MOSES, HERBERT

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Nome: MOSES, Herbert
Nome Completo: MOSES, HERBERT

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MOSES, HERBERT

MOSES, Herbert

*jornalista.

 

Herbert Moses nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, no dia 27 de julho de 1884, filho do austríaco Inácio Moses e da norte-americana Ida Moses.

Fez o curso primário no Colégio Americano Fluminense, o secundário no Externato Aquino e, em 1898, fundou com Pedro Berquó o jornal O Estudante. Em 1900 ingressou na Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, bacharelando-se em dezembro de 1905.

Depois de formado dedicou-se à advocacia, abrindo um escritório em 1906. No ano seguinte foi secretário da delegação brasileira à III Conferência Pan-Americana de Assuntos Jurídicos. Em 1911 participou, junto com Irineu Marinho e outros jornalistas, da fundação do jornal A Noite, mantendo-se ligado a esse periódico até 1925, quando sua propriedade foi transferida para Geraldo Rocha. Nesse mesmo ano, ainda ao lado de Irineu Marinho, participou da fundação do jornal O Globo. Tornou-se então diretor-tesoureiro do jornal, cargo que ocuparia até poucos anos antes de morrer.

Em maio de 1931 foi eleito presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Sucessivamente reeleito, permaneceria à frente da entidade por um período de 33 anos, marcando sua atuação, segundo Edmar Morel, pela luta incessante em prol da liberdade de imprensa e por protestos contra as violências praticadas contra jornais e jornalistas.

Apenas nove meses depois de sua posse na ABI, a entidade enfrentou o Governo Provisório de Getúlio Vargas, lançando um manifesto à nação em protesto contra o empastelamento do Diário Carioca realizado em 25 de fevereiro de 1932 por um grupo de militares do 1º Grupo de Cavalaria Divisionária. Herbert Moses ofereceu a sede da ABI ao Diário Carioca e manteve a diretoria da associação em sessão permanente, prestigiando a greve de todos os jornais do país, que deixaram de circular por um dia.

Em outubro de 1932 Moses manifestou sua solidariedade aos jornalistas Júlio de Mesquita Filho, Austregésilo de Ataíde, Cásper Líbero, Osvaldo Chateaubriand, Paulo Duarte, Vivaldo Coaraci e outros, deportados pelo Governo Provisório por terem participado da Revolução Constitucionalista de São Paulo, iniciada em julho e então esmagada. Nessa ocasião, foi um dos signatários de um manifesto pedindo a suspensão da Lei de Imprensa, mais conhecida por “Lei Infame”.

Preocupado em promover a organização administrativa da ABI, Moses deu início pouco depois a uma ampla campanha para construir uma nova sede, lançando mão de seus contatos pessoais com elementos ligados ao governo de Getúlio Vargas. Nesse sentido, obteve de Pedro Ernesto Batista, então prefeito do Distrito Federal, a doação do terreno no centro do Rio de Janeiro e, através de sua amizade com Osvaldo Aranha, conseguiu de Vargas em 1937 uma subvenção oficial para a construção do prédio.

Paralelamente às suas atividades administrativas à frente da ABI, Moses continuou empenhado na luta em defesa da liberdade de imprensa. Assim, em 1945, quando o jornal comunista Tribuna Popular foi empastelado pela polícia, Moses recebeu os funcionários do jornal feridos e os encaminhou ao hospital. A seguir, passou a exigir a liberdade dos jornalistas e gráficos presos por ocasião do empastelamento.

Durante o governo do general Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), Moses deu prosseguimento à construção da sede da ABI, obtendo um crédito especial do governo de dois milhões de cruzeiros. A partir daí, consolidou sua obra, fazendo da ABI uma sociedade cultural com biblioteca, auditório, galeria de arte, clínica médica e ambulatório, além de um clube com restaurante e sala de estar.

Com a eleição de Vargas para a presidência da República em 1950, Moses deu seu apoio ao novo governo. Em 1952, criou o Boletim da ABI, publicação que não só informava sobre as atividades da entidade como também denunciava os abusos do poder na esfera da imprensa. Profundamente abalado com o suicídio de Getúlio em 24 de agosto de 1954, Herbert Moses acompanhou a trasladação do corpo de Vargas do Catete ao aeroporto Santos Dumont e dedicou o nº 29 do Boletim à memória do presidente morto.

Em 1957 Herbert Moses recebeu o prêmio Maria Moors Cabot, concedido pela Universidade de Colúmbia, dos EUA, a jornalistas latino-americanos que se destacaram na luta em defesa da liberdade.

Em 1962 o presidente João Goulart convidou Moses para participar da sua comitiva na viagem que realizou aos EUA. Durante a viagem, Moses teve o primeiro infarto. Ao voltar ao Brasil, seus problemas de saúde se agravaram, levando-o a renunciar à presidência da ABI em agosto de 1964. Durante sua administração foi ainda criada a Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa, presidida pelo desembargador Elmano Cruz.

Herbert Moses foi também chefe de redação da Revista Moderna, membro do Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda e do conselho consultivo da Prefeitura do antigo Distrito Federal, presidente da Sociedade Brasileira das Nações Unidas, do Instituto Cultural Brasil-Israel e do conselho diretor da Cruz Vermelha Brasileira, diretor do Instituto dos Advogados Brasileiros e da Associação Comercial do Rio de Janeiro, consultor jurídico da Sousa Cruz e fundador do Abrigo Cristo Redentor e da Casa do Pequeno Jornaleiro.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 11 de maio de 1972.

Foi casado com Madalena Berquó Moses, com quem teve duas filhas.

Marieta de Morais Ferreira

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; Boletim da ABI (3 e 4/76); CORTÉS, C. Homens; COUTINHO, A. Brasil; Fluminense (11/5/78); Grande encic. Delta; HENRIQUES, A. Ascensão; Herbert; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; Jornal do Brasil (12/5/72); MIN. FAZ. Personalidades; REIS, A. Bibliografia bras.; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Who’s who in Brazil.

 

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