MONTEIRO, SOCRATES DA COSTA

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: MONTEIRO, Sócrates da Costa
Nome Completo: MONTEIRO, SOCRATES DA COSTA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MONTEIRO, SÓCRATES DA COSTA

MONTEIRO, Sócrates da Costa

*militar; min. Aer. 1990-1992.

Sócrates da Costa Monteiro nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 26 de março de 1930, filho de Mamede da Costa Monteiro e de Ana dos Santos Monteiro.

Ingressou na Força Aérea como cadete em maio de 1948. Diplomou-se na Academia da Força Aérea, então Escola da Aeronáutica, como oficial aviador em dezembro de 1951. Em julho de 1952, foi promovido a segundo-tenente e em julho de 1954, a primeiro-tenente. Promovido a capitão em janeiro de 1959, cinco anos depois foi designado instrutor da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, onde permaneceria até 1967. Promovido a major em outubro de 1965 e a tenente-coronel em março de 1969, no ano seguinte representou o Brasil como observador militar da Organização dos Estados Americanos (OEA) na zona de pacificação entre Honduras e El Salvador. Em 1972, participou da delegação brasileira à 7ª Conferência da Navegação Aérea da Organização de Aviação Civil Internacional, em Montreal.

Em 1973 fez parte da Diretoria de Eletrônica e Proteção do Vôo, no Rio de Janeiro, e participou da 5ª Conferência Regional Africana da Organização de Aviação Civil Internacional, em Roma. No ano seguinte, representou o Brasil no Grupo Técnico da Organização de Aviação Civil Internacional, para o estudo de operações de transporte aéreo supersônico em Montreal. Promovido a coronel em agosto de 1975, nesse mesmo ano assumiu a chefia do Serviço Regional de Proteção ao Vôo do Rio de Janeiro. Nomeado instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (Ecemar) em 1976, permaneceu nesse cargo até 1978, quando foi designado para assumir o comando do primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta), cumulativamente com as funções de presidente da Comissão de Implantação do sistema Dacta-Sisdacta.

Em julho de 1980, foi promovido a brigadeiro-do-ar e em seguida nomeado subdiretor de operações da Diretoria de Eletrônica e Proteção ao Vôo, cargo ocupado até 1982. Nesse ano, foi nomeado adido aeronáutico na embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Em novembro de 1984, recebeu a promoção de major-brigadeiro-do-ar. Retornando ao Brasil, foi nomeado comandante de Defesa Aérea e do núcleo do Comando de Defesa Aeroespacial, em Brasília. Assumiu, cumulativamente, o cargo de comandante do VII Comando Aéreo Regional (VII Comar), em Manaus. Em janeiro de 1986, foi transferido para São Paulo, onde assumiu a chefia do IV Comando Aéreo Regional. Durante esse comando, mostrou-se um entusiasta de uma possível aproximação entre militares e a elite civil, promovendo quatro reuniões com acadêmicos de todo o país, no hotel Maksoud Plaza. Nessas reuniões, que tiveram como tema uma nova doutrina estratégica, o brigadeiro condenou a idéia de criação do Ministério da Defesa, argumentando que o Exército subjugaria a Aeronáutica e a Marinha.

Em 1988, em decorrência de ter sido nomeado vice-chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, retornou a Brasília. Nomeado comandante do Comando Geral do Ar em 1989, mostrou-se contrário à proposta de retirada dos garimpeiros da área dos índios ianomâmis, em Roraima, argumentando que índios e garimpeiros viviam pacificamente e que a Aeronáutica não tinha aviões em número suficiente para garantir a retirada de todos os garimpeiros. Em março daquele ano foi promovido a tenente-brigadeiro-do-ar. Em meados de 1989, pregou o voto em Fernando Collor, candidato à presidência da República pelo Partido de Reconstrução Nacional (PRN), em sua opinião a única opção diante do quadro de candidatos. Collor acabou sendo eleito, derrotando no segundo turno, em dezembro de 1989, o candidato da coligação de esquerda Frente Brasil Popular, Luís Inácio Lula da Silva.

No Ministério da Aeronáutica (1990-1992)

Em 15 de março de 1990, foi empossado ministro da Aeronáutica. Em junho anunciou um programa de enxugamento da máquina do ministério, que incluía a demissão de pessoal e um estudo para reduzir a duração do serviço militar na Aeronáutica. Defendeu também a privatização das quatro empresas ligadas ao ministério: a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), a Companhia Eletromecânica GE (Celma) e a Telecomunicações Aeronáuticas S.A. (TASA), o que possibilitaria a entrada de recursos necessários à modernização da Força Aérea.

Em maio de 1991, considerava que o Brasil estava na “idade do arco e flecha em matéria de armamentos”, tendo perdido a posição que ocupara no Cone Sul em termos de capacitação militar, não sendo mais viável a redução de sua estrutura de recursos humanos ou da já escassa quantidade de aeronaves. Atribuía a precariedade da situação econômica à incapacidade de setores da indústria de produzir mercadorias de consumo básico e considerava necessário um pacto que transcendesse o corporativismo e que recebesse a colaboração do setor empresarial para vencer a crise. Para ele, cabia ao Congresso grande parcela de responsabilidade por melhorias das condições de trabalho nas forças armadas. No mês seguinte, defendeu melhores salários para os militares em audiência na Comissão de Defesa Nacional da Câmara.

Em agosto, ao depor perante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da internacionalização da Amazônia, afirmou que a defesa da região estava comprometida pela falta de recursos destinados às forças armadas e pela ausência de um programa de desenvolvimento. O ministério careceria de recursos para coibir 90% das atividades aéreas ilegais ali praticadas, envolvendo tráfico de drogas, contrabando de metais preciosos, contaminação dos rios por mercúrio, desmatamentos criminosos e atividade madeireira. Para ele, a implantação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) evitaria tais atividades. Na mesma ocasião, denunciou a presença de “missões religiosas espúrias” na Amazônia, que teriam equipamentos usados para detectar minerais e locais de pouso para pequenas aeronaves, além de utilizarem indígenas na extração de minérios através de “trabalhos que lembram os tempos da escravidão”.

Em julho de 1992, com os demais ministros militares, manifestou-se pela primeira vez sobre as denúncias de corrupção envolvendo o presidente Collor e seus assessores diretos. Os três ministros defenderam cautela no tratamento do assunto e criticaram a condenação sumária dos acusados pela grande imprensa. No mesmo mês, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o ministro da Aeronáutica esclarecesse “os fatos comprometedores na execução dos processos de compras” para a reforma milionária de sua mansão, em 1991. Foram apontadas irregularidades quanto à aquisição de bens e contratação de serviços.

Em agosto, após cerimônia no palácio do Planalto de apresentação ao presidente da República de oficiais generais recém-promovidos, criticou a radicalização do processo político e o “linchamento promovido por alguns segmentos” no caso da CPI que investigava as denúncias contra Paulo César Farias, tesoureiro da campanha presidencial de Collor. Nesse mesmo mês, os serviços de informações do Exército e da Marinha detectaram um movimento entre os militares que incluía um documento favorável ao impeachment do presidente, assinado por 1.800 oficiais, e o uso de insígnias negras nas paradas comemorativas do 7 de setembro. Alguns soldados deveriam desfilar com o rosto coberto pela tinta preta de camuflagem. Os três ministros militares enviaram emissários para convencer a comunidade militar jovem, a mais irritada com a questão salarial e a falta de equipamentos, de que as forças deviam continência ao presidente, fosse ele quem fosse. A operação foi bem-sucedida e os desfiles em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo transcorreram sem incidentes.

Ainda em agosto, Collor reuniu os três ministros no Palácio do Planalto para comunicar que não pretendia renunciar. Em setembro, com o agravamento da crise, os ministros militares manifestaram o receio de que a permanência do presidente no cargo viesse a exigir a intervenção das forças armadas para garantir a ordem e defender o mandato presidencial. Com o avanço das investigações e, paralelamente, do comprometimento de Collor, foi decidido que a Câmara votaria pela abertura ou não de processo de impeachment do presidente. Na avaliação dos ministros militares, preocupados com a reação popular que tal fato provocaria, Collor dificilmente teria condições de governabilidade caso o pedido de impeachment fosse rejeitado.

Seus temores, contudo, não se confirmaram, uma vez que na sessão de 29 de setembro de 1992 foi aprovada, por esmagadora maioria, a instauração do processo. Collor foi formalmente acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado por Paulo César Farias. Afastado da presidência, renunciou em 29 de dezembro de 1992, horas antes da conclusão do processo pelo Senado, que decidiu pelo impedimento. Foi efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que vinha exercendo o cargo interinamente desde 2 de outubro.

Sócrates Monteiro deixou o Ministério da Aeronáutica em 9 de outubro de 1992, durante, portanto, a interinidade de Itamar. Foi substituído pelo brigadeiro Lélio Lobo.

Conselheiro militar junto à missão brasileira na Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra entre 1993 a 1996, neste último ano integrou o conselho consultivo da Viação Aérea São Paulo (VASP).

Foi piloto de caça, qualificando-se como líder de esquadrilha, de esquadrão e de grupo de caça. Transferiu-se para a aviação de transportes, onde, por mais de dez anos, desempenhou nas linhas do Correio Aéreo Nacional as funções de instrutor, examinador de vôo e comandante de aeronave. Foi também piloto de helicóptero. Cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais da Aeronáutica e o curso superior de comando da Escola de Estado-Maior da Aeronáutica.

Casou-se com Marília de Freitas Monteiro, com quem teve um casal de filhos.

Publicou O sistema de combustível do avião Gloster Mateor MK-8 e A política de transporte aéreo internacional do Brasil.

Sônia Zylberberg/Mirian de Aragão

FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (18/1/90, 8/9/92); Folha de S. Paulo (11, 20 e 29/8/92); Globo (16/1/86, 1/6 e 20/7/90, 5/5, 6/6 e 23/8/91, 1/7 e 10/10/92); Jornal do Brasil (19/1/90, 1 e 15/7/92); MIN. EXERC. Almanaque (1981).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados