OLIVEIRA, EUCLIDES QUANDT DE

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Nome: OLIVEIRA, Euclides Quandt de
Nome Completo: OLIVEIRA, EUCLIDES QUANDT DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
OLIVEIRA, EUCLIDES QUANDT DE

OLIVEIRA, Euclides Quandt de

*militar; min. Comunic. 1974-1979.

Euclides Quandt de Oliveira nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 23 de novembro de 1919, filho de Inácio Francisco de Oliveira e de Ida Quandt de Oliveira.

Fez os primeiros estudos na Escola Goiás, em sua cidade natal, entre 1927 e 1931, cursando o secundário no Colégio Nacional do Rio de Janeiro entre 1932 e 1936.

Ingressou por concurso nos quadros da Marinha em 1937, cursando a Escola Naval do Rio de Janeiro, sendo declarado guarda-marinha em 1941. No ano seguinte, após viagem de instrução, foi nomeado segundo-tenente, três meses após o Brasil ter declarado estado de guerra com a Alemanha, em virtude da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Sua primeira comissão foi no tênder Belmonte, que estava de partida para o Nordeste, onde permaneceu como capitânea e oficina de reparos da Força Naval do Nordeste, a qual tinha a responsabilidade das operações de guerra no mar, do Rio de Janeiro para o Norte.

Durante 1943 trabalhou no Serviço de Comunicações do Comando da Força Naval do Nordeste, em Recife, tendo realizado duas viagens de escolta a comboios marítimos, embarcado na corveta Carioca como oficial de ataque anti-submarino. Fez os cursos de combate a incêndios e de tática anti-submarino, no Centro de Treinamento de Recife. Ainda nesse ano, embarcou na corveta Rio Branco, onde permaneceu até julho de 1944, também nas escoltas de proteção, exercendo as funções de encarregado do armamento oficial de som e ataque submarino. No final de 1944 seguiu para os Estados Unidos, tendo feito cursos de técnica e ocupação de propulsão de navios e de introdução a radares, em Miami; e de motores na General Motors Diesel School, em Cleveland.

De volta ao Brasil, foi instrutor de instalações elétricas de propulsão de navios, no Centro de Instrução de Natal, e, no início de 1945, foi designado encarregado das oficinas de radar e de motores diesel da Base Naval do Recife, quando obteve experiência na área eletrônica. Até o final do conflito (1945) participou ativamente de comissões em operações de guerra.

Após o término da guerra, retornou ao Rio onde, em 1946, serviu no Departamento Rádio da Diretoria de Navegação da Marinha, participando de sua transformação em Diretoria Eletrônica da Marinha. Durante um período de alguns meses, no início de 1947, foi posto à disposição do Ministério das Relações Exteriores e adido ao Comitê Consultivo de Emergência para a Defesa Política do Continente, com sede em Montevidéu. Em maio de 1947 foi designado para organizar e instalar a Escola de Eletrônica da Marinha, destinada à formação e aperfeiçoamento de oficiais e praças nesta especialidade. Durante aproximadamente quatro anos participou da preparação de programas de ensino, da elaboração de livros-texto e da administração dos primeiros cursos, simultaneamente com a construção e aparelhamento dos laboratórios. Como complemento ao seu trabalho fez o curso de técnica de ensino da Escola de Instrutores do Centro de Instrução Almirante Wandenkolk.

No final de 1950, terminados os primeiros cursos de eletrônica para oficiais e marinheiros, voltou a embarcar, sendo nomeado oficial de reparo eletrônico de um esquadrão de contratorpedeiros. No ano seguinte, foi designado para servir no cruzador Tamandaré, que seria recebido da Marinha Americana no Arsenal da Marinha de Filadélfia. Nessa ocasião, freqüentou os cursos de eletrônica e especial de radares no Centro de Treinamento de Great Lakes. No cruzador Tamandaré, onde serviu por três anos, exerceu a função de encarregado do reparo eletrônico e em seguida a de encarregado de comunicações.

A partir de 1954 serviu na Diretoria de Eletrônica da Marinha nas funções de encarregado das divisões de Radar e Sonar e de Treinamento do departamento de estudos. Em 1956 assumiu o comando do contratorpedeiro Bracuí. De 1957 a 1959 chefiou a Divisão de Eletricidade e Eletrônica da Comissão de Construção de Navios na Europa, sendo o responsável pelas especificações e pelo projeto de modernização elétrica e eletrônica do recém-adquirido porta-aviões Minas Gerais, em Londres e Haia (Holanda).

De retorno ao Brasil, entre 1959 e 1960, foi diretor da Escola de Marinha Mercante do Pará, em Belém. Em 1961 foi matriculado na Escola de Guerra Naval, completando o curso de comando e estado-maior. Após o curso, foi designado para a chefia do Departamento Industrial da Diretoria de Eletrônica da Marinha. Paralelamente a esta atividade, atendeu e completou o curso superior de comando daquela escola. Em 1963 comandou a Força de Patrulha Costeira Sul, sendo dois meses mais tarde destituído desse comando por ter requerido sua desistência à Ordem do Mérito Naval, como protesto contra a entrega dessa comenda a um “político antimilitar” — Leonel Brizola. Após ter ficado algum tempo agregado, sem comissão, foi designado coordenador da Diretoria de Eletrônica da Marinha e, depois, Oficial de Logística do Comando-em-Chefe da Esquadra.

Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964), desempenhou funções como adjunto da subchefia da Marinha no Gabinete Militar da Presidência da República entre abril de 1964 e julho do ano seguinte, no governo do presidente Humberto Castelo Branco (1964-1967).

Como presidente do Conselho Nacional de Telecomunicações (Contel) entre julho de 1965 e abril de 1967, orientou as comissões que negociaram e efetuaram as aquisições da Companhia Telefônica Brasileira (estados do Rio, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo) e da Companhia Telefônica Nacional (Paraná e Rio Grande do Sul), bem como a elaboração das normas e especificações básicas para a construção e operação do Sistema Nacional de Telecomunicações, a fixação das prioridades para a implementação, pela Embratel, dos troncos interurbanos e internacionais. Ainda durante sua administração, foram realizados entendimentos com setores ligados à educação, para implantação de cursos técnicos de telecomunicações, atualização dos existentes e incentivos a algumas atividades universitárias em pesquisas referentes a telecomunicações.

Durante a elaboração do anteprojeto da Constituição de 1967, o Contel apresentou sugestão que foi aceita, sobre a parte de comunicações. Quandt de Oliveira foi eleito então, vice-presidente da Comissão Interamericana de Telecomunicações (Citel), chefiando a delegação do Brasil à segunda reunião da Comissão, em Washington, e integrou o grupo que preparou o programa e os termos de referência para a elaboração do projeto da Rede Interamericana de Telecomunicações.

Ainda em 1967, deixou a presidência do Contel e retornou ao serviço na marinha assumindo o comando do porta-aviões Minas Gerais. No ano seguinte chefiou o Departamento de Produção, na comissão de construção de navios da Marinha, no Rio. Em janeiro de 1969 solicitou transferência para a reserva, que foi assinada em março. Já na reserva, porém antes de ser definitivamente desligado, participou das discussões finais e da assinatura, na Alemanha, do contrato de construção de navios varredores de minas.

Iniciou sua atividade na vida civil como diretor de Telecomunicações da Siemens do Brasil, cargo que exerceu de 1969 a 1972 e desse ano até 1974 foi presidente das Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebrás). Sob sua presidência foi estruturado o grupo empresarial Telebrás, elaborado o planejamento da expansão das comunicações telefônicas no país, iniciada sua implementação, organizando um sistema de acompanhamento e controle das atividades das empresas do Sistema Telebrás e iniciado um programa de pesquisas e desenvolvimento.

De 1974 a 1979, durante o governo de Ernesto Geisel, foi ministro das Comunicações, tendo substituído Higino Corsetti (1969-1974). Em sua gestão foi implantado o serviço de telefonia móvel e terrestre, além de iniciados estudos para a avaliação da conveniência ou não da implantação no país de um sistema de satélite doméstico de comunicações, para a elaboração da reforma do Código Nacional de Telecomunicações e a transformação do Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel) em autarquia. Foi substituído no cargo em março de 1979 por Haroldo Correia de Matos.

Após o término do governo Geisel, tornou-se presidente da Transit Semicondutores, empresa brasileira fabricante de semicondutores, empregando tecnologia desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP). Tendo exercido aquele cargo até 1980, quando a convite da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), integrou um Grupo Especial de Assessoramento para acompanhar a implantação das decisões sobre o direito das nações em desenvolvimento à divulgação de notícias de seu interesse. Até 1982 participou então das reuniões semestrais daquele grupo que se realizavam em Quito.

Ainda neste período, de 1979 a 1983 participou do grupo de trabalho vinculado à Secretaria do Conselho de Segurança Nacional, que estudava a situação da informática e da microeletrônica no Brasil. Após a criação da Secretaria Especial de Informática, foi nomeado membro do grupo de assessoramento de microeletrônica daquela secretaria.

No período de 1980 a 1983, foi diretor e, de 1983 a 1986, presidente da Telebrasil, associação de classe das telecomunicações, formadas por empresas estatais ou privadas do setor. A partir de 1981, atuou como consultor independente em telecomunicações e desempenho empresarial, tendo prestado esses serviços a várias empresas, entre elas a Rádio Del Rei, em Belo Horizonte; a Splice do Brasil; a Rádio e Televisão Bandeirantes e a Editora de Catálogos Telefônicos do Brasil. Essa assessoria foi, durante um certo tempo, feita diretamente e, mais tarde, através de empresa organizada especialmente para esse fim, a QDP Consultoria e Participações.

Na TV Bandeirantes coordenou a implantação do sistema de transmissão, via satélite, da programação para as afiliadas e prestou assessoria em desempenho empresarial. Na Splice, prestou assessoria em organização industrial, controles administrativos e análise de novos empreendimentos.

Durante dez anos foi diretor da Splice Telecomunicações e Informática e presidente de uma de suas subsidiárias, a Selte — Serviços Elétricos Telefônicos do Brasil, construtora de redes telefônicas e elétricas. Na Editora de Catálogos Telefônicos do Brasil, prestou inicialmente assessoria geral. Em 1984 tornou-se membro do Conselho de Administração, cuja presidência assumiu em 1985. A razão social da empresa foi mudada para Editel — Listas Telefônicas S.A. Em 1996, deixou a presidência da Editel, permanecendo como membro do Conselho de Administração.

 Casou-se com Maria de Lurdes de Góis Monteiro de Oliveira, filha do general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, que foi revolucionário em 1930, ministro da Guerra de 1934 a 1935 e de 1945 a 1946, chefe do Estado-Maior do Exército de 1937 a 1943, senador por Alagoas de 1947 a 1951, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de 1951 a 1952 e ministro do Superior Tribunal Militar de 1952 a 1956. Teve seis filhos.

Escreveu Renascem as comunicações, volume 1 - construindo a base (1992) e Renascem as comunicações, volume 2 – construção e operação do sistema (2006).

 

FONTES: CORRESP. MIN. COMUNIC.; CURRIC. BIOG.;  Jornal do Brasil (15/4/74 e 11/12/77); Perfil (1974 e 1975); SOARES, E. Instituições; Súmulas.

 

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