição de Costa e Silva, Andreazza continuou na pasta dos Transportes. Foi durante esse período que realizou suas obras mais destacadas, contando com o apoio do engenheiro Eliseu Resende, diretor-geral do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER).

Entre suas realizações mais significativas encontram-se a ponte sobre o arroio Chuí, ligando o Brasil ao Uruguai, inaugurada em julho de 1971; a rodovia Porto Velho-Rio Branco, inaugurada em outubro de 1971; o trecho ferroviário do Tronco Sul, ligando Uberlândia (MG) a Araguari (MG), inaugurado em março de 1973; e a ligação pavimentada entre Cuiabá e Rio Verde (MT), inaugurada em dezembro de 1973. Essa obra era vinculada ao Programa de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Prodoeste), que visava a fortalecer a economia da região através da construção de rodovias básicas para o escoamento da produção.

Em 30 de janeiro de 1974 Andreazza inaugurou a rodovia Transamazônica. Sua construção, aprovada por decreto-lei em junho de 1970, congruente com a política governamental de integrar a Amazônia ao resto do país através de projetos de colonização, dentro do chamado Programa de Integração Nacional, acarretou grande polêmica com a oposição, que a considerava extremamente onerosa e inoperante. A obra custou, segundo os cálculos oficiais, trezentos mil cruzeiros por quilômetro — ou, segundo cálculos extra-oficiais, oitocentos mil cruzeiros por quilômetro — além de enfrentar grandes dificuldades, devido aos longos meses de chuvas torrenciais que paralisavam os trabalhos de terraplenagem.

Em fevereiro do mesmo ano, Andreazza inaugurou o asfaltamento das rodovias Belém-Brasília e Belém-São Luís e, em 4 de março, a ponte Rio-Niterói, que recebeu o nome de ponte Presidente Costa e Silva.

 

Empresário

Em 15 de março de 1974, com o fim do governo Médici, deixou o Ministério dos Transportes, tendo recusado a candidatura ao Senado pelo estado da Guanabara, que vinha sendo articulada há cerca de um ano pela bancada da Arena. Dedicando-se à iniciativa privada, assumiu a presidência da CEC — Equipamentos Marítimos e Industriais, sediada em Niterói, e a vice-presidência da Companhia de Seguros Atlântica Boavista, em São Paulo.

Em 1977, com o início da campanha para a sucessão do presidente Ernesto Geisel, destacou-se como um dos principais articuladores da candidatura do general João Figueiredo, chefe do SNI, junto a empresários e autoridades dos governos de que havia participado. O general Figueiredo, oficialmente indicado pelo presidente Ernesto Geisel em janeiro de 1978 e apoiado quase unanimemente pela bancada arenista, saiu vencedor no pleito realizado pelo Colégio Eleitoral em 15 de outubro, derrotando o candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), general Euler Bentes Monteiro.

Em janeiro de 1979 recebeu o convite de Figueiredo para assumir o Ministério do Interior e, no mesmo dia, em entrevista à imprensa, apontou como prioritários os problemas de desenvolvimento do Nordeste e da Amazônia, que procuraria solucionar através da implementação dos projetos já existentes para as duas regiões, assim como através de suas superintendências, a do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Manifestou, ainda, sua preocupação com as condições de saneamento e habitação das periferias das áreas urbanas e a intenção de utilizar todos os mecanismos do Banco Nacional da Habitação (BNH) para melhorá-las.

 

Ministro do Interior

Tomou posse em 15 de março de 1979, no início do governo Figueiredo. No mês seguinte, participou da conferência de abertura do XI Ciclo de Altos Estudos Amazônicos, na qual fez declarações a respeito do Projeto Jari, área de 36.060km2 no limite do Pará com o território do Amapá explorada pela Jari Florestal e Agropecuária Ltda., controlada pelo americano Daniel Ludwig. Destacou as contribuições da Jari no desenvolvimento de uma tecnologia para a Amazônia, desconhecida pelas empresas nacionais até a implantação do projeto.

