MAURICIO ROSLINDO FRUET

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Nome: FRUET, Maurício
Nome Completo: MAURICIO ROSLINDO FRUET

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FRUET, Maurício [PRONTO]

FRUET, Maurício

*jornalista; dep. fed. PR 1979-1983, 1986-1991; const. 1987-1988.

 

   Maurício Roslindo Fruet nasceu em Curitiba no dia 12 de agosto de 1939, filho de Constante Eugênio Fruet e Geni Roslindo Fruet.

   Cursou o Colégio Santa Maria em sua cidade natal e, ainda estudante secundarista, trabalhou como locutor na Rádio Marumbi, tendo exercido a mesma função posteriormente na Rádio Curitibana e na TV Paranaense. Formou-se pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1962, após o que exerceu a profissão de advogado em Curitiba, simultaneamente a suas atividades na imprensa paranaense. Nesse período, trabalhou como jornalista nos jornais O Dia, Diário do Paraná e Gazeta do Povo, tornando-se em seguida diretor do Diário da Tarde e editor de esportes da seção paranaense do jornal Última Hora.

   Por ocasião do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que derrubou o presidente João Goulart, embora não tivesse atuação político-partidária, Maurício Fruet respondeu durante aproximadamente um ano a três inquéritos policiais-militares em virtude de ter sido secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Paraná, cargo para o qual tinha sido eleito pouco antes.

   Iniciou sua carreira política elegendo-se, em 1968, vereador em Curitiba na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar. Foi líder do partido na Câmara Municipal (1969-1970). Após o término do mandato, elegeu-se deputado estadual por duas legislaturas consecutivas (1971-1975; 1975-1979), sempre na legenda do MDB.

Líder do partido (1971) e segundo-secretário da mesa diretora (1975-1977) na Assembléia Legislativa do Paraná, Fruet exerceu intensa atividade de organização do MDB no Paraná e foi presidente do diretório municipal do partido em Curitiba (1971) e do diretório regional do MDB-PR (1971-1979) e, ainda, membro do diretório nacional da agremiação (1975-1979). Como deputado estadual, realizou viagens aos Estados Unidos, a convite do governo norte-americano, à Itália e à França, todas em 1975.

   No pleito de novembro de 1978 foi eleito deputado federal pelo MDB, tendo sido o candidato mais votado de seu estado, com 142.268 votos. Nessa legislatura foi vice-presidente (1979-1980), suplente (1980-1981) e membro titular (1981-1983) da Comissão de Minas e Energia da Câmara. Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), agremiação sucessora do MDB. Reeleito em novembro de 1982, foi empossado em seu segundo mandato em fevereiro do ano seguinte. Logo a seguir, porém, deixou a Câmara para assumir a prefeitura de Curitiba, por nomeação de José Richa, eleito governador do Paraná no pleito de 1982.

Como prefeito, Fruet implementou medidas para aumentar a participação popular na administração do município, tendo sido realizado durante sua gestão o primeiro comício nacional da campanha pelas eleições diretas à Presidência da República, em 12 de janeiro de 1984. Ainda durante sua gestão na prefeitura criou a figura do ombudsman (ouvidor-geral), que o projetou como administrador no cenário nacional.            

   Após o termino de seu mandato na prefeitura de Curitiba, em 31 de dezembro de 1985, elegeu-se deputado federal constituinte nas eleições de 15 de novembro de 1986, sendo novamente o candidato mais votado de seu estado com 98.815 votos. Na Constituinte, Maurício Fruet foi membro titular da Subcomissão da União, Distrito Federal e Territórios, da Comissão da Organização do Estado; suplente da Subcomissão de Tributos, Participação e Distribuição de Receitas e da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças.

Durante os trabalhos constituintes, foi um dos principais articuladores da convocação da convenção extraordinária do PMDB em julho de 1987, com vistas a decidir a posição do partido em relação à duração do mandato presidencial de José Sarney e outros assuntos constitucionais, tendo desempenhado papel destacado na coleta de assinaturas em apoio ao documento que levou à convocação da convenção. Na ocasião, contrariou a tendência majoritária na Executiva do partido e o presidente do PMDB, o deputado Ulisses Guimarães, que se opôs a tal convocação. Na ocasião, Fruet declarou que o apoio do PMDB às propostas do governo Sarney na Constituinte contrariava pontos do programa do partido. Ele votou favoravelmente a um mandato de quatro, e não cinco anos, para Sarney na presidência da República.

   No processo de elaboração da Constituição, votou a favor do rompimento de relações diplomáticas com países que desenvolvessem uma política de discriminação racial, do mandato de segurança coletivo, do aborto, da proteção ao trabalho, da impossibilidade de demissão de trabalhadores sem justa causa, do turno ininterrupto de seis horas, do aviso prévio proporcional, da unicidade sindical, do voto aos 16 anos, da nacionalização do subsolo, do limite de 12% ao ano para os juros reais, da proibição do comércio de sangue, da limitação dos encargos da dívida externa e da anistia aos micro e pequenos empresários.

Votou contra a pena de morte, a limitação do direito de propriedade privada, a jornada semanal de 40 horas, o presidencialismo, a estatização do sistema financeiro, o mandato de cinco anos para Sarney, a criação de um fundo de apoio à reforma agrária e a legalização do jogo do bicho. Foi ainda de sua autoria a emenda que criou o dispositivo constitucional estipulando a obrigatoriedade de pagamento de indenizações aos atingidos por inundações provocadas pela construção de usinas hidrelétricas. 

Com a promulgação da nova Carta constitucional em 5 de outubro de 1988, voltou a participar dos trabalhos legislativos ordinários da Câmara. Em novembro seguinte, concorreu às eleições para a prefeitura de Curitiba, tendo sido derrotado pelo candidato Jaime Lerner, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), lançado duas semanas antes da realização do pleito, e que contou com o apoio de vários partidos de oposição ao PMDB ao nível estadual, como o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido da Frente Liberal (PFL). Em outubro de 1990, foi derrotado na eleição ao Senado ao qual concorreu na coligação formada pelo PMDB e o Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB). Na ocasião, foi eleito o então dono do Banco Bamerindus, José Eduardo Andrade Vieira, lançado pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Fruet deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1991, ao final da legislatura. Após essa data foi secretário de estado no Paraná na gestão do governador Roberto Requião (1991-1995) e sofreu uma derrota na disputa da prefeitura de Curitiba para o candidato do PDT, Rafael Grecca, em outubro de 1992. Nas eleições de 15 de novembro de 1994, candidatou-se a vice-governador na chapa de Álvaro Dias (PMDB). O pleito foi vencido pelo candidato do PDT, Jaime Lerner.

                Era candidato a deputado federal pelo PMDB ao pleito de outubro de 1998 quando veio a falecer em Curitiba, em 30 de agosto do mesmo ano, vítima de ataque cardíaco em plena campanha eleitoral.

                Além de sua militância em associações de classe dos jornalistas, foi presidente da Fundação Pedroso Horta do Paraná, instituição de pesquisa ligada ao PMDB.

Maurício Fruet era casado com Ivete Ana Bonato Fruet, com quem teve três filhos. Um deles, Gustavo Fruet, elegeu-se vereador em Curitiba em outubro de 1996, na legenda do PMDB, e deputado federal em outubro de 1998, quando disputou as eleições em substituição a seu pai.

               

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados Brasileiros. Repertório (1979-1983); COELHO, J., OLIVEIRA, A.,  Nova.. DIAP. Quem foi quem na Constit.; ENTREV. BIOG./Rádio CBN; Estado de São Paulo (12 e 19/6/87); Folha de São Paulo (5, 16 e 19/6/87; 10/11/88); Globo (26/11/86; 5, 6 e 10/6/87 e 1/9/98); Jornal do Brasil (11/3/83); RODRIGUES, L. M. Quem é quem na Constituinte.

 

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