MORAIS JUNIOR, ANTONIO DE ALMEIDA

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Nome: MORAIS JÚNIOR, Antônio de Almeida
Nome Completo: MORAIS JUNIOR, ANTONIO DE ALMEIDA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MORAIS JÚNIOR, ANTÔNIO DE ALMEIDA

MORAIS JÚNIOR, Antônio de Almeida

*religioso; arceb. Olinda e Recife 1952-1960.

 

Antônio de Almeida Morais Júnior nasceu em Sapucaí-Mirim (MG) no dia 26 de junho de 1904, filho de Antônio de Almeida Morais e de Julieta Eusébia de Oliveira Morais.

Tendo manifestado sua vocação sacerdotal desde o curso primário, ingressou, em fevereiro de 1918, no Ginásio e Seminário Diocesano de Taubaté (SP), onde terminou o secundário e estudou filosofia e teologia. Ordenou-se sacerdote no dia 2 de outubro de 1927, passando a lecionar lógica, eloqüência sacra, grego, filosofia e apologética científica no seminário em que estudara.

Em 1935, assumiu as funções de vice-secretário do bispado de Taubaté, onde permaneceu durante três anos. Convidado por dom André Arcoverde, tomou posse no vicariato da paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá (SP) por ocasião do Te-Deum de 31 de dezembro de 1938. Permaneceu em São Paulo até ser designado pelo papa Pio XII (através da bula Commissum Humilitati Nostrae) bispo da cidade mineira de Montes Claros em 29 de setembro de 1948. Recebeu sua sagração episcopal no dia 12 de dezembro, chegando à sede do bispado em fins de janeiro do ano seguinte.

Ao cabo de quase três anos de atuação na diocese de Montes Claros, dom Antônio foi elevado a arcebispo e transferido, em novembro de 1951, para a arquidiocese de Olinda (PE) e Recife. Assumiu suas novas funções em março do ano seguinte. Segundo Márcio Moreira Alves, sua transferência para a capital pernambucana inscreveu-se numa série de indicações feitas entre 1947 e 1954 pelo núncio apostólico no Brasil, monsenhor Carlo Chiari, de orientação extremamente conservadora, compartilhada nessa época pelo papa Pio XII.

Durante o ano de 1952, chegavam à fase final os trabalhos preparatórios para a criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), idéia lançada em 1949 por dom Chiari e desenvolvida desde então pela Ação Católica Brasileira. Essa proposta correspondia também à linha aprovada no Congresso Mundial de Leigos, realizado em Roma no ano de 1950, onde foi defendida, entre outros, pelo monsenhor Montini, assessor do sumo pontífice e, mais tarde, papa Paulo VI. No dia 14 de outubro de 1952, dom Antônio participou da primeira sessão da reunião extraordinária de instalação da CNBB, realizada no palácio São Joaquim, sede da arquidiocese do Rio de Janeiro, onde foi eleito membro da comissão permanente responsável pela direção da entidade. Junto com ele, foram escolhidos dom Vicente Scherer, dom Mário de Miranda Vilas Boas e dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mora, indicado para a presidência.

Dom Antônio participou dos dois primeiros encontros dos bispos, e técnicos do Nordeste, realizados em 1957 e 1959 nas cidades de Campina Grande (PB) e Natal, respectivamente. Essas reuniões, num total de três, resultaram da política aplicada pelo governo de Juscelino Kubitschek, que propunha a mobilização conjunta dos esforços de vários órgãos da administração federal e do episcopado brasileiro para promover o desenvolvimento da região Nordeste. Das duas primeiras reuniões, resultou a assinatura de vários decretos presidenciais organizando grupos de trabalho encarregados de executar os planos aprovados, ligados especialmente à educação rural e ao fomento da produção agropecuária. Essa iniciativa esteve também na origem da formação da Operação Nordeste (Openo) e, em seguida, da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

A reunião de Campina Grande foi considerada, por várias razões, um marco na história das preocupações sociais da Igreja no Brasil, pois nela os bispos declararam sua solidariedade fundamental com as camadas mais pobres da população. Além disso, foi a primeira reunião organizada pela CNBB, que, a partir de então, afirmou-se progressivamente como porta-voz da hierarquia eclesiástica brasileira, formulando uma nova estratégia para aumentar a influência da Igreja através da elaboração de um conjunto de propostas econômicas desenvolvidas em colaboração com um grupo de jovens técnicos.

Em 23 de abril de 1960, dom Antônio foi transferido para a arquidiocese metropolitana de Niterói (RJ), que engloba dez municípios do estado do Rio de Janeiro. Seu lugar na capital pernambucana foi ocupado por dom Carlos Gouveia Coelho. Em 1976, por motivos de saúde, dom Antônio pediu ao Vaticano a designação de um bispo auxiliar, sendo atendido com a nomeação de dom José Gonçalves da Costa. Três anos depois, pelas mesmas razões, renunciou ao cargo — que passou a ser ocupado pelo antigo auxiliar — e foi residir com a família em Guaratinguetá (SP).

Membro das academias Mineira e Fluminense de Letras, do Instituto de Direito Social de São Paulo, dos institutos históricos de Pernambuco e Minas Gerais, além do Instituto Brasileiro de História da Medicina, foi doutor honoris causa da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Faleceu em Guaratinguetá no dia 12 de novembro de 1984.

Dom Antônio publicou, entre outras, as seguintes obras: Capital e trabalho (1928), Eloqüência dos tempos novos (1930), A doutrina de Freud (1942), Problemas atuais (1958), Evolução e espiritismo, No limiar do casamento, Ciência e e Civilização em crise. Foi colaborador assíduo da revista A Ordem, vinculada ao Centro Dom Vital.

Regina da Luz Moreira

 

FONTES: ALVES, M. Igreja; Anuário Católico; COELHO, J. Coisas; CONFERÊNCIA NAC. BISPOS DO BRASIL; COUTINHO, A. Brasil; ENCONTRO DOS BISPOS DO NE, 1; ENCONTRO DOS BISPOS DO NE, 2; GARDEL, L. Armoiries; Grande encic. Delta; Grande encic. portuguesa; Jornal do Brasil (13/11/84); MOURA, O. Idéias; OLIVEIRA, M. História; PAULA, H. Montes; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Veja (21/11/84).

 

 

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