NIGRIS, TEOBALDO DE

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Nome: NIGRIS, Teobaldo de
Nome Completo: NIGRIS, TEOBALDO DE

Tipo: BIOGRAFICO


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NIGRIS, TEOBALDO DE

NIGRIS, Teobaldo de

*pres. FIESP 1967-1980.

 

Teobaldo de Nigris nasceu na cidade de São Paulo em 15 de dezembro de 1906, filho de José de Nigris e de Conciglia Cervelli de Nigris, de origem italiana.

Aos 11 anos de idade, começou a trabalhar como aprendiz de artes gráficas na São Paulo Editora Limitada, prosseguindo seus estudos à noite em estabelecimento público. Sua carreira profissional se desenvolveu por algum tempo nessa mesma empresa, onde exerceu as funções de tipógrafo e passou depois à condição de gerente e, afinal, sócio.

Entre 1956 e 1971, Teobaldo de Nigris presidiu o Sindicato das Indústrias Gráficas de seu estado natal, patrocinando nesse período os três primeiros congressos nacionais do setor. Ocupou também os cargos de diretor do Departamento de Expansão Social e secretário da Federação das Indústrias e do Centro Industrial do Estado de São Paulo (FIESP-CIESP), tornando-se, a partir de 1967, presidente dessas entidades, cargo que conservou até 1980. Foi fundador e primeiro presidente da Associação Brasileira de Indústrias Gráficas (Abigraf) e contribuiu para a criação da Confederação Latino-Americana de Indústrias Gráficas e Afins (Colatingraf), cuja presidência exerceu de 1971 a 1973. Em março de 1972, integrou a comissão diretora da III Conferência Nacional das Classes Produtoras (III Conclap), realizada no Rio de Janeiro.

Como presidente da FIESP-CIESP, Teobaldo de Nigris tornou-se, automaticamente, diretor regional do Serviço Social da Indústria (Sesi) e presidente do conselho regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), além de dirigir o Instituto Roberto Simonsen, órgão da FIESP-CIESP encarregado de promoções culturais.

Em agosto de 1977, concorrendo como das outras vezes em chapa única, Teobaldo de Nigris obteve seu quarto mandato consecutivo à frente da FIESP-CIESP, mas já então não contou com o apoio de líderes empresariais como Einar Kok, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), e Manuel da Costa Santos, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Eletro-Eletrônicas, ambos ex-vice-presidentes da entidade. Mais uma vez, o apoio do empresário Nadir Dias Figueiredo, presidente emérito da FIESP-CIESP, desempenhou importante papel na manutenção de Teobaldo de Nigris no cargo. Pouco depois de sua reeleição, declarou considerar prematura a redemocratização do país, “pois precisamos primeiro ordenar mais o nosso desenvolvimento”, e manifestou-se favorável à política salarial adotada a partir de 1964, discordando da existência de um “arrocho” apontado pela oposição e o movimento sindical. Segundo ele, “se implantarmos uma política demagógica de aumento de salários acima dos níveis da inflação vamos colaborar para um processo inflacionário ainda maior”.

De Nigris criticou a intromissão do governo federal nos processos sucessórios das federações e confederações empresariais, no sentido de fortalecer a renovação das lideranças classistas. Ainda em 1977, declarou à revista Veja que entendia a democracia como um estado de direito e de obrigações, citando a existência de países “em que se mudou o regime discricionário para o chamado regime democrático”, resultando na “eclosão de desordens, atentados, exigências descabidas, os quais nenhum benefício trazem ao país”. Apesar de contrário à intervenção do Estado na economia, considerava que, naquele momento, a inflação e a falta de capital de giro tornavam difícil a anunciada privatização de empresas estatais, pois o empresariado nacional não tinha recursos para realizar operações desse vulto. Propunha, entretanto, que mais tarde o governo facilitasse a venda dessas empresas “para grupos de competência comprovada”. Favorável ao modelo econômico voltado para o incremento das exportações, Teobaldo de Nigris renovou seu apoio ao movimento político-militar de 31 de março de 1964, “cujos ideais comungo até hoje”. Além de defender a estrutura sindical vigente — que começava a ser questionada por empresários mais jovens, insatisfeitos com a longa permanência de velhos dirigentes à frente das entidades de classe —, de Nigris enfatizou a necessidade da participação do empresariado nas decisões do governo, propondo que as medidas mais importantes fossem tomadas após consulta à classe empresarial.

