OTAVIO ISMAELINO SARMENTO DE CASTRO

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: CASTRO, Ismaelino de
Nome Completo: OTAVIO ISMAELINO SARMENTO DE CASTRO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CASTRO, ISMAELINO DE

CASTRO, Ismaelino de

*militar; rev. 1930; junta gov. PA 1930; rev. 1932.

 

Otávio Ismaelino Sarmento de Castro nasceu no Pará no dia 21 de maio de 1905, filho de Otávia Sarmento de Castro e Manuel Ismael de Castro.

Estudou inicialmente no Colégio Perseverança e depois no Colégio Progresso Paraense, onde freqüentou o curso comercial. Diplomado em guarda-livros, trabalhou na firma M. I. Castro, especializada em caixas de madeira para exportação de borracha e castanhas. Em 1920 ingressou no Ginásio Pais de Carvalho. No ano seguinte, sentou praça em setembro como recruta de ensino da Escola Regimental do 26º Batalhão de Caçadores (26º BC), sediado em Belém, sendo aprovado em dezembro. Em janeiro de 1922 foi transferido para o Pelotão de Metralhadoras Pesadas dessa unidade, em maio seguinte para a sua 2ª Companhia e, finalmente, em agosto do mesmo ano, para a sua secretaria, como datilógrafo. Em março de 1923 tornou-se cabo-chefe-de-peça efetivo, transferindo-se ainda nesse mês para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde se matriculou na Escola Militar do Realengo, sendo ali classificado na arma de infantaria em março de 1924. Concluindo seu curso, foi declarado aspirante-a-oficial em janeiro de 1928 e em março retornou ao 26º BC. Nesta época, em Belém lecionou aritmética no Ginásio Pais de Carvalho. Em agosto do mesmo ano foi promovido a segundo-tenente e em agosto de 1930 a primeiro-tenente.

Ao desencadear-se a Revolução de 1930, no início de outubro, tornou-se um dos chefes do movimento no Pará, liderando a revolta no 26º BC e sendo obrigado a retirar-se para a cidade de Viseu (PA), na fronteira com o Maranhão, diante da reação da Força Pública paraense. Dirigiu-se em seguida para Carutapera (MA) e desceu o rio Gurupi para fazer contato com os efetivos revolucionários em operação no Norte do país. Preso pela Força Pública em Bragança (PA), foi conduzido para Belém, onde chegou ainda no mês de outubro.

Consolidada a vitória da revolução no dia 24 de outubro desse mesmo ano, o governador do Pará, Eurico Vale, foi intimado pelos revolucionários a entregar o cargo a Ismaelino de Castro. De imediato foi constituída uma junta provisória de governo, integrada por Ismaelino e os irmãos Abel e Mário Chermont, líderes civis do movimento rebelde no estado. Essa junta, que atuaria apenas de 24 a 26 de outubro, foi substituída pelo tenente Landri Sales, que também ficou no governo apenas dois dias. No dia 28 seguinte foi criada uma nova junta governativa, sendo mantidos na mesma Ismaelino de Castro e Mário Chermont, ao lado do tenente Antônio Rogério Coimbra. Permaneceu no cargo até novembro de 1930, quando assumiu o governo o capitão Joaquim Magalhães Barata, nomeado interventor federal no Pará por Getúlio Vargas, chefe do Governo Provisório.

Tornando-se assistente militar do interventor, Ismaelino de Castro foi reintegrado ao 26º BC, assumindo o comando da 2ª Companhia dessa unidade em janeiro do ano seguinte. Neste período, ainda em 1930, foi enviado a Fordlândia (concessão de terras feita ao industrial americano Henry Ford, às margens do rio Tapajós, para exploração da borracha) com a missão de pacificar um movimento de trabalhadores naquela região, que, em sinal de protesto, tinham danificado uma serra elétrica utilizada na exploração de madeira. Tendo sido bem-sucedido, e matriculado na Faculdade de Direito de Belém, no dia 15 de novembro de 1931 foi nomeado secretário do Interior e Justiça do Pará.

Ainda em 1931, participou da constituição do Partido Liberal (PL) do Pará, fundado em dezembro desse ano por iniciativa do interventor Magalhães Barata, tendo sido membro do primeiro diretório dessa agremiação, ao lado dos irmãos Chermont e de José Carneiro da Gama Malcher, entre outros. Como os demais partidos criados nessa época pelos interventores estaduais, o PL do Pará apoiou abertamente a política de Getúlio Vargas, congregando as forças que tinham promovido a Revolução de 1930 no estado.

Em abril de 1932, Ismaelino solicitou exoneração do cargo de Secretário do Interior e Justiça devido a desentendimentos freqüentes com o interventor Magalhães Barata. Estes desentendimentos culminariam com a designação, por Magalhães Barata, do então, Secretário da Fazenda, Clementino Lisboa, ao invés de Ismaelino, para ocupar a interventoria durante sua viagem à capital federal.

Desligado do governo paraense, Ismaelino passou para a oposição. Posicionando-se contra a legislação trabalhista do então ministro do Trabalho, Lindolfo Collor, por considerar que defendia idéias contrárias às propostas pela Revolução de 1930, fez de sua própria casa a sede da Legião Paraense do Trabalho. Em artigo publicado no Estado do Pará, em 14/6/1932, criticou a exigência de sindicalização do operário prescrita pelo Ministério do Trabalho, observando que aquelas leis não satisfaziam as aspirações mínimas do proletariado do resto do país. Quanto à Legião, no mês seguinte definiu-a como o órgão oficial trabalhista naquele estado e uma tentativa de resolver a questão proletária brasileira, buscando acomodar os interesses dos proletários com o dos patrões, de quem não deveriam se afastar, pois estes possuíam o capital necessário à sociedade.

