NEIVA, ARTUR

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Nome: NEIVA, Artur
Nome Completo: NEIVA, ARTUR

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
NEIVA, ARTUR

NEIVA, Artur

*interv. BA 1931; const. 1934; dep. fed. BA 1935-1937.

 

Artur Neiva nasceu em Salvador no dia 22 de março de 1880, filho de João Augusto Neiva e de Ana Adelaide de Paço Neiva.

Na capital baiana, fez os primeiros estudos no Colégio São Salvador e freqüentou a Faculdade de Medicina até o segundo ano. Transferiu-se em seguida para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde concluiu o curso de medicina em 1903.

Discípulo de Osvaldo Cruz, em 1906 passou a trabalhar no Instituto Soroterápico, no Rio, dirigido por esse cientista. O estabelecimento recebeu em 1907 a denominação de Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos, modificada em 1908 para Instituto Osvaldo Cruz. Por essa época, Artur Neiva chefiou trabalhos de profilaxia da malária. Em 1910 foi enviado a Washington, por indicação de Osvaldo Cruz, a fim de aprofundar pesquisas no campo da entomologia. Em 1912, em companhia de Belisário Pena, percorreu vários estados brasileiros, desenvolvendo investigações das quais resultou, mais tarde, o relatório Viagem científica pelo norte da Bahia, sudoeste de Pernambuco, sul do Piauí e norte e sul de Goiás (1916).

Com a tese intitulada Revisão do gênero Triatoma, relativa a um dos gêneros de barbeiro — o inseto transmissor da doença de Chagas —, tornou-se livre-docente da cadeira de história natural e parasitologia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em abril de 1914. Nesse mesmo ano fundou em Pelotas (RS) uma filial, do Instituto Osvaldo Cruz. Em 1915 e 1916, contratado pelo governo argentino, instalou e dirigiu em Buenos Aires as seções de zoologia e parasitologia do Instituto Bacteriológico do Departamento de Higiene. De 1916 a 1918 dirigiu e organizou o Serviço Sanitário de São Paulo, tendo montado 41 hospitais na capital e 119 no interior. Também durante esse período, elaborou o primeiro código sanitário do país, base de outros que se fizeram mais tarde no Brasil e no exterior.

Nomeado chefe de serviço do Instituto Osvaldo Cruz em 1919, no ano seguinte foi encarregado de estudar as organizações sanitárias no Japão e nos Estados Unidos e a profilaxia da lepra na Noruega, nas Filipinas e no Havaí. No Japão, a convite de uma instituição desse país, proferiu conferências sobre o desenvolvimento da medicina e da higiene no Brasil.

Em janeiro de 1923 foi nomeado diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro, do qual era membro correspondente desde 1917. Enquanto ocupava esse cargo, chefiou em São Paulo (1924-1925) a comissão encarregada de estudar e combater a broca-do-café, praga que atacara as plantações cafeeiras. Em 1927 demitiu-se da direção do Museu Nacional e em 1928 foi contratado pelo governo paulista como diretor-superintendente do recém-fundado Instituto Biológico do estado, preparando-o para o estudo das doenças parasitárias e das infecções nos animais domésticos.

Com a vitória da Revolução de 1930, que depôs o presidente Washington Luís, Getúlio Vargas foi conduzido à chefia do Governo Provisório, tendo nomeado para a interventoria de São Paulo o capitão João Alberto Lins de Barros. Em dezembro desse ano, o interventor paulista convidou Artur Neiva para assumir a Secretaria do Interior do estado. Em 12 de fevereiro de 1931, quando ainda acumulava esse cargo com o de diretor do Instituto Biológico, Neiva recebeu de Vargas, por indicação de João Alberto, a nomeação para o cargo de interventor federal na Bahia, em substituição a Leopoldo Amaral.

Durante seu curto período de governo, iniciado em 18 de fevereiro, desenvolveu em seu estado natal os serviços sanitários, combatendo a malária e atuando na profilaxia de várias doenças. Criou também o Instituto do Cacau da Bahia e adotou medidas administrativas em favor da lavoura cacaueira. A proposta de renovação política da Revolução de 1930 encontrou na Bahia forte oposição da oligarquia local, reforçada pelo coronelismo interiorano. Tais circunstâncias exigiam da interventoria grande habilidade na condução da política estadual e no relacionamento desta com o poder central. Pouco afeito à atividade política, Artur Neiva fracassou no estabelecimento da harmonia desejada. No dia 24 de agosto de 1931 deixou a interventoria, sendo substituído por Juraci Magalhães.

Retomou então suas atividades científicas. Em janeiro de 1933 foi nomeado diretor-geral de pesquisas científicas do Ministério da Agricultura, tendo organizado por essa época o Instituto Tecnológico, o Instituto de Biologia Animal e o Instituto de Biologia Vegetal do ministério.

Diretor do jornal carioca A Nação, órgão oficioso do tenentismo fundado em 1933, em maio desse ano elegeu-se deputado à Assembléia Nacional Constituinte na legenda do Partido Social Democrático (PSD) da Bahia. Na Constituinte, destacou-se pela oposição à imigração japonesa para o Brasil e ocupou-se do problema da colonização e exploração do Amazonas. Em 1934, na mesma legenda, elegeu-se deputado federal, tendo exercido o mandato de 1935 a novembro de 1937 quando foi implantado o Estado Novo. Mais tarde, fez parte do conselho consultivo da Coordenação da Mobilização Econômica, organismo criado em setembro de 1942 para orientar a economia de guerra.

Cientista internacionalmente conhecido, ao longo de sua carreira Artur Neiva foi o precursor, no Brasil, das medidas preventivas contra a sífilis. Foi também uma das maiores autoridades em malária no país e grande estudioso do barbeiro, tendo identificado a primeira espécie conhecida desse inseto.

Foi membro da Entomological Society de Washington, da Academia Brasileira de Ciências, da Sociedade de Entomologia e da Sociedade Biológica, ambas da Argentina, além de membro-honorário da Academia Nacional de Medicina e da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Pertenceu ainda ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.

Além de ter dirigido A Nação, colaborou também com O Estado de S. Paulo entre 1920 e 1921, com o jornal argentino El Tiempo, de Buenos Aires, e com a Revista do Brasil, dirigida por Monteiro Lobato. Foi ainda co-fundador de duas revistas especializadas: Ciência Médica e Boletim Biológico.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 6 de junho de 1943.

Era casado com Justina Hehl Neiva. Seu filho, o engenheiro mecânico-eletricista Artur Hehl Neiva, entre outras atribuições, foi membro do Conselho de Imigração e Colonização (1938-1947) e secretário-geral da Fundação Brasil Central e por várias vezes seu presidente em exercício (1944-1948).

Artur Neiva deixou cerca de 180 textos científicos, elaborados em sua maior parte no Instituto Osvaldo Cruz, onde foi professor. Colaborou ainda em diversas publicações especializadas no Brasil e no exterior.

O arquivo de Artur Neiva e o do seu filho encontram-se depositados no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getulio Vargas.

Amélia Coutinho

 

 

FONTES: ARAÚJO, A. Chefes; ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais; Boletim Min. Trab.; CÂM. DEP. Deputados; Câm. Dep. seus componentes; CARVALHO, A. Vultos; CORRESP. GOV. EST. BA; Diário do Congresso Nacional; Encic. Barsa; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; GODINHO, V. Constituintes; JARDIM, R. Aventura; LEITE, A. História; LEVINE, R. Vargas; MELO, A. Cartilha; PEIXOTO, A. Getúlio; POPPINO, R. Federal; SILVA, H. 1931; SILVA, H. 1934; VELHO SOBRINHO, J. Dic.; Who’s who in Latin.

 

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