PAULO ALCIDES FRANCISCATO

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Nome: FRANCISCATO, Alcides
Nome Completo: PAULO ALCIDES FRANCISCATO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FRANCISCATO, ALCIDES

FRANCISCATO, Alcides

*dep. fed. SP 1975-1987.

Paulo Alcides Franciscato nasceu em Piracicaba (SP) no dia 2 de junho de 1930, filho de Ângelo Franciscato e de Itália Giovanetti Franciscato, imigrantes italianos originários da Sicília.

Realizou seus estudos no Colégio São José, no Liceu Noroeste e no Colégio Guedes de Azevedo, no interior paulista. Engenheiro agrônomo diplomado pela Escola Superior de Agricultura Luís de Queirós da Universidade de São Paulo (USP), em 1953, fez curso de aperfeiçoamento em hidráulica do solo nos Estados Unidos, como estagiário-bolsista, em 1954.

Foi mecânico de manutenção e motorista de ônibus da frota do pai, a Expresso de Prata, de Bauru (SP), e, em 1955, assumiu a direção da empresa, promovendo importantes melhoramentos. Foi sócio de outra companhia do setor, a Jauense, e diretor de uma construtora de Bauru, onde fundou em 1967 o Jornal da Cidade, de circulação diária.

Apoiado por representantes de classe e políticos militantes, candidatou-se a prefeito de Bauru em 1968 na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instaurado no país em abril de 1964, cujo diretório local integrava, elegendo-se com 70% dos votos. Durante sua gestão, iniciada no começo de 1969, consolidou o distrito industrial do município e conseguiu que fosse realizada na cidade a XXII Convenção dos Industriais de São Paulo. Organizou também uma reunião de prefeitos e vereadores de duzentos municípios paulistas para criar formas de diálogo com o governo estadual, tornando-se fundador e presidente da Associação dos Municípios do Centro-Oeste do estado. Também nesse período fez amizade com o general João Batista Figueiredo, que comandava na época a Força Pública de São Paulo. Após deixar a prefeitura em 1972, fundou no ano seguinte um novo jornal em Bauru, o Diário da Tarde, de circulação exclusiva para assinantes. Em 1974, lançou na capital paulista o Super News, semanário voltado para a divulgação das obras do governo estadual.

No pleito de novembro desse ano, elegeu-se deputado federal por São Paulo na legenda arenista. Segundo o Jornal do Brasil, figurava entre os deputados mais ricos do país. Assumiu o mandato em fevereiro de 1975, ano em que participou das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) que examinaram o problema do menor abandonado e carente do país, e os atos de corrupção praticados por órgãos da administração direta e indireta da União:

No ano seguinte recusou-se a concorrer novamente à prefeitura de Bauru numa das sublegendas do partido oficial, aceitando, porém candidatar-se a vice-prefeito na chapa de Osvaldo Sbeghen, gerente de sua empresa de viação. Essa chapa saiu afinal vitoriosa no pleito de novembro de 1976. Por essa época, pediu “anistia para os que foram cassados por motivos ideológicos ou que, por falsa apreciação, contestaram os propósitos da Revolução de março de 1964”. Em 1978 foi um dos defensores mais ardorosos da candidatura do general Figueiredo à presidência da República e de Laudo Natel ao governo de São Paulo, esta derrotada na convenção da Arena por Paulo Salim Maluf. Em julho manifestou-se contrário à escolha de Antônio Delfim Neto — que fora embaixador do Brasil na França de fevereiro de 1975 a fevereiro de 1978 e ministro da Fazenda nos governos do marechal Artur da Costa e Silva e do general Emílio Garrastazu Médici — para estruturar a campanha da Arena em São Paulo. Como integrante da comissão de propaganda do partido no estado com vistas ao pleito de novembro, denunciou o apoio eleitoral de Luís Carlos Prestes, então secretário-geral do proscrito Partido Comunista Brasileiro (PCB), ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar.

Durante o mandato na Câmara, foi membro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o problema do menor abandonado, vice-presidente da Comissão de Transportes e suplente da Comissão de Agricultura e Política Rural.

Reeleito deputado federal em novembro de 1978, em discurso na Câmara logo após o pleito declarou que o senador Petrônio Portela e o deputado Francelino Pereira eram os dois maiores responsáveis pela “insignificante vitória” obtida pela Arena na composição do novo Congresso. Na mesma ocasião, parabenizou Paulo Maluf, governador eleito pela Assembléia Legislativa de São Paulo, por seu trabalho em prol do partido naquele estado.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), agremiação sucessora da Arena. Foi seu vice-líder na Câmara em 1980 e 1981 e ao longo da legislatura participou da Comissão de Transportes. Foi também suplente da Comissão de Economia, Indústria e Comércio e da CPI destinada a apurar atos de corrupção praticados por órgãos da administração direta e indireta da União. No pleito de novembro de 1982 conseguiu nova reeleição, já na legenda do PDS. Assumindou o mandato em fevereiro do ano seguinte, nessa legislatura foi membro da Comissão de Legislação Social.