Em setembro de 1932, durante a Revolução Constitucionalista de São Paulo, Ismaelino de Castro foi transferido para o Rio de Janeiro a fim de juntar-se às tropas que combatiam os revolucionários paulistas. Ainda nesse mês, participou de operações militares contra os rebeldes em várias localidades do estado de São Paulo. Após a derrota dos revoltosos em outubro desse mesmo ano, permaneceu por algum tempo na capital da República, regressando no fim do ano a Belém. Em janeiro de 1933 reassumiu suas funções de ajudante do 26º BC e, em caráter interino, a chefia da 2ª Circunscrição de Recrutamento.

Nas eleições para a Assembléia Nacional Constituinte de 3 de maio de 1933, candidatou-se a deputado, considerando-se um representante da “mocidade paraense”, formada por acadêmicos das faculdades de Belém, “sem compromissos político-partidários com quaisquer agremiações”. Obtendo apoio da Federação dos Capacetes de Aço e da Mocidade Estudantina, apresentou sua plataforma política sob o título “Palavras únicas”, na qual defendeu a anistia ampla para os crimes políticos e seus derivados, liberdade de imprensa, remodelação do ensino secundário, estabilidade da função pública, entre outras propostas para a Constituinte, visando à reabilitação da Revolução de 1930.

Derrotado, foi promovido a capitão em agosto de 1933, e removido do 26º BC para o Batalhão de Guardas, no Distrito Federal. Neste mesmo ano, no mês de dezembro bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade Nacional de Direito, em Niterói (RJ). Mesmo fora de seu estado, candidatou-se novamente no pleito de outubro de 1934, agora pela Frente Única Paraense, formada naquele ano por elementos de oposição ao governo do interventor Magalhães Barata. Derrotado mais uma vez, Ismaelino dedicou-se à carreira militar, ao magistério e à advocacia.

Permaneceu no Batalhão de Guardas até fevereiro de 1935, quando assumiu as funções de professor de administração, legislação e processo militar da Escola Militar do Realengo. Em outubro seguinte passou a auxiliar de ensino de direito daquele estabelecimento militar, função que exerceu até retornar, em abril de 1936, ao 26º BC na capital paraense.

Em agosto de 1939 foi mais uma vez transferido para o Rio de Janeiro, ficando nessa cidade adido inicialmente à Diretoria de Infantaria até o mês seguinte, quando passou a servir na 1ª Divisão de Infantaria do 1º Regimento de Infantaria (1º RI) na Vila Militar. De fevereiro a outubro de 1940, fez o curso de aperfeiçoamento da Escola de Armas, na mesma cidade, servindo depois no 14º BC, sediado em Florianópolis, onde, em maio do ano seguinte, assumiu o comando da 1ª Companhia. Exerceu essa função até fevereiro de 1942, quando retornou ao Rio de Janeiro para servir na Diretoria de Recrutamento. Promovido a major em setembro de 1943, foi transferido para Juiz de Fora (MG) em novembro desse mesmo ano para comandar o Batalhão do 12º RI, e lá permaneceu até dezembro de 1944.

De volta ao Rio de Janeiro, serviu mais uma vez na Diretoria de Recrutamento, de onde foi transferido em julho de 1946 para o gabinete da Diretoria de Ensino de Exército. No primeiro semestre do ano seguinte, tornou-se professor auxiliar de ensino de direito do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), deixando em junho de 1947 suas funções para lecionar português no Colégio Militar do Rio de Janeiro.

Em 1949 fez estágio em técnica de ensino e em 1950 o curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Em junho deste último ano tornou-se membro efetivo do conselho deliberativo do Clube Militar, logo após a eleição do general Newton Estillac Leal, candidato da chapa nacionalista à diretoria do clube e, posteriormente, ministro da Guerra, no segundo governo constitucional de Getúlio Vargas (1951-1954).

Ainda em setembro de 1950, recebeu a patente de tenente-coronel. No ano seguinte, no I Congresso Nacional de Folclore no Rio, foi premiado pela tese de lingüística, O folclore no ensino de português (trabalho em parceria com os professores Cavalcanti Proença e José Ramos). No segundo semestre de 1952, tornou-se professor adjunto da cátedra de português do Colégio Militar. Em novembro do mesmo ano foi promovido a coronel e em janeiro de 1956 passou para a reserva no posto de general-de-brigada e como professor reformado.

Ismaelino de Castro exerceu ainda atividades jornalísticas como redator-chefe da revista Acadêmica da Escola Militar (RJ) e, como colaborador, na Revista do Trânsito, na Rádio Esporte em Revista e em A Manhã, no Rio; Estado (Juiz de Fora, MG); Estado do Pará e Liberal (PA). Foi membro da Academia Paraense de Letras, Federação das Academias de Letras do Brasil, Instituto Histórico e Geográfico do Pará e de Sergipe, Instituto de História e Geografia Militar do Brasil, Associação de Homens de Letras do Brasil e Sociedade Brasileira de Cultura.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 28 de dezembro de 1989.

Era casado com Maria de Lurdes Gonçalves Pereira de Castro, com quem teve uma filha.

Publicou entre outros Maria China, (romance folclórico paraense, 1949); Gotas de glória, (episódios sobre a Força Expedicionária Brasileira — FEB), Oitentanos (1985).

Sobre ele foi escrito De coração aberto: pequena biografia do mestre-escola Ismaelino.

 

FONTES: ARQ. MIN. EXÉRC.; CASTRO, M. Coração; CRUZ, E. História do Pará; Encic. Mirador; MEIRA, C. Introdução; POPPINO, R. Federal; Rev. Clube Militar (6/50); SILVA, H. 1930.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados