MARIO MIDOSI CHERMONT

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Nome: CHERMONT, Mário (1)
Nome Completo: MARIO MIDOSI CHERMONT

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CHERMONT, MÁRIO (1)

CHERMONT, Mário

*junta gov. PA 1930; const. 1934; dep. fed. PA 1935-1937.

 

Mário Midosi Chermont nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, no dia 28 de setembro de 1889, filho de Antônio Leite Chermont e de Júlia Midosi Chermont. Seu pai, militar, foi deputado no Pará em 1890 e um dos fundadores do jornal O Estado do Pará.

Com a mudança de sua família para o Pará, cursou o primário no Ateneu Paraense e o secundário no Instituto Amazônico. De volta ao Rio de Janeiro, concluiu os estudos preparatórios no Colégio Abílio e, viajando em seguida para a Europa, estudou no Instituto Depuich, em Bruxelas, na Bélgica. De volta ao Brasil, estabeleceu-se novamente na capital do país, ingressando na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Ainda acadêmico, participou da Campanha Civilista, que promoveu em 1909-1910 a candidatura de Rui Barbosa à presidência da República em oposição à do marechal Hermes da Fonseca, afinal eleito em março de 1910. No ano seguinte concluiu o curso de medicina, defendendo tese de doutoramento sobre o fenômeno da insolação.

Iniciou suas atividades profissionais no Pará, tornando-se em 1914 inspetor sanitário do estado. Em 1921 integrou-se à Campanha da Reação Republicana em torno da candidatura de Nilo Peçanha à presidência da República, em oposição a Artur Bernardes, que venceu o pleito de março de 1922. Ainda em 1922 alinhou-se ao Partido Republicano Federal, apoiando a candidatura de Lauro Sodré ao governo do Pará.

Um dos líderes da Revolução de 1930 nesse estado, logo após a vitória do movimento, integrou a junta governativa provisória paraense que, no dia 24 de outubro, substituiu o governador Eurico Vale. Participavam também da junta seu primo Abel Chermont e o tenente Ismaelino de Castro. Dois dias depois, a junta foi substituída pelo coronel Landri Sales, na qualidade de governador militar. No dia 28 de outubro, contudo, Chermont retornou ao poder, integrando então uma junta ao lado de Ismaelino de Castro e do capitão-de-fragata Antônio Coimbra. No dia 12 de novembro, finalmente, assumiu o tenente Joaquim de Magalhães Barata, como interventor federal no Pará, sendo Chermont nomeado secretário-geral da Educação e da Saúde Pública. Em 1931 exerceu interinamente as funções de interventor.

Foi um dos fundadores do Partido Liberal (PL) do Pará, organizado em dezembro de 1931 sob a liderança do interventor Magalhães Barata. Nessa legenda, foi eleito em maio de 1933 deputado à Assembléia Nacional Constituinte, assumindo o mandato em novembro do mesmo ano. Participou dos trabalhos constituintes e, após a promulgação da nova Carta e a eleição do presidente da República (17/7/1934) teve seu mandato prorrogado até maio de 1935. Nesse ínterim elegeu-se, em outubro de 1934, deputado federal para a legislatura ordinária que se iniciaria em maio do ano seguinte.

O PL do Pará, majoritário na Assembléia Constituinte estadual, lançou a candidatura do interventor Magalhães Barata ao governo do estado. Discordando dessa posição, Chermont, que era deputado federal, obteve a solidariedade de sete representantes estaduais do PL e firmou acordo com a Frente Única Paraense (FUP) para enfrentar a candidatura Barata. Essa corrente, resultante da aliança entre a FUP e a dissidência liberal, convertendo-se em força majoritária na Assembléia, aprovou a indicação do nome de Chermont para candidato a governador. A situação estadual, entretanto, não oferecia condições normais de segurança para uma disputa tranqüila. Em clima de grande tensão, realizaram-se as eleições no dia 4 de abril de 1935, sem a presença dos oposicionistas, impedidos de comparecer ao recinto da Assembléia por tropas policiais e asilados no quartel-general da 8ª Região Militar. A votação, realizada após a convocação de seus suplentes, registrou a vitória de Magalhães Barata. A oposição, contudo, conseguiu, através de recurso legal, impugnar o resultado e convocar novo pleito para o dia seguinte. Enquanto isso, ocorriam violentos conflitos, que deixaram como saldo deputados feridos e dois populares mortos. No dia 6 de abril, o governo federal decretou a intervenção no estado, nomeando o major Roberto Carneiro de Mendonça para executá-la. Empossado no dia 12 de abril, o interventor obteve um acordo entre as facções que, no dia 29 do mesmo mês, elegeram o governador José da Gama Malcher e senadores Abel Chermont e Abelardo Conduru. Em seguida a esses acontecimentos, o grupo que havia apoiado Mário Chermont fundou o Partido Popular (PP) do Pará que passou a apoiar o governo de Malcher.

No exercício do mandato de deputado federal, Chermont foi um dos fundadores do Grupo Parlamentar Pró-Liberdades Populares, constituído em novembro de 1935 para defender as liberdades constitucionais e combater o movimento integralista, objetivos que se tornaram mais dramáticos a partir da repressão desencadeada em seguida ao malogro do levante comunista de novembro daquele ano. O grupo esvaziou-se a partir de março de 1936, quando cinco parlamentares entre seus mais destacados integrantes foram presos.

Chermont teve seu mandato interrompido em novembro de 1937, quando, com a implantação do Estado Novo, foram suprimidos todos os órgãos legislativos do país. Retornou a Belém e, enquanto durou o regime ditatorial, dedicou-se à clínica médica. Com o fim do Estado Novo em 1945 e a redemocratização do país, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em cuja legenda foi eleito, em janeiro de 1947, suplente de deputado à Assembléia Constituinte paraense. Em outubro de 1950 elegeu-se vereador em Belém na legenda da Coligação Democrática Paraense, formada pela União Democrática Nacional (UDN), o Partido Social Progressista (PSP), o Partido Social Trabalhista (PST) e o Partido Libertador (PL), obtendo a maior votação até então registrada em eleições municipais naquela cidade.

Delegado do Pará ao Congresso sobre a Lepra, em 1933, à Conferência Nacional de Educação e à primeira reunião do Instituto de Amparo Social no Rio de Janeiro, foi médico da Santa Casa de Misericórdia e do Hospital Marítimo do Pará, professor catedrático da Faculdade de Medicina do Pará e membro do Instituto Histórico e Geográfico e da Sociedade Médico-Cirúrgica em seu estado.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 6 de maio de 1951 em pleno exercício do mandato de vereador.

Foi casado com Nídia Bezerra Chermont, com quem teve seis filhos.

Publicou artigos no jornal O Estado do Pará.

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais; Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; Câm. Dep. seus componentes; CRUZ, E. História do Pará; Diário do Congresso Nacional; Encic. Mirador; GODINHO, V. Constituintes; Jornal do Comércio, Rio (7 e 8/5/51); Personalidades; POPPINO, R. Federal; ROQUE, C. Grande; SILVA, H. 1930; SILVA, H. 1937, TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1 e 2).

 

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