PELOPIDAS SILVEIRA

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Nome: SILVEIRA, Pelópidas da
Nome Completo: PELOPIDAS SILVEIRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SILVEIRA, Pelópidas

SILVEIRA, Pelópidas

*  pref.  Recife 1946, 1955-1959 e 1963-1964.

 

Pelópidas Silveira nasceu em Recife no dia 15 de abril de 1915, filho de Lisenando Elísio Silveira e de Laura de Sousa Silveira.

Cursou o primário no Colégio Santa Marga­rida e o secundário no Colégio Salesiano Padre Félix, então Ginásio de Recife, e no Ginásio Pernambucano, hoje Colégio Estadual.  Ingres­sou na Escola de Engenharia de Pernambuco e, desde o terceiro ano do curso, trabalhou no porto de Recife como assistente técnico, ten­do participado também da construção de estradas no interior do estado.  Bacharelou-se em 1935.

Em 1936 tornou-se assistente da cadeira de resistência de materiais da Escola de Engenha­ria, passando depois a reger a cadeira de construção civil, recém-criada na Universidade de Pernambuco.  Em 1938, foi assistente do professor Nílton Mara, na Escola de Arquite­tura - que então funcionava na Escola de Belas-Artes -, e passou a reger a cadeira de re­sistência de materiais quando do afastamento do titular, lutando ainda pela inclusão da Es­cola de Belas-Artes na Universidade de Per­nambuco.

Participou da criação do Instituto Tecnoló­gico do Estado de Pernambuco (ITP), funda­do por um grupo de engenheiros, sendo envia­do em 1943 a São Paulo para um curso de especialização em solos e fundações e em estruturas.  Passou quase um ano entre São Paulo e o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde estudou por seis meses no Instituto Nacional de Tecnologia.  Quando vol­tou a Recife, organizou a seção de solos e fundações do ITP, que passaria a dirigir.

Com o fim do Estado Novo (1937-1945) e a redemocratização do país, foi nomeado prefeito de Recife, tendo exercido o cargo de fevereiro a agosto de 1946, no governo do interventor José Domingues da Silva. Fez uma administração que o tornou popular, pois regulamentou a semana inglesa para os comer­ciários, alargou ruas e construiu praças, além de tabelar o preço do pescado na Semana Santa.  Deixou a prefeitura quando José Domingues da Silva foi afastado por pressão de grupos oligárquicos e substituído pelo general Demerval Peixoto.  Logo depois, começou a participar ativamente em Pernambuco da campanha pelo monopólio estatal do petróleo, organizando o Congresso de Defesa do Petróleo e tornando-se membro do Centro de Defesa do Petróleo. Não obstante, o mono­pólio estatal seria instituído apenas em 1953, durante o segundo governo do presidente Getúlio Vargas.

Em 1947 candidatou-se ao governo de Pernambuco na legenda do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e com o apoio do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunis­ta do Brasil (PCB), já na ilegalidade. Venceu a eleição em Recife, com 38.000 votos, e nas cidades de Jaboatão, São Lourenço da Mata e Olinda, mas perdeu no interior para Alexan­dre José Barbosa Lima Sobrinho, candidato do Partido Social Democrático (PSD), que afinal foi eleito. Os outros candidatos eram Manuel Neto Campelo Júnior, da União Democrática Nacional (UDN), e Eurico de Sousa Leão, do Partido Republicano (PR). Em 1949 Pelópidas Silveira abriu um escritó­rio de construção civil, que manteve até 1954, quando deixou também o ITP para se dedicar ao ensino superior e à política.

