MAURELL FILHO, EMILIO

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Nome: MAURELL FILHO, Emílio
Nome Completo: MAURELL FILHO, EMILIO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MAURELL FILHO, EMÍLIO

MAURELL FILHO, Emílio

*militar; ch. EME 1964.

 

Emílio Maurell Filho nasceu em Rio Grande (RS) no dia 31 de maio de 1900, filho de Emílio Maurell e de Vicentina Maurell.

Em abril de 1918 ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, saindo aspirante-a-oficial da arma de artilharia em janeiro de 1921. Em fevereiro passou a servir no 1º Grupo de Obuses, sediado no Rio, e em maio foi promovido a segundo-tenente.

Quando, em julho de 1922, eclodiu no Rio de Janeiro e em Mato Grosso o levante tenentista em protesto contra a eleição de Artur Bernardes para a presidência da República e as punições impostas pelo governo Epitácio Pessoa aos militares, com o fechamento do Clube Militar e prisão do marechal Hermes da Fonseca, Maurell Filho, integrando a 1ª Bateria do 1º Grupo de Obuses, participou das operações de repressão ao movimento no forte de Copacabana e na Escola Militar do Realengo.

Passou a primeiro-tenente em setembro de 1922, e durante os meses de outubro e novembro comandou a 1ª Bateria. Entre janeiro e dezembro de 1923 fez o curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Transferido para Bajé (RS), em abril de 1924 foi servir no 3º Grupo de Artilharia de Campanha a Cavalo. Em outubro daquele ano passou para a 2ª Divisão de Cavalaria, na cidade de Uruguaiana (RS). Permaneceu naquela divisão até outubro de 1926, quando ingressou no 5º Grupo de Artilharia de Campanha a Cavalo, na mesma cidade.

Designado em abril de 1928 para a Escola Militar do Realengo, Maurell Filho ocupou, nessa unidade, as funções de comandante da Bateria de Artilharia, auxiliar de instrutor e, posteriormente, instrutor de artilharia. Em fevereiro de 1929 ingressou na Escola de Estado-Maior, recebendo, em junho seguinte, a patente de capitão. Em outubro de 1930, quando eclodiu o movimento revolucionário que destituiu o presidente Washington Luís e levou ao poder o líder civil do movimento, Getúlio Vargas, Maurell Filho passou a servir no quartel-general da 1ª Região Militar (RM), no Rio. Em junho de 1931 foi deslocado para o 1º Regimento de Cavalaria Divisionária, também na capital federal.

Concluindo o curso da Escola de Estado-Maior em dezembro de 1931, em janeiro do ano seguinte ingressou como estagiário no Estado-Maior do Exército (EME). Em abril de 1932, ainda como estagiário, passou a lecionar no curso de artilharia da Escola Militar, e em dezembro foi designado auxiliar de ensino de tática de artilharia da Escola de Estado-Maior. Em janeiro de 1934 assumiu a função de professor-adjunto da Escola Técnica do Exército, lá permanecendo até dezembro de 1935, quando retornou ao 1º Grupo de Obuses. Um ano depois, em dezembro de 1936, quando o general Eurico Dutra foi indicado para o Ministério da Guerra em substituição ao general João Gomes, foi convidado para exercer a função de oficial-de-gabinete do ministro da Guerra, tendo assumido o cargo no dia 9 de dezembro, concomitantemente à posse de Dutra.

Promovido a major em setembro de 1937, no mesmo mês deixou o gabinete do ministro da Guerra, passando em dezembro a adjunto da 3ª Seção do EME. Em março de 1938 foi transferido para Curitiba, onde serviu no 9º Regimento de Artilharia Montada como comandante do 2º Grupo e fiscal administrativo. Um ano depois, de volta ao Rio, ocupou o cargo de instrutor-chefe do curso de artilharia da Escola de Estado-Maior. Em setembro de 1939 foi nomeado adido militar na embaixada do Brasil em Assunção, Paraguai. Em dezembro de 1941, quando ainda se encontrava no Paraguai, recebeu a patente de tenente-coronel. Retornou ao Brasil em abril de 1942. Em julho, depois de um breve período estagiando na 2ª Seção do Estado-Maior do Exército, foi transferido para o 3º Grupo de Obuses, em Cachoeira do Sul (RS).

