MONTEIRO, MANUEL CESAR DE GOIS

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Nome: MONTEIRO, Manuel César de Góis
Nome Completo: MONTEIRO, MANUEL CESAR DE GOIS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MONTEIRO, MANUEL CÉSAR DE GÓIS

MONTEIRO, Manuel César de Góis

*militar e diplomata; const. 1934; sen. AL 1935-1937.

 

Manuel César de Góis Monteiro nasceu em São Luís do Quitunde (AL) no dia 22 de junho de 1891, filho do médico Pedro Aureliano Monteiro dos Santos e de Constança Cavalcanti de Góis Monteiro. Quatro irmãos seus se destacaram na vida pública: Pedro Aurélio de Góis Monteiro foi comandante militar da Revolução de 1930, ministro da Guerra em duas ocasiões (1934-1935 e 1945-1946), chefe do Estado-Maior do Exército entre 1937 e 1943, senador por Alagoas de 1947 a 1951, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de 1951 a 1952 e ministro do Superior Tribunal Militar entre 1952 e 1956; Ismar de Góis Monteiro, também militar, foi interventor federal em Alagoas entre 1941 e 1945, ano em que foi eleito senador por esse estado, participando da Assembléia Nacional Constituinte de 1946 e das duas legislaturas ordinárias que se seguiram; Edgar de Góis Monteiro foi interventor federal em Alagoas em 1945, e Silvestre Péricles de Góis Monteiro integrou a bancada alagoana na Constituinte de 1946, governou o estado de 1947 a 1951 e foi senador de 1959 a 1967.

Depois de freqüentar o Ginásio Alagoano, Manuel César ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, pela qual se diplomou em dezembro de 1912. Ainda estudante, colaborou com o Jornal de Alagoas e revistas científicas. Em fevereiro de 1913, ingressou por concurso no Corpo de Saúde do Exército, recebendo a patente de primeiro-tenente. Nessa condição, participou da repressão à Revolta do Contestado, rebelião popular de cunho messiânico ocorrida entre 1912 e 1916 na região fronteiriça do Paraná com Santa Catarina.

Promovido a capitão em outubro de 1920 e a major, por merecimento, em fevereiro de 1924, combateu a revolta deflagrada em guarnições militares de São Paulo no dia 5 de julho desse ano contra o governo de Artur Bernardes. Os rebeldes, comandados por Isidoro Dias Lopes, ocuparam a capital do estado durante três semanas, mas, acossados pelas forças legalistas, deslocaram-se para o oeste do Paraná onde, em abril de 1925, uniram-se a contingentes gaúchos também sublevados para constituir a Coluna Miguel Costa-Prestes.

Nos últimos anos da década de 1920, Manuel César participou de diversos congressos internacionais de medicina, realizados na Europa, onde concluiu curso de especialização em urologia. Em junho de 1927 esteve em Varsóvia como representante do Exército brasileiro no IV Congresso de Medicina e Farmácia Militar. No ano seguinte, foi delegado à XIII Conferência Internacional da Cruz Vermelha, realizada em Haia, e em 1930 cumpriu as mesmas funções em Bruxelas. Ainda em 1930, no mês de outubro, participou do Congresso Internacional de Médicos Militares, realizado em Liège, na Bélgica, sendo enviado em seguida à França, onde estudou técnicas de transporte de feridos em tempo de guerra e avaliou a possibilidade de aquisição de material de saúde para as forças armadas brasileiras. Nessa ocasião ocorreu a Revolução de 1930 e seu irmão Pedro Aurélio de Góis Monteiro tornou-se um dos principais líderes militares do país.

Em 1932, Manuel César foi nomeado por José Américo de Almeida, ministro da Viação e Obras Públicas, para chefiar a missão da Cruz Vermelha brasileira em socorro aos flagelados da seca no Nordeste. Pouco depois, foi agregado ao serviço de saúde das tropas que, sob o comando de seu irmão, combateram entre julho e outubro a Revolução Constitucionalista de São Paulo.

