NEIVA, JOSE MARIA

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Nome: NEIVA, José Maria
Nome Completo: NEIVA, JOSE MARIA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
NEIVA, JOSÉ MARIA

NEIVA, José Maria

*militar; ch. EMA 1945-1946.

 

José Maria Neiva nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, no dia 19 de março de 1883, filho do general-de-brigada João Soares Neiva e de Margarida Aguirre de Neiva.

Assentou praça em 1899 e foi promovido a guarda-marinha em janeiro de 1903. Em agosto de 1903 foi destacado para o navio-escola Benjamim Constant, saindo em viagem de instrução, e em março de 1904 passou para o cruzador República. Atuou no combate à Revolta da Vacina, irrompida em novembro de 1904 na Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, sob a inspiração de políticos de oposição ao presidente Francisco de Paula Rodrigues Alves (1902-1906) e em protesto contra a vacinação obrigatória decretada pelo governo.

Em 1905 foi promovido a segundo-tenente e designado em junho para a Divisão Naval do Norte, chegando a Belém no mês seguinte. Apresentou-se ao cruzador-torpedeiro Tupi, passando na mesma data para o caça-torpedeiro Gustavo Sampaio. Em seguida, após licença de dois meses, apresentou-se no cruzador Tiradentes em janeiro de 1906. Em janeiro de 1907 foi promovido a primeiro-tenente e designado para o cruzador-torpedeiro Tupi. Adido ao Estado-Maior da Armada (EMA) em junho de 1907 foi desligado no mês seguinte, com licença para viagem de aperfeiçoamento e estudos na Europa. Em janeiro de 1909 foi servir no navio-escola Benjamim Constant e em setembro, por ordem do almirante-chefe da Comissão Naval na Europa, passou para o cruzador Barroso. Em janeiro de 1910 foi transferido para o encouraçado Minas Gerais. De volta ao Brasil em maio de 1910, serviu no cruzador Tamandaré e matriculou-se em agosto na Escola de Artilharia.

Atuou no combate à Revolta dos Marinheiros — Revolta da Chibata —, promovida por marujos que tomaram alguns navios da Armada em novembro de 1910 em protesto contra castigos corporais e reivindicando melhoria de vencimentos. O movimento foi seguido, dias depois, por uma revolta no Batalhão Naval, tendo sido ambos reprimidos com severidade.

Em janeiro de 1911 José Maria Neiva foi desligado da Escola de Artilharia e transferido para o navio-escola Benjamim Constant. De abril a novembro de 1912 serviu na Escola Naval e neste último mês foi nomeado auxiliar da Comissão Naval do Brasil na Europa.

Promovido a capitão-tenente em maio de 1913 foi desligado da comissão em janeiro de 1914 chegando ao Brasil em março. Em junho desse mesmo ano foi designado assistente do comando da 3ª Divisão Naval, função que exerceu até janeiro de 1915. No mês seguinte foi nomeado assistente do comando da 2ª Divisão Naval. Com a dissolução dessa divisão em junho de 1916, foi exonerado do cargo no mês seguinte e nomeado assistente do comando da 1ª Divisão Naval. Em julho de 1917, igualmente por força da dissolução dessa divisão, foi exonerado do cargo de assistente do comando e nomeado assistente do comando da Divisão Naval do Centro.

Nomeado assistente do contra-almirante Francisco de Matos em dezembro de 1917 acompanhou as operações de guerra das marinhas aliadas contra a Alemanha, durante a Primeira Guerra Mundial. Superintendeu os serviços navais do Brasil na Europa e visitou a frente de batalha na Bélgica, a convite do chefe da esquadra francesa no Mediterrâneo. Retornou ao Brasil em setembro de 1918, sendo dispensado do cargo em novembro seguinte.

Em fevereiro de 1919 foi nomeado assistente da Inspetoria de Portos e Costas e no mês seguinte foi designado para servir como secretário da comissão encarregada de rever o regulamento das capitanias. Em julho foi dispensado dessa função e exonerado, a pedido, do cargo de assistente da Inspetoria de Portos e Costas. Nesse mesmo mês foi nomeado ajudante-de-ordens do presidente da República, Epitácio Pessoa (1919-1922).

Participou, em julho de 1922, da repressão à revolta do forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, episódio ligado ao movimento de protesto contra a eleição de Artur Bernardes à presidência da República e às punições impostas pelo governo de Epitácio Pessoa aos militares: o fechamento do Clube Militar e a prisão do marechal Hermes da Fonseca.