Em fevereiro de 1943 foi transferido para o 2º Regimento de Artilharia Mista, na cidade de São Leopoldo (RS), vindo a servir como comandante do Destacamento de Defesa da cidade de Rio Grande e comandante de grupo. Em julho seguinte viajou para os Estados Unidos a fim de cumprir um estágio de quatro meses junto ao Exército norte-americano. Entre os meses de janeiro e abril de 1944, chefiou, em Porto Alegre, o estado-maior da 3ª RM. Em seguida, voltou a servir no EME, onde, sob a chefia do general Anor Teixeira dos Santos, tomou parte nos preparativos para o envio da Força Expedicionária Brasileira (FEB) à Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Em território italiano integrou o 1º Regimento de Obuses Auto-Rebocados, que compunha o 2º Grupo de Artilharia da FEB, do qual chegou a ser comandante.

Promovido a coronel em junho de 1946, no mês seguinte retornou ao EME, desempenhando as funções de adido da 3ª Seção, adido ao gabinete e, posteriormente, chefe da 3ª Seção. Em março de 1947 passou a servir no Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), onde por diversas vezes chefiou a 3ª Seção. Como integrante do EMFA, fez parte, em março de 1948, da delegação brasileira enviada à IX Conferência Internacional Americana realizada em Bogotá, Colômbia.

Promovido a general-de-brigada em abril de 1954, em julho seguinte assumiu o comando da 10ª RM, sediada em Fortaleza. Em agosto de 1955, já durante o governo de João Café Filho (1954-1955), que assumira a presidência da República em 24 de agosto do ano anterior, logo após o suicídio de Getúlio Vargas, Maurell Filho foi designado para o cargo de secretário-geral do Ministério da Guerra, cujo titular era o general Henrique Lott.

Na ocasião em que assumiu a função, reinava no país um clima de grande tensão política, decorrente da oposição movida pela União Democrática Nacional (UDN) e por setores das forças armadas às candidaturas de Juscelino Kubitschek e João Goulart, lançadas pela coligação do Partido Social Democrático (PSD) com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) para concorrerem, respectivamente, aos cargos de presidente e vice-presidente da República nas eleições marcadas para outubro. Os dois candidatos, além de serem identificados como continuadores da política de Vargas — Goulart fora seu ministro do Trabalho de agosto de 1953 a fevereiro de 1954 —, tinham amplas possibilidades de sair vitoriosos do pleito.

Em setembro de 1955, a um mês das eleições, o jornalista e deputado federal udenista Carlos Lacerda publicou na Tribuna da Imprensa, matutino de sua propriedade, o texto de uma carta supostamente entregue pelo antigo deputado peronista argentino Antônio Jesus Brandi a João Goulart. A Carta Brandi, como ficou conhecido o documento, era datada de3 de agosto de 1953, período em que Goulart se encontrava à frente da pasta do Trabalho, e versava sobre uma suposta coordenação sindical entre o Brasil e a Argentina — naquela ocasião presidida por Juan Domingo Perón — e sobre o recebimento de armas contrabandeadas através da cidade de Uruguaiana, sob a responsabilidade do ex-ministro. Com a divulgação da carta, que teve de fato grande repercussão, a UDN procurava atingir Goulart, o elemento mais vulnerável da chapa PSD-PTB, envolvendo-o em negócios escusos com o peronismo.

Alguns dias depois de o documento ter sido levado a público, através de decisão tomada pelos três ministros militares — Henrique Lott, da Guerra, Eduardo Gomes, da Aeronáutica, e Edmundo Jordão Amorim do Vale, da Marinha, — junto com o presidente Café Filho, foi aberto um inquérito com o objetivo de esclarecer a veracidade das denúncias, ficando Maurell Filho encarregado de chefiar as investigações. Na mesma ocasião, o general Lott entrou em contato com o ministro das Relações Exteriores, Raul Fernandes, para que fossem tomadas providências junto às autoridades argentinas.

No dia 3 de outubro, de Buenos Aires, Maurell Filho enviou telegrama a Lott afirmando ser “sumamente provável” a autenticidade da assinatura de Goulart. Publicado na imprensa brasileira, o telegrama não chegou a pesar em termos eleitorais. No mesmo dia, realizaram-se as eleições que, como era esperado, deram a vitória aos candidatos da coligação PSD-PTB, derrotando por larga margem de votos a chapa Juarez Távora-Mílton Campos, apoiada pela coligação do Partido Democrata Cristão (PDC) com a UDN.

