MEIRELES, Henrique

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Nome: MEIRELES, Henrique
Nome Completo: MEIRELES, Henrique

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

MEIRELES, Henrique

*pres. BC 2003-2011

 

 

Henrique de Campos Meireles nasceu em Anápolis (GO) no dia 31 de agosto de 1945, filho do advogado Hegesipo de Campos Meireles e da estilista Diva Silva Campos. Seu avô materno, Graciano da Costa e Silva, foi por três vezes prefeito de Anápolis. Seu pai exerceu interinamente o cargo de interventor federal em Goiás durante a administração de Joaquim Machado de Araújo (1946-1947). Seu tio Jonas Ferreira Alves Duarte, eleito vice-governador de Goiás em 1950, assumiu por três vezes a chefia do Executivo estadual em substituição ao governador Pedro Ludovico (1951-1954). Seu primo Aldo Arantes foi presidente da União Nacional dos Estudantes (1961-1962) e deputado federal em várias legislaturas. Um outro primo, Haroldo Duarte, foi deputado federal na legislatura 1963-1967.

Henrique Meireles realizou os estudos secundários no Liceu de Goiânia, onde iniciou sua atuação política como líder estudantil. Presidente do grêmio acadêmico de seu colégio, comandou, em 1962, uma greve de estudantes contra o aumento das passagens de ônibus na capital. Ligado à Juventude Estudantil Católica, sofreu cerrada oposição do Partido Comunista Brasileiro (PCB) quando de sua eleição para a presidência da Confederação dos Estudantes Goianos em 1963.

Concluído o ensino médio, ingressou no curso de engenharia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Formado em 1972, especializou-se em engenharia de produção. No início da carreira, trabalhou como industrial e chegou a montar uma fábrica para a produção de blocos de concreto. Suas atividades como empresário não teriam, contudo, vida longa. 

Em 1974, decidido a trabalhar no mercado financeiro, mudou-se para o Rio de Janeiro e ingressou no Banco de Boston. Foi o início de uma longa e prestigiosa carreira na instituição – à qual estaria ligado por quase 30 anos. Já no ano seguinte, assumiu o cargo de diretor-superintendente da Boston Leasing. Exerceu essa função até 1978, ano em que concluiu mestrado em ciências da administração pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

De 1981 a 1984, ocupou a vice-presidência do Banco de Boston no Brasil. Nesse mesmo período, presidiu a Associação Brasileira das Empresas de Leasing. Em 1984 realizou um curso de especialização em administração avançada na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. De volta do Brasil, assumiu a presidência do Boston no país. Durante sua gestão, decorrida até 1996, ampliou consideravelmente os ativos da sucursal brasileira do banco. Nesse meio tempo atuou ainda como diretor-executivo da Federação Brasileira de Bancos (1989-1996) e presidiu a Associação Brasileira de Bancos Internacionais (1989-1996) e a Câmara Americana de Comércio (1995-1997).

O sucesso de sua administração levou-o ao cargo de presidente mundial do Banco de Boston em 1996, quando se tornou o primeiro estrangeiro a presidir um banco americano nos Estados Unidos. Três anos depois, o Boston fundiu-se com o Fleet Financial Group, e Meireles assumiu a presidência do Global Bank do FleetBoston Financial, que exerceu até 2002, tornando-se responsável pelos setores de atacado da instituição nos Estados Unidos e de todas as operações internacionais do grupo. Paralelamente, desempenhou também as funções de membro do conselho da Bolsa de Mercadorias e Futuros, em São Paulo (2001-2002) e do Conselho das Américas, em Nova York (2002), além de ter se tornado, no decorrer de 2001, diretor da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, também em Nova York.

