MARQUES, ANTONIO FERREIRA

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Nome: MARQUES, Antônio Ferreira
Nome Completo: MARQUES, ANTONIO FERREIRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MARQUES, ANTÔNIO FERREIRA

MARQUES, Antônio Ferreira

*militar; ch. Depto. Eng. e Comunic. Ex. 1980; comte. III Ex. 1981; ch. EME 1981-1982.

 

Antônio Ferreira Marques nasceu em Belém no dia 10 de julho de 1916, filho de Henrique dos Passos Marques e de Anésia Ferreira Marques.

Fez os estudos de primeiro e segundo graus no Instituto Nossa Senhora de Nazaré, no Grupo Escolar Floriano Peixoto e no Ginásio Estadual Pais de Carvalho, todos em sua cidade natal.

Transferindo-se em 1932 para o Rio de Janeiro, trabalhou inicialmente como datilógrafo. Em maio de 1935, ingressou, por concurso, na Escola Militar do Realengo, tendo como colegas de turma, entre outros, João Batista Figueiredo, futuro presidente da República (1979-1985), e Délio Jardim de Matos, que foi seu ministro da Aeronáutica. Em novembro deste mesmo ano, Marques participou da repressão à Revolta Comunista, iniciada em Natal e depois estendida para o Rio e Recife. Declarado aspirante-a-oficial da arma de infantaria em novembro de 1937, logo após a instauração do Estado Novo (1937-1945), no ano seguinte comandou um pelotão de metralhadoras na repressão à tentativa de golpe dos integralistas contra o governo do presidente Getúlio Vargas (1930-1945). Promovido a segundo-tenente em dezembro de 1938 e a primeiro-tenente dois anos depois, foi comissionado capitão em janeiro de 1944 para integrar a Força Expedicionária Brasileira (FEB), que seguiu em junho para combater nos campos da Itália.

Na FEB, integrou a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária como oficial de operações do 2º Batalhão do 1º Regimento de Infantaria, conhecido como Regimento Sampaio. O 2º Batalhão era comandado pelo major Siseno Sarmento, a quem ficaria ligado e viria a servir mais tarde em outros comandos. Em dezembro de 1944 foi efetivado no posto de capitão. Como oficial de operações, teve participação destacada nos vitoriosos ataques a Monte Carlo, Montese, à Costa 958 e na perseguição levada a efeito no vale do rio Pó. Consolidada a vitória brasileira em Monte Castelo com a conquista de La Serra, foi condecorado com a Cruz de Combate de Segunda Classe.

Com o fim da guerra em maio de 1945, retornou ao Brasil em agosto seguinte. De março de 1948 a dezembro de 1950 cursou a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Por sua participação na guerra, foi reconhecido possuir o curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Obteve a patente de major em março de 1952, sendo promovido a tenente-coronel em abril de 1959. Encontrava-se nesse último posto quando da eclosão do movimento político-militar de 31 de março de 1964 que depôs o presidente João Goulart (1961-1964). Na ocasião, integrou o Estado-Maior do general Artur da Costa e Silva, que se proclamou comandante-em-chefe do Exército nacional e ocupou o Ministério da Guerra. Com a vitória do levante, assumiu no início de abril o comando do 1º Batalhão de Caçadores em Petrópolis (RJ), unidade que não havia aderido ao movimento. Em agosto desse ano, foi promovido a coronel.

Em meados de 1966, assumiu a chefia de Gabinete da Diretoria Geral de Material Bélico do Exército no Rio de Janeiro. Permaneceu nessa função até abril de 1967 quando, a convite do recém-nomeado comandante do II Exército, em São Paulo, general Siseno Sarmento, assumiu a função de seu assistente-secretário. Em fevereiro do ano seguinte deixou essa função para chefiar a Polícia Militar (PM) do estado de São Paulo, na gestão do governador Roberto de Abreu Sodré. Durante sua passagem pelo cargo, participou da repressão às manifestações políticas organizadas pela oposição ao regime militar. Esteve à frente da PM paulista até agosto de 1969, voltando a ocupar, no mês seguinte, o posto de assistente-secretário do general Siseno Sarmento, a esta época no comando do I Exército, no Rio de Janeiro. Posteriormente, assumiu a subchefia do estado-maior desse comando.

Promovido a general-de-brigada em novembro de 1970, foi em seguida nomeado comandante da Infantaria Divisionária da 5ª Divisão de Infantaria em Ponta Grossa (PR), onde também comandou a 5ª Brigada de Infantaria Blindada, entre fevereiro de 1972 e janeiro do ano seguinte. Voltando para o Rio de Janeiro, fez o curso da Escola Superior de Guerra (ESG), o qual concluiu em dezembro de 1973.

Em fevereiro de 1974, assumiu o comando da 12ª  Brigada de Infantaria na cidade de Caçapava (SP), cargo no qual permaneceu até dezembro desse mesmo ano, quando assumiu a chefia do estado-maior do II Exército, em São Paulo. Nessa função, desempenhou importante papel na garantia da normalidade na tropa, quando do afastamento, em janeiro de 1976, do comandante do II Exército, general Ednardo Dávila Melo, pelo presidente Ernesto Geisel (1974-1979). O afastamento de Melo fora motivado pela morte do operário Manuel Fiel Filho nas dependências do Departamento de Operações Internas do Centro de Operações para a Defesa Interna (DOI-CODI) do II Exército.

