NELSON FREIRE LAVENERE WANDERLEY

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: WANDERLEY, Nélson Lavenère
Nome Completo: NELSON FREIRE LAVENERE WANDERLEY

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
WANDERLEY, NÉLSON LAVENÈRE

WANDERLEY, Nélson Lavenère

*militar; comte. I ZA 1956; comte. IV ZA 1961; comte. V ZA 1964; min. Aer. 1964; ch. EMFA 1966-1968.

 

Nélson Freire Lavenère Wanderley nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 27 de outubro de 1909, filho do oficial de Exército Alberto Lavenère Wanderley, que chegou a general-de-divisão, e de Laurentina Freire Wanderley. Seu pai, nomeado em 1929 comandante da 7ª Região Militar, sediada em Recife, veio a morrer combatendo a Revolução de 1930 na capital da Paraíba, para onde sua unidade havia sido transferida.

Depois de cursar o Colégio Militar do Rio de Janeiro, ingressou em 1927 na Escola Militar do Realengo, também na capital federal, sendo declarado aspirante-a-oficial da arma de aviação em janeiro de 1930. Ainda como aspirante-a-oficial tirou o curso de aspirante-aviador da Escola de Aviação Militar no Rio de Janeiro, sendo promovido a segundo-tenente em julho de 1930 e a primeiro-tenente em agosto do ano seguinte. Como tenente, desempenhou na Escola de Aviação Militar as funções de instrutor e de comandante da Esquadrilha de Treinamento do Grupo Misto de Aviação.

Em junho de 1933 foi promovido a capitão, tendo sido pouco antes enviado em comissão aos Estados Unidos, sendo o primeiro oficial brasileiro a fazer o curso de formação de aviadores militares do Exército norte-arnericano no Air Corp Training Center, em San Antonio, no Texas (EUA), que abrangia as bases de Randolph Field e Kelly Field.

De volta ao Brasil, em 1935, passou a servir na Escola de Aviação Militar como comandante da Esquadrilha de Aviação e instrutor-chefe de aviação, onde permaneceu até 1937. De 1938 a 1940 cursou a Escola de Estado-Maior do Exército (ECEME), sendo promovido a major em maio deste último ano.

Em janeiro de 1941, ao ser criado o Ministério da Aeronáutica, foi transferido para esse novo ramo das forças armadas e escolhido para integrar o gabinete técnico do primeiro titular da pasta, Joaquim Pedro Salgado Filho, ficando esse órgão encarregado de elaborar a organização inicial do Ministério da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira (FAB). De 1942 a 1943 exerceu a função de chefe de ensino da Escola de Aeronáutica, alcançando em dezembro deste último ano o posto de tenente-coronel-aviador.

Ainda em dezembro de 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, seguiu para a região do Mediterrâneo no grupo inicial de oficiais que, acompanhando o general João Batista Mascarenhas de Morais, foi tomar contato com as operações de guerra e com as condições em que teria de operar a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Permaneceu no teatro de operações até março de 1945, tendo desempenhado as funções de oficial de ligação da FAB junto ao estado-maior das forças aéreas aliadas do Mediterrâneo. Após a chegada do primeiro grupo de caça brasileiro na Itália, realizou 13 missões de guerra, como piloto, em aviões de caça do tipo P-47 Thunderbolt. Ainda no Mediterrâneo fez cursos da Fighter Controllers Training School da força aérea britânica, no Egito. Ao longo de 1944 cumpriu outras missões relacionadas ao treinamento de pilotos, apresentando-se em agosto ao quartel-general da força aérea aliada no Mediterrâneo. Em outubro seguinte, com a chegada do grupo de caça à Itália, foi classificado como oficial-de-ligação no Estado-Maior do Comando Aéreo Tático. O grupo iniciou operações logo a seguir, integrando as esquadrilhas americanas, tendo Wanderley realizado 13 missões de guerra até fevereiro de 1945, sendo então foi substituído pelo major-aviador Dionísio Cerqueira de Taunay.