Durante uma comitiva que acompanhou o então presidente João Figueiredo ao Marrocos e à Espanha em abril de 1984, Franciscato tornou-se famoso em todo o país pelas declarações que fez em caráter extra-oficial aos jornalistas de plantão na viagem presidencial. Ele convocou a imprensa e disse que o general Figueiredo lhe tinha confessado que “se estivesse no Brasil teria sido o milionésimo primeiro” a participar do comício das oposições na campanha das diretas —, referência ao apoio popular pela aprovação na Câmara e no Senado da emenda Dante de Oliveira, que previa eleições diretas para a presidência da República em 15 de novembro daquele ano —, realizado no dia 10 de abril no Rio de Janeiro e que reuniu um milhão de pessoas. Mais tarde o deputado paulista desmentiu o fato de que havia atribuído tais palavras ao presidente e afirmou que não era novidade alguma que a tese das diretas sempre esteve entre as prioridades do chefe de Estado e seu amigo pessoal, desde que este se decidiu por levar adiante o processo de redemocratização do país.

Apesar da irritação inicial do general em torno do episódio — não foi a primeira vez que Franciscato apareceu como seu intérprete autorizado —, e de toda confusão e expectativa que o deputado causou entre os pedessistas, que apostavam na via indireta para a sucessão no governo federal, a classe política em geral e milhões de pessoas no país, o antigo relacionamento entre o presidente e o parlamentar — que rendeu a este último a concessão de um canal de emissora FM em Bauru, seu reduto eleitoral —, não foi prejudicado. Por outro lado, sua reputação dentro do PDS foi abalada.

Em 25 de abril de 1984, Franciscato ausentou-se na votação da emenda Dante de Oliveira. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação — faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado —, o pleito indireto foi realizado no Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985. Em nome da amizade com o general Figueiredo, Franciscato apoiou o candidato do governo, Paulo Maluf, na batalha sucessória para a presidência da República, que acabou dando ao candidato da Aliança Democrática — uma união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal —, Tancredo Neves, uma vitória nítida e expressiva. Contudo, por motivo de doença, Tancredo não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março.

Em novembro de 1986, Franciscato candidatou-se a uma vaga de deputado federal constituinte, na legenda do Partido da Frente Liberal (PFL), não sendo bem-sucedido. Deixou a Câmara em janeiro do ano seguinte, ao final da legislatura, não concorrendo a mais nenhum cargo eletivo.

Depois de afastar-se da vida pública, passou a se dedicar exclusivamente aos seus negócios particulares. Em 2009, ainda era presidente do Grupo Prata, conglomerando empresas do ramo de transporte e locação de veículos , como a transportadora Prata Express e a Prata Rent a Car . Também tornou-se sócio majoritário do Jornal da Cidade, em  Bauru (SP). 

Foi agraciado com as seguintes condecorações: Diploma de cooperação meritória na execução das Leis do Serviço Militar do Ministério do Exército (1971); Diploma do projeto Rondon, no Ministério Interior (1970-1971); Diploma da Federação e Centro do Comércio e Conselhos Regionais – SESC e SENAC (1971); Medalha Olavo Bilac, Escola Superior de Guerra, Ministério do Exército (1971); Comenda da Ordem do Rio Branco VBIQVE PATRIAE MEMOR (1845-1912); Comenda da República Francesa, Ordre National du Mérite; Comenda de Grande Oficial da Ordem Infante Dom Henrique, da Assembléia Legislativa de Portugal; Ordem do Mérito Aeronáutico, no grau de Grande Oficial; Ordem do Ipiranga no grau de Grande Oficial; Ordem do Rio Branco, no grau de Grande Oficial, Itamarati.

Casou-se com Maria Deolinda Barbosa Franciscato, com quem teve quatro filhos.

Escreveu Hidráulica do solo.

Jacqueline Cabral/ Daniela Barcellos (atualização)

 

 

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (, 1975-1979, 1979-1983, 1983-1987); Estado de S. Paulo (9/5/82, 14/4/84); FIGUEIREDO, R. ;& LAMOUNIER, B. Cidades; Globo (13/4/84); Jornal do Brasil (18/11/74, 28/6 e 29/9/76, 12/7, 7 e 22/11/78, 13/4/84); NÉRI, S. 16; Perfil (1980); Súmulas; Veja (28/6/78, 18/4, 2/05, 27/6 e 5/12/84); Who’s who in Brazil.

 

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