Promovido a general-de-divisão em março de 1976, Marques foi em seguida nomeado para a vice-chefia do Estado-Maior do Exército (EME). Nessa função, voltou a ter grande participação em outro episódio. Em outubro de 1977, o presidente Ernesto Geisel demitiu o ministro do Exército, general Sílvio Frota, aspirante à presidência da República. Na oportunidade, Ferreira Marques trabalhou para evitar que a tentativa de resistência articulada pelo ministro conseguisse apoio em todo o meio militar.

Em fevereiro de 1978, assumiu o comando da 1ª Região Militar, no Rio de Janeiro. Promovido a general-do-exército em março de 1980, tornou-se, dois meses depois, chefe do Departamento de Engenharia e Comunicações do Exército, em Brasília, substituindo o general José Ferraz da Rocha. Exerceu essa função até dezembro desse mesmo ano, quando foi nomeado para o comando do III Exército, em Porto Alegre, em substituição ao general Antônio Bandeira.

Assumindo o cargo em janeiro de 1981, defendeu em seu discurso de posse o projeto de abertura democrática do então presidente Figueiredo. Em outra oportunidade, no entanto, declarou-se contrário à legalização do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e acusou os ex-exilados de serem responsáveis pelo clima de agitação existente no país e de estarem interessados em prejudicar o processo de redemocratização.

Deixou o comando do III Exército em maio de 1981, sendo substituído pelo general Túlio Chagas Nogueira e assumindo, em seguida, a chefia do EME em Brasília em sucessão ao general Ernâni Airosa da Silva. Em agosto e novembro de 1981, respectivamente, chefiou as delegações do Exército brasileiro nas comemorações do aniversário de fundação da cidade de Assunção, no Paraguai, e na XIV Conferência dos Exércitos Americanos, realizada em Washington.

Em março de 1982, ao receber em Brasília o general norte-americano John Mac Ennery, presidente da Junta Interamericana de Defesa, disse não acreditar no envio de tropas a El Salvador, que enfrentava uma guerra civil contra a guerrilha de esquerda. Na oportunidade, defendeu o princípio de autodeterminação dos povos, diante do qual cada nação do hemisfério deveria resolver seus próprios problemas, sem interferências externas.

Em junho de 1982, chefiou a delegação do Exército brasileiro que visitou instalações militares do Exército italiano, a convite do chefe do Estado-Maior daquele país, e, em seguida, a exposição de equipamentos do Exército britânico. Durante sua gestão à frente do EME, procurou reestruturá-lo através da elaboração de um novo regimento e da criação do Plano Diretor do Exército. Outras medidas de sua iniciativa foram a criação da Secretaria Geral de Economia e Finanças do Exército; a elevação do status do Comando Militar da Amazônia, que passou a ser chefiado por um general-de-exército; a criação da atividade de mobilização industrial e de pessoal, além da modernização dos carros de combate de diversas unidades blindadas do Exército.

Passou para a reserva em julho de 1982, após ter completado a idade-limite de permanência na ativa. No mês seguinte, deixou a chefia do EME, na qual foi substituído pelo general Túlio Chagas Nogueira. A partir de então, passou a atuar como empresário em São Paulo, na condição de sócio e diretor-presidente da empresa metalúrgica Galkit S.A. — Estruturas Metálicas Modulares de Montagem Rápida.

Em abril de 1985, representou os ex-combatentes brasileiros na Convenção Anual da Organização dos Veteranos, realizada em Taipei. Deixando a direção da Galkit em 1989, passou então a realizar conferências sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

Em 1997, foi eleito presidente do Conselho Nacional Clube, entidade privativa fundada por empresários paulistas. Três anos depois, prestou depoimento sobre a FEB para o arquivo do Exército. Veio também realizando pesquisas para a atualização de seu livro Palavras de soldado, publicado em 1982.

Foi presidente do conselho do Grupo das Bandeiras, uma agremiação formada por oficiais da reserva.

Durante sua carreira militar, foi ainda instrutor da Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos e da ECEME e diretor do Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro.

Casou-se com Niede Ribeiro Ferreira Marques, com quem teve uma filha, Noeli Nazaré Ferreira Marques Ramos, casada com o jornalista e escritor José Ramos Tinhorão.

Alan Carneiro

FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (6/4, 18 e 19/12/80, 8, 9 e 29/1, 11, 22 e 31/3, 9 e 15/4, 6, 12 e 16/5, 20/8 e 17/12/81, 19/7/82); Folha de S. Paulo (10/3, 8/6 e 29/7/82); Globo (30/3, 7 e 13/5, 25/8 e 26/11/80, 8, 9, 29 e 30/1, 31/3 e 16/5/81, 11 e 24/3 e 15/4/82); INF. FAM.; IstoÉ (30/5/01) Jornal do Brasil (20/2 e 21/12/74, 3/1 e 25/2/78, 18 e 19/12/80, 24, 31/3 e 16/5/81, 23/4/82); MIN. EXEC. Almanaque (1976); Veja (27/4/77 e 1/3/78).

 

Referência:

 

IstoÉ. A voz que vem da caserna. 30 mai. 2001.

(http://www.terra.com.br/istoe/1652/brasil/1652_voz_vem_caserna.htm) Acesso em 9/10/2009.

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