OLIVEIRA, PLINIO CORREIA DE

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Nome: OLIVEIRA, Plínio Correia de
Nome Completo: OLIVEIRA, PLINIO CORREIA DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
OLIVEIRA, PLÍNIO CORREIA DE

OLIVEIRA, Plínio Correia de

*jornalista; const. 1934.

 

Plínio Correia de Oliveira nasceu na cidade de São Paulo no dia 13 de dezembro de 1908, filho de João Paulo Correia de Oliveira e de Lucília Ribeiro Correia de Oliveira.

Estudou no Colégio São Luís, de jesuítas, em sua cidade natal. Em 1926 ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, bacharelando-se em dezembro de 1930, e ainda estudante exerceu a advocacia, atuando também como líder da Juventude Católica de São Paulo. Em 1928 entrou para a Congregação Mariana.

Em 1932 participou, como membro do setor de religião, da Sociedade de Estudos Políticos (SEP), que mais tarde daria origem à Ação Integralista Brasileira (AIB). Ao lado de Alceu Amoroso Lima, foi um dos fundadores da Liga Eleitoral Católica (LEC), associação de âmbito nacional instituída no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 1932. O objetivo da liga era mobilizar o eleitorado católico em torno dos candidatos comprometidos com a doutrina social da Igreja, tendo em vista as eleições de 1933 para a Assembléia Nacional Constituinte e as de 1934 para a Câmara dos Deputados e as assembléias constituintes estaduais. Foi secretário da LEC e por ela indicado, com dois outros membros, para compor a Chapa Única por São Paulo Unido — coligação formada por várias forças políticas e sociais, tais como o Partido Democrático (PD), o Partido Republicano Paulista (PRP), a Associação Comercial e a Federação dos Voluntários —, que concorreu às eleições para a Assembléia Nacional Constituinte. Foi o candidato mais votado no estado e o mais jovem integrante da Assembléia. Assumindo o mandato em novembro de 1933, participou da ação da LEC, que teve os três pontos mínimos de seu programa aceitos por mais de 2/3 dos constituintes e incorporados à Constituição. Eram eles o reconhecimento constitucional da indissolubilidade do matrimônio e da validade civil do casamento religioso, a instrução religiosa obrigatória nas escolas e a concessão de assistência religiosa oficial às forças armadas, às prisões e aos hospitais. Com a promulgação da nova Carta (16/7/1934), teve o mandato estendido até maio de 1935.

No mesmo ano foi nomeado professor catedrático de história da civilização no Colégio Universitário da Faculdade de Direito de São Paulo. Ainda em 1935 assumiu a direção do jornal Legionário, órgão oficioso da arquidiocese de São Paulo, no qual já colaborava desde 1929. Também por essa época fundou e foi o primeiro presidente da junta arquidiocesana da Ação Católica Paulista, ligada à Ação Católica Brasileira (ACB). Criada em junho de 1935, a ACB visava a organizar a participação do laicato católico no apostolado da Igreja “para a difusão dos princípios católicos na vida individual, familiar e social”.

Em 1937 tornou-se professor catedrático de história moderna e contemporânea nas faculdades Sedes Sapientiae e São Bento. Quando estas faculdades foram mais tarde integradas à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, tornou-se membro do conselho universitário dessa instituição. Em 1947 deixou a direção do jornal Legionário e em 1951 ingressou no corpo de redação do mensário Catolicismo, fundado no mesmo ano por dom Antônio de Castro Meyer, bispo de Campos (RJ).

Em 1960 criou a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), a mais notória organização civil anticomunista do Brasil, cujo objetivo é “combater a vaga do socialismo e do comunismo e ressaltar, a partir da filosofia de São Tomás de Aquino e das encíclicas, os valores positivos da ordem natural, particularmente a tradição, a família e a propriedade”, tornando-se presidente do conselho nacional da entidade.

Em 1984, cerca de 30 militantes desertaram da TFP, acusando-a de desvios doutrinários que configurariam a prática de heresias, tais como os cultos personalistas a Plínio — conhecido pelo codinome “a causa de Nossa Senhora” — e à sua falecida mãe — chamada de “bem-aventurada Elisabete”, “Santa Mônica”, “Nossa Senhora da Consolação”, entre outros títulos.

Durante os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte, em 1987 e 1988, Plínio escreveu diversos artigos para a imprensa e a TFP fez publicar várias matérias pagas em grandes jornais de circulação nacional, denunciando o “caráter socialista e confiscatório” do projeto de reforma agrária que a “sanha agro-reformista” teria aprovado no texto constitucional. Segundo Plínio, a nova Constituição criaria duas classes de brasileiros: “os não-sujeitos às desapropriações confiscatórias, beneficiários de todas as liberdades, e os sujeitos a tais desapropriações, destinados a viver sob o perpétuo jugo do terror.”

Durante a campanha presidencial de 1989, o fundador da TFP conclamou seus seguidores a não votarem em Luís Inácio da Silva, o Lula, lançado por uma frente de esquerda liderada pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Em artigo pago no jornal Folha de S. Paulo, Plínio Correia identificava nas forças políticas que apoiavam Lula uma irrefutável evidência das intenções socializantes de um possível governo petista.

Monarquista, a entidade a qual presidia não apoiou oficialmente a campanha pela volta do Império no plebiscito de abril de 1993, embora tivesse entre seus membros um dos candidatos a herdeiro do trono, dom Luís de Orleans e Bragança.

Colaborador nos jornais Folha de S. Paulo, A Ordem e O Século, ocupou neste último órgão o cargo de redator-chefe. Foi ainda membro e secretário da Federação das Congregações Marianas de São Paulo.

Faleceu em São Paulo no dia 3 de outubro de 1995, de câncer no fígado.

Publicou 14 livros, entre os quais: Em defesa da Ação Católica (1943), Revolução e contra-revolução (1959), Reforma agrária, questão de consciência (em colaboração, 1960), A liberdade da Igreja no Estado comunista (1963), Declaração do Morro Alto (em colaboração, 1964), Baldeação ideológica inadvertida e diálogo (1965), Sou católico: posso ser contra a reforma agrária? (em co-autoria, 1981) e A propriedade privada e a livre iniciativa no tufão agro-reformista (em co-autoria, 1985).

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; Câm. Dep. seus componentes; COUTINHO, A. Brasil; Folha de S. Paulo (26/7, 24/10 e 5/11/86, 6 e 30/6 e 23/11/87, 22/5/88 e 5/10/95); GODINHO, V. Constituintes; Grande encic. portuguesa; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; Jornal do Brasil (5/10/95); SOC. BRAS. DEFESA DA TRADIÇÃO. Ameaça; SOC. BRAS. DEFESA DA TRADIÇÃO. Que; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; TODARO, M. Pastors; TRINDADE, H. Integralismo; Veja (22/8/84 e 11/10/95); Who’s who in Brazil.

 

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