PEREIRA, JOSE CANAVARRO

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Nome: PEREIRA, José Canavarro
Nome Completo: PEREIRA, JOSE CANAVARRO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PEREIRA, JOSÉ CANAVARRO

PEREIRA, José Canavarro

*militar; ch. Gab. Mil. Pres. Rep. 1955; comte. II Ex. 1969-1971; ch. Depto. Mat. Bél. Ex. 1971-1972.

 

José Canavarro Pereira nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 7 de julho de 1906, filho de Antônio da Silva Pereira e de Maria Luísa Canavarro Pereira.

Iniciou sua carreira militar ingressando em abril de 1924 na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, de onde saiu em janeiro de 1927 como aspirante-a-oficial. Em julho seguinte foi promovido a segundo-tenente, em julho de 1929 a primeiro-tenente e em julho de 1934 a capitão. Em abril de 1943 chegou à patente de major, em dezembro de 1948 passou a tenente-coronel e em dezembro de 1952 a coronel.

Foi adido militar do Brasil no Peru, serviu no Estado-Maior do Exército (EME) e no Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA).

 

Na chefia do Gabinete Militar

Em agosto de 1954, quando uma violenta crise política culminou com o suicídio do presidente da República Getúlio Vargas, no dia 24, foi empossado no cargo o sucessor constitucional, vice-presidente João Café Filho, a quem cabia terminar o mandato presidencial. O novo governo comprometeu-se a realizar as eleições marcadas para 3 de outubro de 1955, quando seria escolhido o novo presidente, contrariando assim parte dos políticos da União Democrática Nacional (UDN), interessados no adiamento do pleito. Apesar do compromisso assumido, o governo não conseguiu evitar que as pressões contrárias às eleições se avolumassem e que seus opositores procurassem impedir as candidaturas de origem getulista. Realizadas as eleições, foi vitoriosa a aliança partidária feita entre o Partido Social Democrático (PSD), que indicou para presidente Juscelino Kubitschek, e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que indicou para vice-presidente João Goulart, ex-ministro do Trabalho do segundo governo de Getúlio Vargas. Essa aliança obteve no pleito 36% dos votos contra 30% dados à aliança feita entre o Partido Democrata Cristão (PDC) e a UDN, que indicou Juarez Távora e Mílton Campos. Derrotada, a UDN desencadeou uma campanha política para impedir a posse dos eleitos. Apelando para uma intervenção das forças armadas, levantou, entre outros, o argumento de que os candidatos vitoriosos não tinham obtido a maioria absoluta dos votos. A campanha teve repercussão favorável entre setores militares, que passaram a organizar um movimento político no sentido de anular as eleições e promover novo pleito.

Em 15 de outubro de 1955, Canavarro Pereira — que já ocupara anteriormente a função de subchefe do Gabinete Militar da Presidência da República — foi nomeado pelo presidente Café Filho chefe de seu Gabinete Militar em substituição ao general José Bina Machado. Nesse governo, esse órgão foi uma das bases de apoio da campanha contra a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart.

No princípio de novembro de 1955, por ocasião do enterro do general-de-exército Canrobert Pereira da Costa, chefe do EMFA no governo Café Filho, o coronel Jurandir de Bizarria Mamede fez um apelo público para que os militares interviessem no sentido de impedir a posse dos eleitos. Diante do teor político do discurso, o ministro da Guerra, Henrique Teixeira Lott, procurou o presidente Café Filho para exigir deste licença para punir o coronel Mamede, que se encontrava subordinado à presidência da República por servir na Escola Superior de Guerra (ESG). Canavarro Pereira informou Lott de que o presidente encontrava-se internado no Hospital dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro. Em nova tentativa do ministro da Guerra de falar diretamente com Café Filho, Canavarro explicou-lhe que a gravidade do estado de saúde do presidente não permitiria sequer inteirá-lo do assunto. No dia 5, porém, comunicou a Lott que o presidente não concordava em punir o coronel Mamede.

No dia 9, agravando-se seu estado de saúde, o presidente Café Filho foi licenciado do governo e substituído pelo presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, um pessedista dissidente, aparentemente ligado aos conspiradores. Persistindo o novo presidente na recusa em punir Mamede, o general Lott demitiu-se do Ministério da Guerra. Em seguida, com o suporte do general Odílio Denis — comandante da Zona Militar Leste —, mobilizou o comando do Exército no Rio de Janeiro. No dia 11, Lott ocupou prédios, estações de rádios e jornais e cercou as bases aéreas e navais simpáticas ao movimento conspiratório, conseguindo, através dessa movimentação, a decretação do estado de sítio e o impedimento do presidente Carlos Luz. No mesmo dia assumiu a presidência da República o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos, que a ocuparia até a posse dos candidatos eleitos.

Leal ao governo deposto, Canavarro Pereira embarcou no cruzador Tamandaré também no dia 11, com mais alguns políticos e militares que acompanharam Carlos Luz até São Paulo, onde esperavam poder instalar o governo deposto. Frustrada esta última tentativa de resistência por falta de apoio da maioria das unidades militares do país, o cruzador voltou ao Rio de Janeiro. Por sua participação nesse episódio, Canavarro Pereira ficou preso no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), comandado pelo coronel Ladário Pereira Teles. Prosseguiu então em sua carreira, guardando atitude de discrição. Promovido a general-de-brigada em julho de 1961, na mesma data foi nomeado pelo presidente da República, Jânio Quadros, comandante de uma infantaria divisionária. Em 1963, durante o governo João Goulart (1961-1964), comandou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO).

Após o movimento político-militar de março de 1964, que depôs o presidente Goulart, foi nomeado, em abril, comandante da Infantaria Divisionária da 2ª Região Militar, em São Paulo. Promovido a general-de-divisão em julho de 1965, foi diretor-geral do Serviço de Material Bélico do Exército de 1967 a 1968.

 

No comando do II Exército

Em março de 1969 recebeu a patente de general-de-exército e, em maio do mesmo ano, foi nomeado comandante do II Exército, com jurisdição sobre os estados de São Paulo e Mato Grosso, em substituição ao general Vicente de Paulo Dale Coutinho. Assumiu o comando dessa grande unidade poucos meses depois da edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5), decretado em 13 de dezembro de 1968, num momento em que se acentuava sensivelmente a participação das forças armadas nas operações de repressão aos grupos de esquerda que se opunham ao regime. Exemplo disso, foi a Operação Bandeirantes (Oban) criada por Canavarro Pereira, em julho de 1969, que funcionava dentro do II Exército e foi dirigida pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. Mistura de entidade policial e militar, foi sustentada com recursos oficiais e doações de empresários.

Em 31 de agosto de 1969, tendo sofrido uma trombose cerebral, o presidente Artur da Costa e Silva foi afastado do cargo. Em seu lugar, assumiu o governo uma junta militar formada pelos três ministros militares. À frente do II Exército, Canavarro Pereira participou de várias reuniões do Alto Comando do Exército para decidir sobre a sucessão presidencial. Numa reunião realizada em 5 de setembro, frisou que “as classes produtoras desejavam um militar para substituir Costa e Silva”. Em nota oficial divulgada em 16 de setembro a junta militar informou que, após ouvir o Alto Comando do Exército, decidira que a sucessão de Costa e Silva seria referendada pelo Congresso Nacional que, para tanto, seria reaberto, depois do recesso em que fora colocado desde a edição do AI-5. No dia 24 desse mês, em entrevista à imprensa, Canavarro Pereira observou: “Há um prazo de ética médica e humana para se saber se a enfermidade que acometeu o presidente da República vai exigir ou não o afastamento do marechal Costa e Silva do governo.” Afinal, em 25 de outubro de 1969, o general Emílio Garrastazu Médici e o almirante Augusto Rademaker foram eleitos respectivamente, presidente e vice-presidente da República, sendo empossados cinco dias depois.

Em janeiro de 1971 Canavarro Pereira foi substituído no comando do II Exército pelo general-de-exército Humberto de Sousa Melo. Em seu discurso de despedida, procurou explicar a intensa repressão contra adversários do regime dizendo que, “pelo volume de ações de terrorismo já realizadas, não restava a menor dúvida de que São Paulo, principalmente a capital, havia sido escolhido como ponto focal da atuação subversiva no Brasil, porque os resultados aqui obtidos se refletiam inexoravelmente sobre a economia nacional”. Explicou ainda que nunca enfrentara antes “situação tão complexa”. Com limitados recursos, tivera a missão de combater “um inimigo ardiloso, truculento e quase invisível, que, não respeitando os princípios éticos e morais da guerra convencional, era capaz de realizar ações indiscriminadas e cometer cruentas e desumanas violências para a realização de seu objetivo de produzir o terror e o caos em todo o país”.

Em março do mesmo ano, foi nomeado chefe do recém-criado Departamento de Material Bélico do Exército. Nesse cargo, elaborou documento divulgado em 1972, Política de material bélico do Exército, no qual propôs a associação das forças armadas com a iniciativa privada para a produção e comercialização de equipamentos militares. Criticou ainda a fabricação de armas pelo Exército, coerente com sua iniciativa de conceder o primeiro crédito a uma empresa privada, a Engesa, para a fabricação de carros de combate. Em outubro de 1972 foi substituído na chefia desse departamento pelo general-de-exército Vicente de Paulo Dale Coutinho e passou para a reserva.

Em julho de 1975 viu os resultados dos seus estudos serem aprovados através da criação, pelo presidente Ernesto Geisel (1974-1979), da Indústria de Material Bélico (Imbel). Nessa ocasião, declarou que “as fábricas de armamentos do país devem ser convertidas em verdadeiras empresas comerciais, sob a liderança da Imbel, incluindo os seus produtos na nossa pauta de exportação”. Reafirmou ainda que tivera experiência nesse campo quando modernizara o equipamento do Exército e iniciara os contatos com os países da América Central para a venda de material desativado.

Em sua carreira militar fez também os cursos da Escola de Armas, da Escola de Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra.

Faleceu em 26 de janeiro de 1990.

Era casado com Maximiliana Murgel, com quem teve dois filhos.

 

FONTES: CAFÉ, FILHO, J. Sindicato; CARNEIRO, G. História; CHAGAS, C. 113; Correio da Manhã (15/10/55); Globo (25/9 e 4/8/69, 23/10, 5/11, 3, 29 e 30/12/70); Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (6/1/71); MIN. GUERRA. Almanaque (1970); MIN. GUERRA. Subsídios; Veja (23/7/75).

 

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