MARTINS, Franklin

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Nome: MARTINS, Franklin
Nome Completo: MARTINS, Franklin

Tipo: BIOGRAFICO


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MARTINS, Franklin

MARTINS, Franklin

* min.-ch. secr.comunic. soc. Pres.Rep. 2007-2010

 

Franklin Martins nasceu em Vitória no dia 10 de agosto de 1948, filho de Mário Martins e de Diná Almeida de Sousa Martins. Seu pai foi jornalista e político, tendo sido deputado federal pelo Distrito Federal entre 1955 e 1960 e pelo estado da Guanabara de 1960 a 1961. E posteriormente, senador, também pela Guanabara, de 1967 a 1969. Seus avós paternos eram imigrantes portugueses, que se fixaram em Petrópolis (RJ). Seu avô materno, Ceciliano Abel de Almeida, foi engenheiro ferroviário e escreveu O desbravamento das selvas do rio Doce, uma obra clássica sobre a epopeia da construção da ferrovia Vitória a Minas. Sua irmã Ana Maria Machado é uma conhecida escritora, membro da Academia Brasileira de Letras desde 2003.

Em meados da década de 1950, Franklin Martins transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Cursou o primário na rede pública municipal, o ginásio no Colégio Pedro II e o clássico no Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Aos 15 anos, começou a trabalhar como estagiário no jornal “Última Hora”, vindo a participar da cobertura das atividades do movimento sindical, então em grande ebulição, para a agência de notícias Interpress.

Com a derrubada do presidente João Goulart (31/3/1964) pelos militares e o início da ditadura, a Interpress fechou e Franklin Martins passou certo tempo fazendo “bicos” nas revistas Chuvisco e Manchete. Trabalhou também numa agência de publicidade. Ainda aluno do Colégio de Aplicação, participou ativamente do movimento estudantil, estudando marxismo e temas ligados à realidade brasileira nos fins de semana. Em 1967, ingressou na Faculdade de Ciências Econômicas da UFRJ, vindo a integrar as fileiras da Dissidência, organização política formada pelas bases universitárias que haviam rompido com o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em seguida, foi eleito secretário-geral do Diretório Acadêmico e, meses depois, vice-presidente da União Metropolitana dos Estudantes (UME).

O ano de 1968 foi de crucial importância para o movimento estudantil, então o principal núcleo de oposição ao regime militar na luta contra a ditadura. No final de março, o estudante secundarista Edson Luís Lima Souto, de 18 anos, foi morto a bala pela polícia no Rio durante uma manifestação contra o fechamento do restaurante do Calabouço, que atendia, sobretudo a estudantes pobres oriundos de outros estados. Cerca de 20 estudantes saíram feridos da agressão policial. Um dos líderes mais destacados do movimento estudantil no Rio de Janeiro, Franklin Martins passou a ser procurado pela polícia e teve de sair de casa.

Em junho, depois de semanas de enfrentamento com a polícia nas escolas e nas ruas, os estudantes cariocas promoveram uma passeata no dia 18, no Centro do Rio, duramente reprimida pela polícia. Na tarde do dia seguinte foi realizada uma assembleia geral na reitoria da UFRJ, na qual foi decidido que se incluiria a libertação dos estudantes detidos em manifestações anteriores na lista de reivindicações do movimento. Após a assembleia, mais de trezentos estudantes foram presos. No dia 21, após novo embate ente estudantes e policiais diante da sede da embaixada norte-americana, tropas de choque da PM e populares, armados de pedras, tijolos e material de construção, travaram um confronto aberto, que transformou a Avenida Rio Branco num verdadeiro campo de batalha, cercado de nuvens de gás lacrimogêneo. O confronto durou horas e terminou com um saldo de 28 mortos, segundo informações dos hospitais — ou três, segundo a versão oficial —, centenas de feridos, além de mil prisões.

Como resposta à violência policial, Franklin Martins e outros líderes estudantis resolveram marcar uma manifestação de grande envergadura para o dia 26 de junho, que acabou sendo permitida pelas autoridades. O ato foi autorizado em virtude da crescente oposição pública ao comportamento do governo, das críticas da imprensa à repressão policial e ao anúncio da presença de religiosos na passeata. Na manhã do dia 26, o Centro da cidade foi tomado por grupos de estudantes, artistas, intelectuais e outros setores da população, que se concentraram em diversos pontos da área. A Passeata dos Cem Mil — como ficou conhecida a marcha — paralisou o Rio de Janeiro durante quase todo o dia 26 e marcou o momento de maior amplitude do movimento estudantil brasileiro desde 1964.

Depois da Passeata dos Cem Mil, o presidente da República, general Artur da Costa e Silva, mostrou-se disposto a iniciar um diálogo com os estudantes e no dia 2 de julho, em Brasília, recebeu representantes do movimento. Franklin Martins integrava a comissão, escolhida em praça pública durante a passeata, formada por mais um estudante, Marcos Medeiros, e ainda pelo psicanalista Hélio Pelegrino, por Irene Papi, representante das mães, e pelo padre João Batista Ferreira. Suas quatro reivindicações básicas, já apresentadas na manifestação de 26 de junho, eram a libertação dos estudantes presos, a reabertura do restaurante do Calabouço, o fim de toda repressão policial e a suspensão da censura às artes. Embora a princípio tenha admitido soltar os estudantes presos em troca do fim das passeatas, Costa e Silva acabou rejeitando em bloco todos os pedidos da comissão.

Semanas depois, a repressão recrudesceu. As manifestações, antes reprimidas a cargas de cavalaria, passaram a ser sistematicamente dissolvidas à bala.

Eleito presidente do Diretório Central dos Estudantes da UFRJ, Franklin Martins participou, logo em seguida, do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em Ibiúna (SP), em outubro. O encontro foi desbaratado pela polícia, que prendeu mais de setecentos estudantes. Franklin Martins foi preso, ao lado de outros líderes do movimento estudantil, como Vladimir Palmeira, José Dirceu, Luís Travassos e Jean Marc van der Weid, permanecendo dois meses atrás das grades.         

A repressão ao congresso de Ibiúna marcou o início do refluxo do movimento estudantil enquanto movimento de massa e a entrada de seus primeiros integrantes para a clandestinidade. Esse quadro agravou-se ainda mais com a promulgação, em 13 de dezembro de 1968, do Ato Institucional nº 5, que conferiu contornos ainda mais autoritários e centralizadores ao regime militar, e do Decreto-Lei nº 477, em 26 de fevereiro de 1969, que vedou terminantemente qualquer atividade de cunho político no interior das universidades. Dois dias antes da edição do AI-5, Franklin Martins foi libertado graças a um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal, passando imediatamente para a clandestinidade, vindo a aderir à luta armada.

Em setembro de 1969, integrou o grupo formado por militantes da Ação Libertadora Nacional e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) que sequestrou, no dia 4 daquele mês, o embaixador americano Charles B. Elbrick para forçar o governo a libertar 15 presos políticos. Os sequestradores exigiram do governo, em troca da devolução do embaixador, a libertação de 15 presos políticos e a divulgação de um manifesto. A Junta Militar – composta pelos ministros do Exército, general Aurélio de Lira Tavares, da Marinha, almirante Augusto Rademaker Grünewald, e da Aeronáutica, brigadeiro Márcio de Sousa e Melo, no poder desde o dia 31 de agosto, em virtude de uma enfermidade que incapacitou o presidente Costa e Silva para o exercício do cargo – divulgou nota oficial, no dia 5, em que declarava aceitar as condições dos sequestradores. O manifesto destes, publicado pela imprensa, considerava o sequestro um ato de guerra revolucionária e anunciava o início da guerrilha rural ainda para aquele ano. Os presos políticos foram embarcados para o México no dia 6 de setembro. Elbrick foi libertado na noite do dia seguinte, após a chegada dos presos a seu destino.

Com a cabeça prêmio, Franklin Martins foi para Cuba, fazer treinamento de guerrilha rural. De Cuba, transferiu-se para o Chile. Chegou a Santiago em novembro de 1970, dias depois da posse de Salvador Allende, eleito naquele ano por uma frente de esquerda, a Unidade Popular, para a presidência do país. No início de 1973, antes da queda de Allende, deposto por um golpe militar em setembro, voltou para o Brasil e foi viver clandestinamente em São Paulo. No primeiro semestre de 1974, companheiros próximos de Franklin foram presos e, mais uma vez, ele deixou o Brasil. Dessa vez, exilou-se na França, onde ficou por quase três anos. Nesse período, diplomou-se na École des Hautes Études en Sciences Sociales, da Universidade de Paris.

Retornou ao Brasil em 1977, quando já se encontrava em marcha o processo de distensão política promovido pelo governo do general Ernesto Geisel, o que permitia uma certa reorganização dos movimentos sociais de oposição à ditadura. Mais uma vez, Franklin foi viver escondido em São Paulo, permanecendo nessa situação até o final de 1979, quando saiu a anistia. Ainda na clandestinidade, conheceu a psicóloga clínica Ivanisa Teitelroit, também militante e com quem se casou em seguida e teve dois filhos.