Promovido a tenente-coronel, por merecimento, em 1º de fevereiro de 1933, Manuel César iniciou suas atividades políticas durante o período que antecedeu as eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, convocadas pelo Governo Provisório para maio desse ano. Junto com o interventor federal em seu estado natal, capitão Francisco Afonso de Carvalho, foi um dos fundadores do Partido Nacional de Alagoas, em cuja legenda se elegeu deputado. Seu partido conseguiu compor a totalidade da bancada do estado na Constituinte, instalada em 15 de novembro de 1933.

Foi um dos 26 integrantes da Comissão Constitucional encarregada de estudar o anteprojeto elaborado pelo governo e as emendas a ele apresentadas. Escolhido relator — junto com Nero de Macedo — dos capítulos sobre a reunião e a defesa nacional, participou das reuniões presididas por seu irmão Pedro Aurélio e realizadas pelos militares constituintes para a discussão desse último tema, que resultaram em um texto preliminar encaminhado à Comissão Constitucional em dezembro de 1933. Os principais pontos então debatidos foram o critério de promoção dos militares, o papel do Conselho Supremo de Defesa Nacional e a questão das forças estaduais. No dia 9 de março de 1934, em reunião da Comissão Constitucional, Manuel César solicitou a supressão da emenda sobre a isenção do serviço militar para as mulheres, mas não foi atendido.

Manuel César integrou o grupo de parlamentares que, em nome da Assembléia Constituinte, visitou Getúlio Vargas para cumprimentá-lo pela decretação, em maio de 1934, da anistia aos revolucionários paulistas de 1932. Em 16 de julho de 1934 a nova Constituição foi promulgada e no dia seguinte a Assembléia elegeu Vargas para a presidência da República, cumprindo assim as funções para as quais fora convocada. Os mandatos dos seus integrantes foram prorrogados até a posse dos novos parlamentares eleitos em outubro desse ano, no mesmo pleito em que também foram escolhidos os membros das constituintes estaduais. Em 1935, Manuel César foi eleito senador pela Assembléia Constituinte de Alagoas, exercendo seu mandato até o dia 10 de novembro de 1937, quando o Congresso Nacional foi fechado em virtude da instauração do Estado Novo.

Depois de passar para a reserva em outubro de 1938, Manuel César ingressou na carreira diplomática como ministro de segunda classe, sendo designado para a representação cumulativa do Brasil na Guatemala, São Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica e Panamá, com sede na cidade da Guatemala. Foi delegado do Brasil à Conferência das Repúblicas Americanas, realizada no Panamá em setembro de 1939, e à I Reunião de Ministros da Fazenda Americanos, na Guatemala, em novembro do mesmo ano. Em maio de 1940, representou o Brasil na posse do presidente da Costa Rica.

Manuel César permaneceu nesse posto até maio de 1945, quando foi transferido para Estocolmo na condição de ministro plenipotenciário. Durante sua permanência nessa cidade, representou o Brasil na Conferência Internacional do Trabalho, realizada em agosto de 1947, e na XVII Conferência Internacional da Cruz Vermelha, realizada um ano depois. Promovido por merecimento a ministro de primeira classe em fevereiro de 1949, chefiou a embaixada brasileira em Cuba entre abril de 1950 e dezembro de 1955. Representou o Brasil na posse de Jacobo Arbenz Guzmán à frente do governo da Guatemala em março de 1951, e aposentou-se do serviço diplomático em junho de 1956.

Membro do Clube Militar e da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, Manuel César de Góis Monteiro faleceu nessa cidade em 21 de agosto de 1963.

Era casado com Brites Rebelo de Góis Monteiro.

Vilma Keller

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; Boletim Min. Trab. (5 /36); CÂM. DEP. Deputados; CONSULT. MAGALHÃES, B.; COUTINHO, A. Brasil; Diário do Congresso Nacional; FUND. GETULIO VARGAS. Cronologia da Assembléia; GODINHO, V. Constituintes; Grande encic. Delta; MIN. REL. EXT. Almanaque (1942); PEIXOTO, A. Getúlio; SENADO. Anais (1935); SILVA, H. 1956.

 

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