Na área acadêmica, foi agraciado em 1997 com o título de doutor honoris causa pelo Bryant College, de Rhode Island. Além disso, passou a integrar os conselhos consultivos de várias instituições universitárias norte-americanas. No ano seguinte, em Harvard, tornou-se membro do Comitê de Conselheiros da Iniciativa de Políticas Corporativas e do Conselho Consultivo do Reitor da Faculdade de Administração Pública. Em 1999 foi indicado para ocupar este último cargo na Faculdade de Administração do Massachusets Institute of Technology, em Cambridge. Durante o ano 2000 passou a fazer parte do Conselho de Administração do Boston College.

 

De volta ao Brasil

Em 2001, Meireles começou a preparar sua saída do FleetBoston e anunciou a intenção de candidatar-se a algum cargo eletivo no Brasil. Em passagem pelo país, deu início às articulações visando seu futuro político. Recebeu convites para ingressar no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMBD) e no Partido da Frente Liberal (PFL) e chegou a negociar com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Em outubro, no entanto, decidiu acatar sugestão do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), e filiou-se ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Em julho de 2002, ano em que se tornou membro do Conselho Consultivo do Centro de Assuntos Latino-Americanos da Universidade George Washington, e no qual atuaria até o ano seguinte, aposentou-se do FleetBoston e voltou em definitivo para o Brasil. No pleito de 6 de outubro, candidatou-se a deputado federal pelo PSDB de Goiás. Com cerca de 183 mil votos, foi o deputado mais votado de seu estado. Também em outubro, Luís Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), foi eleito presidente da República com quase 53 milhões de votos, depois de derrotar no segundo turno o candidato José Serra (PSDB).

Após o pleito presidencial, Lula deu início às negociações para a formação de seu governo. A escolha dos nomes para comandar a economia foi a que gerou maiores expectativas, visto que durante a campanha eleitoral a situação econômica do país deteriorara-se significativamente. Com dólar em alta e inflação voltando a ameaçar – fato inédito desde a implantação do Plano Real em 1994 –, temia-se que o futuro governo pudesse promover mudanças radicais na economia, o que, segundo alguns analistas, traria como conseqüência a fuga dos investidores. A suspeita era em grande medida procedente, uma vez que o PT fora o principal crítico do modelo econômico adotado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. No entanto, já durante a campanha, o partido comprometera-se com a manutenção da estabilidade econômica e vinha dando claros sinais de que não pretendia alterar os rumos da economia. Nesse sentido, a definição dos novos titulares da área adquirira grande importância.

Para o Ministério da Fazenda, Lula anunciou o nome do médico sanitarista e ex-prefeito de Ribeirão Preto Antônio Palocci. Fundador do PT e tido como um “moderado”, Palocci foi o principal interlocutor de Lula com o empresariado durante a campanha presidencial.

O passo seguinte seria a definição do novo presidente do Banco Central (BC). Em dezembro de 2006, após pelo menos três tentativas com outros executivos do sistema financeiro, o nome de Henrique Meireles surgiu como a opção mais provável. Sua indicação não deixou de ser uma surpresa, afinal Meireles acabara de se eleger pelo principal partido de oposição ao governo recém-eleito. No entanto, suas relações com o PT não eram tão recentes assim.

Meireles e Lula se conheceram durante a campanha presidencial de 1989. Na época, o banqueiro promoveu o único encontro do candidato petista com representantes das multinacionais. Em 1994, criou com o então deputado federal Aloísio Mercadante (PT-SP) a Fundação Travessia, voltada para a assistência de “meninos de rua”. Meireles foi o primeiro presidente da entidade e Ricardo Berzoini, que na época atuava como sindicalista, seu primeiro secretário-executivo.

 

A fim de assumir o comando do BC, Meireles renunciou ao mandato de deputado federal e deixou o PSDB. Foi empossado na presidência do banco em janeiro de 2003, após sua indicação ter sido aprovada pelo Senado Federal.

 

Na Presidência do Banco Central – Primeiro Governo Lula (2003-2006)

Meireles iniciou sua gestão com a economia em crise, com o dólar cotado em quase R$ 4,00 e a inflação, puxada pela alta da moeda americana, em cerca de 12,5% ao ano. O crescimento da economia era praticamente nulo e o desemprego aumentava de forma preocupante. A fim de combater a alta inflacionária, Meireles obteve de Lula o compromisso com a autonomia operacional do BC, o que na prática garantia ao banco liberdade para definir a política monetária do país sem interferências ou pressões de natureza política. Além disso, o governo comprometeu-se com a consolidação dos três pilares que haviam sustentado a política econômica até então: regime de metas para a inflação; câmbio flutuante e austeridade fiscal.

No primeiro semestre de 2003, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, órgão responsável pela definição da taxa básica de juros da economia, conhecida como taxa Selic, aumentou os juros em 1,5 pontos percentuais, de 25% para 26,5% ao ano. A medida logo surtiu efeito e no início do segundo semestre a inflação já dava sinais de recuo. Além disso, o dólar começou a voltar a um ponto de equilíbrio, caindo para valores próximos de R$ 3,00. Mesmo com a queda da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo fechou o ano em 9,3%, índice superior à meta fixada pelo governo (8,5%).

Com a diminuição dos índices inflacionários, o Banco Central deu início, no segundo semestre de 2003, a um período de queda gradual dos juros que se estenderia até abril de 2004, quando a taxa chegou a 16% ao ano – ainda assim a mais alta do mundo. Domada a crise, as perspectivas eram de retomada do crescimento econômico (em 2003, a economia havia retrocedido 2,2%) e de aumento da confiança dos investidores externos. Impulsionada por um expressivo aumento das exportações, que propiciou um saldo de US$ 33 bilhões na balança comercial, a economia brasileira cresceu cerca de 5% em 2004.

As boas notícias na área econômica foram, no entanto, abaladas com a divulgação, ainda em maio de 2004, de que um primo de Meireles, o engenheiro Marco Túlio Pereira de Campos, havia sido detido ao tentar embarcar no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, portando R$ 32 mil não declarados ao fisco. Em sua defesa, Campos apresentou uma série de documentos dando conta de que atuava como procurador de Meireles. Segundo a imprensa, esses papéis teriam revelado uma incompatibilidade de cerca de R$ 100 milhões entre o patrimônio de Meireles e o que havia sido declarado por ele quando assumira o cargo de presidente do Banco Central.

Temeroso de que o caso pudesse comprometer a estabilidade econômica do país e também colocar em risco a permanência de Meireles no BC, o governo anunciou em agosto a edição de uma Medida Provisória (MP) concedendo ao presidente do Banco Central o status de ministro de Estado, que dessa forma passava a gozar da prerrogativa constitucional do foro privilegiado, através da qual seus detentores somente podem ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A MP foi provada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2004.

Em abril do ano seguinte, o procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, solicitou ao STF a abertura de um inquérito contra Meireles por suspeita de crime eleitoral, remessa ilegal de dinheiro ao exterior e sonegação fiscal. Conduzida pelo Ministério Público Federal, a investigação considerou que o patrimônio assumido por Meireles em 1996 (cerca de R$ 1,8 milhão) era incompatível com a declaração feita por ele no ano de 2001 (em torno R$ 105 milhões), o que sugeria um ganho de cerca de R$ 20 milhões por ano. Segundo os advogados do presidente do BC, a diferença era explicada pelos altos salários recebidos por Meireles durante sua atuação no Banco de Boston. Em agosto de 2007, o inquérito seria arquivado pelo STF a pedido do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, sucessor de Fonteles no cargo.

Após o bom desempenho de 2004, a economia brasileira voltaria a registrar um tímido crescimento no ano seguinte. Para os críticos da política monetária, tal fato teria sido decorrência de um novo ciclo de aumento de juros promovido pelo Copom. Depois de permanecer em 16% entre abril e setembro de 2004, o BC voltara a subir os juros em razão do aquecimento da demanda. Oito meses depois, em maio de 2005, a Selic encontrava-se em 19,75% ao ano.

Na área cambial, a escalada do dólar verificada no início do governo fora finalmente deixada para trás. Impulsionada por sucessivos recordes na balança comercial, a moeda americana baixara significativamente sua cotação. O fortalecimento das reservas internacionais administradas pelo BC permitira, inclusive, que o governo anunciasse, em abril de 2005, a não renovação do acordo com o Fundo Monetário Internacional, medida comemorada pelos formuladores da política econômica como um sinal de que o país começava a superar a sua crônica vulnerabilidade externa.

Em abril de 2006, depois de ver seu nome envolvido em denúncias de corrupção, Palocci deixou o Ministério da Fazenda. Na ocasião, Meireles chegou a ser cogitado para assumir o cargo, mas sua indicação foi rejeitada pelos setores mais à esquerda do PT. Para o lugar de Palocci, foi indicado o então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Guido Mantega, considerado um crítico da ortodoxia econômica do Banco Central. Segundo matéria da revista Veja, Meireles somente teria aceitado permanecer no governo com a condição de se reportar diretamente a Lula e de não ficar subordinado ao novo ministro.

Em outubro de 2006, após disputa no segundo turno com Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Lula foi reeleito presidente da República com mais de 58 milhões de votos. Logo após o pleito, alguns ministros, entre eles Guido Mantega, chegaram a declarar que o segundo mandato do petista seria marcado por alterações na política econômica que levariam a uma queda mais acelerada dos juros. Diante da reação negativa dos investidores, Lula desautorizou seus auxiliares e reafirmou o compromisso com o controle da inflação e a manutenção da austeridade fiscal. Também confirmou a permanência de Meireles no comando no Banco Central.

Ao fim do primeiro mandato de Lula, a inflação estava em 3,2%, o desemprego registrava tendência de queda e as reservas internacionais atingiam o nível recorde de US$ 83 bilhões. O PIB, no entanto, crescera em média apenas 2,6% nos seus quatros anos de governo, índice pouco superior ao registrado na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Em relação à política cambial, a manutenção dos juros em patamares elevados teve como conseqüência imediata a atração de grande quantidade de capitais externos de curto prazo, resultando numa progressiva apreciação do real frente ao dólar.

 

Na Presidência do Banco Central – Segundo Governo Lula (2007-2010)

O ano de 2007 foi marcado pela retomada do crescimento econômico em vários setores, impulsionada, sobretudo, pela expansão do crédito e pela recuperação do poder de compra da população. Com a inflação dentro da meta, o BC iniciara ainda em 2005 um novo ciclo de redução da Selic, o qual se estenderia por um período de dois anos. Em setembro de 2007, a taxa básica de juros caíra para 11,25% ao ano, a mais baixa desde a implantação do real. No final do ano, o PIB do país registrava um crescimento de 5,4%, a maior taxa desde 2004.

A expansão da economia prosseguiu até o primeiro semestre de 2008, mas em abril desse ano o Copom decidiu interromper a tendência de queda dos juros e anunciou a elevação da taxa para 11,5%. Além disso, no quarto trimestre do ano a economia brasileira registrou forte desaceleração, um reflexo de que a crise financeira global iniciada em 2007 chegara ao país.

Originada nos Estados Unidos em março de 2007, a desestruturação do sistema financeiro internacional teve início com a chamada “crise do subprime”, modalidade de empréstimo imobiliário baseada em hipotecas de alto risco. Na ocasião, uma crise generalizada de inadimplência no setor se alastrou rapidamente e atingiu todo o sistema de crédito mundial, provocando o fechamento de grandes bancos e acarretando perdas bilionárias.

No Brasil, a crise não se fez sentir inicialmente, uma vez que o sistema bancário do país não possuía papéis atrelados ao subprime norte-americano. O problema começou a se manifestar quando diversos setores passaram a sofrer com a contração do crédito, resultando na queda das exportações e no crescimento do desemprego – com a conseqüente retração do consumo interno.

Para reduzir os efeitos da crise, o Banco Central anunciou a redução do depósito compulsório que os bancos são obrigados a destinar ao BC como parte dos recursos captados em suas operações. Além disso, o banco injetou mais de R$ 40 bilhões em instituições de crédito de pequeno e médio porte como forma de aumentar a liquidez da economia. Ao mesmo tempo, adotou medidas para evitar a disparada do dólar – um forte fator inflacionário – por meio de leilões de moeda americana nos mercados à vista e futuro.

Como o primeiro semestre apresentara um bom desempenho econômico, o PIB brasileiro registrou em 2008 uma taxa de expansão de 5,1%, o que mitigou em parte os efeitos da crise. Entretanto, os primeiros sinais de recuperação da economia mundial surgiram apenas em março de 2009, quando se verificou uma lenta recuperação das principais bolsas de valores do mundo. No Brasil, a economia voltaria a crescer timidamente no segundo trimestre do ano (1,9%).

Com o desaquecimento da economia, o Copom iniciara uma nova fase de queda nos juros em janeiro de 2009, quando a Selic passou de 13,75% para 12,75%. Em abril, a taxa atingiu o seu menor nível histórico: 8,75% ao ano, patamar no qual se manteve nos meses seguintes.

Em setembro de 2009, Henrique Meireles filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), fato que suscitou especulações sobre a possibilidade de sua candidatura nas eleições de outubro do ano seguinte. Segundo alguns analistas, seu nome era cotado para disputar o governo de Goiás ou até mesmo, em um cenário menos provável, para integrar como vice uma chapa do PT encabeçada pela ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Optou no entanto por não concorrer a cargo eletivo, mantendo-se à frente do Banco Central até o fim do governo Lula.

Em novembro de 2010 Henrique Meireles anunciou que sairia do BC ao final daquele ano. Segundo o portal de notícias G 1, ao informar sua decisão à imprensa se dizendo feliz, gratificado e realizado, Meireles justificou que regras de boa prática de governança de bancos centrais aconselhavam que um presidente de BC não ficasse mais do que dois mandatos no cargo. No dia 1º de janeiro de 2011, após eleição de Dilma Rousseff, do PT, para a presidência da República, foi substituído por Alexandre Antonio Tombini. Após 8 anos como presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meireles foi quem mais permaneceu nesse cargo na história do país.

Em março de 2011 foi convidado pela presidente Dilma para assumir a presidência do Conselho Público Olímpico (APO), instância máxima da Autoridade Pública Olímpica (APO), formado por representantes dos Governos Federal, Estadual e Municipal que tem por finalidades a aprovação ou modificação do estatuto e do orçamento da APO, a aprovação da Matriz de Responsabilidades e da Carteira de Projetos Olímpicos e a nomeação dos membros do Conselho de Governança e do Conselho Fiscal. Meireles exerceu o cargo por quatro anos, sendo substituído pela empresária Luiza Trajano, sócia da rede Magazine Luíza.

Desde março de 2012 assumiu a presidência do conselho consultivo da J & F Holding, grupo que controla, entre outras empresas, o JBS (Friboi), líder mundial em processamento de carne bovina, ovina e de aves, além de companhias que atuam nos segmentos de produtos de limpeza, higiene pessoal, produtos financeiros, florestamento e comercialização de madeira, entre outras. De acordo com a revista Valor Econômico, uma das principais tarefas de Meireles quando de seu ingresso na empresa foi montar uma estrutura de governança corporativa para a holding, criando a possibilidade de abrir o capital do grupo.

Ainda em março de 2012 Henrique Meireles tornou-se membro do Conselho de Administração da Azul Linhas Aéreas. Mesmo sem ocupar nenhum cargo político desde que se afastou do banco central, no decorrer de 2012 mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo e filiou-se ao Partido Social Democrático (PSD). Após a reeleição de Dilma Rousseff para a presidência da República nas eleições gerais de 2014, teve seu nome cotado para assumir o Ministério da Fazenda no início do segundo mandato. Posteriormente foi um dos nomes mais citados para assumir a Petrobrás após a renúncia de Graça Foster, então presidente da companhia, em fevereiro de 2015.

No mesmo período, geriu o processo de criação do Banco Original, que em março de 2016, após três anos de gestação, foi lançado ao grande público como um banco totalmente digital, sem agências físicas, que oferece todas as funções de um banco tradicional via internet e aplicativo, e o saque em qualquer caixa eletrônico 24 horas. De propriedade do grupo J&S, dono do frigorífico JBS, e comandado pelo empresário Joesley Batista, o Banco Original teria como um de suas metas alcançar 100 mil clientes no primeiro ano de existência e 2 milhões em uma década, segundo informações levantadas pelo  jornal Estado de São Paulo.  

Dois meses após o lançamento do Original, desvinculou-se do banco e retornou à vida política. Em maio de 2016, em decorrência do afastamento provisório da presidente Dilma Rousseff sob acusação de crime de irresponsabilidade fiscal, e a consequente posse do então presidente interino Michel Temer, por até 180 dias, Meireles assumiu o cargo de Ministro da Fazenda, substituindo Nelson Barbosa. Dentre os aspectos assinalados em seu discurso de posse, defendeu a publicação de metas realistas, enfatizando que a crise econômica brasileira teria se agravado pela falta de confiança do mercado após números que não se confirmaram para a meta fiscal prevista pelo governo anterior. O ministro apontou ainda que trabalharia com foco no equilíbrio fiscal e que, em caso de necessidade, poderia recorrer ao aumento temporário de impostos.

Em agosto, consolidou-se no Ministério, após votação no Congresso que confirmou o afastamento da presidente Dilma por impeachment e a permanência de Michel Temer no cargo de presidente da República. Durante seus primeiros meses de gestão, Meireles enfatizou a necessidade de realizar no Brasil a reforma da previdência social, tida como demanda fundamental à gestão Temer. Em diversas de suas colocações, o ministro assinalou a relação entre as contas públicas e a urgência da aprovação da reforma previdenciária pelo Congresso Nacional. Na visão do ministro, a reforma não seria apenas um meio de garantir a aposentadoria dos trabalhadores, mas um instrumento central do processo de recuperação da sustentabilidade fiscal e da retomada do crescimento econômico.

Situando as propostas do governo Temer para o reaquecimento da economia, Meireles citou a importância de medidas microeconômicas que visam beneficiar a vida dos brasileiros com o aumento da produção e a geração de riquezas. No que diz respeito as mudanças macro, que buscavam mexer nas estruturas sob a justificativa do equilíbrio fiscal e do crescimento econômico, um dos destaques da sua gestão foi criação da  proposta de emenda constitucional (PEC) 241, criada para limitar o aumento dos gastos públicos. Antes de ser definitivamente aprovada pelo Congresso Nacional, em dezembro de 2016, a proposta foi defendida por Henrique Meireles em pronunciamento transmitido em cadeia nacional de televisão. Em outra ocasião, o ministro ratificou seu posicionamento pela PEC colocando-a, junto da reforma da previdência e da redução do papel do Estado, no “tripé” que garantiria a retomada do crescimento econômico do país.

Publicados  amplamente pela imprensa, os principais pontos da chamada PEC do teto de gastos definiram as seguintes diretrizes, cujos pontos foram resumidos pelo  portal de notícias G1: as despesas da União só poderão crescer conforme a inflação do ano interior; a inflação para 2017, que servirá de base para os gastos, será de 7, 2%; nos demais anos de vigência da medida, o teto corresponderá ao limite do ano anterior corrigido pela inflação medida pelo Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA); com relação aos gastos mínimos em saúde, o texto prevê que passem em 2017 para dos atuais 13, 7% para 15% da receita corrente líquida; e que a partir de 2018 esses investimentos se enquadrem no teto de gastos, sendo corrigidos pela inflação; a partir do décimo ano de vigência do limite dos gastos, o presidente da República poderá propor um projeto de lei ao Congresso para mudar a base de cálculo.

 Em janeiro de 2017, em entrevista à imprensa, o ministro da Fazenda garantiu que o tempo de recessão experienciado pelo Brasil teria chegado ao fim e que, apesar de  ainda viver as consequências das dificuldades enfrentadas, o país estaria voltando a crescer e reconquistando a confiança dos investidores. 

No decorrer de sua trajetória profissional Henrique Meireles atuou ainda como membro dos Conselhos de Administração da Raytheon Corporation, da Bestfoods e da Champion International Financial. Fundador e presidente da Associação Viva o Centro, entidade que visa promover o desenvolvimento urbano e social no centro da capital paulista, também presidiu o conselho da Fundação José e Paulina Nemirovsky e foi conselheiro da Fundação Anchieta.

Casou-se com a psiquiatra alemã Eva Missine e não teve filhos.

 

Luís Octavio de Souza/Luciana Pinheiro

 

 

FONTES: Época (11/12/2006); O Estado de S. Paulo (10/03/2009); Folha de S. Paulo (08/10/2001, 17/08/2004, 09/12/2004, 07/04/2005 e 03/08/2007); Isto É (13/12/2006); Valor Econômico (25/10/06 e 07/10/09); Veja (07/03/2001, 06/11/2002, 18/12/2002; 29/01/2003, 30/04/2003, 27/08/2003, 24/09/2003, 05/11/2003, 14/01/2004, 03/03/2004, 24/03/2004, 11/08/2004, 18/08/2004, 22/09/2004, 01/12/004; 09/03/2006, 06/04/2005; 05/04/2006); Zero Hora (23/08/2009); Portal Agência Brasil. Disponível em: <http://www.agenciabrasil.gov.br>. Acesso em 21/11/2009; Portal Associação Viva o Centro. Disponível em: <http://www.vivaocentro.org.br/>. Acesso em: 27/07/2015; Portal Autoridade Pública Olímpica. Disponível em: <http://www.apo.gov.br/>. Acesso em: 27/07/2015; Portal do Banco Central do Brasil. Disponível em: http://www.bcb.gov.br/. Acesso em 21/11/2009;Portal do Banco Original. Disponível em: < https://www.original.com.br/>. Acesso em 02/03/2017; BALISTIERO, Ricardo. A Política Econômica do Governo Lula. In: Academos – Revista eletrônica da FIA, Vol. II, n°.2, jul.-dez 2006, p. 22 -31. Disponível em: <http://www.fia.edu.br/fia/revista/>. Acesso em 21/11/2009; Portal Estadão – Economia. Disponível em: <http://economia.estadao.com.br> Acesso em 02/03/2017; Portal Época Negócios. Disponível em: < http://epocanegocios.globo.com> Acesso em 02/03/2017; Portal Exame.com. Disponível em: <http://exame.abril.com.br>. Acesso em 21/11/2009, 27/07/2015 e em 02/03/2017; Portal Folha de São Paulo. Disponível em: <http://www.folha.uol.com.br>. Acesso em 21/11/2009 e em 02/03/2017; Portal G1. Disponível em: <http://g1.globo.com>. Acesso em 21/11/2009 e em 02/03/2017; Portal JBS Brasil. Disponível em: <http://www.jbs.com.br/>. Acesso em 27/07/2015; Portal Jornal do Commercio. Disponível em: <http://www.jcom.com.br/>. Acesso em 27/07/2015; Portal O Globo. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/>. Acesso em 28/07/2015 e em 02/03/2017; Portal Jornal Opção. Disponível em: <http://www.jornalopcao.com.br. Acesso em 21/11/2009. Portal do Ministério da Fazenda. Disponível em: <http://www.fazenda.gov.br>. Acesso em 21/11/2009 e em 02/03/2017.


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