Regressando ao Brasil em 1945, serviu durante três anos em São Paulo, onde exerceu as funções de comandante do 2º Regimento de Aviação, sediado na base aérea de Cumbica, e do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) da Aeronáutica. Em 1947, passou a atuar ainda como diretor de ensino do curso de tática aérea (CTA). Promovido a coronel-aviador, em novembro de 1948, ainda nesse ano voltou ao Rio de Janeiro para assumir a chefia de ensino da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronaútica (Ecemar), permanecendo no cargo até 1948. Em 1950, retornou ao Correio Aéreo como piloto. No ano seguinte desligou-se da Ecemar, tendo passado a integrar a delegação brasileira à IV Reunião de Consulta de Ministros das Relações Exteriores, realizada em Washington durante a crise resultante da Guerra da Coréia.

Ainda em 1951 foi designado comandante do Comando de Transporte Aéreo (Comta), na fase inicial de sua estruturação, tendo exercido essa função até o início de 1953, quando foi nomeado adido aeronáutico junto à embaixada do Brasil em Buenos Aires cumulativamente com a de Montevidéu. Novamente no Rio de Janeiro, tornou-se segundo-subchefe do Estado-Maior da Aeronáutica (Emaer), sendo promovido a brigadeiro-do-ar em março de 1956. Em abril seguinte assumiu o comando da I Zona Aérea (I ZA), com sede em Belém.

Nomeado para a Escola Superior de Guerra (ESG), passou o comando da I ZA, em fevereiro de 1957. Ao cursar a ESG, no Rio de Janeiro, desempenhou cumulativamente as funções de diretor do curso de comando e estado-maior das forças armadas (CEMCFA).

Em 1958 assumiu as funções de primeiro-subchefe do Emaer, tendo, entre outras atividades, elaborado a Doutrina básica da Força Aérea Brasileira. Em março de 1960 assumiu o comando da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (Ecemar), sendo promovido a major-brigadeiro em setembro de 1960. Em 1961, já no governo de Jânio Quadros (janeiro a agosto de 1961), comandou a IV ZA, sediada em São Paulo. Em agosto de 1962, assumiu, no Rio de Janeiro, a chefia do Núcleo de Comando da Zona de Defesa Norte, subordinado ao Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA).

Participou das articulações que conduziram ao movimento político-militar de 31 de março de 1964, responsável pela queda do presidente João Goulart (1961-1964). No dia 4 de abril, logo após a vitória do movimento, assumiu o comando da V ZA, com sede em Porto Alegre, substituindo o brigadeiro Otelo da Rocha Ferraz. No exercício desse cargo teve um desentendimento com um oficial simpático ao governo deposto, o tenente-coronel Alfeu Monteiro, que revidou, disparando contra ele cinco tiros. Em defesa do comandante, oficiais e sargentos alvejaram o tenente-coronel Monteiro, que veio a falecer. Wanderley saiu ferido do tiroteio, um dos raros ocorridos em todo o movimento de 1964.

 

Ministro da Aeronáutica

Durante o governo do marechal Humberto Castelo Branco (1964-1967), foi nomeado para ocupar o cargo de ministro da Aeronáutica que assumiu em 20 de abril de 1964, em substituição ao tenente brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo. Transmitiu o comando da V ZA ao brigadeiro Doorgal Borges, no dia 30 desse mês. No dia 10 de dezembro do mesmo ano, Castelo Branco reuniu-se com os ministros da Marinha e da Aeronáutica para discutir o incidente com o helicóptero da Marinha que fora metralhado cinco dias antes em Tramandaí (RS) por ordem dos oficiais da Aeronáutica.

A disputa entre a Aeronáutica e a Marinha pela aviação embarcada vinha desde fins de 1956, quando o presidente da República, Juscelino Kubitschek (1956-1961), autorizou a compra do porta-aviões Minas Gerais. O fato causara grave crise entre as duas forças, pois a Marinha, apesar dos fortes protestos da Aeronáutica, reivindicava o controle da aviação embarcada no porta-aviões. Por não aceitar resolver o assunto por ato exclusivamente do Executivo, e sim por lei, o ministro Wanderley apresentou ao presidente seu pedido de exoneração, que lhe foi concedida no dia 14 de dezembro de 1964. No dia seguinte assumiu o ministério o major-brigadeiro Márcio de Sousa e Melo.