Após a aprovação da Lei da Anistia, em agosto de 1979, saiu da clandestinidade e passou a trabalhar no jornal A Hora do Povo, ligado ao MR-8.  Em novembro de 1982, candidatou-se a deputado federal pelo Rio de Janeiro, na legenda do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), mas sua votação foi insignificante. Nesse mesmo ano, desligou-se do jornal e também do MR-8. Nos dois anos seguintes, foi repórter de O Indicador Rural, o que lhe permitiu viajar pelo Brasil e conhecer melhor o interior do país. Em 1985, deu início à sua carreira na grande imprensa, primeiro como redator de O Globo e, em seguida, do Jornal do Brasil.

Em 1987, transferiu-se para Brasília para cobrir os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, inicialmente como repórter e depois como coordenador político da sucursal do JB. Mais tarde, trabalhou no Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e no Estado de S. Paulo. Em 1991 e 1992, em virtude do mestrado que sua mulher foi fazer na Inglaterra, trabalhou como correspondente do JB em Londres. De volta ao Brasil, ficou no mesmo jornal até 1994, quando se transferiu para O Globo, no qual foi repórter especial, colunista político, editor de política e diretor da sucursal de Brasília.

Deixou O Globo no fim de 1997. Em seguida, foi colunista do Jornal de Brasília e das revistas República e Época. Comentarista político da TV Globo, da Globonews e da CBN durante oito anos e meio, tornou-se comentarista da TV e da Rádio Bandeirantes em 2006. Nesse mesmo ano, passou a assinar uma coluna diária no portal iG.

Em março de 2007, tornou-se ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (SECOM), em substituição a André Singer e a convite do então presidente Lula (2003-2011), que tinha como objetivo unificar os canais responsáveis pela imprensa e pela publicidade do Poder Executivo em uma mesma pasta. Entre os projetos previstos para a pasta e para o qual Franklin ficou encarregado constava a criação de uma emissora TV pública.

A gestão de Franklin na SECOM foi marcada por uma relação turbulenta com os principais veículos de comunicação do país, tendo ele buscado, enquanto ministro-chefe, a ampliação dos campos e interlocutores. Neste sentido, não obstante a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), gestora de canais públicos como a TV Brasil, Agência Brasil e o sistema público de Rádio –, Franklin aumentou o montante de verba publicitária e, principalmente, o número de órgãos de imprensa contemplados.

Além da promoção de uma distribuição mais plural dos recursos, o ministro foi criticado pela realização da Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM), na qual se discutiria mecanismos de participação social na gestão do setor e da qual os responsáveis pelos principais veículos de comunicação retiraram-se. A partir das resoluções da CONFECOM, foram realizadas discussões acerca de possíveis projetos de marco regulatório para o setor no país, cujas defesas pelo ministro acirraram as críticas a ele direcionadas, acusado por  tentar promover a censura.

Foi apontado, em 2009, pela revista Época, como um dos brasileiros mais influentes daquele ano. Deixou o cargo ao fim do governo Lula, em 2010, quando anunciou também o registro em cartório de seis livros nos quais era feito um balanço dos oito anos do governo Lula, sucedido em 2011 pela ex-ministra Dilma Rousseff (2011-). Na SECOM, Dilma optou por Helena Chagas como sucessora de Franklin Martins, que, no entanto, teria continuado a prestar serviços enquanto consultor do governo e do Partido dos Trabalhadores.

 

              

FONTES: Portal da Agencia Brasil. Disponível em: <http://www.agenciabrasil.ebc.com.br>. Acesso em 16/05/2014; Portal Época. Disponível em: <http://www.epoca.globo.com>. Acesso em 16/05/2014; Portal O Estado de São Paulo. Disponível em: <http://www.estadao.com.br/>. Acesso em 16/05/2014; Portal G1 de Notícias. Disponível em: <http://g1.globo.com/index.html>. Acesso em 16/05/2014; Portal Muda Mais. Disponível em: <http://www.mudamais.com>. Acesso em 16/05/2014; Portal do Palácio do Planalto. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em 16/05/2014; Portal pessoal de Franklin Martins. Disponível em: <http://www.franklinmartins.com.br>. Acesso em 16/05/2014; Portal da Secretaria de Comunicação da Presidência da Republica. Disponível em: <http://www.secom.gov.br>. Acesso em 16/05/2014; Portal Veja. Disponível em: <www.veja.abril.com.br>. Acesso em 16/05/2014.

 

 

 

 

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