NELTON MIGUEL FRIEDRICH

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Nome: FRIEDRICH, Nelton
Nome Completo: NELTON MIGUEL FRIEDRICH

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FRIEDRICH, NÉLTON

FRIEDRICH, Nélton

*dep. fed. PR 1983, 1986-1991; const. 1987-1988.

Nélton Miguel Friedrich nasceu em Sobradinho (RS) no dia 29 de setembro de 1947, filho de Carlos Friedrich e Helma Hilga Friedrich.

Chegou ao Paraná em 1964, acompanhando a família que, como milhares de gaúchos, então migrava para o oeste paranaense. Formou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Católica do Paraná em 1972.

Filiado desde 1973 ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instalado no país em abril de 1964, elegeu-se deputado estadual em novembro de 1978, sendo empossado em fevereiro seguinte. Em 29 de novembro de 1979, com a extinção do bipartidarismo e a consequente reformulação partidária, ingressou no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), vinculando-se à ala autêntica daquela agremiação, que defendia posições mais firmes contra o regime militar. Foi líder da bancada do seu partido e vice-líder das comissões de Constituição e Justiça, Terras e Colonização e de Agricultura, além de ter presidido a Comissão de Ecologia e Meio Ambiente.

Em novembro de 1982, elegeu-se deputado federal na mesma legenda. Empossado em fevereiro, no mês seguinte deixou a Câmara para ocupar o cargo de secretário do Interior no governo José Richa (1983-1986) e sua vaga foi ocupada pelo suplente Celso Sabóia. Durante sua gestão na secretaria, efetuou um grande programa de eletrificação rural no Paraná, abrangendo cerca de 100.000 propriedades rurais. Permaneceu no cargo até 1986, quando voltou ao exercício do mandato na Câmara dos Deputados.

Jurista sensível ao movimento dos camponeses sem-terra e à reforma agrária, vinculado à Igreja Católica, elegeu-se em novembro de 1986 deputado federal constituinte na legenda peemedebista, com o apoio de pequenos proprietários rurais, pequenos empresários e cooperativas do oeste do estado. Empossado em fevereiro de 1987, quando tiveram início os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, foi relator da Subcomissão de Garantia da Constituição, Reformas e Emendas, da Comissão da Organização Eleitoral, Partidária e Garantia das Instituições, e integrou a Comissão de Sistematização. Nas principais votações da Constituinte, posicionou-se a favor do rompimento das relações diplomáticas com países com política de discriminação racial, da limitação do direito de propriedade privada, do mandado de segurança coletivo, do aborto, da jornada semanal de 40 horas, do turno ininterrupto de seis horas, do aviso-prévio proporcional, da unicidade sindical, da soberania popular, do voto aos 16 anos, da nacionalização do subsolo, da estatização do sistema financeiro, do limite de 12% ao ano para os juros reais, da proibição do comércio de sangue, da limitação dos encargos da dívida externa, da criação de um fundo de apoio à reforma agrária, da anistia aos micro e pequenos empresários e da desapropriação da propriedade produtiva. Votou contra a pena de morte, o presidencialismo e o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney.

Discordando da política do PMDB no governo federal, em junho de 1988 participou da fundação do Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB), agremiação à qual se filiou e que reuniu parlamentares descontentes com aquele partido em algumas votações da Constituinte. No ano seguinte, disputou a liderança do PSDB na Câmara dos Deputados com Euclides Scalco, também do Paraná, que saiu vencedor por um voto. Em outubro de 1989, saiu do PSDB e filiou-se em seguida ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), integrando sua direção nacional e sendo eleito presidente da Fundação Alberto Pasqualini, a escola política do partido. Coordenou o III Congresso Nacional do PDT, ocasião em que foi elaborado o Projeto Brasil, proposta de um projeto nacional para o país sob a ótica pedetista.

Em outubro de 1990, tentou a reeleição na legenda do PDT, ficando como primeiro-suplente. Retirou-se da Câmara dos Deputados em janeiro de 1991, no fim da legislatura. Entre 1993 e 1996, foi secretário especial de articulação política da Prefeitura de Curitiba, durante a gestão de Rafael Greca.

Em 1998, foi candidato a vice-governador do estado, na chapa encabeçada por Roberto Requião, do PMDB, que saiu derrotado pelo candidato à reeleição Jaime Lerner, do Partido da Frente Liberal (PFL). Nesse período, assumiu também a presidência estadual do PDT em seu estado. Após a derrota nas eleições, continuou suas atividades políticas na oposição ao governo Lerner, no estado do Paraná, e ao que qualificou como diretrizes neoliberais do seu governo. Nesse contexto, no início de 2001, tornou-se coordenador-geral do Fórum Contra a Privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel), entidade contrária à privatização da empresa no Paraná em decorrência da tramitação do projeto de lei de iniciativa popular que impedia a venda da empresa pelo governo de Jaime Lerner. O movimento culminou com a realização de uma grande marcha contra a venda da Copel, em junho de 2001, que reuniu cerca de 3 mil pessoas e resultou na entrega do projeto de iniciativa popular ─ com cerca de 140 mil assinaturas ─ ao presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), Hermas Brandão (PTB). Apesar da intensa mobilização ocorrida em torno da coleta das assinaturas necessárias ao envio da proposição para o legislativo estadual paranaense, o projeto acabou sendo derrotado em tumultuada votação realizada na Assembleia Legislativa, em 20 de agosto de 2001, por 27 votos contra 26. Entretanto, apesar da derrota do projeto, a privatização da empresa estatal paranaense acabou não se consumando em virtude dos atentados de 11 de setembro de 2001 e a subsequente falta de compradores para a companhia, o que acabou sendo interpretado pela opinião pública como uma vitória do movimento contra a privatização da Copel, que culminou com a votação do projeto de iniciativa popular pela ALEP.

Nesse período, Friedrich também assumiu a coordenação do Centro de Capacitação Política do PDT no nível nacional.  Em outubro de 2002, tentou retornar à Câmara dos Deputados pelo estado do Paraná na legenda do PDT e conseguiu a primeira-suplência na coligação formada pelo PDT, pelo Partido Progressista (PP) e pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), com 56.377 votos.

Em janeiro de 2003, após a posse do novo presidente, Luís Inácio Lula da Silva (PT), assumiu a direção de Coordenação e Meio Ambiente da Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional. Na ocasião, o presidente eleito veio pessoalmente prestigiar a posse do novo diretor-geral, o ex-vereador petista Jorge Samek, e da nova diretoria eleita. No fim do mesmo ano, Friedrich começou a afastar-se do PDT em virtude da postura de oposição assumida por seu partido em relação ao governo Lula, qualificando de “insensatez” a decisão da direção nacional da agremiação de ordenar aos filiados que entregassem todos os cargos ocupados no governo, em dezembro de 2003. No mesmo período, enfrentou a ascensão do senador Osmar Dias na direção estadual do partido que, apoiado pelo presidente nacional da agremiação, Leonel Brizola, havia se tornado o presidente do PDT no estado em junho do mesmo ano.

A partir de fevereiro de 2004, sofreu processo de expulsão pela direção nacional do PDT após sua decisão de permanecer na diretoria-geral de Itaipu, passando então a ser pressionado a deixar o cargo, o que levou à sua desfiliação da legenda em seguida. Durante sua gestão na diretoria de Itaipu, foram implantados vários programas voltados para o meio ambiente premiados internacionalmente, tais como o projeto “Cultivando Água Boa”, que chegou a ser apresentando durante a conferência internacional “Paz com Água”, realizada na sede do Parlamento Europeu.

Em abril de 2006, em decorrência do afastamento para tratamento de saúde do deputado federal José Janene, eleito pelo PP do Paraná e envolvido em um suposto esquema de compra de parlamentares conhecido como mensalão, Nelson Friedrich foi chamado para assumir o posto. No entanto, Friedrich recusou-se a assumir o mandato de deputado preferindo continuar a ocupar seu cargo em Itaipu. Nesse mesmo ano, filiou-se ao Partido Verde (PV), mas não se lançou candidato a nenhum cargo eletivo nas eleições de outubro de 2006.

Durante o ano de 2009, chegou a ser lançado por alguns militantes partidários como pré-candidato ao governo do estado do Paraná para o pleito de outubro de 2010.

Casou-se com Nara Sheila Friedrich, com quem teve três filhos. Seu sogro, Ernesto Dall’Oglio, foi deputado federal pelo Paraná entre 1979 e 1983.

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); COELHO, J. & OLIVEIRA, A. Nova; Estado do Paraná (23/1/03, 4/5/06); INF. BIOG.; Portal governo federal (<www.itaipu.gov.br/>. Acesso em: 10 de ago. de 09); Portal Partido Democrático Trabalhista (<www.pdt.org.br>. Acesso em: 10 de set. de 09).

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