MOTA, JEOVA

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Nome: MOTA, Jeová
Nome Completo: MOTA, JEOVA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MOTA, JEOVÁ

MOTA, Jeová

*militar; mov. integralista; const. 1934; dep. fed. CE 1935-1937.

 

Jeová Mota nasceu em Maranguape (CE) no dia 12 de fevereiro de 1907, filho de Clodoaldo Mota e de Rita Machado Mota. Era sobrinho do escritor Capistrano de Abreu.

Ingressou no Colégio Militar do Ceará em 1919, aí permanecendo até 1924. Sentou praça em março do ano seguinte, na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Nesta escola, onde permaneceu por três anos, teve como instrutor o então tenente Humberto de Alencar Castelo Branco, mais tarde presidente da República (1964-1967). Em janeiro de 1928, foi declarado aspirante-a-oficial. Neste mesmo dia, o Ministério da Guerra anunciou que não mandaria nenhum dos infantes para o Norte do país, o que frustrou suas expectativas de voltar ao seu estado natal. Foi servir, então, no 11º Regimento de Infantaria em São João del Rey (MG), cidade onde conheceria a sua futura esposa.

Pouco depois, contudo, em fevereiro de 1929, voltou ao Ceará para servir no 23º Batalhão de Caçadores. Em agosto deste ano, foi promovido a segundo-tenente e em agosto de 30 a primeiro-tenente. Nessa sua estada no seu estado natal, conheceu o então tenente Severino Sombra e o padre Hélder Câmara.

Partidário do movimento revolucionário que derrubou o presidente Washington Luís e levou Getúlio Vargas ao poder, no dia 3 de outubro de 1930 encontrava-se detido num quartel em Recife cumprindo pena de 30 dias sob a acusação de conspiração, quando eclodiu a revolução. Dois dias depois, conseguiu fugir e tomar parte das ações dos rebeldes.

Após a Revolução de 1930, participou da criação, em 1931, da Legião Cearense do Trabalho, movimento trabalhista baseado em um programa nacional-socialista, que obteve apreciável penetração no proletariado. Nesse mesmo ano, tornou-se presidente do Tribunal Legionário, órgão encarregado de tentar soluções amigáveis nos conflitos entre patrões e empregados.

Em 1932, juntamente com Hélder Câmara e Severino Sombra, iniciou correspondência com Plínio Salgado, tendo ficado acordado um encontro para o estudo das bases de um movimento a ser lançado em todo o país. Em julho do mesmo ano, após a eclosão da Revolução Constitucionalista, movimento de oposição a Vargas irrompido em São Paulo, Severino Sombra foi deportado para Lisboa por havê-la apoiado. Nesse episódio, Jeová Mota integrou um batalhão enviado pelo governo do Ceará para a Revolução Constitucionalista, tendo, inclusive, sido ferido durante a campanha. Na ausência de Sombra, Jeová assumiu, juntamente com Hélder Câmara, a responsabilidade de prosseguir as conversações com Plínio Salgado. Nascia, assim, a Ação Integralista Brasileira (AIB). Ao ser fundada a Ação Integralista Brasileira (AIB) em outubro seguinte, a Legião Cearense do Trabalho a ela se incorporou.

Em decorrência de seu ferimento na luta contra os revolucionários paulistas, foi promovido a capitão em fevereiro de 1933, quando cursava a Escola de Estado-Maior do Exército. No pleito de maio deste ano, elegeu-se deputado à Assembléia Nacional Constituinte por seu estado com o apoio da Liga Eleitoral Católica (LEC). Em agosto seguinte publicou no Correio do Ceará um ensaio sobre Plínio Salgado, chefe nacional da AIB, que chegaria ainda naquele mês a Fortaleza, iniciando sua primeira viagem de pregação integralista pelo Nordeste. Nesse período colaborou também no semanário integralista A Ofensiva. Assumindo o mandato em novembro de 1933, participou dos trabalhos constituintes. Em fevereiro do ano seguinte chefiou a delegação cearense ao I Congresso Integralista, realizado em Vitória. Com a promulgação da nova Carta (16/7/1934) e a eleição do presidente da República no dia seguinte, teve o mandato prorrogado até maio de 1935. Em abril desse último ano organizou o primeiro grupo profissional integralista, o dos bancários do Rio de Janeiro, cumprindo a resolução do I Congresso Integralista de organizar os sindicatos. Em maio de 1935 assumiu novo mandato de deputado federal, para o qual se elegera na legenda da LEC no pleito de outubro do ano anterior. Foi o primeiro deputado eleito dentro do movimento integralista.

Em junho de 1936 iniciou o primeiro curso de organização trabalhista, obrigatório para os líderes integralistas ligados àquelas questões. Em setembro seguinte tornou-se diretor do recém-criado Serviço Sindical Corporativo, cujo objetivo era propagar o unionismo, estruturar as organizações sindicais e defender sua autonomia. Em dezembro do mesmo ano, os integralistas organizaram uma convenção no Rio de Janeiro, contando com a presença de delegações da maioria dos estados, inclusive de trabalhadores rurais de São Paulo. Na ocasião foram elaborados o Manifesto de trabalhadores integralistas às uniões do Brasil e o Programa de Reivindicações Justas ao Governo, através dos quais exprimiam o compromisso de lutar pela autonomia das organizações trabalhistas, pela fixação de um salário mínimo, pela justiça social e pelas leis trabalhistas. Chefiou também o Departamento Nacional de Justiça, que integrava o Conselho Supremo da AIB.

No início de 1937 foi indicado por Plínio Salgado para assumir a chefia dos integralistas em São Paulo, o que levou ao esvaziamento da organização trabalhista que implantara no Rio de Janeiro. No entanto, no dia 7 de junho desse ano, redigiu uma carta à Câmara dos Deputados, na qual renunciava à AIB e a seu mandato parlamentar. Na carta, declarava que, apesar de nutrir respeito pela AIB, acreditava que esta jamais seria “um adequado instrumento de luta em prol da justiça social”, pois não comportava uma intensa atividade sindicalista operária. Além disso, discordava do ponto de vista de que a salvação do povo viria de fora, convicto de que viria do próprio povo. Sua atitude teve grande repercussão no Ceará, desencadeando conflitos na seção local da AIB e determinando a intervenção de Gustavo Barroso para apaziguar os ânimos. Com isso, foi acusado de haver-se tornado comunista.

Em setembro deste mesmo ano retornou a Recife, já reintegrado ao Exército, e designado para servir no 29º Batalhão de Caçadores. Permaneceu nesta cidade por apenas seis meses. Em março de 1938, regressou ao Rio de Janeiro, onde matriculou-se na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Em 1939, terminado este curso, foi destacado para servir no 1º Batalhão de Caçadores, sediado em Petrópolis (RJ). No ano seguinte deixou esta cidade, para tornar-se assistente do comando da Vila Militar. Em março de 1941 deixou a Vila Militar, ingressando na Escola de Estado-Maior, na Praia Vermelha, onde permaneceu até 1943.

Promovido a major em abril de 1943, Jeová Mota voltou para Fortaleza, onde serviu no quartel-general da 10ª Região Militar (10ª RM). Nesta ocasião, atuou intensamente na Liga da Defesa Nacional, instituição destinada a preparar moral e psicologicamente a população de todo o país para a guerra contra a Alemanha. No decorrer desta sua atuação, manteve um programa semanal na Ceará Rádio Clube.

De volta ao Rio em 1946, no ano seguinte foi designado para a Diretoria de Recrutamento, função privativa de oficial do Estado-Maior. Depois de servir em 1948 e 1949 em Mato Grosso, retornou no ano seguinte para o Rio de Janeiro, sendo destacado para o Centro de Aperfeiçoamento e Especialização. Aí permaneceu até 1954, ano em que foi promovido a coronel.

Em 1955 assumiu o comando do 18º Regimento de Infantaria, no Rio Grande do Sul, exercendo-o até o ano seguinte. Ainda em 1956 assumiu a Diretoria Geral do Ensino, cargo que desempenhou até passar, em março de 1962, para a reserva. Foi reformado no posto de general.

Desta data até 1975, Jeová Mota dedicou-se a intensas pesquisas, com vistas à publicação de um livro sobre a história do ensino no Exército, publicado em 1976, com o título Formação do oficial do Exército. Em 1980, Jeová Mota mudou-se para São João del Rei, permanecendo nesta cidade por quase toda a década de 1980. Durante sua estada nesta cidade mineira, ingressou no Instituto Histórico e Biográfico de São João del Rei tornando-se, posteriormente, seu presidente. Desempenhou esta função até 1987, quando retornou ao Rio de Janeiro.

Faleceu no Rio de Janeiro em fevereiro de 1992.

Era casado com Julieta Fernandes Mota, já falecida, com quem teve dois filhos.

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais (1); BROXSON, E. Plínio; CÂM. DEP. Deputados; Câm. Dep. seus componentes; Diário do Congresso Nacional; GIRÃO, R. Ceará; GODINHO, V. Constituintes; INF. José Mota; Jornal do Brasil (21/12/78); MELO, O. Marcha; MIN. GUERRA. Almanaque (1934); Ofensiva; Plínio; SILVA, H. 1938; TAVARES, J. Radicalização; TRINDADE, H. Integralismo.

 

 

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