Quando, ainda em 1979, de acordo com as diretrizes políticas definidas pelo presidente Figueiredo, iniciaram-se as discussões em torno da reimplantação do pluripartidarismo, passou a defender a criação de um único partido de apoio ao governo, de forma que fosse mantida a maioria incontestável no Congresso. Essa tese era defendida por praticamente todos os setores alinhados ao regime e, com efeito, depois da extinção da Arena e do MDB, em 29 de novembro de 1979, enquanto as forças oposicionistas se organizavam em diferentes partidos, a maioria dos ex-arenistas, entre os quais Andreazza, filiava-se a uma única agremiação, o Partido Democrático Social (PDS).

Em 15 de abril de 1981, assinou, com o presidente Figueiredo, o Decreto-Lei nº 85.916, que dispunha sobre as atividades da administração pública, direta e indireta, nas regiões metropolitanas.

Ainda nos primeiros meses de 1981 surgiram rumores acerca de sua possível candidatura à sucessão do governador Chagas Freitas, do estado do Rio, na legenda do PDS, nas eleições de novembro de 1982. Entretanto, em declaração à imprensa em maio, afirmou que não disputaria o cargo e manifestou a intenção de deixar definitivamente a vida pública ao fim de sua gestão, em 1985.

Ainda em maio de 1981, iniciadas as articulações do governo para assegurar a vitória do PDS nas eleições de 1982, apresentou ao presidente Figueiredo um documento no qual propunha a aplicação, em dois mil municípios, de mais de sete bilhões de cruzeiros, através de projetos de pequeno porte a serem desenvolvidos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano (CNDU) e pelo Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS). A proposta, que tinha por objetivo promover a vitória do PDS nos municípios beneficiados, foi aprovada no mesmo mês pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico.

Durante sua gestão enfrentou problemas decorrentes de disputas de terras entre posseiros e grupos indígenas. Procurou ampliar a construção de habitações populares, implantando conjuntos residenciais. Em novembro de 1982 apoiou de forma incisiva o candidato do PDS ao governo do estado do Rio, Wellington Moreira Franco, cujo nome procurou associar às realizações de sua pasta. O eleito foi, no entanto, o candidato do PDT, Leonel Brizola.

Em fevereiro de 1983 admitiu ser presidenciável, mas condicionava o lançamento de sua candidatura ao consentimento do presidente Figueiredo, que ainda tinha 1/3 de mandato a cumprir. Na mesma época foi envolvido em escândalo econômico denunciado pelo jornal Folha de S. Paulo, segundo o qual a Delfin Crédito Imobiliário, a maior e mais popular das empresas privadas que operavam cadernetas de poupança, havia quitado uma dívida de 70 bilhões de cruzeiros com o Banco Nacional da Habitação (BNH) dando em pagamento terrenos sobre cujo real valor estabeleceram-se controvérsias. Contando com a cobertura da bancada do PDS, depôs na Câmara sobre a intervenção federal nas empresas do Grupo Delfin e empenhou-se em defender o BNH, considerado pelo governo como a solução brasileira para os problemas de moradia. Seu pronunciamento baseou-se na tese de que ocorreu um equívoco nas denúncias de irregularidades na transação Delfin-BNH.

Em junho enfrentou novas dificuldades com o BNH, uma vez que se tornava evidente que grande parte dos mutuários não tinha recursos para pagar suas prestações. A caderneta de poupança, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o retorno dos empréstimos, o chamado tripé de sustentação do BNH, não mais conseguiam manter o sistema, devido à evasão de recursos. Declarou então que o problema era o estado crítico da economia, com uma inflação galopante que havia se tornado não só o maior inimigo do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) como também o nosso maior problema social. Apontou alguns caminhos para tentar manter em funcionamento pelo menos duas das pernas: rechear de atrações a caderneta de poupança e bloquear, na medida do possível, as retiradas do FGTS.

Em setembro lançou oficialmente sua candidatura à presidência da República à revelia do presidente Figueiredo, ao constatar que estava sendo virtualmente atropelado por outras candidaturas, como a do deputado Paulo Maluf e a do vice-presidente Aureliano Chaves.

Em janeiro de 1984, a campanha das diretas ganhou as ruas, transformando-se num movimento sem precedentes na história do Brasil, em mobilização e apoio popular por uma idéia política. Enquanto as multidões reivindicavam o restabelecimento das eleições diretas para presidente, sua candidatura se desgastava. O senador José Sarney, então presidente nacional do Partido Democrático Social (PDS), reconhecia que a opinião pública não aceitava o nome de Mário Andreazza nem o de Paulo Maluf. Em 25 de abril, em sessão da Câmara, emenda apresentada pelo deputado mato-grossense Dante de Oliveira propondo o restabelecimento das eleições diretas para presidência da República em novembro daquele ano não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação — faltaram 22 para que o projeto pudesse ser enviado ao Senado.

Paralelamente à questão da sucessão presidencial, Andreazza lidava com um sério problema atinente à sua pasta. Em maio, após 42 dias de impasse, teve solução uma contenda entre os índios txucarramães e o governo. Depois de seqüestrar uma balsa pública, interromper o tráfego da rodovia federal BR-080 e manter como reféns nove funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai), a tribo do cacique Raoni conseguiu a demarcação de uma faixa de terra na margem direita do rio Xingu, uma área devoluta de 186 mil hectares, considerada sagrada pelos índios, e a demissão do presidente da Funai, Otávio Ferreira Lima.

Em julho, o ministro anunciou que poderia considerar a possibilidade de retirar a sua candidatura se Paulo Maluf fizesse o mesmo em favor de Aureliano Chaves, que tinha maiores condições de unir o PDS. Em conseqüência do silêncio do seu oponente, retirou sua proposta, ao mesmo tempo em que o partido governista caminhava em progressiva desagregação. Ainda no mesmo mês, cerca de cem dissidentes do PDS se reuniriam formando a Frente Liberal, consolidada pelos grupos de Aureliano Chaves e do senador Marco Maciel, que desistiram de levar suas candidaturas à convenção e praticamente romperam com seu partido de origem.

Em 11 de agosto, na convenção do PDS, perdeu para Paulo Maluf a indicação para disputar a presidência. No mesmo dia, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) também realizava sua convenção aclamando as candidaturas a presidente do governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, e a vice do senador José Sarney, representante da Frente Liberal, mais tarde vitoriosas no Colégio Eleitoral.

Em setembro, anunciou a criação do bônus da casa própria, medida provisória pela qual os mutuários do BNH recebiam um desconto médio de 15% em suas prestações mensais. Nessa ocasião, Jó Resende, presidente da Federação das Associações de Moradores do Estado do Rio de Janeiro (FAMERJ) e articulador do movimento contrário às regras do Sistema Financeiro da Habitação, declarou que o bônus não resolvia o problema dos mutuários e que a única solução seria tratar de forma conjunta salários e prestações. Jó Resende denunciou ainda que a falência do BNH, se não fossem tomadas providências, era iminente, por ter sido o órgão montado com base numa economia em expansão e concebido para suportar taxas de inflação de 100%, e não mais de 200%, como ocorria então.

Em 15 de março de 1985, com o fim do governo Figueiredo, deixou o Ministério do Interior. Em seguida, assumiu uma diretoria na Companhia Bradesco de Seguros, aí permanecendo até março de 1986.

Na vida militar, cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, a Escola de Estado-Maior do Exército e a Escola Superior de Guerra (ESG). Foi instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, participou da Missão de Instrução Brasileira no Paraguai e serviu como adjunto a 2ª e 3ª seções do Estado-Maior do III Exército, além de adjunto da seção de operações do núcleo de comando da Zona de Defesa Sul. Foi ainda adjunto do Estado-Maior das Forças Armadas e tornou-se membro permanente da ESG.

Morreu em São Paulo em 19 de abril de 1988.

Era casado com Liliana Urtiaga Andreazza, com quem teve dois filhos.

 

FONTES: ANDREAZZA, M. Perspectivas; Cidadão; Encic. Mirador; Estado de S. Paulo (24/6/83, 19/7/84); Folha de S. Paulo (25/2/83); Globo (6/4 e 21/9/83, 17/6 e 18/7/84); Grande encic. Delta; INST. HIST. GEOG. BRAS.; Jornal do Brasil (18/4/75, 12/8/84, 20/4/88); MAGALHÃES, I. Segundo; MIN. GUERRA. Almanaque; MIN. VIAÇÃO. Dados; Perfil (1971 e 1972); Rev. Clube Militar (6/50); Veja (9/2 e 7/12/83, 22, 25/1, 11/4, 9/5 e 3/10/84, 1/1/86); Who’s who in Brazil.

 

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