PEDRO LUDOVICO TEIXEIRA

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Nome: LUDOVICO, Pedro
Nome Completo: PEDRO LUDOVICO TEIXEIRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LUDOVICO, PEDRO

LUDOVICO, Pedro

*rev. 1930; interv. GO 1930-1935; gov. GO 1935-1937; interv. GO 1937-1945; const. 1946; sen. GO 1946-1951; gov. GO 1951-1954; sen. GO 1955-1969.

 

Pedro Ludovico Teixeira nasceu na cidade de Goiás, então capital do estado de Goiás, em 23 de outubro de 1891, filho do médico João Teixeira Álvares e de Josefina Ludovico de Almeida. Seu pai era membro da Academia Nacional de Medicina.

Fez os estudos básicos na Escola de Mestra Nhola e no Liceu Goiás, em seu estado natal, embarcando depois para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, a fim de estudar engenharia na Escola Politécnica. Entretanto, freqüentou este curso apenas durante uma semana, pois a freqüência mínima exigida o impedia de trabalhar. Transferiu-se então para a Faculdade de Medicina, pela qual se formou.

Retornou a Goiás em março de 1916, fixando residência em Bela Vista, onde começou a clinicar. Em 1917 mudou-se para Rio Verde (GO) e no ano seguinte casou com Gercina Borges Teixeira, filha de Antônio Martins Borges, senador, fazendeiro e comerciante. Em 1919, foi um dos fundadores do jornal O Sudoeste, iniciando através dele o combate ao situacionismo estadual dominado pela família Caiado, o que o levou a manter uma franca oposição ao governo.

Em 1929 manteve contatos com Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, presidente de Minas Gerais, e com o revolucionário Antônio de Siqueira Campos, que participavam da Aliança Liberal. Com a derrota dessa organização nas eleições de março de 1930, teve início a preparação da revolta armada que deveria ser desencadeada em vários pontos do país. O movimento eclodiu no dia 3 de outubro, e já no dia 4 Pedro Ludovico seguiu para Minas Gerais, a fim de juntar-se aos revolucionários. Retornou com um grupo deles a seu estado, sendo aprisionado pelas forças legalistas na entrada da cidade de Rio Verde, após um pequeno combate.

Em 24 de outubro, foi determinada a sua remoção para a cidade de Goiás, mas durante o percurso veio a notícia da vitória da revolução. Assim, Pedro Ludovico chegou ao destino não mais como prisioneiro, mas para assumir a liderança de um movimento vitorioso e o governo provisório do estado. Depois de se comunicar com Camilo Chaves, chefe revolucionário no Triângulo Mineiro, juntou-se a outros companheiros, e ocupou o palácio do governo. A chegada da coluna mineira chefiada por Carlos Pinheiro Chagas possibilitou que os revoltosos goianos entrassem em contato com o estado-maior da revolução, que determinara a formação em todos os estados de juntas governativas compostas por três membros. Em Goiás, em 27 de outubro, foram escolhidos, Pedro Ludovico, o desembargador Francisco Emílio Póvoa e o juiz de direito Mário de Alencastro Caiado.

Em 21 de novembro do mesmo ano, Pedro Ludovico foi nomeado interventor em seu estado. Quando eclodiu a Revolução Constitucionalista de 1932, manteve-se fiel ao governo federal, chegando a mobilizar tropas goianas para a fronteira de Mato Grosso.

Em 1933 foi decidida a reconstitucionalização do país, com a convocação de eleições para a Assembléia Nacional Constituinte. Em todos os estados, os interventores participaram da criação de partidos que representassem os objetivos doutrinários da Revolução de 1930 e em Goiás Pedro Ludovico tomou parte ativa na criação do Partido Social Republicano (PSR), que viria a preencher todas as cadeiras da representação goiana na Constituinte.

Em 1935, seguindo as normas da Constituição federal votada no ano anterior, reuniu-se a Assembléia Constituinte do estado de Goiás, que o elegeu governador (20/4/1935). Sua eleição contou com os votos da chamada “frente moderada” do seu partido, derrotando Domingos Neto de Velasco, candidato da “ala esquerdista”. A divergência central entre ambos dizia respeito, na época, à mudança da capital do estado, planejada por Pedro Ludovico desde o início de sua interventoria e finalmente concretizada em 1937, com a construção de Goiânia.

Em novembro de 1937, com a decretação do Estado Novo, permaneceu à frente do governo estadual, mais uma vez como interventor. No início de 1945, com a crise do Estado Novo e o surgimento de novos partidos políticos, participou intensamente da criação do Partido Social Democrático (PSD), do qual foi presidente em seu estado. Cinco dias após a queda de Getúlio Vargas (29/10/1945), foi substituído na interventoria, depois de 15 anos consecutivos à frente do Executivo estadual.

Durante o período em que ocupou o governo de Goiás, além da fundação de Goiânia construiu a rodovia que ligava a nova capital a Rio Verde, a usina Rochedo, destinada a fornecer força e luz a Goiânia, e a ponte sobre o rio Paranaíba, na divisa com Minas Gerais.

Em dezembro de 1945, foi eleito senador na legenda do PSD para um mandato de oito anos e, dessa forma, tomou parte nos trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte de 1946. Nos debates, defendeu o projeto da mudança da capital federal para o planalto do estado de Goiás.

Membro do diretório nacional de sua agremiação política, em 1950 interrompeu seu mandato no Senado para candidatar-se novamente ao governo de Goiás. Concorrendo com Altamiro de Moura Pacheco, foi eleito no pleito de 3 de outubro do mesmo ano, na legenda da coligação entre o PSD e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), com 84.553 votos.

Empossado em janeiro de 1951, governou por apenas três anos e meio, ao fim dos quais renunciou para desincompatibilizar-se e poder ser novamente candidato ao Senado. Durante sua gestão, adquiriu a Empresa de Força e Luz, aperfeiçoou o serviço sanitário e telefônico de Goiânia, instituiu o Serviço de Assistência Itinerante do Departamento de Saúde do estado, inaugurou hospitais, escolas e diversas rodovias.

Nas eleições de outubro de 1954, elegeu-se mais uma vez senador na legenda do PSD, com mandato de oito anos. Reeleito em outubro de 1962, sempre com o apoio do PSD, permaneceu no Senado até outubro de 1969.

Ao longo de sua vida parlamentar, foi membro das comissões de Saúde Pública, Agricultura, Legislação Social, Finanças e do Distrito Federal. No exterior, foi membro do conselho da União Interparlamentar em Varsóvia e observador parlamentar da delegação do Brasil à reunião do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT). Destacou-se na defesa do presidencialismo, embora tenha aceitado o Ato Adicional nº 4 que, em 2 de setembro de 1961, estabeleceu o regime parlamentarista. Lutou então pela antecipação do plebiscito que pouco depois (janeiro de 1963) revogou o parlamentarismo. Durante o governo de João Goulart, defendeu o direito de voto para os analfabetos, a elegibilidade dos sargentos e as reformas de base.

Em novembro de 1964, mobilizou homens armados para a defesa do mandato de seu filho Mauro Borges no governo estadual de Goiás, que este ocupava desde 1º de fevereiro de 1961. Entretanto, não teve sucesso, pois uma intervenção federal afastou o governador do cargo no dia 26 de novembro.

Em outubro de 1965 o Ato Institucional nº 2 (AI-2), promulgado pelo presidente Humberto Castelo Branco, extinguiu os partidos políticos, até então existentes. Com o advento do bipartidarismo, Pedro Ludovico filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), representando-o na vice-presidência do Senado até 1º de outubro de 1969, quando a junta militar que governou o país de 31 de agosto a 30 de outubro desse ano cassou seu mandato parlamentar com base no Ato Institucional nº 5 (AI-5), promulgado em 13 de dezembro de 1968 pelo presidente Artur da Costa e Silva.

 Em 1977, Pedro Ludovico manifestou-se contrário à extinção do bipartidarismo e favorável à candidatura do senador José de Magalhães Pinto (Arena — MG) à presidência da República. Dois anos depois, declarou-se partidário da abertura democrática, defendendo a anistia ampla e manifestando contentamento pelos bons resultados alcançados pelo MDB nas eleições de 1978.

Pedro Ludovico foi também redator do jornal goiano A Voz do Povo e membro honorário da Academia de Letras de São Paulo.

Faleceu em Goiânia no dia 16 de agosto de 1979, quando preparava mais um volume de seu livro Memórias (2ª ed. 1973).

Helena Faria

 

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; COUTINHO, A. Brasil; Diário do Congresso Nacional; ENTREV. PEIXOTO, A.; Grande encic. Delta; HIPÓLITO, L. Campanha; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; Jornal da Tarde (2/10/69); Jornal do Brasil (17/8/79); MORAIS, A. Minas; PEIXOTO, A. Getúlio; POPPINO, R. Federal; SENADO. Dados; SENADO. Relação; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; TEIXEIRA, P. Memórias; Who’s who in Brazil.

 

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