OTAVIO AUGUSTO DIAS CARNEIRO

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Nome: CARNEIRO, Dias
Nome Completo: OTAVIO AUGUSTO DIAS CARNEIRO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CARNEIRO, DIAS

CARNEIRO, Dias

*diplomata; min. Ind. e Com. 1962-1963; superint. Sumoc 1963-1964.

 

Otávio Augusto Dias Carneiro nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 11 de julho de 1912, filho de Otávio Dias Carneiro e de Júlia Luísa de Sousa e Silva Dias Carneiro.

Cursou a Escola Naval, graduando-se como guarda-marinha em junho de 1934. Quatro anos depois se formou em arquitetura pela Escola Superior de Belas-Artes de Paris.

Em outubro de 1940, ingressou no Itamarati, através de concurso, como cônsul de terceira classe. Numa de suas primeiras atribuições, participou da elaboração do projeto de consolidação das leis referentes à carreira diplomática, editado em 1942.

Em fevereiro de 1944, foi transferido para o consulado do Brasil em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde desempenhou funções de vice-cônsul. Promovido a segundo-secretário, foi removido para a embaixada brasileira em Washington em abril de 1946. Atuou como secretário da delegação do Brasil à Conferência Internacional de Comércio e Emprego, reunida em Havana, Cuba, em novembro de 1947. Durante o período em que serviu na capital norte-americana, estudou economia política na Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas da Universidade de George Washington, bacharelando-se em fevereiro de 1949 com a dissertação Some theoretical aspects of price-quantity fixing and intergovernmental commodity agreements. Dois anos depois, doutorou-se em economia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, defendendo a tese A study on the theory of international economic organization.

Em julho de 1951 retornou ao Brasil e no mês seguinte foi designado professor do Instituto Rio Branco, responsável pelas cadeiras de tratados e política econômica do Brasil — do curso de aperfeiçoamento de diplomatas — e de política econômica — do curso de preparação para a carreira diplomática —, tendo participado também de diversas bancas examinadoras em ambas as especialidades. Em outubro do mesmo ano, serviu como representante do Itamarati na Comissão Mista Brasil-França, encarregada do acordo comercial entre os dois países, e em outubro de 1952 assessorou a delegação do Brasil à VII Sessão da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.

Em março de 1953, assumiu a chefia do departamento de economia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), órgão criado em 1952, durante o segundo governo de Getúlio Vargas, com a finalidade de canalizar investimentos estatais em apoio às áreas de infra-estrutura, visando à superação dos pontos de estrangulamento do processo de industrialização. Permaneceu no cargo até julho de 1953, quando foi transferido para a embaixada do Brasil em Londres, onde, em dezembro do mesmo ano, foi promovido a primeiro-secretário. Dentre as funções que exerceu no período, destacou-se sua participação na IX Reunião das Altas Partes Contratantes do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), em Genebra, Suíça, em outubro de 1954, e na Conferência Internacional do Trigo, na mesma cidade, em outubro de 1955.

Retornando ao Brasil em abril de 1956, participou do Conselho de Desenvolvimento da Presidência da República e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), respectivamente em julho e novembro daquele ano. Ainda em novembro de 1956, foi promovido a ministro de segunda classe. Em fevereiro de 1957, foi transferido para Nova Iorque como técnico da Comissão Consultiva para Usos Pacíficos da Energia Atômica, patrocinada pelas Nações Unidas. Em julho serviu como conselheiro junto à XXIV Sessão do Conselho Econômico e Social da ONU, em Genebra, além de integrar, na qualidade de suplente, a delegação brasileira à I Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), reunida em Viena, Áustria, em outubro do mesmo ano. Em 1959, voltou a participar de foros internacionais sobre o problema nuclear, integrando delegações à II Conferência Internacional das Nações Unidas sobre os Usos Pacíficos da Energia Atômica, em Genebra, realizada em setembro, e à II Conferência Geral da AIEA, em setembro e outubro, promovida novamente na capital austríaca.

De volta ao Brasil no mesmo ano, foi colocado à disposição do Ministério da Fazenda e designado seu representante junto ao Conselho Nacional do Petróleo (CNP). Em abril de 1959, passou a integrar a CNEN e em junho chefiou a missão brasileira à XXXI Sessão da Comissão de Produtos de Base da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), sediada em Roma, Itália. Na qualidade de membro da CNEN, representou o Brasil na I Reunião da Comissão Interamericana de Energia Nuclear, realizada em Washington em outubro. No mesmo mês, assessorou ainda a delegação brasileira à XIV Sessão da Assembléia Geral da ONU, em Nova Iorque.

Especialista em questões energéticas, foi designado em janeiro de 1960 diretor executivo da superintendência do chamado projeto Macacu, visando à implantação de uma central térmica núcleo-elétrica no estado do Rio de Janeiro. Em junho do mesmo ano, foi destacado para servir em Washington junto ao Conselho da Organização dos Estados Americanos (OEA), atuando no Comitê dos Nove Países, encarregado de implementar as propostas da Operação Pan-Americana (OPA) — idealizada por Augusto Frederico Schmidt, assessor do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), com a finalidade de comprometer mais ativamente o governo dos Estados Unidos na assistência ao desenvolvimento econômico da América Latina. Participou ainda, em setembro de 1960, da delegação enviada ao terceiro período de sessões do Comitê dos 21 — comissão criada para estudar a formulação de novas medidas de cooperação econômica na América Latina, reunido em Bogotá, na Colômbia.

Em fevereiro de 1961, durante o governo do presidente Jânio Quadros (janeiro a agosto de 1961), foi designado presidente da comissão de organização do Ministério da Indústria e Comércio e chefe de gabinete de Artur da Silva Bernardes Filho, primeiro titular dessa pasta — criada com o desdobramento do antigo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, tendo por finalidade a administração e o desenvolvimento, em nível nacional, das áreas de comércio (interior e exterior) e indústria, seguros privados, registro do comércio e legislação metrológica, turismo, pesquisa e experimentação tecnológica. Em março do mesmo ano, integrou a missão enviada aos Estados Unidos para negociar empréstimos com o governo norte-americano e com o Fundo Monetário Internacional (FMI), sob o comando do diplomata e financista Válter Moreira Sales, ex-embaixador do Brasil naquele país. Ainda nesse mês, exerceu interinamente a pasta da Indústria e Comércio. Em julho seguinte, passou a integrar o conselho consultivo da Companhia Nacional de Álcalis, subordinada ao ministério, e, no mês seguinte, a Comissão Nacional de Planejamento. Promovido a ministro de primeira classe em outubro de 1961, participou em novembro como subchefe da delegação brasileira, da XIX Sessão do GATT, em Genebra.

Durante o governo parlamentarista de João Goulart, assumiu a pasta da Indústria e Comércio, substituindo em 18 de fevereiro de 1962 Ulisses Guimarães. Permaneceu no ministério durante os gabinetes chefiados por Tancredo Neves (setembro de 1961 a junho de 1962), Francisco de Paula Brochado da Rocha (julho a setembro de 1962) e Hermes Lima (setembro de 1962 a janeiro de 1963). Após o plebiscito que deliberou a restauração do presidencialismo (22/1/1963) e que provocou uma completa reformulação ministerial, transmitiu a pasta a Egídio Michaelsen.

Em março de 1963 assumiu a direção da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc) em substituição a Júlio de Sousa Avelar, cargo que ocuparia até maio de 1964, quando assumiu o novo titular Dênio Nogueira.

Em setembro de 1963, representou o Brasil junto ao Grupo Técnico sobre Financiamento Compensado, em Nova Iorque. De volta ao país, atuou, no mês seguinte, como conselheiro especial da delegação brasileira presente à segunda reunião anual do Conselho Interamericano Econômico e Social, realizada em São Paulo.

Em abril de 1964, logo após o movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart, foi nomeado diretor executivo da Sumoc, órgão autárquico da União criado em 1946 com a finalidade de controlar o volume e a circulação de dinheiro na economia nacional, e que foi extinto em 1964, quando da fundação do Banco Central que absorveu suas funções.

Em setembro de 1965, participou de um grupo de trabalho da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (CNUCD), em Nova Iorque, além de integrar a delegação do Brasil à XX Sessão da Assembléia Geral da ONU, naquela mesma cidade.

Faleceu em Antuérpia, na Bélgica, no dia 10 de maio de 1968.

Foi casado com Lílian Dias Carneiro.

Escreveu vários artigos sistematizando suas reflexões e experiências profissionais nas áreas de economia política, comércio internacional e problemas energéticos. Filiado à corrente neokeynesiana em economia, traduziu para o português a obra clássica de Paul A. Samuelson, Economics — an introductory analysis (edição brasileira: Introdução à análise econômica, 1952).

 

 

FONTES: CORRESP. BANCO CENTRAL; COUTINHO, A. Brasil; Grande encic. Delta; Grande encic. portuguesa; RIBEIRO FILHO, J. Dic.; VÍTOR, M. Cinco.

 

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