MÉTODO PAULO FREIRE

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Nome: MÉTODO PAULO FREIRE
Nome Completo: MÉTODO PAULO FREIRE

Tipo: BIOGRAFICO


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MÉTODO PAULO FREIRE

MÉTODO PAULO FREIRE

 

Desde meados da década de 1950 desenvolveu-se nos meios cristãos a consciência da necessidade de promover a educação do povo, analfabeto, para que ele pudesse vir a participar ativamente da vida política do país. A Igreja Católica empenhou-se a fundo nessa questão, contando com a adesão crescente de leigos que descobriam na atividade educativa uma nova dimensão da vida religiosa, no que eram reforçados pelo pensamento teológico renovador em voga na Europa, em especial na França. Mas a educação do povo analfabeto não poderia ser feita pelos métodos escolares tradicionais, o que levou a uma busca de uma nova pedagogia que possibilitasse ao educando ser sujeito da sua educação.

Paulo Freire, professor da Universidade Federal de Pernambuco, sistematizou, em 1962, idéias que vinha desenvolvendo e testando havia alguns anos, propondo um novo método de educação de adultos, combinando de forma bastante original conquistas da teoria da comunicação, da psicologia e da didática.

Seu método não utilizava cartilha como os demais. Defendia a necessidade de se procurar construir o material para o ensino a partir da fala de cada grupo de analfabetos. Na primeira etapa de aplicação do método, os analfabetos de uma localidade qualquer eram recrutados para os círculos de cultura que iam-se formando. Entrevistas conduzidas com os membros dos círculos e outros moradores da localidade permitiam o registro das palavras utilizadas para tratar das questões mais importantes do seu trabalho, do culto religioso, da política, do lazer. O conjunto das palavras reveladas pelas entrevistas constituía o universo vocabular da localidade. Dele eram extraídas palavras geradoras, as quais deveriam conter as diferentes possibilidades de combinação silábica e permitir o estudo das situações encontradas comumente na leitura e na escrita. Além disso, elas deveriam ter potencial conscientizador, isto é, sugerir situações de vida significativas para os membros dos círculos de cultura.

Antes de se entrar no processo de alfabetização propriamente dito, promoviam-se discussões entre os analfabetos sobre as distinções entre o mundo da natureza e o mundo da cultura, de modo que eles viessem a se perceber produtores de cultura. A conscientização prosseguia com a discussão sobre as situações sugeridas pelas palavras geradoras e as gravuras que as acompanhavam, impressas ou projetadas. Nesse contexto, iniciava-se a terceira etapa, consistindo no estudo das técnicas da leitura e da escrita. Os debates eram conduzidos pelo professor, denominado coordenador de debates, havendo a preocupação de que ele fosse um estimulador, condenando-se as atitudes de doação, incompatíveis com a conscientização. Exigia-se o diálogo entre os analfabetos e entre estes e o coordenador.

O sucesso obtido pelo método de Paulo Freire nas primeiras experiências desenvolvidas em Recife, no âmbito do Movimento de Cultura Popular, propiciou sua utilização em núcleos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) em Pernambuco. Mas foi em 1963 que o método se difundiu: no Rio Grande do Norte foi utilizado em Natal e Angicos, depois passou para São Paulo, no município de Osasco, e, finalmente, foi adotado em Brasília.

Depois da mudança do regime, em 1964, Paulo Freire exilou-se, sendo seu método proibido na prática no Brasil, apesar de seus livros serem editados e vendidos livremente. Enquanto isso, a pedagogia de Paulo Freire ganhava lugar nos meios acadêmicos de todo o mundo, tanto em países desenvolvidos quanto em subdesenvolvidos.

Luís Antônio Cunha colaboração especial

 

 

FONTES: BEISIEGEL, C. Estado; FREIRE, P. Educação; PAIVA, V. Educação.

 

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