MAURICIO JOPPERT DA SILVA

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Nome: JOPPERT, Maurício
Nome Completo: MAURICIO JOPPERT DA SILVA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
JOPPERT, MAURÍCIO

JOPPERT, Maurício

*min. Viação 1945-1946; dep. fed. DF 1951-1955; dep. fed. GB 1961-1963.

 

Maurício Joppert da Silva nasceu no Rio de Janeiro, então capital da República, no dia 10 de julho de 1890, filho de João Severino da Silva e de Olga Joppert da Silva.

Estudou no externato do Ginásio Nacional, atual Colégio Pedro II, concluindo o curso médio em 1909. Ingressou mais tarde na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, diplomando-se engenheiro geógrafo e civil em 1915.

Professor-substituto interino da Escola Politécnica em 1916, passou, no ano seguinte, a substituto efetivo, após concurso em que foi classificado em primeiro lugar. Tornou-se doutor em ciências físicas e matemáticas pela Escola Politécnica em 1918, e catedrático da cadeira de portos de mar, rios e canais em 1919, na mesma instituição. Iniciou sua atividade profissional de engenheiro em 1921, na Repartição de Águas e Esgotos do Distrito Federal. No ano seguinte passou a fazer parte de um grupo de engenheiros encarregado da construção do Arsenal de Marinha, na ilha das Cobras, exercendo durante seis anos o cargo de chefe da seção de obras hidráulicas. Após o término das obras na ilha das Cobras, tornou-se consultor técnico da comissão fiscal do Ministério da Marinha. Integrado ao quadro técnico do Departamento Nacional de Portos, Rios e Canais em 1928, entre 1932 e 1936 — ainda ligado àquele departamento — trabalhou como engenheiro-chefe das obras de construção dos aeroportos Santos Dumont e Bartolomeu de Gusmão, em Santa Cruz. Em virtude de princípio constitucional, no final de 1937 deixou o Departamento Nacional de Portos, Rios e Canais, optando por outro cargo público, o de professor catedrático. Entre 1938 e 1948 foi consultor técnico da Companhia Nacional de Construções Civis e Hidráulicas.

Durante o curto governo do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), José Linhares, que assumiu a presidência da República após a deposição de Getúlio Vargas pelos chefes militares (29/10/1945), Maurício Joppert foi titular da pasta da Viação e Obras Públicas. Suas principais iniciativas à frente do ministério foram a aprovação de regimentos de vários órgãos ligados àquela pasta, a transformação do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) em autarquia e a criação do Fundo Rodoviário Nacional. Deixou o cargo em 31 de janeiro de 1946, quando o general Eurico Gaspar Dutra, eleito em dezembro de 1945, foi empossado na presidência.

 

A carreira política

Concorrendo na legenda da União Democrática Nacional (UDN), em outubro de 1950 elegeu-se deputado federal pelo Distrito Federal. Empossado em fevereiro de 1951, nesse mesmo ano tornou-se presidente da seção carioca da UDN, função que ocuparia até 1955. Durante a legislatura, apoiou integralmente a posição do seu partido em relação ao problema da exploração do petróleo no país.

Em dezembro de 1951 o presidente Getúlio Vargas enviou ao Congresso um projeto propondo a criação de uma sociedade de economia mista como solução para a questão petrolífera. Em junho de 1952, o deputado udenista Olavo Bilac Pinto apresentou um substitutivo que rejeitava a fórmula da sociedade de economia mista, propondo a criação de uma empresa estatal, que teria o monopólio da pesquisa, lavra, refinação e transporte do petróleo. O substitutivo foi assinado por grande número de parlamentares da UDN — entre os quais Maurício Joppert — e por representantes dos principais partidos. No Senado, o projeto da UDN sofreu diversas emendas, incluindo algumas que implicavam a mudança total do seu sentido original, abrindo caminho para que a futura Petrobras caísse nas mãos dos interesses privados. O substitutivo Bilac Pinto foi remetido de volta à Câmara, sendo criada uma comissão especial — constituída em julho de 1953 e integrada por 15 parlamentares, entre os quais Maurício Joppert — para examinar e dar pareceres sobre as emendas introduzidas no Senado. No início de setembro, a comissão pronunciou-se, de modo geral, pela devolução ao projeto de seu caráter inicial. Nas sessões seguintes da Câmara o parecer da comissão foi posto em votação, sendo integralmente aceito, e no dia 18 de setembro foi apresentada sua redação definitiva, que também foi aprovada. Finalmente, em 3 de outubro de 1953, Vargas sancionou a lei resultante do projeto, a de número 2.004, relativa à política do petróleo e à criação da Petrobras.

Candidato à reeleição no pleito de outubro de 1954 pela Aliança Popular contra o Roubo e o Golpe — coligação partidária liderada pela UDN, que promovia cerrada oposição ao governo de Vargas — Maurício Joppert obteve, contudo, apenas uma suplência. Afastado da vida pública, em 1955 foi eleito presidente do Clube de Engenharia, cargo que ocuparia até 1960. Novamente candidato a deputado federal nas eleições de outubro de 1958, sempre na legenda da UDN, sofreu mais uma derrota, obtendo somente uma suplência. Contudo, em abril de 1961 veio a exercer o mandato, já como representante do estado da Guanabara, criado naquele mês em decorrência da transferência da capital federal da cidade do Rio de Janeiro para Brasília. Em outubro de 1962, lançado pela UDN, obteve mais um insucesso nas urnas e, em janeiro do ano seguinte, encerrou seu mandato parlamentar, deixando a Câmara dos Deputados. Sua última tentativa de retornar ao Congresso foi em novembro de 1966, quando se candidatou a deputado federal pelo estado da Guanabara na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instaurado no país após a deposição do presidente João Goulart pelo movimento político-militar de 31 de março de 1964. Entretanto, mais uma vez não conseguiu eleger-se, obtendo novamente apenas uma suplência.

Engenheiro conceituado, Maurício Joppert foi membro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura da 5ª Região (Rio de Janeiro) durante nove anos e do Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura durante seis anos. Membro da seção de matemática da Academia Brasileira de Ciências, integrou também a American Society of Engineers.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 24 de setembro de 1985.

Era casado com Laura Joppert da Silva, com quem teve duas filhas.

Publicou numerosos trabalhos de natureza técnica e científica, entre os quais Rios de corrente livre, Porto do Ceará, Cálculo de muros e cais, Drenagem de aeroportos, Cidades universitárias e As estradas de rodagem em Portugal.

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CISNEIROS, A. Parlamentares; COHN, G. Petróleo; COUTINHO, A. Brasil; Encic. Mirador; Jornal do Brasil (25/10/66); MIN. VIAÇÃO. Dados; NÉRI, S. 16; TRIB. SUP. ELEIT. Dados; Tribuna da Imprensa (16/7/54); Veja (2/10/85).

 

 

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