Em 1955 filiou-se em Pernambuco à Liga de Emancipação Nacional (LEN), sociedade civil fundada no Rio de Janeiro em abril de 1954 para defender as liberdades democrá­ticas e lutar pelo desenvolvimento autônomo da economia do Brasil.  Em junho de 1956 a LEN seria fechada pelo presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), acusada de infiltra­ção comunista. Ainda em 1955, fez parte da comissão organizadora do Congresso para a Salvação do Nordeste, embrião da Superinten­dência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Nesse ano houve a primeira eleição para prefeito de Recife - até então nomeado pelo governador -, devido a uma lei de iniciativa do deputado Antônio de Barros Carvalho, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que tor­nou a capital uma cidade autônoma, com direito a eleger seu prefeito.  Sem estar filiado a nenhum partido, em dezembro de 1955 Pelópidas foi lançado candidato com o apoio da Frente de Recife, movimento popular que agrupava comunistas, trabalhistas, socialistas e partidários de outros segmentos, entre eles o PTB, o PSB e pequenas agremiações como o Partido Trabalhista Nacional (PTN), ligado ao PTB.  Houve a tentativa de impugnar sua candidatura, sob a acusação de que era comu­nista, mas o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deu-lhe o registro por unanimidade.  Nesse período, o governador era o general Osvaldo Cordeiro de Farias, do PSD, e Pelópi­das Silveira, após sua eleição, passou a contar, na Câmara Municipal, com apoio de quatro vereadores, contra 19 que lhe faziam oposi­ção.

 

Na prefeitura de Recife

 

Durante sua administração, entregou ao público a avenida Conde de Boa Vista, ligando o centro da cidade aos subúrbios mais populo­sos; construiu a avenida Norte em concreto, ligando o bairro portuário à vila dos comerciá­rios em Casa Amarela; adquiriu o sítio Trinda­de, que datava da época da ocupação holande­sa e estava ameaçado de ser loteado, transfor­mando-o em logradouro histérico; construiu jardins e praças; adquiriu o Teatro do Parque; modernizou a frota coletora de lixo; regula­mentou a feira do livro, a higienização do mercado e dos matadouros públicos, e criou o entreposto de abastecimento, diminuindo o custo de intermediação.  Sua Secretaria de Agri­cultura aproveitou terras ao redor de Recife para a plantação de legumes.

Instalou ainda ônibus elétricos em Recife e criou um Conselho de Finanças, do qual  faziam parte industriais e comerciantes.  Inspi­rado nas comissões de bairro de São Paulo, fundou associações de bairro e organizou um modelo de estatuto, dando uma orientação mínima à sua formação.  Essas associações passaram a se constituir num elo entre o Executivo estadual e a população, auxiliando­-o, através de mutirões, em obras de infra-estrutura dos bairros. Além de criar as associa­ções, Pelópidas passou a realizar quinzenal­mente audiências coletivas no Teatro Santa Isabel, nas quais eram discutidos os principais problemas da cidade.

Nesse período de sua administração, foi convidado para integrar uma banca examina­dora na Faculdade de Arquitetura de São Paulo, passando o cargo para o vice-prefeito, o deputado Vieira de Meneses.  Este, em 15 dias de gestão, além de demitir o diretor de Administração, o jornalista Carlos Luís de Andrade, causando a exoneração em massa de todos os secretários da prefeitura, nomeou ainda dezenas de pessoas para importantes cargos públicos e ameaçou não entregar o cargo ao titular.  Ao regressar, Pelópidas foi aclamado em um comício, conseguindo res­taurar a ordem na prefeitura com o apoio das correntes políticas que compunham a Frente .de Recife.

Em outubro de 1958 foi candidato a vice­-governador na chapa encabeçada por Cid Sampaio e apoiada pela UDN, pelo PTB, o PSB, o PTN e o Partido Social Progressista (PSP).  Eleito, só tomou posse no dia 15 de dezembro de 1959, 11 meses após a data em que deveria ter assumido, já que não podia acumular as funções de prefeito de Recife e as de vice-­governador. Para defender a acumulação de cargos recorrera ao TRE e fora derrotado, mas apresentara recurso ao Tribunal Superior Elei­toral (TSE) que, todavia, não chegou a julgar a questão uma vez que se encerrara sua gestão na prefeitura, onde foi substituído por Miguel Arrais.

Permaneceria no cargo de vice-governador até 1963, tendo exercido interinamente o governo em várias oportunidades.  Num desses períodos, em junho de 1961, quando Cid Sampaio se encontrava no Rio de Janeiro, foi desagrada uma greve estudantil em Recife, abrangendo a Universidade Federal e a Univer­sidade Rural, e cujo comando geral funciona­va na Faculdade de Direito. O movimento ganhou vulto na cidade, sendo apoiado pelas organizações sindicais. Devido à relutância de Pelópidas em autorizar a invasão da faculdade pela Policia Civil, Arrais intercedeu, apelando para que não fossem praticados atos de violên­cia contra os estudantes.  Entretanto, por or­dem expressa do presidente Jânio Quadros (1961), tropas do IV Exército invadiram vio­lentamente a Faculdade de Direito, sufocando o movimento.

O episódio do navio português Santa Maria também ocorreu durante um dos períodos em que ocupava interinamente a chefia do gover­no. Apresado por um grupo anti-salazarista sob o comando do capitão Henrique Galvão, o Santa Maria vinha da Venezuela com 24 revol­tosos, seiscentos passageiros e trezentos tripu­lantes e entrou nas águas territoriais brasilei­ras, dirigindo-se ao porto de Recife, onde recebeu asilo do governo. do estado.  Galvão aceitou o asilo e ficou hospedado no Quartel Derby da Polícia Militar de Pernambuco, com plena liberdade de locomoção, até que as autoridades diplomáticas resolvessem o assun­to.

Em 1962, foi candidato a deputado federal na legenda da Aliança de Base Cívica (ABC), formada pelo PSB - ao qual se filiara em 1960, integrando também seu diretório nacio­nal -, e pelo Partido Social Trabalhista (PST), mas obteve apenas a primeira suplência e não chegou a exercer o mandato.  Participou da campanha eleitoral que conduziu Miguel Arrais ao governo pernambucano em outubro de 1962, tornando-se seu secretário de Via­ção, cargo que ocuparia até dezembro de 1963, simultaneamente ao de professor da Faculdade de Arquitetura.

Em agosto de 1963 reelegeu-se prefeito de Recife, apoiado pelo PSB e pelo PTB, assu­mindo em dezembro.  Foi deposto pelo movi­mento político-militar de março de 1964 e levado, no dia 2 de abril, para o IV Exército, onde foi detido pelo chefe do estado-maior, general Isaac Nahon, que lhe pediu a renúncia, recebendo no entanto resposta negativa.  No mesmo dia, a Câmara Municipal votou seu impedimento por 20 votos contra um - do vereador Jarbas Holanda, que foi preso -, declarando seu cargo vago poucos dias depois, quando assumiu o vice-prefeito Augusto Luce­na. Foi cassado no dia 10 de abril seguinte por força do Ato Institucional nº.1 (AI-I), tendo permanecido sob a custódia do Regimento de Obuses, em Olinda (PE), durante cinco meses.  Transferido para a Companhia de Guardas para prestar depoimentos, seguiu depois para o Hospital do Exército para tratamento de saúde.  Foi libertado em 15 de dezembro de 1964.

Em março de 1965 foi processado com mais 38 pessoas, mas requereu à Auditoria Militar que se declarasse incompetente para julgá-lo, porque tinha foro especial devido aos cargos que exercera. A auditoria concordou e o processo passou à Justiça Civil, que não chegou a apreciá-lo pois, em 1966, o AI-2 trans­feriu todos os processos para a Justiça Militar.  Foi aposentado em outubro de 1965, ao lado de outros seis professores da Universidade de Pernambuco.

Em julho de 1979 filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposição ao governo federal, e, após extinção do bipar­tidarismo em novembro do mesmo ano, fi­liou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).  Em 15 de maio de 1980 foi beneficiado pela Lei da Anistia, decretada no governo do general João Batista Figueire­do, reintegrando-se à Universidade Federal de Pernambuco, em cuja Escola de Engenharia lecionou as disciplinas resistência dos materiais e formação dos solos durante dez meses.

Aposentado desde 1981, passou a trabalhar exclusivamente na empresa Nacional Gás Butano, à qual estava ligado desde 1964.

Casou-se com Maria da Luz de Sousa Campos, com quem teve três filhos.

 

FONTES:  ARQ.  DEP.  PESQ.  JORNAL DO BRASIL; ENTREV.  BIOGRAFADO; Grande encic.  Deita; INF. BIOG.; Jornal do Brasil (7/4/74; 28/6 e 10/7/79; 7 e 15/5/80);  LIGA DE EMANCI­PAÇÃO NAC.  TRIB. SUP. ELEIT. Dados (6 e 7).

 

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