MIGUEL DE OLIVEIRA COUTO

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Nome: COUTO, Miguel
Nome Completo: MIGUEL DE OLIVEIRA COUTO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

COUTO, Miguel

*const. 1934.

 

Miguel de Oliveira Couto nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, em 1º de maio de 1864, filho de Francisco de Oliveira Couto e de Maria Rosa do Espírito Santo. Aos cinco anos, com a morte do pai, foi trabalhar em sua farmácia.

Fez os estudos secundários no Colégio Pedro II e ingressou na Faculdade de Medicina em 1880. Estudou, inicialmente, sob a direção do professor José Pereira do Rego. Em seus dois últimos anos como acadêmico, foi interno na Santa Casa de Misericórdia, trabalhando sob a direção do professor José Pereira do Rego e depois como assistente do professor João Vicente Torres Homem. Formou-se em 1885, defendendo a tese Da etiologia parasitária em relação às doenças infecciosas.

Trabalhou primeiramente em São Paulo e depois no Rio, como assistente interno do professor Silva Rabelo na Santa Casa de Misericórdia. Em 1886, clinicou em Niterói e, no ano seguinte, ajudou, no Rio, a combater a febre amarela. Em 1891, sucedeu na Faculdade de Medicina, sem defender tese, ao catedrático de clínica propedêutica, Francisco de Castro, que morrera. No exercício da cátedra, reformou o ensino da matéria, criou laboratórios para exames médicos e microscópicos e montou uma instalação radiológica. No ano seguinte, passou a ser encarregado da 21ª Enfermaria da Santa Casa.

Ingressou como membro titular na Academia Nacional de Medicina em 1896, com o trabalho Desordens funcionais do pneumogástrico na influenza. Dois anos mais tarde, foi efetivado como catedrático da Faculdade de Medicina, defendendo a tese Dos espasmos nas afecções dos centros nervosos. Ampliou sua atividade no magistério em 1911, assumindo a cátedra de clínica médica, e no ano seguinte caracterizou, a partir da observação de sopros cardíacos, a Síndrome de Miguel Couto. Iniciou também o tratamento do impaludismo com azul de metileno e fez pesquisas sobre o câncer e o beribéri.

Foi eleito presidente da Academia Nacional de Medicina em julho de 1914, cargo para o qual seria sucessivamente reeleito até sua morte. Em 1916, sucedeu a Afonso Arinos de Melo Franco (1868-1916) na cadeira número 40 da Academia Brasileira de Letras. Em 1924, preocupado com os problemas educacionais brasileiros, pronunciou uma série de conferências que contribuíram para o aprofundamento do estudo da matéria no país.

Por sua atuação na medicina, conquistou grande renome, tendo sido amplamente considerado o mais ilustre dos médicos brasileiros de seu tempo. Além da intensa atividade que manteve como clínico ao longo de toda a carreira, renovando as práticas correntes no país mediante a introdução da clínica científica e experimental, realizou também importantes pesquisas farmacológicas, estudando o valor medicinal de plantas e frutos da flora brasileira. Como professor, marcou a formação de várias gerações de médicos, e participou ainda de diversos congressos internacionais.

Chefiou a clínica da Santa Casa de Misericórdia, no Rio, foi membro do Conselho Superior de Ensino do então Ministério da Educação e Saúde, pertenceu à Sociedade de Medicina e Cirurgia da Rio de Janeiro e à Société de Pathologie Exotique de Paris, tendo sido também sócio-correspondente da Société Médicale des Hôpitaux de Paris e de diversas outras sociedades médicas estrangeiras. Foi ainda o representante do Brasil no VII e no VIII congressos pan-americanos de Medicina, realizados respectivamente em Havana e em Buenos Aires.

Em agosto de 1932, durante a Revolução Constitucionalista, desempenhou o papel de mediador entre o governo federal e os revoltosos de São Paulo. Em maio de 1933, elegeu-se deputado à Assembléia Nacional Constituinte na legenda do Partido Economista, tanto pelo Distrito Federal quanto pelo estado do Rio de Janeiro. O regimento da Assembléia, contudo, obrigava-o a optar por um dos mandatos, e Miguel Couto escolheu a cadeira do Distrito Federal, deixando a do estado do Rio para Laurindo Augusto Lemgruber Filho. Membro da Comissão de Saúde da Assembléia, interessou-se ainda por duas questões: a educação e a imigração. Em relação à primeira, defendeu e obteve a obrigatoriedade do emprego de 10% da renda federal na instrução pública (afirmava que o único problema nacional era a educação do povo). Quanto à segunda, liderou a corrente que se opunha à imigração não européia, desenvolvendo intensa campanha contra a entrada de japoneses no Brasil.

Dizia-se contra a imigração japonesa “não pela qualidade dos imigrantes, senão pela sua quantidade e, sobretudo, porque representa uma fase, um estágio do expansionismo japonês”. Criticava “o enquistamento que esses imigrantes formam nos lugares por eles colonizados — impedindo sua assimilação ao país —, as companhias japonesas de colonização que funcionam como uma espécie de governo, responsáveis pela contratação dos imigrantes, colonização da terra, produção e exportação — e, principalmente, a obediência religiosa ou jurídica que esses imigrantes devotam a seus líderes”.

Faleceu no Rio de Janeiro, em pleno exercício de seu mandato, no dia 6 de junho de 1934.

Era casado com Maria Barroso Jales Couto e pai de Miguel Couto Filho (1900-1969), também médico e político, ministro da Saúde (1953-1954), governador do estado do Rio de Janeiro (1955-1958) e senador (1959-1967).

Seu nome foi dado a um povoado no estado do Rio e a um hospital municipal na cidade do Rio de Janeiro.

Além de inúmeros trabalhos médicos e científicos, publicou: O ideal da paz e a defesa nacional (1915), As locuções do presidente da Academia de Medicina (1923), Seleção social (1930), No Brasil só há um problema nacional: a educação do povo (1933), A medicina e cultura (1937) e Seleção social, campanha antinipônica (1942).

Sobre Miguel Couto foram editadas as seguintes obras: Grande era o Couto (romance-biografia, 1934), de Pedro Bloch; Miguel Couto, uma vida exemplar (1943), de Phocion Serpa, e Miguel Couto vivo (1950), de Moacir Navarro.

Robert Pechman

 

 

FONTES: ALMEIDA. A. Dic.; AUDRÁ, A. Bancada; BASTOS, P. Galeria; BEHAR, E. Vultos; BLAKE, A. Dic; CÂM. DEP. Deputados; CONSULT. MAGALHÃES, B.; Encic. Barsa; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; Grande encic. portuguesa; Jornal do Comércio, Rio (25/5/26; 7, 8 e 9/6/34); LEVINE, R. Vargas; MENESES, R. Dic.; NEVES, F. Academia; RIBEIRO FILHO, J. Dic.

 

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