OSEIAS CARDOSO PAIS

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Nome: CARDOSO, Oséias
Nome Completo: OSEIAS CARDOSO PAIS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CARDOSO, Oseias

*dep. fed. AL 1963-1969 e 1986-1987.

 

Oseias Cardoso Pais nasceu em Viçosa (AL) no dia 21 de outubro de 1913, filho de João Cardoso Pais e de Alcina Saraiva Cardoso.

Participou da Revolução de 1930 e depois disso retornou à sua cidade natal, onde permaneceu até 1939. Nesse ano foi fundador, em Maceió, do Centro Cultural Emílio de Maia, instituição que presidiu por três anos consecutivos. Ingressou no jornalismo profissional em 1940, trabalhando no Jornal de Alagoas e posteriormente, entre 1941 e 1942, na Gazeta de Alagoas. Ainda durante o Estado Novo (1937-1945) exerceu o cargo de prefeito nos municípios alagoanos de Pilar, em 1942, e de Piranhas, de 1943 a 1944. Nesse último ano tornou-se diretor e assistente-chefe da Comissão Estadual da Legião Brasileira de Assistência, cargo em que permaneceria até 1947.

Com o enfraquecimento do Estado Novo e o início da redemocratização do país em 1945, foi um dos fundadores do Partido Social Democrático (PSD) em seu estado. Secretário do diretório municipal de Maceió e suplente da comissão executiva do diretório estadual do partido, em janeiro de 1947 elegeu-se deputado à Assembleia Constituinte alagoana e em março seguinte assumiu o mandato. Depois de participar dos trabalhos constituintes, passou a exercer o mandato ordinário e foi reeleito em outubro de 1950, sempre na legenda do PSD. Líder de sua bancada e vice-líder do governo na Assembleia Legislativa desde 1952, transferiu-se em 1954 para o Partido Trabalhista Nacional (PTN), de cujo diretório regional se tornaria primeiro-vice-presidente e, a seguir, presidente. Nessa legenda foi mais uma vez reeleito deputado estadual, em outubro de 1954.

Depois de ter concorrido sem sucesso ao cargo de prefeito de Maceió em outubro de 1955, no ano seguinte foi o autor do primeiro pedido de impeachment de um governador de estado no Brasil, contra Sebastião Muniz Falcão. Justificado pelo clima de violência reinante em Alagoas, palco de lutas sangrentas entre correligionários do governo e elementos da oposição, o processo culminou com a aprovação do afastamento de Muniz Falcão pela Assembleia em setembro de 1956. Ao longo da legislatura, foi membro da Comissão de Constituição e Justiça e da de Orçamento. Reeleito em outubro de 1958, dessa vez na legenda da União Democrática Nacional (UDN), como o deputado mais votado do estado, deixou a Assembleia em janeiro de 1963, após ter sido eleito, no pleito de outubro de 1962, deputado federal na legenda da UDN.

Assumiu seu mandato na Câmara dos Deputados em fevereiro de 1963 e, ainda nesse ano, filiou-se à Ação Democrática Parlamentar, bloco interpartidário composto por membros da UDN e, secundariamente, do PSD, que representava uma resposta dos setores conservadores à Frente Parlamentar Nacionalista (FPN) e tinha como objetivo “combater a infiltração comunista na sociedade”. Foi também o autor do requerimento que resultou na CPI para apurar as condições de funcionamento da Rádio Nacional e TV Nacional de Brasília. Em 1964 foi um dos fundadores da Fundação Santo Antônio de educação e assistência em Alagoas.

 Já após o movimento político-militar de 31 de março de 1964, integrou a delegação parlamentar brasileira na visita oficial a Índia, Líbano e Síria. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar, de cujo diretório regional em Alagoas foi primeiro-vice-presidente, em 1966 e, mais tarde, presidente. Ainda em 1965 foi candidato a vice-governador de seu estado com o apoio da coligação do PTN com o Partido Democrata Cristão (PDC), na chapa encabeçada pelo senador Arnon de Melo. Durante a legislatura participou na Câmara das comissões de Serviço Público, de Segurança Nacional e do Vale do São Francisco.

Reeleito deputado federal em novembro de 1966 na legenda da Arena, como o mais votado do estado, no ano seguinte integrou a delegação brasileira na Conferência da União Interparlamentar em Dacar. Em 1968 foi eleito presidente de honra do Centro Alagoano da Bahia, entidade da qual foi um dos fundadores. Em abril de 1969, teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos por dez anos, com base no Ato Institucional nº 5 (13/12/1968).

Afastando-se da vida pública passou a se dedicar às atividades empresariais, fixando residência em Brasília. Foi diretor-tesoureiro da Clínica de Repouso do Planalto Ltda., diretor e fundador da empresa Nordestina, Comércio e Indústria Ltda. (1969-1970), fundador e diretor da Nortesul Representações Ltda. (1970) e chefe de representação do Sindicato e da Cooperativa do Açúcar de Alagoas e da Cooperativa e Sindicato do Açúcar do estado do Rio de Janeiro e do Espírito Santo (1971). Em 1981 foi eleito conselheiro da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, durante o XXVII Congresso Ordinário realizado em Fortaleza.

 Membro do diretório regional do Partido Democrático Social (PDS), agremiação criada após a extinção do bipartidarismo (29/11/1979) e a reorganização partidária daí resultante, nas eleições de outubro de 1982 concorreu à Câmara dos Deputados por seu estado natal, obtendo a primeira suplência. Assumiu o mandato em julho de 1986, na vaga de Fernando Collor, que se afastara da Câmara para concorrer ao governo de Alagoas. Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1987, não tendo disputado as eleições para a Assembleia Nacional Constituinte em novembro de 1986. Mais uma vez, voltou a dedicar-se apenas às atividades empresariais.

Foi membro da Associação Brasileira de Ex-Congressistas, da Associação Alagoana de Imprensa, do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e da Academia Alagoana de Letras.

Faleceu em Brasília no mês de maio de 2009.

Foi casado com Ítala de Andrade Lima Cardoso.

Publicou O político 17 anos depois (1986), O impeachment (1998), Retalhos de uma vida, Nossa luta no Parlamento brasileiro, Minha vida pública, Atividades parlamentares, Em memória do padre Dámaso, Resposta a um senador, A justiça e a oportunidade de um projeto, Em defesa da Estrada de Ferro Paulo Afonso, Vencimentos dos servidores da Justiça Eleitoral, O vale do comendador e A Universidade Federal de Alagoas.

Vicente Saul Moreira dos Santos

atualização

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1963-1967 e 1967-1971); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1, 2, 3, 4, 6 e 8).

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