OSVALDO PIANA FILHO

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Nome: PIANA, Osvaldo
Nome Completo: OSVALDO PIANA FILHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PIANA, OSVALDO

PIANA, Osvaldo

*gov. RO 1991-1995.

Osvaldo Piana Filho nasceu em Porto Velho no dia 27 de fevereiro de 1949, filho de Osvaldo Piana e de Olga Piana.

Em 1975 concluiu o curso de medicina da Universidade Federal do Amazonas. Dois anos depois, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde fez o curso de mestrado em gastroenterologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC).

Retornando a Rondônia, iniciou-se na política levado pelo governador Jorge Teixeira (1979-1985) para o Partido Democrático Social (PDS). Por este partido elegeu-se deputado estadual em novembro de 1982. Assumindo o mandato no início do ano seguinte, foi escolhido primeiro-secretário da Assembléia Legislativa de Rondônia, tendo ativa participação na elaboração da primeira Constituição do novo estado, que tinha sido elevado a esta categoria em 22 de dezembro de 1981.

Em 1984, mesmo pertencendo ao PDS, engajou-se no movimento Diretas Já, que defendia a eleição direta para presidente da República em novembro daquele ano, mas a proposta se frustrou em decorrência da não aprovação da emenda Dante de Oliveira pela Câmara dos Deputados em 25 de abril de 1984. Representando a Assembléia Legislativa de Rondônia, no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Osvaldo Piana votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito presidente da República pela Aliança Democrática — uma união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal. Contudo, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo, desde 15 de março deste ano.

Em 1986, Osvaldo Piana saiu do PDS e ingressou no Partido da Frente Liberal (PFL), legenda pela qual se reelegeu deputado estadual. Assumindo novo mandato no início do ano seguinte, tornou-se segundo-vice-presidente da Assembléia Legislativa de Rondônia. Posteriormente deixou o PFL, foi eleito presidente da Assembléia Legislativa e, nessa condição, instalou a Assembléia Estadual Constituinte, que elaborou a segunda Constituição do estado. Em março de 1989, decidiu apoiar a candidatura embrionária do então governador de Alagoas, Fernando Collor de Melo (1987-1990) à presidência da República. Collor foi eleito em dezembro de 1989 pela legenda do Partido da Reconstrução Nacional (PRN).

Em 1990, Osvaldo Piana filiou-se ao Partido Trabalhista Renovador (PTR), legenda pela qual disputou o governo de Rondônia, numa coligação com o Partido Social Cristão (PSC), em outubro/novembro daquele ano. No primeiro turno da eleição foi o terceiro colocado, mas, com o assassinato do candidato do PMDB, senador Olavo Pires, primeiro colocado, no dia 16 de outubro, Piana disputou o segundo turno com Valdir Raupp, candidato do PRN. Venceu a eleição e tornou-se o primeiro governador de Rondônia nascido no estado.

Assumindo o mandato em março de 1991, fechou o garimpo Belmonte, no rio Madeira, segundo ele para combater o narcotráfico, que utilizava o estado como rota de passagem de cocaína. Ainda no mesmo ano, foi acusado, mas negou que tivesse recebido apoio político de Abidiel Rabelo, irmão do ex-deputado federal Jabes Rabelo e preso em São Paulo com 554 quilos de cocaína pura. Diante da suspeita de envolvimento de deputados federais de Rondônia com o tráfico de drogas, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico sugeriu a intervenção federal no estado e a Polícia Federal começou uma campanha de repressão ao tráfico denominada Operação Amazônia. Na ocasião, ambas as medidas foram criticadas por Piana, que reivindicou do governo federal “apoio consistente e definitivo”.

Em agosto de 1992, Piana foi um dos últimos governadores a aderirem ao pedido de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias. Afastado da presidência após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo no Senado. Com isso, foi efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde 2 de outubro.

Em fevereiro do ano seguinte, diante de uma greve da Polícia Militar de Rondônia, que reivindicava melhores salários, Osvaldo Piana pediu a intervenção do Exército, que, na ocasião, assumiu o comando da polícia militar. Ainda em 1993, Piana saiu do PTR e ingressou no Partido Progressista (PP). No mesmo ano, foi acusado por dois pistoleiros de ter sido o mandante do assassinato de Olavo Pires. Negando participação no caso, Piana depôs duas vezes na CPI da pistolagem da Câmara dos Deputados, em Brasília. Ao final de seus trabalhos, em dezembro de 1992, a CPI confirmou em seu relatório o envolvimento de Piana, do vice-governador Assis Canuto e do proprietário da empresa de ônibus União Cascavel, Assis Gurgacs, na morte de Olavo Pires.

Piana terminou seu mandato em dezembro de 1994, não concorrendo a nenhum outro cargo eletivo. Retirando-se da cena política, retornou à atividade médica em consultório próprio. Seu sucessor no governo do estado, Valdir Raupp, acusou-o de “ter saqueado Rondônia”, deixando um rombo nas contas do estado e desaparecendo dois dias antes do término de seu mandato, juntamente com seu secretário de Fazenda, Valdir Grabner.

Em fevereiro de 1995, a Justiça bloqueou os bens de Piana, acusando-o de ter cometido irregularidades, juntamente com o ex-presidente da Companhia de Abastecimento, Armazéns Gerais e Entrepostos de Rondônia (Cagero), Dersival Ribeiro Reis, na contratação de 110 servidores sem concurso público durante a campanha eleitoral de 1994.

Nas eleições de março de 2002, disputou uma cadeira no Senado Federal na legenda do Partido Progressista Brasileiro (PPB), mas não obteve sucesso.

Osvaldo Piana casou-se com Hélia Botelho Piana, com quem teve dois filhos.

Marcelo Costa

 

 

FONTES: Estado de S. Paulo (30/3, 12/7, 2/8 e 8/9/91, 17/2, 7 e 15/10/93); Folha de S. Paulo (27/11/90, 16/3, 17/7, 1 e 21/8/91, 28/8 e 3/9/92, 22, 23, 24 e 30/9/93); Globo (16/1/85, 17/2, 22, 23 e 28/9 e 8/10/93, 3 e 23/2/95); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (31/7 e 4/8/91, 22, 23 e 24/9, 8/10, 22 e 23/12/93); Perfil parlamentar/IstoÉ; Veja (13/10/93).

 

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