NOVELLI JUNIOR, LUIS GONZAGA

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Nome: NOVELLI JÚNIOR, Luís Gonzaga
Nome Completo: NOVELLI JUNIOR, LUIS GONZAGA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
NOVELLI JÚNIOR, LUÍS GONZAGA

NOVELLI JÚNIOR, Luís Gonzaga

*rev. 1932; const. 1946; dep. fed. SP 1946-1947 e 1951-1954.

 

Luís Gonzaga Novelli Júnior nasceu em Itu (SP) no dia 22 de janeiro de 1906, filho de Luís Gonzaga Novelli e de Vicentina Bueno Camargo.

Fez seus primeiros estudos no Externato São José, no Colégio São Luís de Pirapora e no Colégio Arquidiocesano de São Paulo. Formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1931, ingressando logo em seguida na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, também na capital da República.

De volta a Itu, participou da Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, que exigia a convocação de uma assembléia nacional constituinte para assegurar o estabelecimento de um governo republicano federativo, com amplas garantias individuais, em oposição ao governo de Getúlio Vargas, no poder desde a vitória da Revolução de 1930. Em fins de outubro de 1932, após a derrota dos paulistas pelas tropas federais, Novelli Júnior filiou-se à Federação dos Voluntários, organização política então criada com o objetivo de congregar os participantes do movimento constitucionalista paulista. Em fevereiro de 1934, a federação se aliaria ao Partido Democrático de São Paulo e à Ação Nacional para constituir o Partido Constitucionalista de São Paulo.

Exercendo a medicina em Itu, onde foi assistente do professor Rocha Vaz, Novelli Júnior lecionou também sociologia na Escola Normal Nossa Senhora do Patrocínio até 1934, quando passou a integrar o conselho consultivo da Câmara Municipal daquela cidade. No ano seguinte transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como médico da Assistência Pública e do Departamento Nacional do Café. De 1937 a 1941, foi inspetor federal do ensino secundário, deixando suas funções para assumir em seguida o cargo de titular do 3º Registro de Imóveis do Rio de Janeiro.

Em 1945 filiou-se ao Partido Social Democrático (PSD), agremiação política de âmbito nacional criada, entre outras, após a desagregação do Estado Novo (1937-1945) e com o início do processo de redemocratização do país. No dia 29 de outubro desse ano Getúlio Vargas foi deposto pelos chefes militares e o governo foi assumido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), José Linhares, que manteve o calendário eleitoral fixado por Vargas em maio anterior. Em 2 de dezembro, no mesmo pleito que elegeu o general Eurico Gaspar Dutra — candidato do PSD — presidente da República, Novelli foi eleito deputado por São Paulo à Assembléia Nacional Constituinte, também na legenda do PSD.

Participou dos trabalhos constituintes desde a instalação da Assembléia, em fevereiro de 1946, e, com a promulgação da nova Carta (18/9/1946), exerceu mandato ordinário até março de 1947, quando licenciou-se para assumir a Secretaria de Educação e Saúde de São Paulo no governo de Ademar de Barros, recém-empossado. No mês seguinte, entretanto, juntamente com outros membros do PSD e da União Democrática Nacional (UDN), exonerou-se do cargo em protesto contra a substituição, pelo governador, de todos os prefeitos nomeados pela administração anterior — do interventor José Carlos de Macedo Soares —, e retornou à Câmara Federal. Em julho de 1947 lançou-se candidato a vice-governador de São Paulo, cargo criado pela Constituição paulista naquele mesmo mês, recebendo em sua campanha o apoio de Ademar de Barros e do partido que chefiava, o Partido Social Progressista (PSP), além do presidente Dutra e de uma dissidência do PSD. Foi eleito em 9 de novembro, derrotando o deputado Carlos Cirilo Júnior, candidato oficial do PSD, que recebera o apoio do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e dos comunistas, e o deputado Plínio Barreto, candidato da UDN, apoiado pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). No final de novembro deixou mais uma vez a Câmara dos Deputados e foi empossado vice-governador.

Em março de 1948, foi de novo protagonista de outra crise no governo paulista, que levou ao seu rompimento com o governador e ao afastamento do secretário da Agricultura, Hugo Borghi. O motivo foi a idéia de Borghi de reunir cerca de 1.500 lavradores — representando todos os municípios do estado — para discutirem questões de crédito, técnicas agrícolas, sindicalização do trabalhador rural etc. As pressões então dirigidas contra esse projeto foram encampadas por Novelli Júnior, o que provocou a suspensão do encontro e a demissão do secretário da Agricultura. Com a crise, as duas alas do PSD paulista se reconciliaram e, com o apoio das forças oposicionistas, retomaram as investidas contra o governador de São Paulo.

Novelli Júnior deixou o cargo de vice-governador em meados de 1950 e elegeu-se deputado federal em outubro, sendo empossado em fevereiro de 1951. Em 1954 foi presidente da Comissão de Saúde da Câmara. No pleito de outubro deste ano não conseguiu reeleger-se e em dezembro seguinte deixou a Câmara, afastando-se então da vida pública. Em 1955 retornou a seu cargo no 3º Registro de Imóveis do Rio de Janeiro, que exerceu até 1977, quando se aposentou.

Dedicando-se à literatura, em fevereiro de 2000, estava no prelo livro de sua autoria sobre o governo Dutra.

Foi secretário de Justiça no Distrito Federal.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 1º de junho de 2000.

Foi casado com Carmelita Ulhôa Cintra Novelli, enteada do general Eurico Dutra, já falecida, com quem teve uma filha.

Publicou Estrada de Damasco, Marechal Eurico Gaspar Dutra: o dever da verdade (1983, em co-autoria), Santa Clara e Da janela do meu sobrado.

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1946-1967); CÂM. DEP. Relação dos dep.; CISNEIROS, A. Parlamentares; CURR. BIOG.; DULLES, J. Getúlio; Estado de S. Paulo (7/6/00); Grande encic. Delta; INF. Maria Vicentina Novelli; LEITE, A. História; LEITE, A. Páginas; MELO, L. Dic.; MENESES, R. Dic.; Veja (21/12/83).

 

 

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