Em seguida, o inquérito da Carta Brandi concluiu que aquele documento fora forjado. O resultado do inquérito não minimizou, porém, entre os udenistas o propósito de impedir a posse de Juscelino e Goulart. A tensão entre os partidários e os adversários da posse atingiu seu clímax em 11 de novembro, quando Lott, que se demitira na véspera, depôs o presidente interino Carlos Luz, acusado de participar de uma conspiração no interior do governo para impedir a posse dos eleitos.

Ao lado do general Lott durante os acontecimentos, Maurell Filho, juntamente com o general Floriano de Lima Brayner, foi responsável pela prisão do general Álvaro Fiúza de Castro — escolhido por Luz para suceder a Lott no Ministério da Guerra — na madrugada do mesmo dia 11, no palácio do Catete. Controlada a situação ainda no dia 11, o Congresso Nacional passou o poder a Nereu Ramos, vice-presidente do Senado. Em seguida foram decretados o estado de sítio e o impedimento de Café Filho. Em 31 de janeiro de 1956 tomaram posse o presidente Juscelino Kubitschek e o vice-presidente João Goulart. No dia 9 de janeiro de 1956, ainda com Nereu Ramos à frente do governo, Maurell Filho deixou a Secretaria Geral do Ministério da Guerra, retomando suas atividades no EMFA.

Em maio de 1957 foi designado representante do Exército na embaixada do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU), para tratar de assuntos militares referentes à participação do Brasil nas Forças de Emergência da ONU. Retornou ao EMFA em dezembro de 1960, quando passou a exercer a chefia do Núcleo de Comando da Zona de Defesa Sul, que deixou em agosto de 1961. Ainda nesse ano, foi promovido a general-de-divisão e ocupou a chefia do Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra (ESG).

No período compreendido entre 15 de outubro e 28 de novembro de 1961, já no governo de João Goulart (1961-1964), Maurell Filho assumiu interinamente o comando da ESG. No início de 1962, passou ao comando da 1ª RM, no Rio de Janeiro. Nesse momento ganhava corpo a insatisfação de setores das forças armadas com o governo Goulart, acusado de favorecer elementos subversivos, constituindo-se numa ameaça à segurança do país. Maurell Filho, identificando-se com os militares anti-Goulart, passou a combater o comandante do I Exército, general Osvino Ferreira Alves, tido como marxista e considerado próximo do líder do PTB Leonel Brizola, bem como do organizador das ligas camponesas, Francisco Julião.

Em virtude de suas divergências com o comandante do I Exército, sob cuja jurisdição se encontrava a 1ª RM, Maurell Filho foi transferido, em novembro de 1962, por ordem do presidente João Goulart, para o EME. Irritado com a transferência, pronunciou um discurso denunciando a existência de planos para o fechamento do Congresso e advertindo sobre uma suposta dominação comunista no interior do governo. Como resultado desse pronunciamento, teve negada sua promoção ao posto de general-de-exército. Entre 13 de março e 14 de abril de 1963 chefiou interinamente o EME.

Em 31 de março de 1964, eclodiu o movimento político-militar que resultou na deposição do presidente João Goulart. A chefia formal do governo passou a Pascoal Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, mas o poder de fato ficou com o auto-proclamado Comando Supremo da Revolução, junta militar composta pelo general Artur da Costa e Silva, o brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo e o almirante Augusto Rademaker. Em 15 de abril, o marechal Humberto Castelo Branco, eleito pelo Congresso Nacional no dia 11 desse mês, assumiu a presidência da República. Ainda em abril, Maurell Filho assumiu a chefia do EME, substituindo Castelo Branco, mas permaneceu nesse cargo apenas dois meses, sendo substituído em junho pelo general Décio Escobar.

Em agosto de 1964, atendendo ao convite do presidente Castelo Branco, Maurell Filho assumiu a presidência do Conselho Nacional do Petróleo (CNP), onde permaneceu durante todo o governo de Castelo, encerrado em 15 de março de 1967.

Passando para a reserva na patente de marechal, Maurell Filho dedicou-se à iniciativa privada, integrando a direção da Mineração Rio Xingu S.A. e da Companhia Brasileira de Estireno.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 28 de outubro de 1977.

Foi casado com Clara Conceição Lahorgue Maurell, com quem teve três filhos.

 

 

FONTES: ARQ. MIN. EXÉRC.; CAFÉ FILHO, J. Sindicato; CORRESP. SECRET. GER. EXÉRC.; COSTA, M. Cronologia; FRAGOSO, A. Escola; Jornal do Brasil (29 e 30/10/77); MIN. GUERRA. Almanaque.

 

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