NUNES, AUGUSTO

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Verbete

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Nome: NUNES, Augusto
Nome Completo: NUNES, AUGUSTO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
Verbete : Augusto Nunes

NUNES, Augusto

*jornalista.

 

Augusto Nunes  nasceu em Taquaritinga (SP) no dia 25 de setembro de 1949, filho de Adail Nunes da Silva e de Emília Menon Nunes da Silva. Seu pai foi advogado e prefeito quatro vezes de Taquaritinga, a primeira vez eleito na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e depois na do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Fez seus estudos em sua cidade natal, no Instituto de Educação 9 de Julho. Começou muito jovem na atividade jornalística, publicando textos nos dois jornais da cidade quando tinha 14 anos. Na mesma época, iniciou sua militância política e tornou-se presidente do grêmio escolar entre 1966 e 1967.

No final de 1967 transferiu-se para o Rio de Janeiro e em março do ano seguinte ingressou na Faculdade Nacional de Direito. Quatro meses depois, foi eleito vice-presidente do centro acadêmico Cândido de Oliveira (CACO). Em 1970 mudou-se para São Paulo e ingressou na Faculdade Mackenzie, mas logo depois prestou vestibular para a Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. No mesmo ano, foi eleito presidente do Centro Acadêmico Lupi Cotrim. Não concluiu o curso.

Foi contratado em 1971 como revisor dos Diários Associados e no ano seguinte passou a repórter do jornal O Estado de São Paulo. Em pouco tempo tornou-se subchefe de reportagem e em 1973 passou a repórter especial para a América Latina no mesmo jornal.

Em 1973 ingressou na revista Veja, onde, por 13 anos, foi repórter da editoria geral, redator de educação, redator da área de cidades, editor-assistente da geral, editor-assistente de política e redator-chefe. Trabalhou sob a chefia de Mino Carta quando a revista Veja reunia uma equipe de jovens jornalistas considerada de grande criatividade e de alto nível profissional. Muito deles ocuparam em seguida os  postos  de maior prestígio da imprensa do Rio de Janeiro e de São Paulo. Dessa equipe faziam parte Elio Gaspari, Marcos Sá Corrêa, Nirlando Beirão, Merval Pereira, Dácio Malta, Flávio Pinheiro, Ricardo Sette, Roberto Pompeu e Dorrit Harazin. Nesta fase de sua carreira profissional, Augusto Nunes trabalhou sob a censura imposta pelo regime militar.

A partir de 1976 exerceu também a atividade de apresentador de programas jornalísticos na televisão. Até 1979 apresentou o Informação, na TV Bandeirantes, e entre 1980 e 1981, o  Imprensa na TV, na mesma emissora.  Na TV Gazeta esteve no Veja Entrevista, produzido pela Abril Vídeo, entre 1982 e 1983.

Em 1986 assumiu a direção-regional do Jornal do Brasil em São Paulo, cargo que ocuparia por dois anos. Em 1987 tornou-se o apresentador do programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, função que desempenharia por dois anos. Nesse período, o programa recebeu duas vezes consecutivas o prêmio de melhor do ano, concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte.

Retornou em 1988 para O Estado de São Paulo, onde dirigiu a redação e  por quatro anos liderou o processo de reformulação do jornal. Dentro do panorama dessas mudanças inclui-se a informatização da redação, contratação de novos jornalistas, o uso de cores, a criação dos cadernos e o lançamento da edição  de segunda-feira.

Em 1992 foi convidado por Marcos Dvosky, vice-presidente do jornal Zero Hora, de Porto Alegre (RS), para assumir a direção da redação e promover a reformulação gráfica e editorial do jornal. Fez uma reforma radical no jornal, demitindo 43 jornalistas e admitindo novos com salários mais altos, o que provocou forte oposição à sua gestão por parte do sindicato. Fez uma reforma gráfica e de conteúdo do jornal, ampliou o espaço para as matérias locais, passou a fazer duas edições, uma para o interior e outra que circulava na cidade e nos outros estados.

 Em julho desse ano, juntamente com  o jornalista Paulo Moreira Leite, editor executivo da revista Veja,  acusou o consultor para a área de imprensa do governo do Estado de São Paulo, Fernando Sandoval, de tentativa de suborno. O objetivo de Sandoval era, segundo os jornalistas, conseguir um “tratamento carinhoso” para o governador Luís Antônio Fleury Filho, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), nos meios de comunicação.

Nunes permaneceu no jornal Zero Hora até outubro de 1996, quando foi convidado para trabalhar no Banco de Boston na reformulação da imagem da instituição financeira. Desenvolveu projetos ligados à recuperação da memória histórica do Brasil. Em 1998 deixou o Banco Boston e retornou ao jornalismo, convidado a trabalhar na revista Época, no Rio de Janeiro, como diretor de redação.

Recebeu três vezes o prêmio Esso, duas vezes na categoria Reportagem e uma  na categoria Informação Esportiva: em 1982, com a matéria “O futuro abre clareira na floresta”, e em 1984 duas vezes, com a matéria “Diretas já” e  com a cobertura das Olimpíadas de Los Angeles, todas publicadas  na revista Veja.

Escreveu uma biografia de Tancredo Neves (Tancredo, Editora Nova Cultural, São Paulo), publicada em 1986, e foi o editor do depoimento do jornalista Samuel Wainer prestado à filha deste, Pinky Wainer, publicado pela Editora Record em 1988, sob o título Minha razão de viver: memórias de um repórter.

Em janeiro de 1998, prestou um depoimento para o setor de história oral do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro.  

Casou-se com Luzia Helena Lacerda Nunes da Silva, com quem teve duas filhas.

 

Beatriz Kushnir

 

FONTE: ENTREV. BIOG.

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