De dezembro de 1922 a fevereiro de 1923 serviu como imediato do contratorpedeiro Mato Grosso. Em março do mesmo ano matriculou-se na Escola Naval de Guerra, e, concluindo o curso em setembro, em novembro seguinte assumiu a função de ajudante do Departamento de Estratégia da escola.

Em novembro de 1924 foi nomeado encarregado de navegação do encouraçado Minas Gerais e atuou contra o Levante do Encouraçado São Paulo, movimento deflagrado naquele mês por oficiais da Marinha liderados pelo tenente Herculino Cascardo, em apoio aos revoltosos de 1922 e 1924. Os revoltosos deslocaram-se com a belonave para Montevidéu, de onde foram juntar-se aos rebeldes que haviam sublevado guarnições militares no Rio Grande do Sul em outubro de 1924. Com a vitória das forças legalistas, José Maria Neiva retornou ao Rio de Janeiro ainda em novembro e no mês seguinte foi exonerado de suas funções para servir em comissão no ensino na Escola de Guerra Naval onde exerceu a função de ajudante do Departamento de Estratégia. Ainda nesse mês foi promovido a capitão-de-corveta.

Em abril de 1926 viajou à Europa para fazer curso de aperfeiçoamento, sendo nomeado, em março de 1927, adido naval junto à embaixada do Brasil em Londres, substituindo o capitão-de-corveta Roberto Guedes de Carvalho. Em fevereiro de 1929 foi designado para representar a Diretoria de Navegação na Conferência Internacional de Faróis, realizada em julho na capital inglesa, e em agosto foi substituído na embaixada do Brasil em Londres pelo capitão-de-corveta Clodoaldo Celestino Gomes. Obtendo licença para estudos na Europa, só retornou ao Brasil em março de 1930, quando, substituindo o capitão-de-corveta Roberto Guedes de Carvalho, foi nomeado comandante do contratorpedeiro Sergipe. Permaneceu nesse posto até dezembro seguinte, sendo substituído pelo capitão-de-corveta Marcelo Jorge Filho.

Em janeiro de 1931 foi designado para servir no EMA como chefe da primeira seção da Divisão de Planos de Guerra, da qual foi desligado no mês seguinte. Foi então designado auxiliar de ensino da Escola de Guerra Naval. Promovido em julho de 1932 a capitão-de-fragata, foi desligado da Escola de Guerra Naval em novembro de 1933 e assumiu as funções de segundo-comandante do encouraçado Minas Gerais.

Em agosto de 1934 foi nomeado capitão dos portos do estado de São Paulo, assumindo concomitantemente as funções de delegado da Delegacia do Trabalho Marítimo do Porto de Santos, as quais exerceu até setembro de 1935. No mês seguinte foi nomeado comandante do cruzador Bahia e exonerado da função em dezembro de 1936, passando o comando ao capitão-de-fragata Oscar Pereira de Sousa e Almeida. Também nesse mês, foi promovido a capitão-de-mar-e-guerra.

Voltando a servir no EMA, assumiu em janeiro de 1937 a função de chefe da Divisão de Operações e no mês seguinte, interinamente, a subchefia desse Estado-Maior, que exerceu até março. De janeiro a março de 1938 fez parte da comissão mista para elaborar o Estatuto dos Militares, tendo dirigido a Casa do Marinheiro de fevereiro a março, da qual foi desligado posteriormente por ter sido nomeado chefe da Comissão Naval na Europa. Em março de 1940 retornou ao Brasil, embora tenha permanecido vinculado àquela comissão até maio, quando passou a chefe do Estado-Maior da Esquadra, cargo que ocuparia até setembro do ano seguinte, em substituição ao capitão-de-fragata Adalberto Lara de Almeida. Em janeiro de 1941 matriculou-se no curso de alto comando da Escola de Guerra Naval.

Ainda em outubro de 1941, assumiu a chefia da Divisão de Operações do EMA, substituindo o capitão-de-mar-e-guerra Adalberto Lara de Almeida, e a subchefia interina do EMA, passando a chefia da Divisão de Operações ao capitão-de-fragata Augusto Pereira. Efetivado na subchefia em novembro, no mês seguinte, concluindo o curso de alto comando, foi promovido a contra-almirante, tornando-se ainda membro consultivo do Conselho do Almirantado Brasileiro. Em maio de 1942 foi substituído na subchefia do EMA pelo capitão-de-mar-e-guerra Joaquim Pinto de Oliveira.

Em junho de 1942 foi nomeado comandante naval de Pernambuco. Com a extinção deste comando no mês de agosto seguinte, foi criado o Comando Naval do Nordeste, o qual assumiu em setembro do mesmo ano. Durante sua permanência nesse posto, o litoral nordestino foi alvo de ataques de submarinos alemães envolvidos na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), tanto que, em março de 1943, o setor sujeito ao Comando Naval do Nordeste foi considerado Zona de Operação de Guerra. Em março de 1944, foi exonerado do Comando Naval do Nordeste, sendo substituído pelo capitão-de-mar-e-guerra Oscar Barbosa Lima. No mês seguinte assumiu o Comando Naval do Centro, recebendo-o do contra-almirante Amaral de Oliveira Teixeira.

Em setembro de 1944 foi nomeado membro da Comissão Militar Mista Brasil-Estados Unidos (Comissão Mista Brasil-Estados Unidos de Oficiais de Estado-Maior), como representante da Marinha. Essa comissão fora criada em julho de 1941 para regular a participação das forças militares dos dois países na defesa continental. Em janeiro de 1945 assumiu sua presidência, exercida até então pelo general-de-divisão Cristóvão de Castro Barcelos e, ainda nesse mês, transmitiu o cargo ao general-de-brigada Olavo Fiúza de Castro. Também em janeiro deixou o Comando Naval do Centro, sendo substituído pelo contra-almirante Jorge Dodsworth Martins.

Em fevereiro de 1945 assumiu o cargo de diretor-geral do Pessoal da Marinha, que lhe foi transmitido pelo capitão-de-mar-e-guerra Raul Lobato. Em maio reassumiu a presidência da Comissão Militar Mista Brasil-Estados Unidos, e no mês seguinte foi designado interinamente diretor-geral da Marinha Mercante, em substituição ao vice-almirante Mário de Oliveira Sampaio. Ainda em junho deixou a presidência da Comissão Militar Mista, continuando porém como representante da Marinha na mesma. Em agosto foi exonerado dos cargos de diretor-geral de Pessoal da Marinha, de representante da Marinha na Comissão Militar Mista e de diretor-geral da Marinha Mercante transmitindo ainda o cargo de presidente do Tribunal Marítimo ao vice-almirante Jorge Dodsworth Martins.

Um dia depois da queda do Estado Novo (1937-1945) em 29 de outubro de 1945, foi promovido a vice-almirante, sendo nomeado chefe do EMA em novembro seguinte, para substituir o vice-almirante Américo Vieira de Melo (1941-1945). Como tal, passou a integrar o Conselho de Segurança Nacional, a Comissão de Coordenação das Forças Armadas — da qual foi vice-presidente — e a Comissão de Estudos da Segurança Nacional, as duas últimas pertencentes ao conselho. Em abril de 1946 foi nomeado membro da comissão responsável pela reorganização do Conselho de Segurança Nacional e pela criação do Estado-Maior Geral das Forças Armadas, integrada ainda pelos chefes de Estado-Maior do Exército, da Aeronáutica e do Gabinete Militar da Presidência da República. Foi ministro interino da Marinha substituindo o vice-almirante Jorge Dodsworth Martins, de maio a junho de 1946. Neste último mês foi exonerado do comando do EMA, por haver solicitado transferência para a reserva remunerada, sendo substituído pelo vice-almirante Sílvio Noronha.

Em agosto de 1947 foi nomeado assessor técnico da delegação do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU), exercendo essa função até setembro de 1949. Em outubro foi promovido a almirante-de-esquadra, na reserva remunerada, e em novembro retornou ao Brasil. Promovido a almirante em fevereiro de 1952, foi reformado nesta patente em outubro desse mesmo ano, por ter atingido a idade-limite para permanência na reserva remunerada. Foi ainda diretor-geral da Armada, membro do conselho da Ordem do Mérito Naval e do conselho do Mérito de Guerra.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 2 de novembro de 1962.

Era casado com Maria Mercedes Carneiro Leão Neiva.

 

 

FONTES: CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORRESP. SERV. DOC. GER. MAR.; Encic. Mirador; FICHÁRIO PESQ. M. AMORIM; MIN. MAR. Almanaque (1946); SERV. DOC. GER. MARINHA; SILVA, H. 1942.

 

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