Em junho de 1978, a FIESP telegrafou ao presidente Ernesto Geisel, externando “profunda preocupação pela marcha das greves que estão eclodindo em São Paulo”, e alertando para “conseqüências imprevisíveis em relação à própria segurança nacional”. Em setembro do mesmo ano, a entidade entregou ao governo estudo sobre o projeto siderúrgico de Tubarão (ES), concluindo por sua inviabilidade e pela impossibilidade de mantê-lo sob controle nacional nas bases em que estava se desenvolvendo.

Em abril de 1979, apresentaram-se duas chapas para concorrer às eleições da FIESP-CIESP marcadas para o ano seguinte, fato raro nos 48 anos de existência da entidade. De Nigris candidatou-se à reeleição apoiado pelos grupos tradicionais e tendo José Ermírio de Morais Filho como companheiro de chapa. Contra ele, foi lançado Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, presidente do poderoso Sindicato Nacional de Autopeças e candidato da chamada “ala renovadora”.

No mês seguinte, o presidente da FIESP pediu ao ministro do Trabalho, Murilo Macedo, o retorno à normalidade sindical na região industrial do ABC paulista, propondo que os líderes sindicais destituídos de suas entidades em decorrência de movimentos grevistas — inclusive Luís Inácio da Silva, o Lula — retornassem aos seus cargos, o que se efetivou pouco depois. Em novembro de 1979 foi inaugurado o novo e luxuoso prédio da FIESP, localizado na avenida Paulista, no centro de São Paulo, construído por iniciativa de Teobaldo de Nigris e orçado, na época, em trezentos milhões de cruzeiros.

Às vésperas do Natal desse ano, Teobaldo de Nigris declarou-se solidário com o processo de abertura política e afirmou que a reformulação partidária promovida pelo governo provocaria “a identificação de minorias extremistas e radicais”. Advertiu, entretanto, contra a subversão da ordem e as greves que “reivindicam o possível e o impossível”, expressando sua confiança na política econômico-financeira definida pelo ministro Antônio Delfim Neto. Por ocasião da greve dos metalúrgicos do ABC paulista em 1980, Teobaldo de Nigris considerou correta a não aceitação, pelo governo e o empresariado, das reivindicações dos trabalhadores. Em agosto desse ano, declarou-se contrário à eleição direta dos governadores estaduais enquanto os problemas econômicos nacionais não fossem resolvidos.

Em 1980, a FIESP congregava aproximadamente 90 mil empresas, responsáveis por mais da metade da produção industrial do país, enquanto o departamento paulista do Senai formara cerca de duzentos mil técnicos e operários especializados. Nessa época, Teobaldo de Nigris foi caracterizado pelo Jornal do Brasil como “uma espécie de político populista dentro do setor industrial”, cuja base de sustentação era formada pelas pequenas empresas e setores menos expressivos do ponto de vista econômico. Nas eleições para a renovação da diretoria da FIESP-CIESP, realizadas em segundo escrutínio no dia 4 de setembro de 1980, a chapa encabeçada por Teobaldo de Nigris foi derrotada pela de Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, que assumiu a presidência da entidade nesse mesmo ano.

Depois da derrota, afastou-se da vida sindical e passou a cuidar apenas de suas empresas — a indústria gráfica Lastri e uma concessionária de caminhões Mercedes-Benz.

Foi presidente da Tratores Fiat-Allis.

Faleceu em São Paulo no dia 8 de junho de 1990.

Era casado com Rosa Nunes de Nigris.

Sônia Dias

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; Estado de S. Paulo (9/6/90); Exame (30/1/80); FED. IND. EST. SP. FIESP; Folha de S. Paulo (9/6/90); Globo (16/12/79); Jornal do Brasil (18/8, 15/9, 19/11 e 20/12/77, 14/6 e 29/9/78, 8/4, 15/5 e 8/11/79, 6/1, 10 e 20/8, 5/9/80 e 9/6/90); Manchete (23/2/80); Veja (24/8/77e 20/6/90).

 

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