MESQUITA NETO, JULIO DE

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Nome: MESQUITA NETO, Júlio de
Nome Completo: MESQUITA NETO, JULIO DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MESQUITA NETO, JÚLIO DE

MESQUITA NETO, Júlio de

*jornalista.

 

Júlio de Mesquita Neto nasceu na cidade de São Paulo no dia 11 de dezembro de 1922, filho de Júlio de Mesquita Filho e de Marina Vieira de Carvalho Mesquita. Seu pai foi jornalista e proprietário de O Estado de S. Paulo e participou da Revolução de 1932. Seu avô paterno, Júlio César de Mesquita, foi jornalista e proprietário do mesmo jornal, além de deputado estadual na Primeira República. Seu bisavô José Alves de Cerqueira César, rico fazendeiro de café do oeste paulista, foi um dos fundadores do jornal que passaria à família Mesquita.

Júlio de Mesquita Neto estudou no Colégio São Luís, na capital paulista, e ingressou em seguida na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), instituição criada em 1934 com base em um projeto de autoria de seu pai. Participou do movimento estudantil de sua época, então mobilizado na luta contra a ditadura do Estado Novo, e um dos signatários do Manifesto à nação, documento proposto pelo Centro Acadêmico 11 de Agosto, de sua faculdade, e lançado publicamente em novembro desse mesmo ano.

Mais velho de três irmãos, depois de formado, começou a trabalhar como repórter e redator na seção de política do jornal de seu pai, optando assim pela carreira jornalística. Adquiriu ampla experiência na área exercendo funções nos mais diferentes setores do jornal.

A família Mesquita e o jornal O Estado de S. Paulo apoiaram o golpe militar de 31 de março no seu primeiro momento. O processo de ruptura com o governo começou ainda na gestão de Castelo Branco, quando o jornal optou por não defender a prorrogação do mandato presidencial de Castelo e, posteriormente, apoiou a candidatura de Costa e Silva.

Como retaliação a essas posições do jornal, em 13 de dezembro de 1968, momentos antes da decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), alguns exemplares desse dia de O Estado de S. Paulo foram apreendidos.

A partir de 1968, Mesquita Neto, como membro da Comissão de Liberdade de Imprensa da Associação Internacional de Imprensa (SIP), compareceu à reunião da entidade em Montego Bay (Jamaica) e denunciou as sanções aplicadas pelas autoridades federais contra o jornalista Hélio Fernandes e o jornal Tribuna da Imprensa. A defesa da liberdade de imprensa e o combate à repressão aos órgãos de comunicação no Brasil tornaram-se uma grande bandeira do jornalista.

Com a morte de seu pai, Júlio Mesquita Neto assumiu, em 12 de janeiro de 1969, a direção geral do jornal. Mesmo neste período de endurecimento político, promoveu um considerável desenvolvimento do jornal, adquirindo nova maquinaria, ampliando as edições e construindo uma nova sede.

Em 1971 presidiu o comitê pela liberdade de imprensa da Associação Interamericana de Imprensa.

Em 12 de dezembro de 1972, a sucursal de O Estado em Brasília noticiou o segundo seqüestro e as torturas sofridas pelo médico Fernando Isaac Szklo. O médico foi retirado de sua casa duas vezes por pessoas não identificadas e levado para lugar ignorado. A partir da divulgação dessa notícia, o Comando Militar do Planalto instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) contra o jornal. Em janeiro de 1973, Mesquita Neto prestou depoimento na 2ª seção do 2º Regimento Militar, e quando questionado sobre a responsabilidade da divulgação dessa informação, declarou que “em situações normais, sou o diretor-responsável de O Estado de S. Paulo e o responsável em última instância por tudo o que sai publicado como notícia e editorial no jornal. Nas atuais circunstâncias, vigentes desde agosto de 1972, o responsável por qualquer notícia que sai em O Estado de S. Paulo é o sr. ministro da Justiça, professor Alfredo Buzaid”.

Mesquita Neto elegeu-se presidente da SIP em outubro de 1974. Em 1976, Mesquita Neto assumiu a vice-presidência regional da entidade, tornando-se encarregado dos assuntos relativos à liberdade de imprensa no país.

Entre agosto de 1977 e janeiro de 1978, viajou ao Uruguai e à Argentina para negociar a libertação do jornalista Flávio Tavares, preso e torturado em Montevidéu sob acusação de subversão. Em abril de 1978 participou de um encontro com o presidente norte-americano Jimmy Carter para tratar da política econômica e da questão dos direitos humanos, durante a visita que o chefe do governo dos Estados Unidos fez ao Brasil.

Em junho de 1981 prestou depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurou a corrupção na construção do Quatro Rodas Hotéis do Nordeste, denunciada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Segundo as denúncias publicadas, o Banco Nacional da Habitação (BNH) teria liberado uma verba de duzentos milhões de cruzeiros para a construção de hotéis de turismo, e o grupo Abril teria ficado com 36,5% deste montante. Alguns desses hotéis não chegaram a funcionar e outros não foram construídos.

Em abril de 1982 compareceu ao grande comício realizado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para o lançamento de seus candidatos às eleições de novembro, surpreendendo a opinião pública, acostumada a vê-lo como um dos mais agudos críticos do PT na imprensa. Convidado pessoalmente por Luís Inácio da Silva, o Lula, presidente nacional do partido, justificou sua presença no ato afirmando que considerava Lula e o PT as únicas novidades surgidas na política brasileira nos últimos 20 anos. Em setembro do mesmo ano, o chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, ministro Leitão de Abreu, processou Mesquita Neto junto à Justiça Militar, segundo a Lei de Segurança Nacional. Leitão de Abreu teria ficado irritado com o conteúdo do editorial do jornal intitulado “Cai a máscara do falso liberal”, comentando a declaração do líder governista, deputado Nilo Coelho, de que o ministro era responsável pela manutenção da Lei Falcão. Em março de 1983, por sete votos a favor e cinco contra, o processo foi arquivado.

Recebeu os seguintes prêmios: Theodoro Brente, por colaborar pela melhoria das relações entre os Estados Unidos e a América Latina e a Pena de Ouro da Liberdade da Federação Internacional dos Editores, em Copenhague (Dinamarca), ambos em 1974; Alberti-Sarmiento, dado pelo jornal argentino La Prensa, em maio de 1977; o título de Presidente de Honra da Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Cafeicultura (ABDC), em 1981; de Cavaleiro da Legião de Honra do governo francês, em 1985; e a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique do governo português, em 1986.

Casou-se com Otávia Cerqueira César de Mesquita, com quem teve dois filhos; um desses, Júlio César, assumiu o controle do jornal com a morte do pai.

Faleceu no dia 5 de junho de 1996, aos 73 anos, vítima de câncer.

Colaborador sistemático de seu jornal, nele publicou notas, reportagens e diversos artigos sobre Maquiavel e o marquês de Pombal.

Marieta de Morais Ferreira

 

FONTES: COUTINHO, A. Brasil; CURRIC. BIOG.; Encic. Mirador; IstoÉ (28/4/82); Jornal da Tarde (15/9/79); Jornal do Brasil (26/10/65, 21/12/76 e 28/3/78); Manchete (28/8/76); SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Súmulas; Who’s who in Brazilian.

 

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