OSNELLI LEITE MARTINELLI

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Nome: MARTINELLI, Osnelli
Nome Completo: OSNELLI LEITE MARTINELLI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MARTINELLI, OSNELLI

MARTINELLI, Osnelli

* militar; dep. fed. GB 1971-1975.

Osnelli Leite Martinelli nasceu em Corumbá (MS), então no estado de Mato Grosso, no dia 5 de abril de 1922, filho de Máximo Martinelli e de Osmarina Leite Martinelli.

Fez os estudos secundários no Colégio Naval, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, cujo curso concluiu em 1939. Sentou praça em março de 1941, ingressando na Escola Militar de Realengo, também na capital federal. Aspirante-a-oficial em março de 1944, foi promovido a segundo-tenente em junho seguinte.

Integrante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), participou em 1944-1945 da campanha na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). De volta ao Brasil em setembro de 1945, foi membro suplente do conselho deliberativo do Clube Militar em 1950, atingiu o posto de capitão em março do ano seguinte, o de major em dezembro de 1955 e o de tenente-coronel em dezembro de 1958.

Participou do movimento político-militar de março de 1964, comandando nessa ocasião o grupo de defesa do palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. Com a vitória desse movimento, que resultou na deposição do presidente João Goulart, foi encarregado do inquérito policial-militar (IPM) sobre a atuação dos grupos dos 11, organizados em fins de outubro de 1963 pelo então deputado federal Leonel Brizola com o objetivo de lutar pela implantação das chamadas reformas de base preconizadas pelo presidente João Goulart e pela “libertação do Brasil da exploração internacional”. Esses grupos foram desarticulados nessa ocasião.

Responsável pela prisão do governador deposto de Pernambuco, Miguel Arrais, exonerou-se em seguida do IPM do qual havia sido incumbido, sendo preso então por 15 dias no forte de Copacabana. Dedicado ao magistério, exerceu em 1965 as funções de adjunto catedrático de geografia geral no Colégio Militar do Rio de Janeiro. Ainda em 1965 fundou o movimento militar, que passou a chefiar, intitulado Liga Democrática Radical (Líder), organização que congregava militares da chamada “linha dura”, setor das forças armadas que pregava a luta sem tréguas à “corrupção” e à “subversão comunista”, ao mesmo tempo em que combatia a devolução do poder aos civis. Devido à ocorrência de constantes atritos durante o governo do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco (1964-1967) entre a cúpula governamental e os oficiais da “linha dura” — que discordavam da atuação do presidente frente aos elementos ligados ao regime deposto, considerada demasiado branda —, Martinelli opôs-se, ao lado de outros militares, em abril desse ano, à decisão do Superior Tribunal Militar (STM) de libertar o ex-governador Miguel Arrais. Gerando uma crise, a divergência provocou a intervenção do presidente no sentido de fazer cumprir a decisão judicial.

Com o agravamento da crise, decorrente da insatisfação dos oficiais da “linha dura” com a eleição, em outubro de 1965, para o governo da Guanabara e de Minas Gerais, de Francisco Negrão de Lima e Israel Pinheiro, respectivamente, ambos opositores do regime militar instaurado em 1964, participou, juntamente com a Líder, da articulação de um movimento que, sob o comando do chefe do Estado-Maior do I Exército, sediado no Rio de Janeiro, general Afonso de Albuquerque Lima, pretendia derrubar o presidente Castelo Branco. Essa conspiração não foi adiante devido à interferência do então ministro da Guerra, general Artur da Costa e Silva, que, reunido com os oficiais anticastelistas na Vila Militar do Rio de Janeiro, afirmou que “o Exército não é um corpo político, mas um organismo de apoio, e que, como tal, se submeteria às decisões do presidente”. Por outro lado, porém, Costa e Silva prometeu que o governo aprofundaria o movimento de 1964 e promulgaria o segundo ato institucional, caso a situação política o exigisse. Nessa ocasião, o ministro da Guerra surgiria como intermediário entre a “linha dura” e o castelismo e como único candidato à sucessão presidencial que as forças armadas tolerariam.

A decretação do Ato Institucional nº 2 (AI-2) em 27 de outubro de 1965, reforçando o caráter autoritário do regime, atendeu, por um lado, às reivindicações da “linha dura”. Por outro lado, contudo, foi contrabalançada pela punição de diversos conspiradores. Preso ainda em outubro de 1965, Martinelli foi em seguida transferido do Colégio Militar do Rio de Janeiro para o de Salvador. No mês seguinte, a Líder foi dissolvida.

Enquadrando-se nas normas da “linha dura” nacionalista e manifestando-se “contra a corrupção, o comunismo e o entreguismo e a favor da democracia e da justiça social”, Martinelli candidatou-se em outubro de 1966 a deputado federal pelo então estado da Guanabara na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), obtendo uma suplência. Promovido a coronel em abril de 1970, no pleito de novembro desse ano elegeu-se deputado federal pelo estado da Guanabara, sempre na legenda da Arena. Assumindo o mandato em fevereiro de 1971, tornou-se membro efetivo da Comissão de Segurança Nacional e suplente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. Ainda em 1971 passou para a reserva.

Com a saída de Negrão de Lima do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), cuja candidatura ao Senado teria sido vetada pelo governador Antônio de Pádua Chagas Freitas — líder político do MDB carioca —, Martinelli apresentou emenda ao projeto de fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, permitindo a candidatura do ex-governador e de seus correligionários pela Arena. Embora tivesse ingressado na Arena, Negrão de Lima não conseguiu indicação para concorrer ao Senado.

Candidatando-se novamente à Câmara dos Deputados no pleito de novembro de 1974 na mesma legenda, Martinelli obteve apenas uma suplência, deixando a Câmara em janeiro de 1975, ao fim de seu mandato.

Afastado do cenário político, de 1975 a 1982 Martinelli trabalhou na empresa Antenas Coletivas Martinelli, de propriedade dos seus irmãos. Em 1983, assumiu o cargo de gerente da Editora Vecchi, função que desempenhou até 1988. De 1989 a 1992, foi gerente da Induco.

Tornou-se membro do conselho fiscal do Clube Militar, função que desempenhava em fevereiro de 2000.

Foi também vice-presidente do Tijuca Tênis Clube, vice-presidente do América Futebol Clube e diretor social do Clube Militar.

Fez os cursos da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e de guerra química da Escola de Instrução Especializada, freqüentando ainda a Leadership and Battle Training School, nos EUA.

Foi presidente da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB).

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 10 de janeiro de 2008.

Foi casado com Elisabeta Maria Martinelli, com quem teve dois filhos, e com Sílvia Marques Martinelli, com quem teve um filho. Contraiu terceiras núpcias com Maria de Fátima Depes.

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1971-1975); FIECHTER, G. Regime; INF. BIOG.; Jornal do Brasil (28/10/66); MAGALHÃES, I. Segundo; MIN. GUERRA. Almanaque (1971); NÉRI, S. 16; Perfil (1972); Rev. Clube Militar (6/50); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (8); VIANA FILHO, L. Governo.

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