PEDROSO, RAUL

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Nome: PEDROSO, Raul
Nome Completo: PEDROSO, RAUL

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PEDROSO, RAUL

PEDROSO, Raul

*militar; rev. 1935.

 

Raul Pedroso nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 15 de maio de 1911, filho de João de Deus Pedroso e de Maria Amélia Pedroso.

Sentou praça em março de 1930, ingressando na Escola Militar do Realengo, em sua cidade, da qual saiu aspirante em janeiro de 1934. Foi em seguida transferido para Florianópolis, onde serviu na 2ª Companhia do 14º Batalhão de Caçadores (14º BC). Em junho de 1934 retornou ao Rio de Janeiro para ingressar no 3º Regimento de Infantaria (3º RI), designado para a Companhia de Metralhadoras do 3º Batalhão. Em agosto seguinte recebeu a patente de segundo-tenente.

Em 1935 participou da Aliança Nacional Libertadora (ANL), movimento nacionalista que congregava liberais e comunistas sob a presidência de Luís Carlos Prestes, visando o combate ao imperialismo e ao fascismo. A organização foi posta na ilegalidade em julho do mesmo ano, mas continuou atuando principalmente pela participação dos comunistas, que planejaram, em nome da ANL, um levante revolucionário, irrompido afinal em novembro de 1935.

No Rio de Janeiro a revolta teve seu foco principal no 3º RI, na Praia Vermelha. Logo que o movimento foi deflagrado nesse regimento, na madrugada do dia 27 de novembro, os revoltosos, liderados pelos capitães Agildo Barata, Álvaro de Sousa e José Leite Brasil, já haviam isolado o posto de comando legalista e se apossado do comando de todas as companhias, à exceção da companhia de metralhadoras leves do 1º e 2º batalhões (CM 1 e CM 2), que ainda resistiram por algum tempo antes de se renderem. Raul Pedroso foi o responsável pela sublevação da Companhia de Metralhadoras Leves do 3º Batalhão (CM 3) e pela prisão do capitão João Gomes Monteiro, que a comandava. Liderou ainda duas das tentativas dos revolucionários de sair do quartel, todas elas frustradas em razão do cerco estabelecido pelas tropas legalistas, sendo ferido numa dessas incursões.

Sufocado o movimento, foi preso e processado juntamente com os demais revolucionários, tendo sua patente militar cassada em dezembro de 1935. Em seu depoimento no inquérito realizado pela polícia do Distrito Federal, declarou que tomara conhecimento da revolta na véspera por intermédio do tenente Tomás Meireles, tendo permanecido junto à sua companhia para evitar excessos de seus comandados.

Ao comparecer ao Tribunal de Segurança Nacional (TSN), que julgava os revoltosos, declarou não ter cometido nenhum crime contra a ordem e sim participado de um movimento patriótico, assumindo responsabilidade total por seu atos. Dispensou a defesa fornecida pelo tribunal e declarou que só havia comparecido àquela sessão à força. Condenado pelo TSN em maio de 1937 a oito anos de prisão, foi libertado mediante habeas-corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em abril de 1941.

Novamente preso em 22 de dezembro de 1944 sob a acusação de manter contato com elementos comunistas, foi solto no dia se seguinte. Com o fim do Estado Novo (1937-1945) e a redemocratização do país, participou de articulações políticas e sindicais. Compareceu, em novembro de 1946, uma reunião de jornalistas filiados ao Movimento Unificador dos Trabalhadores (MUT), realizada na Associação Brasileira de Imprensa (ABI). O MUT constituiu uma articulação de sindicalistas, em sua maioria comunistas, embrião da central sindical Confederação dos Trabalhadores do Brasil (CTB), que teve curta existência legal. Nesse período, manteve também contatos com o líder sindical Roberto Morena.

Trabalhou como técnico de orçamento da Secretaria Geral de Finanças do Rio de Janeiro. Foi anistiado durante o governo João Goulart (1961-1964), em dezembro de 1961, tendo sido reformado com a patente de segundo-tenente em março de 1964.

Faleceu no dia 23 de dezembro de 1971.

Foi casado com Rute de Albuquerque Cruz.

 

 

FONTES: ARQ. MIN. EXÉRC.; BARATA, A. Vida; CAMPOS, R. Tribunal; MIN. GUERRA. Almanaque (1934); PORTO, E. Insurreição; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1937.

 

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