OSVALDO ROBERTO COLIN

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Nome: COLIN, Osvaldo
Nome Completo: OSVALDO ROBERTO COLIN

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
COLIN, OSVALDO

COLIN, Osvaldo

*pres. Bco. Bras. 1979-1985.

 

Osvaldo Roberto Colin nasceu em Joinville (SC) no dia 24 de março de 1924, filho de Rodolfo Colin e de Maria Sofia Colin.

Entre 1941 e 1942, desempenhou funções de auxiliar de escritório na firma Arp & Cia. (filial de Joinville). Em 1942 ingressou no Banco do Brasil (BB); no Rio de Janeiro, como escriturário, tendo desempenhado funções em diversos setores do banco. Formou-se contador no Rio de Janeiro, em 1944, e bacharelou-se em direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1955. No  BB percorreu todos os cargos de carreira e diversos cargos em comissão. Em 1961, o presidente Jânio Quadros ordenou sua demissão do cargo de chefe da contabilidade do banco por considerá-lo muito jovem (37 anos) para a função, sendo dissuadido pelo então presidente do BB, João Batista Leopoldo de Figueiredo. Colin chegou a chefe de seção, cargo máximo como funcionário de carreira, em janeiro de 1964. Em 1967 foi designado para substituir o diretor-superintendente, tendo sido, no mesmo ano, eleito para o cargo de diretor administrativo, para o qual foi reeleito por duas vezes, e que desempenhou por 12 anos ininterruptamente. Como funcionário de carreira, já se aposentara em 1972. Ao longo destes 12 anos desempenhou de fato funções de vice-presidente, tendo também substituído em diversas oportunidades presidentes do BB como substituto estatutário.

Em 1979 foi nomeado pelo presidente da República, general Ernesto Geisel, para exercer a presidência do BB, substituindo no cargo a Karlos Rischbieter, que assumiu, naquele ocasião, o Ministério da Fazenda. Simultaneamente, foi eleito pela Assembléia Geral de Acionistas presidente do Conselho de Administração.

Mantido na presidência do banco pelo general João Batista Figueiredo, que assumiu a presidência da República em março de 1979, Colin representou um sólido ponto de apoio para o governo no front internacional em setembro de 1982 quando, na esteira da moratória do México, a agência do BB de Nova Iorque transformou-se no principal guichê de pagamentos do país no exterior. Colin manobrava discretamente junto ao Banco Central até a chegada da ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI). Sua posição era a de que o Brasil discutisse no mercado a reciclagem de seus débitos, cujas amortizações, segundo alguns analistas, poderiam exigir pagamentos de até quatro bilhões de dólares por mês em 1983. Afirmando que “quem deve, paga” e que “compromisso é compromisso”, contestava os pedidos de moratória da dívida na parcela dos juros, defendida pelo general Antônio Carlos de Andrade Serpa, que entendia estar o país sendo vítima de extorsão internacional.

Após a ocorrência de problema semelhante com o México e a Argentina, os banqueiros norte-americanos haviam retirado o BB, em dezembro do ano anterior, do sistema CHIPS (Clearing House Interbank Payments System) para controlar diretamente a liquidação das operações. A situação se agravou com a recusa do FMI de liberar, em maio de 1983, parte de empréstimo negociado com o Brasil. Para conseguir a suspensão deste embargo, o governo foi obrigado a adotar uma série de medidas, entre as quais uma maior restrição ao crédito.

Ainda em 1983, Colin apoiou os protestos dos funcionários do banco contra o decreto-lei que ameaçava extinguir vantagens por eles obtidas — entre as quais a gratificação de 25%, instituída em 1920 e incorporada aos vencimentos dos funcionários —, defendendo esse ponto de vista diante do chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI), general Otávio Medeiros, e do ministro da Fazenda, Antônio Delfim Neto. Apesar de bem-sucedido em sua argumentação, Colin teve de promover um corte nos gastos administrativos do BB de 90 bilhões de cruzeiros até o final daquele ano. Considerava o programa de assistência do banco bastante desenvolvido por proporcionar complementação de aposentadoria e assistência médica através da Caixa de Assistência. Apesar da manutenção da gratificação de 25%, foram cortadas outras vantagens, como a participação nos lucros, o auxílio-casamento, o adicional de insalubridade. Com tal medida, o governo tentava reduzir o déficit público num momento em que negociava o pagamento, que se encontrava atrasado, da dívida externa do país com o FMI e com banqueiros internacionais.

Defendeu em 1984 a posição de que o governo brasileiro não deveria comprometer suas reservas internacionais e manter independência em relação ao FMI diante das negociações para obtenção do empréstimo chamado Jumbo, junto ao Eximbank e outros agentes financeiros americanos.

Osvaldo Colin deixou a presidência   BB em março de 1985, ao término do governo Figueiredo, sendo sucedido por Camilo Calasans de Magalhães. Em abril de 1986 foi eleito, em Assembléia Geral Ordinária, membro efetivo do Conselho Fiscal do BB.

A partir de 1985 passou a dedicar-se à consultoria e assistência empresarial, vindo a integrar os conselhos de administração das seguintes empresas: Fundição Tupy S.A. e Metalúrgica Schulz S.A., ambas sediadas em Joinville; Eletromotores Weg S.A., sediada em Jaraguá do Sul (SC); Mecano Têxtil Buddemeyer Ltda., com sede em São Bento do Sul (SC); Berneck & Cia., sediada em Curitiba; Casas Sendas S.A. e Dinaco-Comércio e Participações Ltda., ambas sediadas na cidade do Rio de Janeiro.

Ao longo de sua vida profissional, Colin foi também membro do Conselho Monetário Nacional, do Conselho Nacional do Comércio Exterior, tendo exercido, cumulativamente, as funções de chairman do Brazilian American Merchant Bank, com sede em Grand Cayman (Caribe), do European Brazilian Merchant Bank, com sede em Londres, e do European Latin American Merchant Bank, sediado igualmente em Londres.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 1º de maio de 1996.

Osvaldo Roberto Colin foi casado com Roselys Carmem de Carvalho Colin, falecida em 1978, com quem teve quatro filhos. Casou-se, em segundas núpcias, com Maria Teresinha Andrade Colin.

Sônia Zylberberg/Ana Cristina Sá

 

FONTES: ARQUIVO HIST. BANCO DO BRASIL; CURRIC.  BIOG.; Veja (14/12/82 e 6/7/83).

 

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