No entanto, as discordâncias entre a Marinha e a Aeronáutica não se resolveram, e poucos admitiam a conciliação. Com isso, ao saber que Castelo Branco se inclinava a entregar à Marinha os seus helicópteros — que em agosto haviam sido localizados no convés do porta-aviões Minas Gerais, por ocasião das manobras da Operação Unitas —, o ministro Sousa e Melo transmitiu ao presidente sua insatisfação, bem como a de seus auxiliares mais diretos, como o chefe do Emaer, o major-brigadeiro Gabriel Grün Moss. Sousa e Melo acabou pedindo sua exoneração do cargo no dia 7 dia janeiro de 1965. Quatro dias depois foi empossado no ministério o marechal-do-ar Eduardo Gomes. Enquanto a crise arrefecia na Aeronáutica, era reaberta na Marinha. Julgando impossível convencer a oficialidade de que a ela seria vedada “a posse e o emprego de meios aéreos próprios para operações no mar”, o ministro da Marinha Ernesto Melo Batista pediu exoneração, sendo substituído no dia 15 de janeiro pelo almirante Paulo Bosísio.

No dia 26 desse mês, Castelo Branco assinou o Decreto nº 55.627, que estabelecia normas relativas ao emprego de meios aéreos para as operações navais. Segundo as disposições do decreto, a Marinha entregaria à FAB todos os aviões em seu poder, ao passo que esta cederia seus helicópteros anti-submarinos à Marinha. A crise só ficaria sanada em maio de 1965, quando Castelo Branco sancionou lei determinando que caberia à Aeronáutica o provimento de pessoal para a aviação embarcada.

Em janeiro de 1965, Wanderley foi nomeado diretor do Departamento de Aviação Civil (DAC), sendo promovido a tenente-brigadeiro-do-ar em junho do mesmo ano. De abril de 1966 a abril de 1968 foi o primeiro brigadeiro a chefiar em caráter efetivo o EMFA desde a criação do órgão, em 1946. Em sua gestão o EMFA participou do estudo de reestruturação dos ministérios militares e teve suas atribuições ampliadas; estudava-se, ainda, a possibilidade de criação de um ministério da defesa e o conceito de segurança nacional foi incluído na nova Constituição. Em fevereiro de 1967, como subchefe da delegação brasileira, participou da XI Reunião de Consulta das Relações Exteriores e da III Conferência Interamericana Extraordinária.

 Assumiu em seguida a assessoria militar da missão do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque. Em 1969 deixou este cargo e, com 42 anos de serviço militar efetivo, foi transferido para a reserva remunerada.

Foi ainda membro e segundo-vice-presidente do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, membro do Instituto Histórico e Geográfico do estado da Guanabara e da Royal Aeronautical Society, membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e presidente da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG), entre outros.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 30 de agosto de 1985. Foi proclamado patrono do Correio Aéreo Nacional em 12 de junho de 1986.

Era casado com Sofia Helena Dodsworth Wanderley, com quem teve sete filhos.

Publicou, entre outras obras, Curso de navegação aérea (1940), A Força Aérea Brasileira na campanha da Itália (1945), Aviação de caça (1946), História da Força Aérea Brasileira (1967, 2ª ed. 1975) e Estratégia militar e desarmamento (1970).

 

FONTES: BRAYNER, F. Verdade; CACHAPUZ, P. Cronologia; CARNEIRO, G. História; CORRESP. ESTADO-MAIOR DAS FORÇAS ARMADAS; CORRESP. V COMDO. AÉREO REGIONAL; CURRIC. BIOG.; Encic. Mirador; Globo (31/8/85); Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (1/9/85); MIN. AER. Almanaque; SOUSA, J. Ministros; VIANA FILHO, L. Governo; WANDERLEY, N. História.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados