MOURA, HASTINFILO DE

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Nome: MOURA, Hastínfilo de
Nome Completo: MOURA, HASTINFILO DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MOURA, HASTÍNFILO DE

MOURA, Hastínfilo de

*militar; comte. 2ª RM 1926-1930; gov. SP 1930.

 

Hastínfilo de Moura nasceu em Itapicuru-Mirim (MA) no dia 22 de dezembro de 1865, filho de João Ribeiro de Moura.

Fez seus primeiros estudos em São Luís, no Colégio da Imaculada Conceição e no Liceu Maranhense. Em 1885, assentou praça e viajou para o Rio de Janeiro, então capital do Império, ingressando na Escola Militar. Em 1888, foi promovido a alferes-aluno e desligado da Escola Militar pela reforma do ensino no Exército, sendo transferido para a Escola Superior de Guerra (ESG), criada naquele ano.

Cursava a ESG quando tomou parte, ainda como alferes-aluno, do movimento militar que instaurou a República. Juntamente com outros alunos, assinou (11/11/1889) um compromisso em que estes se declaravam dispostos a seguir o líder republicano Benjamim Constant, professor da escola, “até o terreno da resistência armada”. A Guarnição da ESG esteve à frente das unidades militares que se movimentaram no dia 15 de novembro.

Em 1890 foi promovido a segundo-tenente. Concluiu o curso de engenharia militar em 1892, e no mesmo ano foi colocado à disposição do Ministério da Viação para trabalhar como engenheiro na Estrada de Ferro Central do Brasil.

Em 1893, foi promovido a capitão e transferido para a fortaleza de Santa Cruz. Nesse mesmo ano, teve a oportunidade de participar de diversos combates contra as forças navais que se levantaram contra Floriano Peixoto na Revolta da Armada. Ao longo de um período de seis meses, as forças revoltosas procuraram, em diversas oportunidades e sem lograr êxito, romper a linha de fogo dos fortes legalistas e ganhar o alto-mar.

Em maio de 1894, Hastínfilo integrou-se à Comissão do Planalto Central do Brasil, do Ministério da Indústria e Obras Públicas, encarregada de escolher e demarcar o local para a construção da nova capital do país.

Em 1907, foi nomeado membro de uma comissão do Ministério da Guerra na Europa, onde permaneceu por dois anos e meio, sendo promovido a major nesse período (1908).

Regressando ao Brasil, assumiu o comando da fortaleza de São João no Rio de Janeiro. Em 1911, foi promovido a tenente-coronel e, em 1912, retornou à Europa na Comissão de Compras do Exército, passando a dirigir a seção desta comissão em Berlim, na Alemanha.

Regressando novamente da Europa em 1914, assumiu em 1915 o comando da fortaleza de Laje. Em 1916, foi nomeado chefe de gabinete do diretor de Material Bélico do Exército, sendo promovido a coronel em 1917. No ano seguinte, assumiu a direção do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, posto que ocupava quando foi nomeado (julho de 1919) chefe do Estado-Maior da Presidência da República, por ato do presidente Epitácio Pessoa. Nesta condição, participou da repressão ao movimento revolucionário de julho de 1922.

Ao fim do mandato de Epitácio Pessoa (novembro de 1922), promovido a general-de-brigada, assumiu o comando da 1ª Brigada de Artilharia. Em 1923, foi nomeado diretor do Material Bélico do Exército, participando ainda da Comissão de Promoções.

Promovido a general-de-divisão em 1926, Hastínfilo foi nomeado comandante da 2ª Região Militar, em São Paulo. Permaneceu neste posto até a eclosão da Revolução de 1930.

As primeiras notícias sobre o início da revolução chegaram a São Paulo no próprio dia 3 de outubro, e já no dia 5 o comandante da 2ª RM deslocou tropas para guarnecer as divisas com Minas Gerais e o Paraná, ameaçadas pelas forças revolucionárias.

No entanto, segundo o próprio Hastínfilo, a deposição de Washington Luís, com a instalação de uma junta governativa (24/10/1930), somada à adesão ao movimento do comandante da Força Pública de São Paulo (a maior força militar do estado), tiraram qualquer veleidade de reação do comandante da 2ª RM. Legalista e amigo de Júlio Prestes, presidente de São Paulo e eleito presidente da República mas impedido pela revolução, o general Hastínfilo foi chamado ao palácio e convidado a assumir o governo do estado. Recusando num primeiro momento, cedeu afinal com a condição de que Júlio Prestes e Heitor Penteado, vice-presidente do estado, firmassem um documento formalizando o apelo que lhe faziam. Assim, em 24 de outubro, assumiu a presidência de São Paulo depois de o presidente e todo o secretariado terem assinado o termo de renúncia.

Entretanto, segundo João Neves da Fontoura e Renato Jardim, o general Hastínfilo teria inicialmente recebido, no dia 24 de outubro, um telegrama em que a junta governativa transmitia-lhe a ordem de assumir o governo do estado, recusando-se inicialmente a fazê-lo por não se julgar qualificado para tanto.

Dirigindo-se então ao palácio do governo, ter-se-ia reunido com Júlio Prestes, Heitor Penteado e o comandante da Força Pública, Joviniano Brandão, comunicando aos presentes o teor do telegrama que recebera. Hastínfilo e Brandão teriam então decidido solucionar a questão, ordenando a deposição das armas na divisa do estado e o apoio às forças revolucionárias. Em seguida, assumiu o governo do estado.

Resolvida a questão, Heitor Penteado retirou-se livremente e Júlio Prestes, sob a proteção de Hastínfilo, asilou-se no consulado inglês.

O governo do general Hastínfilo durou apenas cinco dias, de 24 a 28 de outubro de 1930, durante os quais seu titular teve sérios problemas para a formação do secretariado, enfrentando pressões de membros do Partido Democrático de São Paulo que se consideravam os legítimos representantes da revolução no estado.

No dia 28 de outubro, o general Hastínfilo recebeu um telegrama da junta provisória, determinando que o governo fosse entregue a Francisco Morato e que partisse imediatamente para o Rio de Janeiro.

Já no Rio de Janeiro, Hastínfilo de Moura foi transferido para a reserva, a pedido seu, em 15 de novembro de 1930. A partir de então fixou residência no Rio, onde faleceu no dia 25 de junho de 1956.

A única obra que publicou foi Da Primeira à Segunda República (1936).

Robert Pechman

 

 

FONTES: ARAÚJO, A. Chefes; CONSULT. MAGALHÃES, B.; Encic. Mirador; FONTOURA, J. Memórias; Grande encic. Delta; JARDIM, R. Aventura; Jornal do Comércio, Rio (25 e 26/6/56); LEITE, A. História; NOGUEIRA FILHO, P. Ideais; SILVA, H. 1922.

 

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